sexta-feira, 12 de junho de 2026

Um dia destes o Mundial bate-nos à porta


"Aterrei em Miami à espera de ser engolido pela febre do Mundial. Afinal de contas, já não é o primeiro que cubro. Em 2010, na África do Sul, o Campeonato do Mundo estava por todo o lado, e caminhava sempre de mão dadas com danças e festa. Em 2018, na Rússia, pré-guerra senti um país orgulhoso de se mostrar ao mundo e senti os russos com uma genuína vontade de ajudarem. 
 Agora, em junho de 2026, a poucos dias do arranque do maior torneio do planeta, a verdade é que se eu não soubesse ao que vinha, diria que me tinha enganado no trajeto.
Não há um cartaz, não há uma bandeira pendurada numa varanda, não há um anúncio com uma estrela do Mundial numa das dezenas de outdoors que surgem por todo o lado.
Nada.
O Mundial, por aqui, parece um fantasma.
Meto conversa com uma ou outra pessoa. Sim, eles sabem. Já ouviram falar que o soccer vem à cidade. Acenam com a cabeça, dão um sorriso simpático, alguns até já tiveram conhecimento de que Cristiano Ronaldo vai ficar instalado em Palm Beach.
Mas a conversa morre ali. Não há brilho nos olhos e não há entusiasmo nas palavras. Parecem não dar a mais pequena importância ao facto de o mundo estar todo a olhar para eles. O que, de certa maneira, até faz sentido. Os americanos são muito fechados dentro da sua carapaça e estão habituados a viver cada um para si.
Suspiro e aceito a realidade. Não há muito a fazer.
Eles podem ter os maiores estádios, o dinheiro todo e a melhor máquina de entretenimento do planeta, mas sofrem de um problema congénito para o qual a medicina ainda não encontrou cura: uma crónica falta de cálcio no bom-gosto.
Que outra razão pode haver para não se deixarem apaixonar pelo futebol?"

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