quarta-feira, 7 de outubro de 2026

João Pinto


"Há jogadores que passam pelo futebol. E há jogadores que ficam para sempre na memória de quem os viu jogar. João Vieira Pinto é, para mim, um desses casos.
E há um pormenor que nunca pode ser esquecido quando se fala de João Vieira Pinto: **foi bicampeão do Mundo de Sub-20**. Não uma vez. **Duas vezes.** Em 1989, em Riade, e em 1991, em Lisboa. Foi protagonista de uma geração extraordinária e tornou-se o **único bicampeão mundial de Sub-20 da história de Portugal**.
Esse feito, por si só, já deveria obrigar qualquer pessoa a olhar para a carreira de João Pinto com outra dimensão.
Começou no Boavista, passou pelo Atlético de Madrid e regressou ao Bessa, onde conquistou uma Taça de Portugal. Em 1992 chegou ao Benfica e começou uma das histórias mais marcantes da sua carreira. Durante oito temporadas vestiu de encarnado, conquistou um campeonato e duas Taças de Portugal, tornou-se capitão e transformou-se no **“Menino de Ouro”** dos benfiquistas.
E como esquecer aquele 6-3 em Alvalade?
João Pinto marcou três golos nesse jogo histórico e foi uma das grandes figuras da vitória que ajudou o Benfica a conquistar o campeonato de 1993/94. Era daqueles jogadores que, quando a bola lhe chegava aos pés, fazia acreditar que alguma coisa podia acontecer. Técnica, velocidade, inteligência, capacidade de desequilíbrio e uma relação especial com a camisola da seleção.
Depois veio uma das páginas mais dolorosas.
Em 2000, João Vieira Pinto foi dispensado do Benfica. O capitão soube que já não fazia parte dos planos de Jupp Heynckes praticamente às portas do Europeu e chegou à competição sem clube. Ele próprio afirmou, naquele momento: “Estou desempregado”.
E eu confesso: fez-me chorar!
Fez-me chorar ver um jogador que era símbolo, capitão e rosto de uma geração sair daquela forma. Fez-me chorar vê-lo partir para o Europeu sem saber sequer onde iria jogar depois. E fez-me chorar ainda mais quando, terminado o Europeu, assinou pelo Sporting,o rival de sempre.
Mas João Pinto não deixou de ser João Pinto.
Em Alvalade voltou a sorrir, voltou a jogar e voltou a conquistar. Foi campeão nacional e venceu a Taça de Portugal em 2001/02, numa equipa onde formou uma dupla memorável com Mário Jardel.
E talvez seja essa uma das maiores ironias da sua carreira: o jogador que saiu do Benfica com lágrimas acabou por provar no rival que ainda tinha muito futebol para dar.
Mas, para um benfiquista, houve outra ferida difícil de esquecer: **o pior comunicado da história do Benfica**.
O comunicado que anunciou a rescisão com o capitão que durante oito anos tinha vestido aquela camisola. O comunicado que, no meio de uma decisão que já era dolorosa, terminava desejando-lhe felicidades “sempre que as mesmas não estejam em concorrência com o clube”.
E eu lembro-me disso como uma daquelas coisas que doem no futebol para lá dos resultados.
Porque João Vieira Pinto não era apenas mais um jogador.
Era o capitão. Era o “Menino de Ouro”. Era o rosto de uma geração. Era um jogador que tinha dado momentos inesquecíveis aos benfiquistas e que representava Portugal com uma paixão enorme.
E a seleção também explica muito do tamanho de João Pinto.
Foram **81 internacionalizações e 23 golos por Portugal**, entre 1991 e 2002. Jogou dois Europeus e um Mundial, e fez parte daquela extraordinária **Geração de Ouro** que devolveu ao futebol português a esperança de competir entre os melhores.
E, acima de tudo, há os dois Mundiais de Sub-20.
**1989. 1991. Bicampeão do Mundo.**
Há quem possa discutir números, posições, épocas ou momentos da carreira. Há quem possa discutir se foi melhor aqui ou ali. Mas há uma coisa que ninguém lhe pode tirar: João Vieira Pinto é campeão mundial duas vezes por Portugal.
Depois do Sporting ainda regressou ao Boavista e terminou a carreira no Braga. Em 2008, aos 36 anos, despediu-se dos relvados depois de quase duas décadas ao mais alto nível.
Mais de 600 jogos no campeonato português, mais de 150 golos segundo os registos da RTP, títulos por Benfica e Sporting, Taças de Portugal, 81 internacionalizações, 23 golos pela seleção e, acima de tudo, uma coleção de momentos que pertencem à memória coletiva do futebol português.
João Vieira Pinto não teve uma carreira perfeita. Teve uma carreira humana. Com glória, sofrimento, injustiça, lágrimas, rivalidade, redenção e paixão.
E talvez seja precisamente por isso que continua a ser tão especial para quem o viu jogar.
Porque há jogadores que conquistam títulos.
Há jogadores que conquistam adeptos.
E há jogadores que, sem precisarem de jogar mais um minuto, continuam a fazer-nos sentir alguma coisa quando recordamos aquilo que foram.
João Vieira Pinto é um desses jogadores.
E para mim haverá sempre uma coisa que ninguém poderá apagar: 😛 o Menino de Ouro foi bicampeão do Mundo de Sub-20 por Portugal.
Apesar da idade, por aquilo que fez, tem estatuto para ser titular na atual seleção nacional! 😅"

Sem comentários:

Enviar um comentário

A opinião de um glorioso indefectível é sempre muito bem vinda.
Junte a sua voz à nossa. Pelo Benfica! Sempre!