"O GENEROSO SÓCIO BENFIQUISTA QUE DURANTE
16 ANOS OFERECEU
AO CLUBE AS REDES
UTILIZADAS NOS MAIS
DIVERSOS DESPORTOS.
José Lucas Catita era um
homem simples, de trato
agradável, que vivia in -
tensamente o “seu” Benfica. Nascido no Montijo, desde
novo iniciou-se nas artes do
fabrico de redes de pesca, num
tempo em que a atividade piscatória tinha grande importância nestas zonas ribeirinhas.
Porém, os primeiros tempos do
ofício não foram fáceis, pois as
dificuldades financeiras e os
sacrifícios a fazer foram elevados. Graças ao seu espírito
determinado e empreendedor,
o negócio acabou por vingar,
mudou de poiso, instalando-se
em Almada, e construiu aí
uma oficina na qual fabricava
redes de futebol, andebol, ténis e outras
modalidades. Passou a vender este tipo de
materiais a diversos clubes, como o Montijo,
o Portalegrense e o Torreense, mas ao Benfica
jamais cobrou um tostão sequer.
O grande amor e dedicação de José Lucas
Catita pelo Benfica levou-o a fazer parte de
inúmeras iniciativas: onde quer que o Clube
o reclamasse, estava sempre pronto para
responder à chamada e figurou na subcomissão de Almada encarregada de recolher
os donativos para o novo estádio. Incansável nos seus propósitos e com o intuito de
melhorar estes serviços, chegou mesmo a
convidar o Orfeão do Benfica a atuar naquela localidade.
Em meados da década de 1950, passou
também a fornecer gratuitamente as redes
necessárias à prática de todas as atividades
desportivas do Benfica. No caso das redes
para as balizas do hóquei em patins, uma vez
que necessitavam de uma certa adaptação,
era o próprio José Lucas
Catita quem as colocava.
A sua dedicação ao Clube
era inexcedível, deslocando-se duas a três vezes
por semana a Lisboa, calcorreando todas as instalações do Estádio da Luz para
perceber quais os materiais
em falta. Em 1972, numa
entrevista concedida ao jornal O Benfica, alegava que
cumpria esta prática há 16
anos. Bem-humorado, confidenciou or gulhosamente:
“É preciso não esquecer
que as ‘minhas redes’
foram já campeãs da Europa e, por vezes, até me intitulo de campeão.” Por essa
altura, o seu espírito irrequieto e solidário encontrava-se ao serviço da campanha para a construção da
Cidade Desportiva. Figura
sobejamente conhecida nos
meios benfiquistas de Lisboa
e na província, apelava a
todos os sócios e simpatizantes do Clube ligados às
atividades comerciais e industriais que efetuassem a devida contribuição para a realização deste ambicioso projeto.
Se o Benfica se tornou num dos maiores
clubes do mundo, muito o deve a homens
desta envergadura, que merecem ser resgatados do anonimato e recordados pelas gerações presentes e futuras.
Conheça mais sobre os sócios do Benfica
na área 16 – Outros Voos, do Museu Benfica –
Cosme Damião."
Ricardo Ferreira, in O Benfica

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