"E além de tudo isso, depois, lembrando rábula do Gato Fedorento, 'Um gajo de Alfama' a comentar...
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Passada uma semana sobre o clássico FC Porto-Sporting e os dragões conseguiram recuperá-lo com o mérito de fazer com que as críticas de que foram alvo voltassem a marcar a agenda. Foi assim no dia dum muito aguardado Benfica-Real Madrid que depois, pelas piores razões (e já lá vamos mais à frente), acabou por ofuscar o que até à hora Champions agitou as águas na terça-feira. O chamado efeito bumerangue que teve o texto publicado na newsletter Dragões Diário em que dispararam para todos os lados, contra Sporting, Frederico Varandas, Rui Borges, Federação e seus Conselhos e ainda o Benfica.
Conseguiram os dragões fazer com que a rábula dos apanha-bolas e das toalhas roubadas a Rui Silva (para não falar do ar condicionado e das provocações permitidas/promovidas a jogadores) voltasse à voz mediática num dia em que se jogava play-off na Luz e conseguiram ainda legitimar as declarações que Varandas já tinha programado de véspera — embora com infeliz alusão a África, é certo que no contexto do que se passou na final da CAN mas infeliz. Ou seja, se alguém pudesse vir a criticar a forma e timing da intervenção do presidente do Sporting, os azuis e brancos deram-lhe um pretexto para falar nos termos em que falou e na altura em que o fez. Na mouche!
«Não fosse a intervenção do FC Porto, o Conselho de Disciplina preparava-se para fazer vista grossa ao lance em questão. Em abono da verdade, as imagens parecem desaparecer misteriosamente, inclusive as das revolucionárias bodycams dos árbitros — o ex-líbris da transparência, segundo o Presidente do Conselho de Arbitragem», escreveram os azuis e brancos sobre lance de alegada agressão de Hjulmand a Tiago Galletto, do Aves SAD.
Já no intervalo dos jogos no Dragão aparecem misteriosamente imagens no balneário dos árbitros da mesma forma misteriosa como desaparece o comando do aparelho. E vistas as coisas, entre apanha-bolas bem treinados e ladrões de toalhas, este caso que se passou no FC Porto-SC Braga no balneário de Fábio Veríssimo reveste-se duma gravidade tal que deveria fazer corar de vergonha quem segurou a pena duma newsletter que fala em… imagens.
Na mesma missiva em que o FC Porto aponta ao Conselho de Disciplina, nada de novo nem surpreendente, consegue colocar em causa decisões dos tribunais civis e recupera a santa aliança da Segunda Circular referindo-se ao «silêncio cúmplice» dos encarnados. Uma tática antiga, de estar de bem com um dos rivais de Lisboa e de mal com o outro, nunca com os dois ao mesmo tempo, como que a pedir ajuda àquele que considera estar pior para lutar com o que lhe faz mais frente...
«Jorge Nuno Pinto da Costa deixou-nos muitas lições e muitos alertas para os desafios que se avizinham. Dentro e fora do campo», apontam também os dragões. Villas-Boas surgiu como alguém que vinha para romper com o que de pior o antigo presidente dos azuis e brancos tinha implementado mas parece querer reclamar essa herança e dela fazer uso. Uma lufada de ar… bafiento.
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Vamos lá então à Luz, à noite dos horrores de terça-feira — do racismo às confusões no túnel e à intimidação a jornalistas até à desastrosa reação comunicacional do Benfica. O pior de tudo, claro, o racismo, presumo que o houve de Prestianni para Vinícius mas se sim ou não a investigação o dirá, onde o houve sem dúvida foi em todo o lado à volta do caso, o que não me surpreende numa sociedade (a portuguesa, sim, como arriscaria dizer todas em todo o mundo) intrinsecamente racista e que nos últimos anos perdeu a vergonha de o ser, com o crescimento da extrema-direita e com o algoritmo a ajudar...
Houve até um comentador que achou adequado fazer jus à rábula Um gajo de Alfama, do Gato Fedorento, e resolveu contar algo que tinha ouvido por aí, talvez numa tasca (mas reles, que as há muito boas). E passo a citar: «Hoje em dia não se pode chamar preto a um preto, cigano a um cigano mas pode chamar-se mulher a um homem.» Dizia o professor Manuel Sérgio que «quem só sabe de futebol, não percebe nada de Futebol». Neste caso, não percebe nada de nada."

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