Últimas indefectivações
Wednesday, April 8, 2026
PUSÉMO-NOS A JEITO
"Casa Pia 1 - 1 BENFICA
Pré-jogo 1.
Futebolzinho português no seu pior. Fila monumental para entrar no estádio. Devem gerir um jogo com o Benfica como quem gere um com o Aves.
Pré-jogo 2.
Cá dentro antes do início do jogo. Milagre! Estádio coberto, mas chove quase tanto como na rua, é cada pingalhão que cai da cobertura, nossa senhora!
ALLEZ ALLEZ ALLEZ BENFICA ALLEZ
ALLEZ ALLEZ ALLEZ BENFICA ALLEZ
08 Ríos de meia distância. Bom remate. Bom para ver se acordamos,começo muito lento.
15 aos poucos estamos a tomar conta do jogo. Lukebakio tem sido o agitador maior.
22 fdx, ó Ríos, tanto trabalho e depois falhas o mais fácil quando consegues a superioridade?
30 momentos de solteiros e casados em Rio Maior.
36 melhor jogada até agora, mas o Lukebakio deu nas orelhas da bola... Entretanto, o Trubin vai comendo pipocas. O filme é que não está grande coisa.
40 Schjelderup a aparecer no jogo. Bem precisamos.
43 a cheirar o golo duas vezes em nenos de nada, vamos lá, crl!
45+3 com menos cerimónias para rematar, já podia estar uma lá dentro, não?
45+4 tivemos 79% de posse de bola para 2 remates enquadrados e 0,76 golos esperados. Temos que jogar muito mais rápido para dar a volta aos dois autocarros montados pelo homem do boné. Estão a fazer pela vida, mas é com estas equipas, que matam qualquer espetáculo, que querem que seja dividido o nosso dinheirinho dos direitos televisivos? Quem quer lá fora comprar este futebol?
46 voltam os mesmos.
47 o Rafa, que esteve 47 minutos apagado do jogo, apareceu isolado mas rematou ao lado do piate mais longe...
50 aí está o antijogo em todo o seu esplendor, o redes a torcer-se com dores sem que ninguém lhe tivesse sequer tocado. Levantou-se, marcou uma falta fora da área e voltou a correr para a baliza.
61 mais uma perdida... boa abertura do Rafa de trivela, Ota no segundo poste pró meio, a baliza aberta e ninguém a empurrar para dentro.. .
67 Prestianni, bom centro, Schjelderup nas alturas a assistir o Ríos, que emenda à boca da baliza. Um-zero!!!
70 o apitador-mentiroso deixa amarelo no bolso numa entrada vergonhosa sobre o Schjelderup.
77 andámos a engonhar depois do golo, pronto, aí está o castigo: um-um. Abrimos a autoestrada...
79 o Schjelderup faz tudo bem.... e falha completamente o golo que fabricou.
85 de apoio Benfiquista não se pode a equipa queixar
90 sobram 6 minutos para mostrarmos o que valemos enquanto ees vão trabalhando competentemente o antijogo.
90+6 já fomos. Tínhamos que sair daqui com os três pontos, tínhamos que fazer mais, muito mais para os levar."
O PREC do Benfica escorregou nas carambolas do Casa Pia
"O Processo de Recuperação Em Curso das águias foi travado quando mais perto do topo poderia ficar. Diante de um adversário aflito, mas que tem roubado pontos aos ocupantes dos lugares cimeiros da tabela, o 1-1 registou-se após um golo de Rafael Brito, médio que passou mais de uma década no Seixal
A 1 de fevereiro, o Benfica empatou a zero em Tondela. Ficava, então, a nove pontos do FC Porto, tendo mais um encontro disputado que os dragões. A equipa de Farioli viria, depois, a perder surpreendentemente diante do Casa Pia, mas a quase dezena de pontos de desvantagem parecia, dado o adiantado do campeonato, demasiado grande.
Avança-se dois meses e as águias lograram um verdadeiro PREC, Processo de Recuperação Em Curso. Em sete rondas, ganharam seis e empataram contra os líderes. Chegados ao mesmo campo onde o FC Porto perdeu com estrondo, eis a oportunidade que soava a impensável há pouco tempo: ficar a cinco pontos do topo e colar no Sporting, ainda que à condição, no caso dos leões.
Os adversários estão na Europa, têm desgaste adicional, há sempre um certo encanto em vir de trás, em ganhar terreno, em realizar uma recuperação. Era o jogo para ganhar e torcer pelos efeitos mentais da aproximação e do desgaste. Mas este não é esse Benfica. Não há aproveitamento, não há instinto matador, há um certo aroma a desleixo.
Com 1-0 no marcador, um simples pontapé de baliza tornou-se problema. Aos solavancos, a bola foi-se aproximando da baliza de Trubin, onde passou muito pouco tempo durante a noite chovosa. E acabou no 1-1, no travão ao PREC. Entre Rio Ave, Santa Clara, Casa Pia, Tondela e Casa Pia, tudo equipas do 12.º para baixo, o Benfica deixou 10 pontos.
Um embate entre Casa Pia e Benfica é como um reencontro entre primos, familiares vindos de um tempo antigo, dos primórdios do futebol organizado em Portugal. As águias foram fundadas por vários jovens com passado na Casa Pia, enquanto os gansos tiveram na sua genése, e depois como figura fundamental, Cândido de Oliveira, um ex-Benfica.
Em teoria dois clubes cujas casas distam uma caminhada uma da outra, este dérbi voltou a realizar-se a mais de 80 quilómetros do lar do Casa Pia. Entretanto, em Pina Manique lá continua um recinto à espera das obras, quase quatro anos depois da subida do clube à I Liga.
Sem surpresa, os homens de Álvaro Pacheco entraram para se defender, fechando-se frequentemente em 5-4-1, como um animal encerrado na sua concha. Aos 30’, os da casa tinham 16% de posse e os visitantes somavam mais passes no último terço (45) do que os locais tinham passes totais (40).
Richard Ríos deu o primeiro sinal de perigo para o Benfica. Nos seus primeiros tempos em Portugal, embalado pela cotação adquirida do lado de lá do Atlântico, o colombiano atrevia-se regularmente a remates de longe, os quais frequentemente presenteavam alguém na bancada com uma oferta esférica. A frequência das tentativas foi diminuindo, mas aos 9’ houve uma bom tiro, parada por Patrick Sequeira. As chegadas do cafetero, vindo desde trás, seriam a melhor arma ofensiva de Mourinho.
Apesar do intenso domínio, não houve muitas situações de perigo para os encarnados na etapa inicial. Uma das melhores chances surgiu num quase caricato auto-golo de David Sousa, que cabeceou para a própria baliza.
Na esquerda, Andreas Schjelderup, embalado por uma janela internacional que confirmou o grande momento no clube, era a grande — e por vezes única — arma de desequilíbrio do Benfica. Recebia, concentrava a atenção de vários adversários, atrevia-se. Aos 40’ cruzou para Pavlidis, que cabeceou sem direção. Em cima do descanso, no primeiro remate enquadrado dos forasteiros desde o remate de longe de Ríos, o grego viu Sequeira negar-lhe o 1-0.
Os gansos ganharam alguma vida com a chegada de Pacheco e a sua boina, com o triunfo diante do FC Porto como ponto alto, mas as últimas quatro rondas só trouxeram dois pontos. Os aflitos poucas vezes se esticaram, mas conseguiram ir para o descanso com um aviso para o Benfica, num livre estudado em que Rosas forçou Trubin a intervenção apertada, antes de Tiago Morais ver a sua finalização cortada por Enzo.
O recomeço confirmou os sinais do epílogo da etapa inicial. Os homens de José Mourinho adquiriram perigo, obtiveram facilidade para encontrar brechas na muralha do Casa Pia, que invarivelmente precisava de binóculos para ver Trubin. Rafa, após uma assistência de Pavlidis em que o helénico não tocou na bola, mas abriu as pernas para que esta passasse, atirou ao lado, antes de dar de trivela para Otamendi, que não teve pontaria.
A insistência seria premiada com o golo. Vindo do banco, Prestianni ganhou espaço na direita. Schjelderup, que até já ganha bolas no ar, serviu Ríos, embalado, para o 1-0.
E seria o último remate enquadrado do Benfica no jogo. Estávamos aos 68'.
Rafael Brito chegou ao Benfica com oito anos e só deixou de ter contrato com as águias aos 21. O médio desenhou a tabela mais inestética da história com Clau Mendes, uma sucessão de carambolas de cabeça que foi progredindo. Livolant introduziu caos na jogada, que terminaria nos pés de Brito para o golo.
Com o empate, José Mourinho apostou numa espécie de WM, um 3-2-2-3 que juntava Ivanovic, Anísio e Pavlidis na frente. Pouco mais perigo foi criado. Dos 25 pontos que o Casa Pia tem, sete foram obtidos perante FC Porto e Benfica. Dos 18 pontos que o Benfica perdeu na I Liga, 10 foram contra equipas do último terço da tabela."
Ríos de boa vontade
"Médio colombiano bem acompanhado por Schjelderup e Prestianni
O melhor em campo: Richard Ríos (7)
Acordou os benfiquistas ao minuto 9, com disparo forte de fora da área, que obrigou Sequeira a entrar ao serviço com uma boa parada. Aos 18 minutos assumiu a execução de um livre, mas a bola saiu um pouco acima da trave. Entre os remates, foi organizando e controlando a construção ofensiva do Benfica, estava em todo o lado. Aos 23', recuperou a bola no seu meio-campo, disparou, fuga vertical, mas no momento de fazer o passe fatal junto à área do Casa Pia errou. Empurrou a bola de Schjelderup para o 1-0, bem merecido por tudo o que fez em campo. Não foi perfeito, mas foi o jogador que assumiu, que arriscou, que nunca se escondeu e deixou a pele em campo. Mesmo depois de 1-1 foi ele quem mais trabalhou para levar a equipa até à área do Casa Pia.
Festejos dos jogadores do Benfica após o golo de Ríos.
Trubin (6) — Saiu da baliza do Benfica para intercetar um cruzamento para a área, aos 19', e aos 45+5' foi rápido a fazer a mancha, neutralizando a melhor tentativa de golo do Casa Pia na primeira parte. Depois, na recarga, contou com a preciosa ajuda de Barrenechea. Segundo tempo ainda menos trabalhoso, mas amargo em função do golo sofrido.
Bah (5) — Começou por sobressair com um cruzamento mal medido e aos 26' caiu na área do Casa Pia e os benfiquistas ficaram a pedir penálti. Foi subindo de produção e aos 44' quase fazia assistência com o joelho para Pavlidis. Aos 48' meteu bola boa em Rafa e foi combinando coisas boas com coisas (muito) menos boas.
António Silva (5) — Competente do ponto de vista defensivo e com vontade de fazer qualquer coisa no ataque. Foi inglória a forma como se envolveu no lance do 1-1, pois deu um toque na bola que acabou por ser a assistência involuntária para Rafael Brito materializar o 1-1.
Rafael Brito fez o empate aos 78.
Otamendi (5) — As palavras boas dedicadas a António Silva servem-lhe na perfeição. Mas também teve as suas questões. Aos 61' surgiu nas costas da defesa do Casa Pia e não se percebeu bem se tentou passar ou rematar, mas a bola não foi ter com um colega e também não entrou na baliza, só andou lá perto. E errou alguns passes.
Dahl (5) — Aos 34' errou passe e permitiu contra-ataque do Casa Pia, que acabaria por neutralizar, beneficiando de boa reação defensiva e de um mau passe do adversário. Envolveu-se mais no ataque no segundo tempo, algumas combinações com Schjelderup.
Barrenechea (5) — É o seu estilo, corta, passa, ocupa espaço, faz marcação. Muitos não gostam, pois não acrescenta o suficiente ao futebol ofensivo, mas deu jeito em cima do intervalo, pois estava no sítio certo para intercetar bola disparada para a baliza.
Lukebakio (5) — Apontou um canto ao minuto 27' que ia dando golo de... David Sousa. Jogador do Casa Pia acertou no próprio poste, que sorte! Aos 35' assumiu a finalização e disparou de longe, mas a bola saiu longe do alvo. Aos 37', em posição frontal, a bola foi ter com ele, mas tratou-a mesmo mal com o pé direito, mal lhe acertando. Aos 45+4' entrou na área com a bola controlada, esperou, esperou e quando pensou rematar... escorregou. Saiu aos 58'.
Rafa (5) — Uma tabela com Schjelderup, um toque de calcanhar na área, mais uma tabela com Schjelderup. Foi a primeira parte. Aos 48', isolado, atirou ao lado, aos 61' o melhor momento no jogo: que passe para Otamendi! E foi tudo.
Schjelderup (7) — Dinâmico, confiante, criativo, todos os caminhos do ataque do Benfica foram ter com ele. Aos 40' trabalhou bem e colocou a bola, com qualidade, à disposição de Pavlidis, que errou o alvo. Teve a sua oportunidade de visar a baliza em cima do intervalo e não errou por muito. Bom passe para Rafa aos 58' e assistiu, de cabeça, Ríos para o 1-0, aos 68'. Aos 80' simulou, simulou e caiu, perdendo grande ocasião. Foi o desequilibrador principal.
Pavlidis (5) — Sofreu três faltas nos primeiros 27 minutos, sinal da marcação impiedosa do Casa Pia, mas continua pouco inspirado. Aos 40' atirou ao lado, de cabeça, aos 44' rematou de costas para a baliza, só não celebrando porque Sequeira fez bela defesa. Aos 48' abriu as pernas, deixando passar a bola e enganando os adversários, que deixaram fugir Rafa, mas não voltou a sobressair.
Prestianni (6) — Entrou aos 58' e entrou bem. Dez minutos depois construiu na direita o início do lance do 1-0.
Sudakov (4) — Entrou aos 70'. Um remate e pouco mais.
Ivanovic (4) — Entrou aos 81', pressionado, sem soluções.
Anísio Cabral (4) — Entrou aos 81' e disparou com perigo aos 84', era canto, juiz deu pontapé de baliza. Ansioso e algo nervoso..
Muita vontade, muita bola no pé, poucas ideias e o futebol a acontecer
"Benfica despede-se, na prática, do título num jogo que dominou... mas só até à entrada da área do Casa Pia, que fez pela vida e marcou, praticamente, na única hipótese que teve
O Benfica falhou a desejada aproximação à liderança da Liga depois do empate do FC Porto frente ao Famalicão. Jogou mais, teve mais bola, tentou muito mas conseguiu pouco. Sofreu um golo cheio de ressaltos — o futebol é isto mesmo — e assim terá visto caírem por terra as últimas possibilidades de lutar pelo título.
A primeira parte teve sentido único, mas com trânsito muito congestionado, demasiadas rotundas e necessidade constante de voltar atrás para tentar ir de novo para a frente. A posse de bola encarnada foi quase esmagadora, mas os caminhos da área de Sequeira estavam constantemente tapados, sem que se vislumbrasse do lado benfiquista arte e engenho para tentar abrir uma porta ou descobrir um caminho alternativo.
Richard Ríos percebeu cedo que talvez fosse boa ideia tentar o remate de longe, e a verdade é que logo aos 9 minutos podia ter surpreendido o guarda-redes casapiano. Este, todavia, disse presente pela primeira vez na noite e negou o golo.
O Casa Pia ia fechando a área no seu 5x2x3,que rapidamente se transformava em 5x4x1 defensivo. O Benfica andou, voltou a andar, insistiu, foi tentando criar mas sem grande resultado. Tudo o que de realmente relevante acontecia no jogo era de iniciativa encarnada, mas era pouco.
Foi preciso chegarmos aos últimos minutos do primeiro tempo para se entrever emoção em Rio Maior, quase em jeito de promessa para a segunda parte. Pavlidis teve duas boas aproximações à baliza e à terceira obrigou Sequeira a transformar-se na figura do jogo até esse momento, com grande defesa na sequência de um desvio do grego após assistência de Bah. Logo depois Lukebakio rondou a baliza casapiana e Schjelderup, na recarga, quase marcava. Mas o intervalo chegaria, ironicamente, logo depois da única aproximação séria do Casa Pia à area do Benfica. Trubin travou um remate quase em cima dele, Barrenechea cortou uma bola que ia lenta, mas segura em direção às redes.
A segunda parte foi quase toda vermelha. Faltou o quase, dirão os benfiquistas, e com razão. Domínio territorial, Casa Pia encostado à sua área (também por vontade própria e humildade), mas com muito pouco futebol. As sucessivas incursões para junto do último terço resultavam em poucas ou nenhumas oportunidades de golo.
Aos 68 minutos, a única substituição até então operada por Mourinho resultou em pleno: Prestianni desequilibrou como ninguém até então, pela direita, e deixou a defesa casapiana em contrapé. Schjelderup assistiu de cabeça e Ríos (o melhor e mais inconformado do Benfica) desviou, também de cabeça, para o fundo das redes.
O jogo parecia sentenciado, sobretudo pelo pouco que o Casa Pia conseguia produzir do meio-campo para a frente. Só dava Benfica, mesmo sem grandes resultados práticos, mas o mais importante estava alcançado e o momento exigia da equipa encarnada uma resposta capaz de segurar a vantagem.
Aconteceu futebol: um pontapé de baliza, três bons movimentos dos jogadores da casa, dois ressaltos e bola na baliza de Trubin. Daí em diante assistiu-se a um assalto desenfreado mas muito pouco inteligente à área casapiana, que resultou em zero oportunidades de golo e mais dois pontos perdidos na Liga."
Não há campeão sem critério
"Diz-se que, em futebol, não existem fórmulas mágicas nem receitas milagrosas que garantam vitórias e troféus, caso estejamos a falar de candidatos ao título.
Contudo, embora seja um argumento difícil de contrariar, há caminhos que aproximam mais uma equipa do sucesso, ou seja, das vitórias e eventualmente da conquista de um título. E em todos esses caminhos existe um trilho que surge como condição sine qua non para o final feliz tão ambicionado por quem deseja levantar troféus no final de uma época. Esse trilho é o critério.
O critério na escolha dos jogadores mediante a Ideia e o Modelo de Jogo.
O critério na escolha dos jogadores mediante o rendimento em treino e em jogo. O critério na definição de uma convocatória e de um onze inicial que não estejam condicionados por estatutos, agenciamentos ou investimento salarial. O critério na escolha de jogadores que saibam pensar, temporizar e jogar o jogo em diferentes ritmos e não apenas em modo velocidade de ponta.
O Benfica voltou a tropeçar na luta pelo título precisamente por ausência de critério. Em especial por falta de critério dos jogadores que compuseram o onze inicial lançado por José Mourinho frente ao Casa Pia.
Perante um adversário que já se sabia ir defender em bloco baixo com linha de 5, sectores compactos e pouco espaço entrelinhas, o Benfica entregou a arquitectura do seu momento ofensivo
a... Richard Ríos.
O médio colombiano não só não possui a inteligência técnico-táctica necessária para assumir a manobra ofensiva encarnada como também não tem as características técnicas exigidas a um patrão do meio-campo de uma equipa candidata ao título. Nem sequer para uma equipa com uma Ideia de Jogo bem definida, quanto mais para uma equipa que antes tinha Sudakov a deambular entre a meia esquerda e a zona 10 e agora tem Rafa a fazer de segundo avançado.
Sem Aursnes e com Sudakov no banco depois da lesão e do regresso de Rafa à Luz, o Benfica perde claramente critério na zona central e nevrálgica do terreno. O corredor central serve apenas de plataforma giratória, com indicações claras para acelerar jogo e fazer chegar o esférico aos corredores laterais.
O problema é que sobre a direita não existem rotinas, seja porque Dedic está lesionado e Bah acaba de regressar de paragem prolongada, seja porque Lukebakio ainda não voltou de lesão e continua a ser um jogador de ataque à profundidade para ser servido de fora para dentro.
Sobre a esquerda, Dahl e Schelderup entendem-se bem, mas não têm um terceiro elemento que os ajude a desequilibrar através de movimentos associativos. Pavlidis tende a descair para aquela zona, perdendo o Benfica a sua unidade mais goleadora em zonas de finalização. Sudakov, antes da lesão, estava a ser importante para a criação de uma dinâmica atacante mais envolvente sobre o flanco esquerdo. Desde então, Rafa tem sido muito mais um elemento a menos do que o desequilibrador desejado pelas águias no pós-Besiktas.
Sem aceder ao corredor central é muito mais difícil apresentar argumentos que ajudem a desmontar adversários compactos e bem organizados do ponto de vista defensivo, independentemente de assentarem a sua organização numa linha de quatro, cinco ou seis defesas.
Já Guardiola dizia que é impossível jogar bem sem utilizar o corredor central. E não se trata de Tiki-Taka, mas sim de saber explorar a zona central do terreno, seja para atrair dentro e libertar fora, seja para chegar ao último terço através do próprio corredor central através de Dinâmicas de 3.⁰ Homem. Afinal de contas, o campo de futebol continua a ter três corredores: dois laterais e um central.
Importa referir que a ausência de jogo interior tão evidente no Benfica é, antes de mais, uma opção do seu treinador. Pese embora a actual ausência de Aursnes, o Benfica tem no seu plantel jogadores capazes de assumir a manobra ofensiva da equipa, de pensar de forma racional e criteriosa o ataque encarnado.
Existem sub-estruturas tácticas que podem ser treinadas em treino, passe a redundância, e implementadas em jogo de modo a aproveitar as características individuais dos jogadores. Não requer coragem, apenas um olhar mais amplo e um alargar de horizontes que cortem as amarras daquilo que surge como irredutível e dogmático na cabeça.
Todos os campeões nacionais, seja qual for o país, têm no seu onze inicial mais habitual jogadores capazes de dotar a equipa de critério. Com e sem bola. Todos, sem excepção. De Portugal a Espanha, passando pela Alemanha e por Itália, terminando em Inglaterra. Basta relembrar que o único Liverpool campeão inglês com Jurgen Klopp contou com Thiago Alcântara na equipa mais utilizada.
Coincidência? Não. Critério. O Benfica volta a não ser capaz de chegar ao título de campeão nacional precisamente porque não tem, entre outras coisas, critério no momento ofensivo. Não há quem pense. Não há quem pause. Não há que desacelere para sair da ilha, de modo a ver a própria ilha."
Bocadinho ou bocadão
"1. Paulo Bento é uma figura do futebol português.
Atenção, não disse que Paulo Bento é um cromo do
futebol português. Todos sabemos que há uma
legião de cromos na bola nacional, que há cromos
para dar e vender, e em número suficiente para
encher cadernetas atrás de cadernetas, mas reconheça-se, sem esforço, a Paulo Bento o estatuto de
figura que é muito diferente, para melhor, do estatuto de cromo. Talvez por ter sido jogador do Benfica e por ter honrado a camisola num período em
que não era fácil ser-se jogador do Benfica.
2. Paulo Bento vestiu-se de águia ao peito entre 1994
e 1996. Fez uma meia centena de jogos pelo Benfica. Foi titular no jogo da final da Taça de Portugal
de 1996 em que o Benfica venceu o Sporting por
3-1. Paulo Bento seria, mais tarde, jogador e depois
treinador do Sporting, e sempre se referiu ao
nosso clube com o devido respeito.
3. Foi também selecionador nacional entre 2010 e
2014 e não fez pior figura do que muitos outros que
o antecederam. O antigo jogador do Benfica esteve
presente nesta semana no Fórum da Associação
Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), que
teve lugar em Albufeira, e, usando da palavra
perante os seus colegas de profissão, afirmou
acreditar que a introdução do videoárbitro ajudou a
equilibrar a “balança” no futebol português.
4. Mas a que balança e a que equilíbrio se referia o
ex-selecionador nacional? Ouçamo-lo: “Houve uma
coisa que trouxe justiça ao futebol e que ajudou
aquele que estava um bocadinho fora deste grupo.
Era uma coisa mais Benfica/FC Porto e trouxe o
Sporting para um patamar de igualdade, e isso foi
o VAR. Tem de ser enaltecido”, disse Paulo Bento.
Ah, pronto, era o que se estava a adivinhar…
5. Não vou duvidar, sequer, da veracidade e da oportunidade das palavras de Paulo Bento – o VAR veio
para ajudar o Sporting –, embora seja de desconfiar de que o que Paulo Bento pretendeu dizer é
muito diferente, abissalmente diferente, do que o
entendimento das suas palavras possa sugerir a
espíritos menos conformistas como é, lamento, o
meu. E, neste caso, para a ideia fazer sentido e
para ser clara como água, deve-se apenas trocar
no discurso de Paulo Bento a palavra “um bocadinho” pela palavra “um bocadão”.
6. Paulo Bento terminou a sua alocução com uma
frase em que, aí, sim, estamos todos cem por cento
de acordo: “Nem pela televisão conseguem arbitrar um jogo, mas isso já é outra coisa...” Sem dúvida, meu caro amigo, sem dúvida nenhuma.
7. Na próxima segunda-feira regressa o Campeonato
e o Benfica vai jogar com o Casa Pia. Vamos a isso!"
Leonor Pinhão, in O Benfica
António Simões, a promessa com brilho de estrela
"O EXTREMO TEVE UMA
ASCENSÃO METEÓRICA E
AFIRMOU-SE NUMA EQUIPA
REPLETA DE TALENTO
Quando observamos uma
constelação, à primeira vista
dificilmente distinguimos as
estrelas mais jovens. Com o
tempo, estas tornam-se evidentes:
giram mais velozmente, exibem
campos magnéticos intensos e irradiam energia com particular fulgor.
Assim emergiu Simões no firmamento encarnado.
Em janeiro de 1960, o jornal
O Benfica entrevistou a mais recente contratação da equipa de juniores. Dias depois, confirmou que “as
suas qualidades de futebolista correspondiam ao que dele nos dissera com entusiasmo José Valdivielso, que o fez estrear” na 1.ª jornada
do Campeonato Distrital, frente ao
Belenenses. O extremo entrou na segunda
parte e precisou de apenas 8 minutos para
inaugurar o marcador. Rendidos à evidência,
os jornalistas deram um título sugestivo:
“Simões – uma nova estrela?”
Era ainda um núcleo pré-estelar, mas já uma
verdadeira onda de choque. Imprimia verticalidade ao lado esquerdo do ataque benfiquista,
provocando colisões sucessivas nas defesas
adversárias, que superava com dribles desconcertantes. Nessa temporada, sagrar-se-ia campeão distrital e nacional. Na época seguinte,
afirmou-se como protoestrela de uma equipa
que revalidou o título distrital, merecendo a
promoção à equipa de honra em 1961/62.
Em janeiro de 1962, contava apenas 5 jogos
na equipa de honra. Contudo, após a expulsão
de Cavém frente ao Beira-Mar e a poucos dias
de receber o Sporting, Béla Guttmann foi
perentório: “Simões tinha 99% de possibilidades” de ser titular.
No último treino antes da partida, realizou uma exibição memorável: “Precioso nos dribles, perigoso a rematar, rapidíssimo nas
fugas e, muito em especial, desconcertante na maneira de servir
os companheiros na melhor altura
e para o sítio ideal.” O 1% que faltava dissipou-se. Guttmann deixou
de ter dúvidas ao assistir ao comportamento do jovem nesse treino.
Num encontro de elevada exigência, o extremo “dominou os seus
nervos, jogando com a descontração de um veterano, de tal modo
que Hilário não foi capaz de o dominar. Faltou-lhe um golo, que esteve
à beira de marcar por duas vezes”.
A sua prestação havia sido inequívoca: “Foi, para nós [jornal O Benfi‑
ca], o melhor jogador do Benfica.”
Era o início da fusão nuclear.
Conquistou definitivamente o
lugar no onze. A partir do flanco
esquerdo, com a bola colada aos pés,
transformava o futebol físico e intenso numa expressão estética: “Suave,
artística, bela” e profundamente eficaz. Acrescentou velocidade e fantasia a uma
equipa que voltaria a conquistar a Europa e a
vencer a Taça de Portugal. O jornal Diário
Popular, por indicação do prestigioso Ricardo
Ornelas, elegeu-o Jogador do Ano. Confirmava-se a premonição, nascera uma estrela
para integrar a constelação encarnada.
Saiba mais sobre este excecional futebolista na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme Damião."
António Pinto, in O Benfica
Cheirinho a balneário
"A ciência estima que existam
mais de 160 mil espécies de
moscas no planeta. E só estamos a falar das catalogadas,
porque a comunidade científica
especializada no tema acredita
que sejam mais de um milhão
de espécies. Isto equivale a 170
quatrilhões destes pequenos
seres a voar sobre a Terra, o
que dá qualquer coisa como
17 milhões de moscas por cada
ser humano. É muita mosca.
Cada uma delas pode viver até
um máximo de 30 dias, se não
chocarem de frente com uma
raqueta que dá choques ou com
um daqueles assadores de
moscas que estão a cair em
desuso nos restaurantes portugueses. Ou seja, no seu ciclo de
vida, cada mosca não tem muito
vagar para perder tempo, dedicando-se quase em exclusivo
à sobrevivência e procriação.
Como se alimentam de matéria
orgânica em decomposição, lixo
e excrementos (entre outras
coisas), é normal vê-las em
redor de elementos e realidades pouco aconselháveis.
E, quando morrem, rapidamente há outra mosca que vai ocupar o seu lugar e fazer exatamente o mesmo que a sua antecessora fazia.
No passado fim de semana,
assistimos a mais um degradante episódio no desporto português. Um cheiro intenso no
balneário da equipa visitante no
pavilhão Dragão Arena fez com
que dois elementos tivessem de
ser submetidos a tratamento
hospitalar. As velhas práticas da
década de 1990 continuam a
estar na moda na cultura e na
forma de ser dos dirigentes do
FC Porto. Aquilo que se apresentava como uma alternativa a
anos de suspeição, corrupção,
violência e incitamento ao ódio
é, afinal, apenas mais um exemplo da eterna substituição das
moscas. O instinto natural fala-
-lhes mais alto, não conseguem
romper com as tradições mais
conspurcadas do seu ADN.
É como se precisassem disso
para sobreviver social e desportivamente. É uma forma de
estar que não surpreende, mas
que continua impune. Pelo
menos, no espaço do seu
pequeno quintal. Até ver… tique,
taque, tique, taque."
O Benfica todo
"Uma semana sem futebol –
daquele que nos interessa – é
também uma oportunidade para
dar às outras modalidades a
atenção que merecem.
As modalidades são um património inestimável do benfiquismo, viveiros de mística e
paixão, que, embora não arrastem as multidões do desporto-
-rei, fazem vibrar muitos benfiquistas – entre os quais tenho o
prazer de me incluir.
Embora um balanço consistente
da época só possa ser feito no
fim, até pela natureza dos campeonatos disputados em sistema de playoff, há que dizer que
a prestação da generalidade
das equipas está em linha com
as expectativas.
O Benfica lidera os campeonatos masculinos de hóquei em
patins, de basquetebol e de futsal, bem como os femininos de
hóquei em patins, de futsal (este
já com a fase regular concluída)
e de andebol.
Destaque-se o hóquei: considerando torneios de abertura, Supertaça, Elite Cup, Taça de Portugal, Campeonato e Champions,
as equipas masculina e feminina
totalizam 75 vitórias, 5 empates e
nenhuma derrota nos 80 jogos
realizados. Monopolizam os troféus já disputados. E alimentam
legítimas esperanças de voltar a
vencer títulos europeus, nas
finais a jogar em Coimbra.
O futsal feminino cumpriu toda
a fase regular sem derrotas.
O masculino, recente vencedor
da Taça da Liga, apenas perdeu
à 20.ª jornada.
O basquetebol feminino acaba
de vencer a Taça de Portugal,
en quanto o masculino já vencera a Supertaça – e ambos são
fortíssimos candidatos a revalidar os seus títulos.
O andebol feminino, já na 2.ª
fase, com 5 pontos de vantagem,
tem tudo para ser campeão.
O masculino tem a fortíssima
oposição do Sporting, mas ainda
depende apenas de si para
ganhar o Campeonato.
O voleibol está nas meias-finais
de ambos os playoffs, com tudo
em aberto.
Acompanhemos e apoiemos
estas equipas nas suas caminhadas – que se espera que
sejam triunfantes."
A Chama Imensa!
"Ser Benfiquista é ter na alma a
chama imensa. E nós temos! Para
lhe dar expressão no campo,
criou-se o Benfica, do Povo para o
Povo, a querer ser justo, puro,
excelente e vencedor. Para lhe dar
expressão na vida, o Benfica criou
a Fundação, e com ela leva a mão
solidária dos benfiquistas a quem
precisa, onde e quando faz falta.
Para que cada queda seja um
trampolim para a superação e
para que ninguém fique para trás
da justiça e do progresso.
Porque A União faz a Força, e sabe
quem conhece a origem do Benfica que, nos dias primeiros, a
ambição ultrapassava a algibeira.
Mas isso não parou os nossos fundadores pioneiros, que logo fizeram uma coleta e angariaram, à
justa, o necessário para uma bola
de caucho em segunda mão. Unidos, fortes e solidários, iniciaram
o sonho sem baixar a exigência e
criaram o maior clube do mundo.
Deles, herdámos o inconformismo
e a noção cívica de que a ação individual de cada Benfiquista conta, é
decisiva e urgente, levanta a vontade de intervir, de procurar a força
do coletivo e de agir em conjunto e
em força, de “carregar à Benfica”.
Uma vontade de Ser Solidário, de
Ser Capaz e de Ser Atuante. Uma
vontade de ir além das palavras e
atuar com propósito, saber e
dimensão para fazer a diferença.
A Fundação Benfica serve para
isso, sendo reconhecida a nível
nacional e internacional pela
dimensão e qualidade do seu trabalho social, com um alcance de
360 000 pessoas em apenas 17
anos de trabalho. Porque a Fundação é do tamanho do Sonho do
Benfica e luta todos os dias, em
toda a parte, para o concretizar.
E Portugal precisa, o mundo que
fala português precisa, o ambiente precisa, a educação precisa, a
pobreza e a exclusão precisam, as
crianças, os jovens, os mais
velhos precisam, cada um à sua
maneira, de uma força extra. Muito
mais do que uma ajuda necessária
e urgente, a Fundação caminha ao
lado, está presente nos momentos
mais desafiantes, concretiza um
Benfica próximo, atento e atuante.
É tudo isto que fazemos e queremos continuar em nome dos Benfiquistas, com a força de todos e
de cada um, acendendo a Chama
Imensa e levando-a a melhorar o
mundo, onde quer que faça falta,
começando por Portugal!"
Jorge Miranda, in O Benfica
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