"1. Não há campeões em setembro. Ninguém é campeão e ninguém deixa de ser campeão nesta altura
do ano. Não sirvam estas considerações básicas de
consolo, porque não é essa a intenção. O Benfica
terá de fazer o seu campeonato com o olhar posto
nos 3 pontos, jornada a jornada, apenas isso.
2. O treinador do FC Porto ganhou na oratória. Atirou
com o conceito das “coisas estranhas” e viu-se, no
decorrer do jogo, como árbitros e video árbitros
tudo fizeram para que nada de estranho acontecesse. Fez bem Marco Silva ao recusar-se a entrar
neste lamaçal.
3. Nesse sentido, pode dizer-se que o clássico foi um
repertório de clássicos. Houve momentos em que o
decorrer do jogo até forneceu a sensação de estarmos numa festa temática dos anos 90.
4. Na primeira parte, por exemplo, os donos da casa
fizeram 9 faltas e receberam 1 cartão amarelo.
Os visitantes fizeram 6 faltas e receberam 3 cartões amarelos e um cartão vermelho. Há jogos,
nomeadamente entre os emblemas mais importantes, que ficam para a História ligados a um episódio, a uma conjuntura, a uma jogada, a um jogador, a uma frase… Falaremos sempre do
FC Porto-Benfica “do César Brito” ou do Sporting-
-Benfica “do João Vieira Pinto” ou do Benfica-
-FC Porto “do golo do Saviola”.
5. Este último clássico bem pode ficar para a História
como o jogo da “dualidade de critérios”, que foi a
expressão mais usada por todo o país mal o árbitro deu por terminados os seus trabalhos. Crianças de tenra idade recém-iniciadas no gosto pela
bola, anciões que veem futebol há décadas e décadas, gente de todas as profissões e condições que
se interessa pelo fenómeno desportivo independentemente das suas afeições clubistas, analistas
profissionais, analistas amadores e o próprio presidente do Benfica, não houve quem não utilizasse
o chavão da “dualidade de critérios” para resumir
os acontecimentos da noite de domingo.
6. No fim do FC Porto-Benfica “da dualidade de critérios”, o treinador do Benfica apresentou-se na sala
de imprensa e recusou-se a dar troco ao treinador
do FC Porto. “Venho de uma cultura diferente”,
disse. Deve ser, de facto, um retrocesso civilizacional, depois de quase uma década a trabalhar
em Inglaterra, voltar a Portugal e constatar que
nada mudou.
7. Vem aí mais uma pausa no Campeonato por força
das seleções. O Benfica dá 17 jogadores às suas
respetivas equipas nacionais. Três deles –
Samuel, Araújo e Palhinha – foram chamados por
Jesus, o que faz do Benfica o clube português que
mais contribui para a seleção nacional. Isto é que
já não era habitual."
Leonor Pinhão, in O Benfica

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