quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Homem das Redes


"O GENEROSO SÓCIO BENFIQUISTA QUE DURANTE 16 ANOS OFERECEU AO CLUBE AS REDES UTILIZADAS NOS MAIS DIVERSOS DESPORTOS.

José Lucas Catita era um homem simples, de trato agradável, que vivia in - tensamente o “seu” Benfica. Nascido no Montijo, desde novo iniciou-se nas artes do fabrico de redes de pesca, num tempo em que a atividade piscatória tinha grande importância nestas zonas ribeirinhas. Porém, os primeiros tempos do ofício não foram fáceis, pois as dificuldades financeiras e os sacrifícios a fazer foram elevados. Graças ao seu espírito determinado e empreendedor, o negócio acabou por vingar, mudou de poiso, instalando-se em Almada, e construiu aí uma oficina na qual fabricava redes de futebol, andebol, ténis e outras modalidades. Passou a vender este tipo de materiais a diversos clubes, como o Montijo, o Portalegrense e o Torreense, mas ao Benfica jamais cobrou um tostão sequer.
O grande amor e dedicação de José Lucas Catita pelo Benfica levou-o a fazer parte de inúmeras iniciativas: onde quer que o Clube o reclamasse, estava sempre pronto para responder à chamada e figurou na subcomissão de Almada encarregada de recolher os donativos para o novo estádio. Incansável nos seus propósitos e com o intuito de melhorar estes serviços, chegou mesmo a convidar o Orfeão do Benfica a atuar naquela localidade.
Em meados da década de 1950, passou também a fornecer gratuitamente as redes necessárias à prática de todas as atividades desportivas do Benfica. No caso das redes para as balizas do hóquei em patins, uma vez que necessitavam de uma certa adaptação, era o próprio José Lucas Catita quem as colocava. A sua dedicação ao Clube era inexcedível, deslocando-se duas a três vezes por semana a Lisboa, calcorreando todas as instalações do Estádio da Luz para perceber quais os materiais em falta. Em 1972, numa entrevista concedida ao jornal O Benfica, alegava que cumpria esta prática há 16 anos. Bem-humorado, confidenciou or gulhosamente: “É preciso não esquecer que as ‘minhas redes’ foram já campeãs da Europa e, por vezes, até me intitulo de campeão.” Por essa altura, o seu espírito irrequieto e solidário encontrava-se ao serviço da campanha para a construção da Cidade Desportiva. Figura sobejamente conhecida nos meios benfiquistas de Lisboa e na província, apelava a todos os sócios e simpatizantes do Clube ligados às atividades comerciais e industriais que efetuassem a devida contribuição para a realização deste ambicioso projeto.
Se o Benfica se tornou num dos maiores clubes do mundo, muito o deve a homens desta envergadura, que merecem ser resgatados do anonimato e recordados pelas gerações presentes e futuras.
Conheça mais sobre os sócios do Benfica na área 16 – Outros Voos, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

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