"Todos os anos é a mesma coisa.
Nas semanas que antecedem a
visita do SL Benfica ao campo
das Antas, repete-se o modus
operandi de há décadas. A pressão sobre a arbitragem, os devaneios isolacionistas, a máquina
de propaganda, o esconder das
dificuldades com os amigos certos nos locais do costume e,
claro, a eterna guerra com Lisboa e o Sul de Portugal. Nada de
novo, tudo bafiento. Nem a nova
equipa feminina de futebol do
próximo adversário parece conseguir resistir ao complexo de
inferioridade, como se viu depois
da goleada na Supertaça e a
recusa de guarda de honra às
hexacampeãs nacionais.
Uma e outra época volto a este
tema nas crónicas do nosso jornal. Não há como fugir. No próximo domingo, a partir das 20:30,
não são apenas duas equipas
masculinas de futebol que se
defrontam. São dois estilos de
encarar a vida e o desporto. De
um lado, um clube de dimensão
nacional e internacional, com o
maior número de sócios do planeta e de troféus conquistados
ao longo da história, o motor do
desporto nacional. Do outro, o
FC Porto, casa de má-fama ligada à coação, à corrupção (condenada e assumida em tribunal), à violência gratuita e ao
discurso de ódio.
No domingo, como todos nós já
sabemos de outros carnavais,
não basta ser melhor, fazer mais
golos ou chegar primeiro aos
lances. É que acontecem sempre
“coisas estranhas”, parafraseando o atual treinador italiano do
adversário de domingo. O tal que
continua a falar inglês em todas
as conferências de imprensa (e a
atacar a comunicação social) e
não sente o repúdio da comunicação social que, por exemplo,
Roger Schmidt teve de enfrentar.
As “coisas estranhas” já se repetem desde o início deste campeonato, com cartões amarelos e
agressões perdoadas, pouco futebol e canela até ao pescoço,
numa clara demonstração de que
a agressividade em forma de violência é permitida a quem veste
de azul e branco. Nada de novo,
volto a dizer. Estamos todos preparados para o que aí vem. Agora
é ir lá, trazer três pontos e deixá-los a falar sozinhos."
Ricardo Santos, in O Benfica

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