sábado, 4 de abril de 2026

Imaginemos copiar a parte boa dos italianos


"Itália tem problemas de fundo que impedem a evolução do futebolista nacional, mas continua com um campeonato forte. Fundamentalmente porque tem adeptos fiéis

Itália vive um psicodrama: se há país cuja paixão pelo futebol é proporcional ao orgulho nos feitos do passado é este fantástico povo e belo território, cuja ausência deixa mais pobre qualquer competição, ainda mais tratando-se um Mundial. São três vezes seguidas a ver navios.
Para quem gosta de analisar causas, a falência do calcio é um rico material de estudo. Porque é o exemplo de como o atavismo ou uma certa prepotência na persistência de ideias ultrapassadas podem levar à derrocada. Há dois motivos estruturais para o falhanço de uma inteira geração de jogadores italianos: um modelo de formação que trava a evolução dos futebolistas quando saem dos juniores e infraestruturas arcaicas que não permitem escalar receitas proporcionais à dimensão do país e da sua economia.
Já visitei muitos estádios em Itália e fiquei surpreendido pelas deficientes condições que a maioria oferece para os padrões modernos, como se o país futebolístico tivesse parado no Mundial-1990. Atualmente, o Juventus Stadium é o único que preenche os requisitos de elite exigidos pela UEFA, ainda assim nenhum dos palcos dos três grandes portugueses fica atrás no conforto, estética ou acessibilidades.
Mas depois há o outro lado: a Serie A continua no top 5 das ligas europeias e sem dar sinais de quebra. Há duas razões fundamentais: a primeira, de ordem financeira; a segunda, e talvez a mais importante, de dimensão social.
Quase metade dos 20 clubes do campeonato (Juventus, Inter, Milan, Roma, Atalanta, Como, Nápoles, Fiorentina e Bolonha) são detidos por multinacionais, seja na tradição dos poderosos grupos familiares ou através de fundos de investimento; e todos os estádios, sem exceção, têm taxas de ocupação elevadas (média de 82 por cento). Ao contrário do que acontece em Portugal (55 por cento), estas médias não são calculadas com base em três ou quatro visitas dos colossos, antes em venda de lugares anuais (os abonnati). Damos o exemplo do Lecce: 19.000 cadeiras vendidas para um recinto com capacidade para 25 mil lugares. Cada clube tem vida própria, portanto.
E a que preços, já agora? Em termos nominais são mais elevados que em Portugal, porém mais baratos se compararmos com o salário médio, já que um italiano gasta 5,4% do seu ordenado pelo preço médio de um bilhete, enquanto um português despende 7 por cento.
Em comparação, Portugal tem modelos de formação superiores, infraestruturas melhores, mas falta gente nos estádios. Imaginemos que daríamos esse salto e até que ponto não se podia ambicionar com algo bem maior. Seleção e talento temos a rodos, falta o resto.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Bruno Fernandes, jogador da Seleção Nacional
Na ausência de Cristiano Ronaldo, é ele a grande figura da Seleção. Num relvado péssimo, mostrou, nos States, que está em grande forma. Mesmo que estivesse envolvido numa Champions ou Liga Europa, a dedicação seria a mesma. Um craque de cabeça aos pés.

Estagnado
Roberto Martínez, selecionador nacional
Voltou a deixar pontas soltas na forma como geriu a comunicação acerca da utilização de jogadores, exemplo de Paulinho ou agora de Pedro Gonçalves. Decidir é tomar medidas que não são consensuais, embora legítimas.

A descer
Frederico Varandas/André Villas-Boas, presidentes de Sporting e FC Porto
Discutir quem começou primeiro ou quem tem mais razão nesta guerra entre clubes pode levar à esquizofrenia. É tempo de os senadores (se é que ainda os há) aparecerem e lembrarem os seus presidentes de que eles não se representam apenas a si"

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