sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Bihina em grande na Seleção...

A Primeira Liga está a acelerar na direção da Volta a Portugal em Bicicleta: a irrelevância


"E a Liga não parece preocupada. 
A globalização do futebol, o modelo económico das SAD e a ausência de proteção regulamentar da utilização de jogadores portugueses estão a destruir, lentamente, o sentimento de pertença dos adeptos.
Segundo um estudo do Sindicato dos Jogadores, Portugal foi, entre os 50 maiores países exportadores, aquele que mais aumentou percentualmente o número de futebolistas no estrangeiro entre 2021 e 2026: de 302 para 500, mais 66%.
Portugal nunca produziu nem exportou tantos jogadores e, paradoxalmente, nunca os portugueses tiveram tão pouco peso na própria Liga.
Economicamente, o modelo pode ser racional e, desportivamente, até competitivo. O custo emocional vai revelar-se gigantesco.
A ameaça não é a Liga desaparecer. É muito mais subtil: continuar a funcionar perfeitamente como mercado de jogadores enquanto vai deixando de funcionar como produto cultural português.
Uma Liga em que apenas 30% dos minutos são disputados por portugueses pode continuar a exportar os melhores, importar jogadores para valorizar, reduzir a permanência média nos clubes e diminuir a identificação entre equipa e adepto sem sofrer consequências?
Foi assim que a Volta perdeu centralidade. Não ficou sem ciclistas portugueses nem desapareceu. Simplesmente deixou, progressivamente, de mobilizar o país.
É uma característica muito portuguesa: não mudamos quando percebemos que caminhamos para o abismo. Mudamos quando já lá estamos há demasiado tempo e a liderança nem sequer sabe como sair. E, mesmo assim, só quando permanecer se torna insuportável. Temos uma extraordinária capacidade de adaptação ao que funciona mal.
Com um universo eleitoral de apenas 33 sociedades desportivas, só uma liderança forte e reformista conseguirá contrariar os interesses individuais imediatos e convencer os clubes dos benefícios coletivos de longo prazo.
Se a Liga se limitar a identificar o interesse individual de cada clube e a corresponder-lhe, mesmo quando contrário ao interesse coletivo, o custo futuro será dramático.
A inércia continua a ser uma das forças mais poderosas do futebol português. E de Portugal também.
Dois exemplos aparentemente sem relação ajudam a percebê-lo: o calendário das competições e o que celebramos no dia 5 de Outubro.
No verão, quando as noites são longas, as crianças estão de férias e o clima convida as famílias a sair de casa, os estádios estão vazios e fazemos a pré-época.
Em janeiro e fevereiro, com frio, chuva, relvados degradados e muitos estádios sem proteção adequada, jogamos intensamente — perante bancadas vazias.
Porquê? Porque sempre foi assim.
O calendário nasceu noutro mundo, quando não existiam sistemas modernos de rega e os relvados secavam no verão.
Mudou o mundo, mudou a tecnologia, mudou o futebol e mudou o adepto. O calendário manteve-se.
Portugal oferece-nos outro extraordinário monumento à inércia.
Foi em 5 de Outubro de 1143 que o Tratado de Zamora marcou o momento fundador da independência portuguesa e do reconhecimento de D. Afonso Henriques como rei. Exatamente 767 anos depois, em 5 de Outubro de 1910, foi implantada a República.
Em 1925, o 10 de Junho começou a ser celebrado como festa nacional, associado a Camões, afirmando-se depois como Dia de Portugal.
Mais de um século depois, continuamos a celebrar Portugal na data da morte do seu maior poeta e não numa data associada ao seu nascimento político.
Porquê? Porque há 100 anos que é assim.
É precisamente esta extraordinária capacidade de continuar a fazer amanhã aquilo que fazíamos ontem, mesmo depois de desaparecerem as razões que o justificavam, que ameaça hoje o futebol português.
O calendário tem ainda outra característica especialmente desajustada dos hábitos atuais: o campeonato é sucessivamente interrompido pela Taça de Portugal e pela Taça da Liga.
Seria absurdo se os torneios de ténis fossem disputados aos bocados durante a época, em vez de concentrados num período curto e jogados, um de cada vez, até encontrarem um vencedor. A NFL concentra praticamente toda a competição em poucos meses, criando intensidade, continuidade e expectativa.
A comparação com as plataformas de streaming, com as quais o futebol também disputa o tempo e a atenção das pessoas, é ainda mais evidente.
Imagine uma série em que vê dois episódios, depois é obrigado a assistir ao primeiro de outra, a seguir a um documentário sobre o mundo animal, depois à biografia de um criminoso célebre e só então regressa ao terceiro episódio da série inicial.
Não será por acaso que as competições que mais concentram a atenção mundial funcionam precisamente ao contrário. Mundiais e Europeus disputam-se durante cerca de um mês, entre junho e julho, com princípio, desenvolvimento e fim. Contam uma história sem permitir que outra a interrompa.
Importamos jogadores porque economicamente faz sentido a cada clube. Jogamos no inverno e paramos no verão porque sempre foi assim. Interrompemos as competições porque herdámos esse modelo.
A Volta a Portugal ensina-nos que uma competição não precisa de desaparecer para se tornar irrelevante. Basta que, lentamente, as pessoas deixem de sentir que lhes pertence.
Esse é o verdadeiro desafio da Liga: deixar de organizar o futebol segundo a tradição e começar a pensá-lo a partir dos hábitos — e do sentimento de pertença — de quem o quer consumir.
Não prefeririam os adeptos, e todos os agentes do futebol, concentrar as competições menos relevantes no mês de Janeiro, em vez desses jogos irem sendo disputados entre jornadas da Primeira Liga?
Porque a irrelevância não começa quando deixam de existir jogadores, clubes ou espectadores. Começa no dia em que uma competição continua a existir, mas aqueles a quem pertencia deixam de sentir que é sua."

É impossível guardar segredos conhecidos por mais de três pessoas


Guardem para dentro do «sagrado balneário» o que quiserem, mas por favor não se queixem depois de haver especulações em vez de explicações. Quando há mais de três a saber algo...

Mal começou a época e já está tudo mais ou menos como sempre. Uns começam bem, outros mais ou menos, outros pior. A culpa nunca é dos próprios, é dos árbitros (alvo 1), dos jornalistas (alvo 2) ou das oposições internas (alvo 3, mais seletivo, fica normalmente para mais tarde). Pelo sim pelo não, mesmo os que começam bem optam por ir atacando os alvos principais, que isto nunca se sabe quando é que o prego vira o bico e pelo menos assim «já tínhamos avisado».
Tenho como quase certeza, por exemplo, que quando se resolverem as novelas de Trubin no Benfica e Luis Suárez no Sporting — e elas só existem porque as deixam existir — a culpa há de ser da Comunicação Social e da sua especulação. Claro que nunca aconteceu nada, claro que destronar um guarda-redes titular sem explicação pública e deixando vazar uma explicação técnico-tática de um saber jogar melhor com os pés ou com as mã
os explica tudo; claro que haver um desaguisado num treino transformado em equívoco sobre o final do mesmo é normalíssimo, mesmo que depois nada do que se vê publicamente em campo tenha o mínimo a ver com a normalidade que conhecíamos até então.
É perfeitamente legítimo que clubes, treinadores ou jogadores (estes, enfim, cumprem ordens) tentem deixar no há muito inexistente «sagrado balneário» os alegados segredos do dia a dia. Não podem é depois queixar-se de haver especulações, sobretudo quando todos sabemos que elas não nascem das árvores, mas de alguém que conta alguma coisa a alguém que por sua vez fala com outrém. Quando há mais de três pessoas a saber de algo, esqueçam por favor a ilusão de manter segredos. É a natureza humana. E é esta parte que alguns protagonistas do futebol e não só (muitos deles importantes e em lugares de decisão) fingem ainda não ter percebido. Fica-lhes bem bradar contra «fugas de informação» e acreditarem que o público ainda come essa papa como se fosse um gelado enfiado pela testa.
Depois vêm as redes sociais, os desabafos camuflados, as críticas transformadas em passagens bíblicas ou áudios de conversas alegadamente privadas a contrariar os que ainda acham que há segredos.
Ainda assim, eles teimam em atacar os mensageiros (ainda não perceberam que é o meio e não a mensagem a determinar tudo) e persistem em silêncios e desvios temáticos que já ninguém entende."

Quanto se paga pela desorganização?


"Começou a Liga principal de futebol e alguns dados parecem ter passado pelos pingos da chuva. Há cada vez menos clubes nas competições profissionais sem investidores estrangeiros e a tendência aponta para que, dentro de poucos anos, a presença de capital estrangeiro possa ser total.
É verdade que já existem investidores a entrar nas distritais, mas o que quero destacar é o valor que estão dispostos a pagar. E aqui, tal como acontece quando se avalia a aquisição de um atleta, há pelo menos dois eixos fundamentais: performance e recursos atuais e potencial futuro.
Na aquisição total ou parcial de um clube, existem duas questões essenciais. Para quem vende, ter um clube estruturado, organizado e funcional aumenta em muito o seu valor. E é fundamental perceber, como numa pizza com várias fatias, quais estão já a gerar valor e quais representam oportunidades futuras de crescimento, mesmo que não sejam desportivas.
E continua a ser uma das maiores fragilidades do nosso futebol: o pouco investimento na estrutura, na organização e no profissionalismo das áreas que suportam, direta ou indiretamente, o verdadeiro core de qualquer clube: os atletas e os treinadores.
Uma boa estrutura não serve apenas para potenciar quem já tem talento e venha de fora. Permite criar melhores condições para que o próprio clube produza mais talento, tome melhores decisões e consiga criar a sua cadeia de valor.
E é nesta equação entre investimento e retorno que os clubes deveriam investir mais tempo, pessoas e recursos financeiros. E este fim de semana foi notória a falta de qualidade de alguns relvados e vários planos da TV para bancadas despidas de qualquer público. Mas poderíamos destacar ainda a área da comunicação, marketing, dados, etc. E nem era preciso ter interesse em vender o clube para isto ser uma prioridade.
Portugal continua a ser altamente atrativo para investidores, pelo posicionamento geográfico, pela qualidade do talento ligado ao futebol e por um contexto económico que nos torna presas fáceis por vezes, dada a nossa realidade económica e financeira.
Muitos clubes não conseguem ser vendidos pelos valores que pretendem e isso não significa que sejam caros. Muitas vezes significa que estão a atribuir valor a coisas que (ainda) não existem. O comprador vê o que está feito e, sobretudo, aquilo que não está feito, e avalia sempre qual o possível retorno.
Deveríamos valorizar mais aquilo que fazemos bem. O futebol é uma das poucas indústrias globais onde Portugal consegue competir, em várias dimensões, com países que têm recursos incomparavelmente superiores.
Isto deveria deixar-nos satisfeitos? Claro que não. Mas talvez devêssemos começar por perceber quanto estamos a perder por não termos estruturas melhores. Porque, demasiadas vezes, continuamos a ganhar apesar do sistema e não por causa dele."

A democracia da FIFA precisa de uma barreira entre o dinheiro e os votos


"Há algo de admirável na regra democrática mais básica da FIFA. A Inglaterra tem um voto. O Brasil tem um voto. A França tem um voto. O mesmo acontece com cada uma das restantes associações-membro. Num desporto verdadeiramente global, esta igualdade importa. Sem ela, os países com os maiores mercados televisivos, as ligas mais ricas e as maiores receitas comerciais poderiam transformar o futebol mundial num clube privado.
Mas a igualdade dos votos não significa necessariamente independência dos votos.
Esta distinção é cada vez mais difícil de ignorar. A FIFA não é apenas a instituição cujo presidente, orçamento e orientação estratégica são determinados pelos seus membros. É também uma importante fonte de financiamento para esses mesmos membros.
Ao abrigo do FIFA Forward 3.0, cada uma das 211 associações-membro da FIFA pode receber até 1,25 milhões de dólares por ano para custos operacionais, além de até 3 milhões de dólares para projetos durante o ciclo de 2023–2026. E estes valores poderão em breve aumentar substancialmente. Em 28 de julho, a FIFA anunciou uma proposta — ainda sujeita à aprovação dos seus membros — para disponibilizar 20 milhões de dólares em financiamento Forward a cada associação no período de 2027–2030, juntamente com a possibilidade de mais 20 milhões de dólares por associação para projetos especiais excecionais.
Este poderá ser um investimento significativo no desenvolvimento do futebol. Mas também torna mais urgente uma questão difícil de governação.
O problema não é o financiamento do desenvolvimento. O problema é a dependência.
A FIFA deve redistribuir parte da riqueza gerada pelo futebol mundial. Uma federação de um país pequeno não deve ficar privada de campos, treinadores, futebol feminino ou competições juvenis simplesmente porque o seu mercado televisivo interno tem pouco valor comercial. A universalidade do futebol depende, em parte, de os recursos circularem dos mercados onde o jogo é comercialmente mais forte para aqueles onde o investimento é necessário.
Mas chega um ponto em que a assistência pode transformar-se em dependência institucional. Se uma associação não consegue, de forma sustentável, pagar aos seus funcionários, manter a sua administração ou assegurar as suas atividades futebolísticas essenciais sem dinheiro da FIFA, poderá o seu voto sobre a liderança e a política financeira da FIFA ser considerado verdadeiramente independente?
Não estou a sugerir que uma determinada federação tenha vendido o seu voto, nem que um pagamento específico da FIFA tenha comprado um voto. Uma acusação dessa natureza exigiria provas. A minha preocupação é com o próprio sistema. A boa governação deve reduzir conflitos de interesses e relações de dependência antes de ser necessário provar a existência de qualquer acordo ilícito.
A resposta mais simples seria declarar que qualquer federação que receba dinheiro da FIFA perde o seu voto no Congresso. Não considero isso justo e seria praticamente impossível de aplicar. Uma subvenção destinada à construção de um centro de treinos é claramente diferente de depender do dinheiro da FIFA para pagar salários.
Essa solução também suscitaria uma suspeita legítima: a de que as nações mais ricas do futebol estariam a tentar redesenhar a FIFA em benefício próprio. Um sistema de votação baseado no poder comercial não representaria qualquer progresso. Poderia reduzir a influência de África, da Ásia, da Oceânia, das Caraíbas e de outras regiões do futebol simplesmente porque os seus mercados nacionais geram menos receitas.
O critério, portanto, não deve ter nada a ver com riqueza. Deve ser a independência.
A FIFA deveria criar e publicar um «Índice de Dependência Financeira» para cada associação-membro, indicando que proporção das suas receitas operacionais recorrentes provém de fundos da FIFA utilizados para despesas correntes. Subvenções de capital e projetos de desenvolvimento efetivamente destinados a objetivos específicos deveriam ser tratados separadamente. Os números deveriam ser auditados de forma independente, e os limiares definidos após uma análise económica e de governação séria, e não através de negociação política.
Como ponto de partida para o debate, uma associação poderia ser considerada financeiramente independente quando o apoio operacional da FIFA representasse menos de 25% das suas receitas operacionais recorrentes; em desenvolvimento entre 25% e 50%; altamente dependente entre 50% e 75%; e estruturalmente dependente acima de 75%. Não considero estas percentagens definitivas. Servem para ilustrar o princípio: a dependência deve ser medida de forma transparente, em vez de ser ignorada.
Uma pequena associação deve poder cumprir este teste com um orçamento reduzido. O PIB, a população, o ranking da FIFA, a qualificação para o Mundial ou o valor absoluto das receitas não deveriam ser relevantes. Uma federação que gere de forma sustentável 2 milhões de dólares das suas próprias receitas recorrentes pode ser mais independente do que uma organização muito maior, com controlos frágeis e uma dependência crónica de transferências externas.
A independência financeira também deveria ser acompanhada por obrigações mínimas de governação: contas auditadas de forma independente, contratação transparente, eleições credíveis, regras efetivas sobre conflitos de interesses, mecanismos de proteção e integridade e competições nacionais funcionais. Estes padrões devem aplicar-se a todos. Uma federação rica com falhas graves de governação não deveria qualificar-se simplesmente porque tem dinheiro.
É igualmente essencial que o presidente, o Conselho e a administração da FIFA não decidam quais as associações que cumprem os critérios. Dar à liderança em funções o poder de determinar quem pode votar criaria um problema maior do que aquele que se pretende resolver. A certificação deveria caber a um organismo independente, com critérios publicados, decisões públicas e direito de recurso.
Também não é necessário que a suspensão do pleno direito de voto seja a primeira resposta. Existe uma regra bem conhecida na governação empresarial e na vida pública: quem tem um interesse financeiro direto e material numa decisão não participa na votação dessa decisão.
Uma associação que ultrapasse um limiar acordado de dependência poderia manter o seu voto em matérias relativas a competições, estatutos e questões gerais do futebol, mas seria obrigada a abster-se de votar em decisões que aumentassem direta e substancialmente os financiamentos dos quais depende. Um sistema híbrido poderá, por isso, ser mais sensato do que uma exclusão generalizada: padrões mínimos de governação para o pleno direito de voto, abstenção obrigatória quando exista um conflito financeiro direto e um programa transitório de independência quando a dependência operacional seja extrema.
O período que antecede uma eleição presidencial da FIFA merece proteção especial. Durante os 12 meses anteriores à votação, subvenções excecionais destinadas a associações específicas deveriam exigir aprovação independente. Os pagamentos deveriam seguir calendários publicados. Transferências financeiras relevantes deveriam ser divulgadas rapidamente. Os candidatos não deveriam poder prometer vantagens financeiras específicas a determinadas associações. Quanto menor for a discricionariedade dos responsáveis políticos sobre o momento e o destino do dinheiro, menor será o espaço para suspeitas de que o desenvolvimento do futebol e a política eleitoral se confundem.
O Mundial levanta uma questão relacionada. A edição de 2026 passou de 32 para 48 seleções. Existem argumentos legítimos para dar a mais países acesso ao maior palco do futebol, e seria simplista descrever a expansão, por si só, como compra de votos. Mas qualquer alteração futura deveria ser sustentada por uma avaliação independente da qualidade desportiva, da integridade da qualificação, da carga sobre os jogadores, dos efeitos comerciais e do desenvolvimento global. A dimensão do Mundial deve ser determinada pelo que melhora a competição e o futebol, e não pelo valor eleitoral que alguém possa atribuir a lugares adicionais.
A crítica mais forte à minha proposta é a de que ela poderia transformar-se numa forma sofisticada de retirar influência às nações menos ricas do futebol. Esse risco é real. Qualquer reforma que, na prática, entregue mais controlo à Europa ou a outros mercados ricos deve ser rejeitada.
Essa proteção deve fazer parte do próprio sistema: nenhum teste baseado no PIB, nenhum teste populacional, nenhum critério de ranking, nenhuma exigência de gerar receitas comparáveis às de uma grande federação europeia — e nenhuma categoria permanente de membros de segunda classe.
Uma associação que não cumpra o padrão de independência deveria entrar num «Programa de Desenvolvimento e Independência». O financiamento da FIFA deveria continuar e, em alguns casos, poderia mesmo precisar de aumentar, mas com um objetivo claro: ajudar a associação a desenvolver receitas internas, competições mais fortes, capacidade de patrocínio, melhor administração e controlos financeiros mais sólidos. O pleno direito de voto seria automaticamente restabelecido assim que os critérios objetivos fossem cumpridos.
Isto daria também à FIFA uma forma melhor de medir se o desenvolvimento está realmente a funcionar. O sucesso não deve ser avaliado apenas pelo montante de dinheiro distribuído. Deve também ser medido pela capacidade das associações de se tornarem mais fortes e progressivamente menos dependentes da FIFA para a sua sobrevivência institucional.
O princípio «um membro, um voto» merece ser defendido. É uma das garantias que impedem as nações mais ricas do futebol de se apropriarem do jogo mundial. Mas preservar a igualdade não deve obrigar-nos a fingir que a dependência financeira não tem qualquer impacto sobre a autonomia institucional.
A FIFA deve financiar generosamente o desenvolvimento. As pequenas associações devem conservar uma voz com peso. A riqueza nunca deve determinar os direitos políticos. Ao mesmo tempo, a instituição que está a ser governada não deveria ser o apoio financeiro indispensável daqueles que elegem a sua liderança sem salvaguardas para gerir o conflito daí resultante.
O princípio é simples: a solidariedade deve reforçar a independência, não substituí-la."