sábado, 15 de agosto de 2026

POIS ENTÃO O AAHRUS QUE SE CUIDE


"Hearts 1 - 1 Benfica

PRÉ-JOGO
1. Os jogos fora, quando não os posso ver no estádio, procuro vê-los em família, numa casa do Benfica perto de mim. Há muito que devia uma visita à Casa do Benfica de Vila Real de Santo António, a promessa foi sendo adiada, hoje deu-se a oportunidade, fiquei impressionado com as instalações.

2. Eliminatória resolvida, oportunidade para Marco Silva dar minutos aos jogadores que se integraram mais tarde - só Tomás Araújo tem sido titular, todos sabemos porquê, hoje teremos oportunidade de ver um onze quase todo novo. É bom espicaçar a concorrência interna, toca a mostrar serviço para ganhar a titularidade. Aursnes ainda de fora, que volte só quando estiver a cem por cento.

3. Gostei muito, uma vez mais, da conferência de imprensa de Marco Silva na antevisão ao jogo. Tem sido de um enorme realismo perante os maus resultados (foram dois em quatro jogos), não vê filmes cor-de-rosa nem arranja desculpas esfarrapadas, aponta para um nível de exigência que desejo ver replicado por todo o grupo de trabalho, por toda a estrutura e pelos mais altos dirigentes do clube também. É hora e já vai tarde!

O JOGO (Apontamentos escritos em direto e publicados imediatamente após o final do jogo.)
4. 15 minutos todos nossos e já o Durán (duas vezes ao jeito do seu pé esquerdo) e o Ríos (apareceu bem ao segundo poste num centro) falharam a possibilidade de colocar o Benfica em vantagem. Acho que é fácil, até para um treinador de bancada como eu, constatar a nossa superiorodade.

5. Sudakov continua a merecer oportunidades - Marco Silva apostado em mostrar que foi um bom investimento de Rui Costa -, mas continua a não as aproveitar. E preparem-se que esta vai ser, já deu para ver, a época dos ferros: depois de três contra o Ac Viseu, já somámos mais um hoje, na barra, ela não quer entrar.

6. Desculpem lá mas tenho que tirar o chapéu aos adeptos escoceses: levaram seis-um na Luz, encheram hoje o estádio como se fosse a primeira mão e a vibração nas bancadas foi própria de quem está a disputar uma eliminatória. Uma lição!

7. Gosto muito da forma como o José Neto trata a bola - está ali muita qualidade. Será que não lhe falta alguma agressividade? Vai bem a tempo de adquirir.

8. O Samu foi chamado a duas intervenções apertadas, as primeiras no jogo, prenúncio do golo que não tardou. Grita-se fora de jogo aqui em Vila Real de Santo António. O VAR confirmou. Ainda bem: não me apetece nada sair daqui com uma derrota.

9. O jogo está durinho. Eles parece que estão a disputar uma final. E é assim mesmo! Gosto disto. Já não gosto é da dificuldade que mostramos na defesa de bolas aéreas defensivas - assim vai ser difícil enterrar o fantasma Otamendi, o rei das bolas aéreas.

10. O Prestianni entrou e já mexeu com o jogo. Está a entrar muito bem na época, muito bem mesmo. Proibido vender! E não é que eles nos marcaram um golo? Crl,.como foi possível? Espera lá que o Lukebakio já empatou isto, golos gémeos um do outro. Ainda bem, perder com este Hearts...

11. Épá, não saímos daqui com uma vitória? A eliminatória está mais do que garantida - aliás, já estava antes do jogo começar -, estamos só a cumprir calendário, não está nada em jogo, mas uma vitória na Europa é sempre uma vitória na Europa. Quanto mais não seja para reforçar as estatísticas...

12. Para a semana há mais Liga Europa: recebemos quinta-feira o Aahrus (de boa memória) na Catedral. Lá estarei! Entretanto, segunda-feira é em Rio Maior. Lá estarei também, claro."

O Benfica foi à Escócia em modo lúdico ver um eclipse total do Hearts

"Esteve mais perto de perder do que de ganhar, mas o Benfica acabou mesmo por sair do Tynecastle Park com um empate (1-1) que não comprometeu a vantagem de cinco golos trazida da primeira mão. Marco Silva alheou-se das preocupações concretas do jogo e focou-se na rodagem que pretendia dar a jogadores que precisava
m dela. No play-off, a última fase do casting para chegar à Liga Europa, os encarnados vão defrontar os dinamarqueses do Aarhus

Por curiosidade, fui ver as sugestões do motor de busca. Uma delével pesquisa indicou-me imediatamente roteiros para ficar a conhecer Edimburgo em poucos dias. Também o Benfica não devia desperdiçar estas dicas disponíveis aos molhos na internet.
É verdade que a época começou e que para os encarnados, envolvidos neste casting para a Liga Europa, o número de jogos oficiais até já vai avançado, mas ainda é agosto, cheira a férias e a equipa de Marco Silva tinha cinco golos de vantagem.
Para o Benfica, a ida à Escócia foi isso mesmo: um passeio. A hipótese de lazer foi proporcionada por uma goleada na primeira mão (6-1) que praticamente acabou com a eliminatória. O percurso pelos lugares icónicos da cidade contou com uma paragem no Tynecastle Park, uma infraestrutura do século XIX que reserva aos jogadores um estreito túnel em que praticamente têm que estar ombro com ombro com os adversários.
Não foram 90 minutos aprazíveis, mas o Benfica precisava de um teste como este para alargar o lote de utilizáveis. Sem minutos, muitos dos jogadores que nesta ocasião os ganharam demorariam a atingir os níveis requeridos. O empate (1-1), após uma vitória tão gorda na primeira mão, reflete os laivos de pré-época que se sentiram.
A leviandade do encontro certamente terá encorajado Marco Silva a tomar decisões. Com um onze que geralmente tem terminado os jogos, o treinador incentivou o progresso físico dos jogadores que não acompanharam a preparação desde o início.
Clément Lenglet, que até nem é desses exemplos, sente-se sempre tentado a alfinetar um passe vertical, desejo que se torna ainda mais ardente quando adiante tem um avançado-panzer. Usufruindo da primeira titularidade, Jhon Durán foi espalhafatoso na exibição da capacidade de choque, importunando quem ousasse ter a bola junto dele.
Apesar de dotado com a fineza de quem come com as mãos, a fricção do avançado colombiano foi o argumento para que o Benfica conseguisse ir mais além. A crença num lance em que mais ninguém depositou esperanças, indo ao chão para o ganhar, terminou com o cabeceamento à barra de Amar Dedić.
Entendia-se que, com a intensidade de outra fase da temporada, os caminhos ofensivos seriam outros. Dodi Lukebakio arrancou um cruzamento prometedor para Sudakov e Andreas Schjelderup também conseguiu criar individualmente situações de remate. No entanto, a frequência com que os extremos intervieram ainda não foi a ideal.
A diferença da primeira mão para a segunda esteve no Benfica e não num impressionante salto qualitativo do Hearts. Acontece que, desta vez, a trajetória dos escoceses para o ataque não foi ínvia. A menor proatividade encarnada assim ditou. Cláudio Braga, o português que é ídolo dos vice-campeões locais, esteve mais associado à restante equipa. Mesmo que os adeptos aplaudissem com vigor uma mera troca de poucos passes, o Hearts carecia de alguma imaginação.
Os atos de gestão de Marco Silva passaram por, ao intervalo, substituir Lenglet por Tomás Araújo sem justificação aparente. O técnico alheou-se de pensar nas consequências, tamanho era o conforto na eliminatória. Porém, o setor recuado demonstrou fragilidades gritantes no início da segunda parte.
Manu Silva ficou agrafado a esse sofrimento. A inoperância do central perante o dinâmico Sabri Guendouz quase custou ao Benfica a pureza da baliza. Mais fragilizado ficou o ex-Vitória SC quando, após um excelente trabalho de costas de Cláudio Braga, Josh McPake o vituperou. No segundo caso, Calvin Miller até acabou por marcar, mas o lance foi anulado por fora de jogo.
O Benfica recuperou parte da fórmula que mais tem rendido neste arranque de temporada. Gianluca Prestianni, indubitavelmente, faz parte dessa versão. Havia Tómas Magnússon de travar a tentativa de melhoria, marcando de fora da área em mais um momento de apatia defensiva.
A reação foi quase imediata. O jovem José Neto não foi propriamente ousado ao longo do encontro, mas mostrou o quanto as subidas poderiam ter feito a diferença. Schjelderup encontrou o lateral-esquerdo no espaço central e este assistiu Lukebakio para o empate.
A longuíssima caminhada dos encarnados até à fase principal da Liga Europa atinge agora um novo patamar. No play-off, o Benfica vai defrontar os dinamarqueses do Aarhus. Enquanto continua na rota da segunda competição da UEFA, Marco Silva ainda tem muitas lições para dar."

Grande revolução e pequeno susto no caminho do 'play-off'


"Marco Silva mudou sete titulares e, embora com alguns jogadores ainda à procura de meter óleo na engrenagem, acabou por ser uma exibição típica para quem ganhara a primeira mão por 6-1

Seis-um é uma diferença tão grande que permite a quem está por cima mudar alguma coisa e por cima continuar. Assim aconteceu com o Benfica. Marco Silva fez sete trocas (Bah por Dedic, Tomás Araújo por Manu, Dahl por José Neto, Leandro Barreiro por Richard Ríos, Rafa Silva por Lukebakio, Prestianni por Schjelderup e Pavlidis por Durán). Restaram, do onze inicial que arrancou na Liga, Samuel Soares, Lenglet, Barrenechea e Sudakov. E, com um susto pelo meio, o play-off está aí. Tal como se esperava desde o final do jogo da Luz.
Tirando os primeiros cinco minutos, nos quais o Hearts quis marcar e tentar reduzir a abismal desvantagem trazida da primeira mão, o Benfica mandou no jogo. Mais bola, mais agressividade e mais velocidade, com Jhon Durán a ser o jogador em maior evidência. Desde logo, porque mostrava grande disponibilidade para receber a bola e, de costas para a baliza e longe da área dos escoceses, combinar com os alas, Lukebakio e Schjelderup. Depois, porque foi o pé esquerdo do colombiano quem mais problemas colocou à defesa do Hearts, embora todos os remates, fortes e espontâneos de pé esquerdo, tenham saído muito ao lado.
A maior falha dos encarnados apareceu aos 24 minutos quando Sudakov, após cruzamento rasteiro de Dedic, falhou a emenda já na pequena área. Já na parte final do primeiro tempo, surgiu a mais perigosa oportunidade do Benfica, com Dedic, no meio da grande área, a desviar de cabeça à barra, após defesa apertada de Reus num remate de Durán. Por fim, em cima do intervalo, Schjelderup ultrapassou dois adversários e rematou rente ao poste.
A segunda parte começou com uma surpresa: Lenglet por Tomás Araújo. Manu manteve-se no lado direito do centro da defesa e Tomás Araújo entrou para a esquerda. Porém, não como consequência direta desta troca, o Hearts subiu de rendimento e começou a criar sucessivos momentos de perigo, sobretudo através de Guendouz. E aos 55’, os escoceses chegaram ao golo, num cruzamento rasteiro de McPake para Miller encostar de forma perfeita, numa jogada em que, globalmente, a defesa encarnada esteve muito mal. Felizmente, havia fora de jogo de McPake no momento em que recebeu a bola.
O lance pareceu acordar, ligeiramente, o Benfica, mas tal só aconteceu, de facto, quando Marco Silva voltou a mudar, pouco depois da hora de jogo: Barrenechea por Barreiro e Sudakov por Prestianni. E foi este último que, naquele estilo exuberante de ir para cima de tudo e de todos, começou a encostar o Hearts para junto da sua grande área.
O jogo aproximava-se do final quando, aleluia!, os golos apareceram. Primeiro, o do Hearts, aos 77’. A bola apareceu soltinha à frente de Magnusson e este, quase sem ninguém a fazer-lhe sombra, rematou fortíssimo, sem hipótese para Samuel Soares. Segundos depois, num lance quase gémeo, o Benfica empatou. José Neto colocou a bola soltinha na frente de Lukebakio e, igualmente sem ninguém à frente, o belga rematou de pé esquerdo e igualou.
Em cima dos dez minutos finais, Marco Silva mexeu pela última vez: Lukebakio por Kaminski e Schjelderup por Rafa Silva. Barreiro quase marcou de fora da área e, pouco depois, o neerlandês Sander van der Eijk apitou pela última vez. Venha de lá o play-off e os dinamarqueses do Aarhus, já na próxima quinta-feira, no Estádio da Luz."

Sudakov deu-lhes açúcar, mas a bolacha era... belga


"Criativo ucraniano pegou na batuta e realizou primeira parte de belíssimo nível. José Neto foi crescendo com o jogo e ainda fez o passe para o golo decisivo. Prestianni deu corda, Lukebakio não se fez rogado

SAMUEL SOARES (6) — Nada podia fazer no golo de Sabah Kerjota ((77'), uma vez que o remate do avançado albanês levava lume e foi extremamente bem colocado, entrando junto ao poste esquerdo, mas o guarda-redes das águias disse presente quando foi instado a intervir perante as tentativas de Sabri Guendouz (12 e 52').

O melhor em campo: Dodi Lukebakio (7)
Foi seu o primeiro remate do jogo, logo aos 4 minutos, mas o tiro, apesar de forte, saiu por cima da barra. Na retina ficou também um bom cruzamento que levava as medidas certas para que Sudakov pudesse faturar, mas o camisola 10 cabeceou à figura. O internacional belga teve também alguns momentos intermitentes, já que nem todas as ações individuais que protagonizou chegaram a bom porto, mas também é justo dizer-se que não atirou a toalha ao chão e foi sempre voltando à carga para oferecer soluções pelo flanco direito do ataque. Acabou por ter o momento de inspiração já na etapa complementar, quando, depois de receber de José Neto, rematou de primeira, de pé esquerdo, à entrada da área, para selar o golo do empate do Benfica em solo escocês.

DEDIC (6) — Com o Newcastle à perna, o internacional bósnio somou a primeira titularidade da temporada e lá foi tentando as suas habituais incursões pelo flanco direito. Tirou, primeiro, um cruzamento que Sudakov não conseguiu desviar (23') por muito pouco, e cheirou, ele mesmo, o golo, mas a barra negou-lhe o cabeceamento vitorioso (36'). Voltou a tentar na segunda parte (71'), mas o remate foi desviado para canto.

MANU (5) — Algumas hesitações perante os avançados contrários. Foi ultrapassado por Josh Mcpake, aos 54 minutos, num lance que acabou com a bola dentro da baliza dos encarnados, mas cujo lance acabaria por ser invalidado após intervenção do VAR.

LENGLET (5) — O francês tentou fazer uso da sua qualidade de passe para dar início à primeira fase de construção, mas nem sempre as coisas lhe saíram na perfeição. Não regressou para a segunda parte, talvez por gestão física.

JOSÉ NETO (6) — Acabou a primeira parte em dificuldades físicas, com queixas no ombro esquerdo, mas acabou por continuar em jogo e para ter interferência direta no golo do empate das águias, ao fazer o passe para o remate certeiro de Lukebakio. O jovem internacional português, que se estreou a titular nas competições europeias, promete luta a Dahl...

RICHARD RÍOS (5) — Ainda longe da melhor forma, o colombiano não teve as chegadas à área que costuma apresentar. Belo remate, aos 15 minutos, que foi apenas travado pela intervenção de nível do dono da baliza dos britânicos. Voltou a tentar (41') minutos, mas a bola foi desviada para canto.

ENZO BARRENECHEA (5) — Algumas dificuldades para estancar as investidas dos jogadores do Hearts.

SUDAKOV (6) — Começa reforçar a sua influência no jogo ofensivo. Sem ter feito uma exibição de excelência, conseguiu, num par de vezes, desbloquear a bem montada teia da defensiva escocesa. Falhou o golo por milímetros (23') e, pouco depois, conseguiu mesmo visar a baliza, de cabeça, mas Beau Reus segurou (30').

SCHJELDERUP (6) — Primeira parte de bom nível do extremo dinamarquês. Envolveu-se na grande maioria dos lances perigosos, não só a criar, como também a tentar finalizar. Beau Reus foi seu inimigo (42') e, logo a seguir, o remate em arco tirou tinta ao poste esquerdo da baliza contrária.

JHON DURÁN (5) — Quis muito marcar, percebeu-se, tentou, é um facto, mas a tarde/noite não era do colombiano. Quando atirou à malha lateral, logo aos 9 minutos, ficou no ar a ideia de que poderia sair da Escócia com razões para festejar, algo que não aconteceu.

TOMÁS ARAÚJO (5) — Jogou toda a segunda parte, no lugar de Lenglet, e esteve sereno no eixo.

LEANDRO BARREIRO (5) — Deu mais músculo à intermediária, mas, acima de tudo, também permitiu alargar o raio de ação na fase de pressão. Ficou muito perto do golo da reviravolta (90+1'), mas viu Beau Reus negar-lhe a ação.

PRESTIANNI (6) — Poucas dúvidas restam de que é o jogador do Benfica em melhor forma neste início da época. Entrou a todo o gás e empurrou a equipa para o último terço ofensivo. Assistência primorosa para Dedic (71').

RAFA (5) — Ainda teve tempo para algumas investidas no ataque, especialmente no corredor central.

KAMINSKI (5) — Entrou com algum atrevimento e deu rotação ao flanco direito das águias."