quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A despedida do Bom Gigante


"JOSÉ TORRES REALIZOU O SEU ÚLTIMO JOGO PELO BENFICA EM JULHO DE 1971, DEPOIS DE 12 ÉPOCAS NA LUZ.

A 21 de julho de 1971, jogou-se a final da Taça Ribeiro dos Reis. Empurrada para a equipa de reservas, a importância da prova já não fazia jus ao nome que ostentava. O Benfica disputou a final da prova, com a sua equipa de reservas, frente ao Sporting de Braga, no Estádio do Restelo, “muito bem emoldurado de público”.
José Torres era o capitão da equipa e, como alguns dos seus companheiros, realizava o seu último jogo com a camisola do Benfica. Neste dia, “Torres não quis abandonar o Benfica sem deixar saudades entre os benfiquistas. Atrás, à frente, bolas na trave, um golo, enfim… Torres”. Marcou o primeiro dos 3 golos encarnados, de cabeça, aos 10 minutos da segunda parte, e foi com orgulho e emoção que, no final do encontro, levantou mais um troféu para o clube que representou durante 12 épocas.
Aos 33 anos, José Torres deixava o Benfica para representar o Vitória Futebol Clube. Mas a despedida do Bom Gigante não podia ficar assim! Então, José Torres foi homenageado no Estádio da Luz, a 31 de julho de 1971, antes do jogo amigável frente ao Arsenal. O elogio ao jogador foi lido por Osvaldo Branco, vice-presidente da Direção, e, de seguida, Torres alinhou no seu lugar habitual e jogou, durante dois minutos, “no ataque que tantas vezes conduziu e fez brilhar”. Seguiu-se a despedida para sempre, “sublinhada com os quentes, sinceros e demorados aplausos dos que sempre o acarinharam e incitaram”.
O amor de José Torres ao Benfica foi descrito da melhor forma por Osvaldo Branco, quando, no elogio ao jogador, referiu a resposta de Torres ao ser questionado sobre a sua dispensa do Benfica: “Se eu no decurso de 12 épocas ajudei a resolver tantos problemas futebolísticos ao Benfica, pois se o Benfica de mim precisa para a resolução de mais um, pode contar com a minha colaboração.”
José Torres conquistou 9 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal e 3 Taças de Honra, marcou 284 golos em 347 jogos pela equipa principal e, em 1962/63, conquistou a Bola de Prata, por ter sido o melhor marcador do Campeonato Nacional, com 26 golos.
Saiba mais sobre o Bom Gigante na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

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