"Todos os anos, a mesma coisa: o
entra e sai, os negócios que já
estão fechados, os nãos rotundos, as efabulações, as notícias
plantadas, a desconfiança, a polémica, os excedentários e os
que têm as portas abertas e
fechadas da equipa principal. Já
não é novidade para ninguém
que a pré-época é sempre um
manancial de títulos alarmantes,
mas, no caso do Sport Lisboa e
Benfica, parece que a confusão
generalizada dura todo o ano.
Seja nas épocas de transferências ou não, há sempre alguma
coisa para esmiuçar. É normal e
só se passa com o Glorioso. Porquê? Porque dos outros, pouco
se quer saber, apesar dos seus
milagres e telhados de vidro.
Neste defeso, já li e ouvi de
tudo. Que José Mourinho deveria ter renovado antes (como se
fez anteriormente com Roger
Schmidt e depois, afinal, tinha
sido um erro), que o Special One
estava acabado como treinador,
mas o Real Madrid está interessado nele (incoerência difícil de
qualificar) ou que Marco Silva é
o próximo homem certo (mas
que afinal quer é o Fulham e
depois afinal já não quer).
Tudo e o seu contrário parece ser
a ordem para se poder comentar
a atualidade do SLB. Como se os
observadores do mundo do futebol fossem duas senhoras de
idade, vizinhas, debruçadas na janela enquanto estendem a roupa
e dizem mal de quem passa na
rua. Deixou de haver critério. No
relvado e no tratamento da informação. Mesmo com a vitória de
uma equipa da Liga 2 (a primeira
da história) na final da Taça de
Portugal, conseguiu incluir-se
tempo de antena para falar do
Benfica. O perdedor era outro,
num ano sem levar troféus para o
museu, mas o que interessa
mesmo é criticar as opções dos
dirigentes encarnados. É sempre
mais fácil fazer comunicação ao
jeito dos reels do TikTok. Duas
frases fortes e esperar pelo lixo
na caixa dos comentários. Se é
verdade ou não, já tanto faz.
A responsabilidade, no entanto,
não é apenas de quem está de
fora. É fechar a torneira das
entrevistas de pré-época e deixar
de entregar o ouro ao bandido."
Ricardo Santos, in O Benfica


