segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O que o clássico nos mostrou


"Para que a credibilidade não seja colocada em causa, é imperioso que quem esteja a ver o jogo não tenha a sensação de estar perante um campo inclinado. Foi essa sensação que ficou no Dragão.

Os grandes jogos são aqueles que nos deveriam promover melhor no estrangeiro. Com o processo de centralização nas etapas finais, todos temos a noção de que estes eventos são muito importantes para elevar o nosso produto para outro patamar. Se estivermos atentos, o que se passou dentro e fora das quatro linhas dá-nos uma ideia muito clara da realidade do futebol profissional em Portugal.

FC Porto: preparação ao pormenor
No relvado, a equipa de Farioli tem uma forma de jogar facilmente identificável. Processos simples, mas automatizados. Humildade para dar a iniciativa de jogo aos adversários. Capacidade de luta e de sofrimento. Nas bolas paradas, defensivas e ofensivas, é uma equipa muito forte. Junta a tudo isto uma enorme dose de agressividade. Neste contexto e nesta forma de jogar, o FC Porto é uma equipa muito competente. Tem ainda individualidades que, pela sua capacidade e qualidade, desbloqueiam adversários e seguram vitórias. À cabeça, encontram-se Diogo Costa e Froholdt.
A vertente mental também é muito bem trabalhada. Os jogadores do FC Porto estão preparados para jogar nos limites, para desestabilizar os adversários com palavras e disputas de bola. Aproveitam o ambiente do estádio para condicionar os adversários. Nem todos têm a capacidade de se adaptar a esta exigência, mas, quando se consegue criar este espírito, a probabilidade de sucesso aumenta. Este ADN é um dos pontos fortes do FC Porto.
Fora do relvado criam-se condições para os adeptos entrarem no jogo. A pressão que se coloca nos adversários é enorme e exige um grande autocontrolo, algo que faltou em alguns momentos ao Benfica. Percebemos que todos os pormenores contam quando olhamos para o banco do FC Porto. Está constantemente ativo. Nos momentos de maior tensão, há sempre um adjunto ou um diretor que assume a frente e acaba por absorver parte dessa pressão, deixando o treinador mais resguardado para intervir quando entende ser necessário. Em comparação, no Benfica vê-se precisamente o contrário: o desgaste fica para o treinador.
O FC Porto sabe criar o seu ambiente e utilizá-lo a seu favor. Faz parte da preparação do jogo e é uma das suas formas de competir. A responsabilidade de controlar esse ambiente, dentro das regras, não é do FC Porto. É de quem tem essa função. Se não o fizer, o FC Porto, naturalmente, aproveita.
Pode-se gostar ou não da forma como o FC Porto joga ou como cria adversidades para os adversários. A realidade é que o clube trabalha em conjunto. Existe uma grande organização e nenhum pormenor é descurado.

A experiência conta
Todos sabíamos que o jogo entre FC Porto e Benfica iria ser muito exigente a todos os níveis. A questão da arbitragem é sempre um tema muito polémico, mas fundamental. Por norma, costumamos dizer que os melhores devem estar nos melhores jogos. A definição de melhor não tem só a ver com a qualidade técnica do árbitro. A experiência deve ser um ponderador muito importante nestes encontros. Refiro isto porque os clássicos são muito exigentes e obrigam a que a equipa de arbitragem não se foque apenas na bola, mas em tudo o que se passa no relvado.
Não tenho dúvidas de que Miguel Nogueira ajuizou bem praticamente todos os lances que estiveram no seu raio de ação. A questão é que o jogo também se foi desenrolando no ângulo morto do árbitro e, nesse caso, a equipa de arbitragem tem de ter uma visão mais abrangente do que se passa no relvado. Se, por exemplo, Lenglet foi admoestado por ter tocado na cabeça de André Silva, porque motivo existiu um critério diferente para Alberto Costa ou Samu? Uma equipa de arbitragem mais experiente estaria mais alerta para este tipo de situações.
Pior, destes lances, não só Alberto Costa e Samu não foram admoestados, como Prestianni e Bah, as vítimas, levaram cartão amarelo. Sendo a agressividade nos duelos uma das características do jogo do FC Porto, o facto de não ter visto cartões amarelos deu-lhe a vantagem de os seus jogadores poderem jogar tranquilos e sem condicionamentos praticamente durante todo o jogo, algo que não aconteceu com o Benfica. Para que a credibilidade não seja colocada em causa, é imperioso que quem esteja a ver o jogo não tenha a sensação de estar perante um campo inclinado. Foi essa sensação que ficou no Dragão.

Rui Costa: a (não) reação
Depois de um jogo exigente, com dualidade de critérios, o presidente do Benfica tinha duas hipóteses: falar de uma forma dura ou não falar e ignorar o pedido do seu treinador. O primeiro erro foi ter falado com o símbolo do FC Porto atrás de si. É uma questão básica, um pormenor que demonstra precisamente o contrário daquilo que vemos no FC Porto: fora do relvado, o Benfica não esteve tão atento aos detalhes.
O segundo erro foi o discurso. Nestas ocasiões, os presidentes têm dois minutos para passar a sua mensagem, que deve ser clara e objetiva. Ora, Rui Costa começou por fazer uma análise ao jogo, que é mais o trabalho de um comentador ou treinador, apontou o dedo ao seu jogador, Lenglet, referindo que não deveria ter feito o que fez e, no fim, falou de dualidade de critérios sem tocar em exemplos.
Com esta mensagem, Rui Costa conseguiu transmitir o que queria? Claro que não. Um presidente tem também uma responsabilidade institucional: garantir respeito pelo clube, pelos seus adeptos e pelos seus funcionários.
No final do jogo, o FC Porto passou duas músicas de galinhas, o que demonstrou falta de respeito pelo adversário e pelos seus adeptos. Rui Costa não reagiu a este episódio quando o deveria ter feito e com firmeza. Deste caso saem duas conclusões: a primeira é que o respeito nunca pode faltar entre instituições e que, para que a centralização funcione, este é um pilar fundamental. A segunda é que as grandes instituições também se distinguem pela forma como sabem ganhar. Este tipo de comportamento não contribui para a valorização do produto que todos queremos promover.

A valorizar: Petit
Está a fazer um arranque de Liga muito bom. Santa Clara tem a segunda melhor defesa e o quinto melhor ataque.

A desvalorizar: Vasco Matos
Está a ter um início de época complicado. Ganhou um voto de confiança e uma segunda oportunidade para deixar a sua marca no Estoril."

1 comentário:

  1. o filho ou filha de uma puta, sera sempre o filho ou filha de uma puta!!!!

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