terça-feira, 4 de agosto de 2026

Sorteio...

Em caso de qualificação para o Play-Off da Liga Europa, ultrapassando o Hearts, vamos defrontar o derrotado do Aarhus da Dinamarca, com o Sabah do Azerbeijão! Preferia os dinamarqueses, a viagem é mais curta, e jogam um futebol mais aberto, os Azeris são especialistas no contra-ataque...

Em caso de eliminação, vamos parar ao Play-off da Liga Conferência, onde podemos defrontar o vencedor do Rapid Viena da Áustria, com o Paide da Estónia. Os austríacos são claramente favoritos... Curiosamente, pode ser só uma sensação, mas o Rapid de Viena, parece-me inclusive mais complicado de bater que as duas equipas da Liga Europa, ambas Campeãs dos seus respectivos países!!!

Uma nota: a 2.ª mão será a 27 de Agosto, Quinta-feira, isto quer dizer que o Benfica-Estoril marcado para o Domingo seguinte, deverá ser adiado, para Segunda, ou até Terça, já que na semana seguinte, não haverá jogos a meio da semana!


 

Aprovo!

Castigo...


"A interdição de que o Sport Lisboa e Benfica foi alvo implica a proibição de realização, no recinto desportivo do espetáculo desportivo oficial, do jogo a contar para a 1.ª jornada da 1.ª Liga frente ao académico de viseu. 
Por recinto desportivo entende-se "o local destinado à prática do desporto ou onde este tenha lugar, com perímetro delimitado e, em regra, com acesso controlado e condicionado (...)" (alínea n) do artigo 3.º da Lei 30/2009).
Para além de ressarcir os sócios detentores de Red Pass no valor do jogo em causa (carteira virtual), o Sport Lisboa e Benfica poderia tentar explorar o matchday com a emissão do jogo, no seu exterior, aproveitando o sintético para colocação de ecrãs e até, no seu interior, utilizando os pavilhões.
Isto permitiria minimizar o prejuízo do seu próprio comércio (megastore) e de alguns parceiros comerciais (por exemplo, os comerciantes estacionados no seu espaço exterior).
São estes espaços que constituem local de reunião de milhares de sócios e adeptos em dia de jogo. O apoio seria diferente e até potencialmente desfasado, mas constituiria prova de união."

Uma das mais extraordinárias teorias da irresponsabilidade institucional.


"Pedro Proença parece acreditar que existe um interruptor institucional: desliga o cargo, passa a cidadão; volta a ligá-lo, regressa a presidente. Não existe.
É uma espécie de sociedade unipessoal de responsabilidade limitada aplicada à ética. Luís Neves tem muito a aprender com Proença!"

Benfica, FIFA, áudios e MP


"O Benfica ‘atropelou’ os suíços do St. Gallen, o adversário mais ingrato da temporada; ainda no âmbito helvético, os francófonos de Nyon (UEFA) bateram o pé, em boa hora, aos germanófonos de Zurique (FIFA). Por cá, depois do fumo dos áudios de Pedro Proença, devemos estar particularmente atentos à entrada do Ministério Público no caso das nomeações dos árbitros…

precisamente uma semana, escrevi, neste espaço, sobre Rui Costa: «Bastou um jogo negativo do Benfica para se ver sob uma chuva de ataques e críticas, que prenunciam ventos e tempestades se a temporada não correr de acordo com as aspirações dos encarnados. Com a imagem desgastada, Rui Costa só pode responder de uma forma: ganhando.»
A ‘manita’ com que o Benfica despachou o St. Gallen, e, acima de tudo, o apoio de 60 mil adeptos na Luz - mais uma vez chamo a atenção para a divergência profunda entre o clube real e a ‘bolha’ que frequenta as AG’s - deram oxigénio aos encarnados e ao seu presidente para encararem com maior otimismo o que se segue. Porque o St. Gallen, com todas as limitações que revelou - atenção, é vice-campeão da Suíça, onde o Benfica, em Basileia, há nove anos, perdeu por 5-0 na fase de grupos da Champions, apresentando uma equipa com Júlio César; André Almeida, Luisão, Jardel e Grimaldo; Fejsa, Pizzi; Zivkovic (Samaris), Raul Jiménez, Jonas (Seferovic) e Cervi (Sálvio) -, pela conjuntura de estar mais adiantado na preparação e ter todo o plantel à disposição, face a um Benfica cheio de carências, de meios e de tempo, foi, muito provavelmente, o adversário mais ingrato da carreira de Marco Silva. O que virá a seguir será encarado com maior normalidade, decorrente do trabalho, individual e coletivo, que o ex-técnico do Fulham poderá desenvolver, a que deverão associar-se (partindo do princípio de que não sai, além de António Silva, mais ninguém), com urgência, um médio que jogue pelo meio e um defesa central. Mas há que dizer, em jeito de conclusão, que o Benfica superou, em condição de forma altamente periclitante, o primeiro obstáculo. E fê-lo, na Luz, com autoridade. O futuro? A Deus pertence…

PS - A propósito de António Silva - ia entrar no último ano de contrato na Luz - destratado sem dó nem piedade ao longo dos últimos dois anos, que perdeu o lugar no Benfica e na Seleção Nacional para Tomás Araújo, não sendo previsível que fosse titular na época que agora está a começar, rumou ao Bournemouth, por 25 milhões de euros, onde prosseguirá a carreira, depois de recusar uma proposta de renovação dos encarnados, que julgou insuficiente. Ora, foram precisamente os mesmos que mais minaram a confiança de António Silva que agora, perante a sua saída, lhe teceram loas e se rebelaram contra a venda de um talento da casa, de apenas 22 anos. É o que se chama, pensando em Rui Costa, ser preso por ter cão e ser preso não ter…

GIANNI INFANTINO colocou sobre a mesa um plano que visava potenciar as receitas das grandes competições da FIFA, entregando 20 por cento de uma nova sociedade a criar para esse efeito a privados. Disse Infantino que esse projeto só avançaria se fosse aprovado por pelo menos metade mais um dos votos das 211 Federações nacionais com assento na Assembleia Geral do organismo de cúpula do futebol mundial. UEFA, AFC e CONCACAF, que representam 143 votos, mostraram-se liminarmente contra a ideia, declarando a UEFA, que liderou o processo, que boicotaria um Mundial realizado sob o modelo pretendido por Infantino.
Ao mesmo tempo, dentro da FIFA, a demissão do luso-descendente Carlos Cordeiro, principal conselheiro de Infantino e antigo ‘chairman’ da Goldman Sachs, e a rebelião de vários quadros superiores criaram a tempestade perfeita, que obrigou Gianni Infantino a desistir de um projeto que contaria com o apoio do clã-Trump. Infantino é um sobrevivente e sentiu os alarmes políticos a tinir: não era só a ‘privatização’ do Mundial que estava em causa, mas, sobretudo, a sua continuidade à frente da FIFA deixara de ser ‘favas contadas’.
Ao dia de hoje, é impossível dizer se o suíço que lidera a organização de Zurique há dez anos vai a tempo de conter danos e ser reeleito no próximo Congresso da FIFA, algo que, logo depois do Mundial, era dado como absolutamente certo. A este propósito, no ‘The Athletic’, Sebastian Stafford-Bloor teve uma imagem bastante conseguida quando comparou Infantino a Ícaro, que quis voar demasiado perto do Sol e despenhou-se quando as asas de cera que o mantinham no ar se derreteram. Ao conduzir o projeto agora abortado, não só de forma quase autista, mas revelando, sobretudo, uma falta de sensibilidade face ao futebol, incompreensível em quem vive no meio há mais de duas décadas, Infantino arrisca-se a ser visto como um ativo tóxico. Penso que, se quiser continuar à frente da FIFA, vai ter de aprofundar a ideia do Mundial de 2030 com 64 seleções (e as mesmas oito rondas de 2026 para os finalistas) para captar votos, e recuar no desejo de ter um Mundial de Clubes alargado e a realizar-se de dois em dois anos. Mas a verdade é que apesar de ter tido sucesso no Mundial/25 de Clubes e ter transformado o Mundial/26 de seleções numa máquina de fazer dinheiro, nunca, como agora, a imagem de Gianni Infantino esteve tão por baixo. Se calhar, para obter uma explicação, valerá a pena recuperar o que Jurgen Klopp disse de Trump e Infantino, na sequência da despenalização do norte-americano Folarin Balogun: «Este jogo é nosso, não é deles.»

PS - Numa altura em que se pede mais assertividade e firmeza à União Europeia no contexto internacional, a UEFA apontou o caminho. E com isto não estou a dizer que Aleksander Ceferin deve ocupar a cadeira de Ursula von der Leyen…

CIRCULARAM áudios de Pedro Proença, obtidos ilegalmente, que o presidente da FPF diz terem sido «truncados e descontextualizados», onde criticava a qualidade média dos árbitros portugueses, algo que, para a generalidade dos observadores, é uma evidência. Para se perceber como esse assunto foi pouco mais que um ‘fait divers’, basta ver como uma ida de Pedro Proença, de madrugada, a Tomar, serenou os ânimos, e deixou os árbitros em estado de prontidão. Porém, este caso, obviamente mediático porque envolveu o presidente da FPF (à altura dos factos, candidato ao cargo), tirou o foco de uma matéria que pode vir a revelar-se, ainda no âmbito da arbitragem, mais relevante.

O CONSELHO DE JUSTIÇA (CJ) da FPF arquivou, por falta de provas, um inquérito instaurado a Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, na sequência de uma denúncia do ex-diretor técnico nacional de arbitragem, Duarte Gomes. Porém, o Ministério Público tem o caso em mãos e, através do DCIAP, com o apoio da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, que possui meios de investigação que vão muito para lá do que o CJ da FPF pode fazer, está em campo. Significa isto que, nunca esquecendo a presunção de inocência a que todos temos direito, vivemos uma situação atípica, relativamente ao titular de um órgão que deve estar acima de toda e qualquer suspeita.
Estou a sugerir que Luciano Gonçalves devia, desde já e perante a situação, demitir-se? Não, nada disso. E não tem a ver, sequer, com a precariedade em que vive, atendendo ao limite temporal do seu mandato, algo que poderia ser corrigido se houvesse um formato diferente para a gestão da arbitragem. Seguramente que, quando aceitou ser candidato a presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves sabia que, se vencesse as eleições, não estaria a assumir um cargo de quadro numa organização, mas sim de líder, com horizonte temporal limitado - daí a precariedade - de um órgão de uma entidade que goza do estatuto de utilidade pública desportiva.
É neste contexto que a proposta do presidente do FC Porto, André Villas Boas, de haver uma suspensão do mandato por parte de Luciano Gonçalves até tudo estar em pratos limpos, me parece razoável, benéfica para a competição, ao mesmo tempo que, a concretizar-se, salvaguardaria Luciano Gonçalves nesta fase de investigação judicial. Sei que em Portugal não existe esta forma de estar na vida pública - António Vitorino, Murteira Nabo, Miguel Macedo ou Jorge Coelho são algumas das exceções - mas nunca é tarde demais para adotar boas práticas."

Caminho para a Liga Europa


"O sorteio do play-off de acesso à fase de liga da Liga Europa e a 3.ª camisola do Benfica são os destaques nesta edição da BNews.

1. Sorteio
Caso o Benfica elimine o Hearts, o adversário seguinte na Liga Europa será o derrotado do embate, relativo à 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, entre o Aarhus, da Dinamarca, e o Sabah, do Azerbaijão.

2. Equipamento apresentado
Já é conhecida a 3.ª camisola do Benfica para 2026/27.

3. Sessão fotográfica
Os jogadores que marcaram presença no Mundial e dois dos reforços participaram na habitual sessão fotográfica de início de temporada.

4. Formação – pré-época
Os Juvenis venceram a Youngster Cup. Os Juvenis B sofreram uma derrota com os Juvenis A do Torreense e os Iniciados deram o pontapé de saída na preparação.

5. Contributo internacional
A guarda-redes do Benfica Michaely Bihina ajudou os Camarões no apuramento para os quartos de final do Campeonato Africano de Futebol Feminino 2026.

6. Casa Benfica Covilhã
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 60.º aniversário."

Atualidade benfiquista


"São vários os temas abordados nesta edição da BNews.

1. Comunicado oficial
Leia a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica acerca do próximo desafio com o Académico de Viseu, o qual será disputado à porta fechada no Estádio da Luz. O Clube reitera "o seu firme desacordo com uma medida que penaliza indiscriminadamente todo o universo benfiquista".

2. Transferência
António Silva passa a representar o Bournemouth.

3. Calendário
A partida entre Benfica e Académico de Viseu relativa à 1.ª jornada é no dia 9 de agosto, domingo, às 20h30.

4. Formação – pré-época
A equipa B do Benfica venceu o Atlético por 0-1 e conquistou o Troféu Germano Figueiredo. Os Sub-23 foram derrotados, por 3-1, pelo Lusitano GC. Os Juniores realizaram dois jogos-treino.

5. Arranque de pré-temporadas
Os bicampeões de futsal e as pentacampeãs de andebol já preparam a nova época.

6. Movimentações do defeso
O basquetebolista Diogo Gameiro e as andebolistas Ana Silva, Matilde Rosa, Constança Sequeira, Carolina Monteiro, Nádia Rodrigues e Mihaela Minciuna renovaram os respetivos contratos com o Benfica.

7. Sessão diferente
O plantel da equipa masculina de andebol do Benfica treinou na praia de Carcavelos.

8. Chamadas internacionais
São sete atletas do Benfica convocados pelas seleções nacionais masculina e feminina de hóquei em patins.

9. Exposição
A primeira de cinco visitas guiadas à exposição temporária O Manto Sagrado – Um Olhar Sobre as Camisolas de Futebol do Benfica, decorreu ontem no Museu Benfica – Cosme Damião.

10. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube. 11. Casa Benfica Espinho Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 29.º aniversário."

Memória futura...

Está on fire !!!

Colo...

Eu, cidadão português, adepto de Torreense e FC Porto e ainda jornalista...


"Querem jogar um jogo comigo? Vamos a ele. O final de carreira de um árbitro devia ser aos 60 anos. Assim, o maior dos maiores ainda estava em atividade...

Eu, cidadão de Portugal e adepto do Torreense, sinto-me indignado com André Narciso. Então aquela entrada de Inbeom Hwang sobre Dany Jean não é penálti?! Que estavam a fazer o VAR, o AVAR e o AAVAR? Mas, sejamos sinceros, já nada me espanta. Os árbitros portugueses são fracos, são todos muito fracos. Portugal consegue ter três ou quatro gajos minimamente competentes, mas o resto é tudo muito fraco.
Por outro lado, eu, cidadão de Portugal e adepto do FC Porto, não vejo qualquer motivo para a polémica que querem criar com a arbitragem de André Narciso. Onde é que aquela entrada de Inbeom Hwang sobre Dany Jean é penálti?! Queriam que o VAR, o AVAR e o AAVAR tivessem chamado o árbitro?! Mas aquilo alguma vez é um erro claro e óbvio? Os comentadores de arbitragem portugueses são fracos, são todos muito fracos. Portugal consegue ter três ou quatro gajos minimamente competentes… O Pedro [Henriques], claro, o [Marco] Ferreira, metes o tipo de Braga [Fortunato Azevedo] e depois metes ali o [Jorge] Coroado, o [José] Leirós, o [Jorge] Faustino ou qualquer coisa assim… o resto é tudo muito fraco. Não há, em Portugal, uma nova geração de comentadores de arbitragem.
Porém, eu, jornalista de profissão, quero deixar uma palavra de confiança aos árbitros e aos comentadores de arbitragem portugueses que iniciam a época 2026/2027. A qualidade dos árbitros e dos comentadores é inquestionável e cada vez mais reconhecida pelas mais elevadas instâncias internacionais ao nível do comentário. Não misturem o que penso enquanto cidadão e adepto do Torreense e do FC Porto (sim, é possível) com aquilo que penso enquanto jornalista. São coisas distintas, como facilmente perceberão. Não estejam é à espera que os outros jornalistas, árbitros e comentadores de arbitragem sejam competentíssimos como eu, porque alguns deles, pá, só têm o 12.º ano e só pensam em dar notícias polémicas e em criar confusões.
Querem jogar este jogo comigo? Das 32 vezes em que fui chamado à ERC, 27 foram por processos que nada tinham a ver comigo. Não brinquem comigo, c******. Não permitirei que seja posta em causa a minha dignidade, enquanto jornalista! Querem jogar outro jogo comigo? Vamos a ele. É preciso pormos as pessoas certas nos lugares certos. O final de carreira de um árbitro, por exemplo, devia ser aos 60 anos. Assim, o maior dos maiores ainda estava em atividade. Por outro lado, para quê contratar Jorge Jesus para selecionador nacional, se o maior dos maiores podia acumular e ser, ao mesmo tempo, selecionador nacional? E, já agora, comentador de arbitragem, tratador da relva do Estádio de Coimbra, VAR, AVAR, AAVAR, jornalista e, sobretudo, contorcionista.
Voltemos a Coimbra. Colocando de parte o lance entre Inbeom Hwang e Dany Jean, a cena da relva (a tinta devia ter sido mais forte e mais aderente, sim), a lesão de Bednarek, a quase lesão de Dany Jean e a quase greve dos árbitros, eu, enquanto cidadão, adepto do Torreense, adepto do FC Porto, jornalista, comentador de arbitragem, VAR, AVAR e AAVAR, tenho de proclamar que tudo correu bem em Coimbra."

Andamos a brincar ao futebol em Portugal


"Um jogo em risco pela greve dos árbitros teve lugar num relvado no ponto para plantação de batatas e, afinal, foi o alter ego de Pedro Proença a provocar o caos: bem-vindos a 2026/27

A lesão de Jan Bednarek, tão-só uma das peças fundamentais do campeão nacional e que vai representar o país na Liga dos Campeões, não será, ao que parece, tão grave assim, apesar de, como se sabe, os joelhos obrigarem sempre a cuidados redobrados. O problema físico do polaco poderia ser só um osso do ofício dos futebolistas, não tivesse sido causado por um relvado que julgava não ser possível ver na disputa de um título em Portugal em pleno 2026. Mais: o Estádio Cidade de Coimbra será a casa da Académica no regresso às ligas profissionais! Nem o velho truque de pintar a areia de verde disfarçou um terreno digno para plantar batatas.
Pelo menos já ficámos a saber que, como organizadora do jogo, a Federação Portuguesa de Futebol abriu uma investigação para apuramento de responsabilidades junto da Federação Portuguesa de Futebol. Ninguém sabe ao certo no que é que esse expediente resultará a não ser o FC Porto, que, tudo indica, se verá privado de Bednarek no arranque da Liga.
O relvado, diga-se, teria sido um mal menor, não tivesse ficado a Supertaça marcada pelo contexto de uma crise institucional que não foi criada pelos áudios divulgados de Pedro Proença, eles apenas foram a janela para entrar e falar do elefante na sala. Tem motivos o cidadão Pedro Proença para estar preocupado com a qualidade da arbitragem, ao nível da do relvado, no futebol português. E teve anteontem, com vista privilegiada da tribuna para a grande área do FC Porto, mais um ficheiro para juntar ao dossiê, numa daquelas grandes penalidades tão evidentes que nem deviam passar aos árbitros de campo, quanto mais aos que estão sentados no VAR.
De um ex-árbitro e que foi dos melhores que Portugal já teve, os árbitros esperariam outra proteção, mas quando a versão do cidadão Pedro Proença é tão díspar da do presidente da Federação Pedro Proença, algo de muito sério está em causa. Os anos vão passando e, mais do que resolver problemas que entram pelos olhos adentro, os responsáveis preocupam-se em enterrar a cabeça na areia ou, não escondendo que existem, apontam o dedo a A, B e C, mas a culpa nunca é deles. É sempre esse o caminho mais fácil.
No meio de todo este triste espetáculo com que a cortina da temporada se levantou, releve-se o Torreense, que, na primeira parte, chegou a deixar dúvidas sobre qual era a equipa grande em campo. A formação de Luís Tralhão é de autor e há no clube oestino um trabalho de scouting que deveria servir de lição a muito boa gente do escalão acima."

O futebol não precisa de Gianni Infantino porque o futebol não precisa de um Gianni Infantino


"Gianni Infantino perdeu quando Gianni Infantino deixou de ser Gianni Infantino.
Ao longo de anos e anos, durante décadas, este foi um homem que subiu na vida à custa de ser um dos mais dignos representantes da classe de dirigentes desportivos de colarinho branco da Suíça, todo ele controlo, pensamento, o domínio de diversos idiomas usado como um superpoder. Gianni, escalando na UEFA e na FIFA, foi um calculista, nunca um passo maior do que a perna, tudo medido e ponderado em minuciosa precisão.
Até que algo mudou. Gianni não foi Gianni. Começou a acenar com planos muito ambiciosos muito rapidamente. Saíram importantes trabalhadores da FIFA — esta é também uma história de falhas de gestão, de reduzir equipas em nome de uma alegada eficiência e ir minguando o conhecimento e centralizando procedimentos — e Infantino ficou cada vez mais com o palco para si, um homem no trono, gradualmente o adeus à política do pouco a pouco, do progresso em passinhos pequenos.
Infantino foi ficando todo-poderoso, Luís XIV do futebol. “L'État, c'est moi”, o Estado sou eu, a FIFA sou eu, a FIFA é o futebol, o futebol sou eu.
Juntou-se com os mais poderosos do planeta. Tornou-se um chefe de Estado, um dos senhores que acredita que o mundo se move quando ele move os fios que o seguram. A Sala Oval. A companhia de gente com muito dinheiro. Uma existência de rei de um Estado de cofres recheados, talvez daqueles do Médio Oriente com quem Infantino tão bem se dá.
Conta o britânico “Observer”, num excelente relato sobre a vida e obra de Infantino, que, quando o presidente da FIFA esteve na cimeira de Sharm El-Sheikh, diplomatas experientes do Reino Unido mostraram-se visivelmente espantados por haver, entre tantos primeiros-ministros e reis e presidentes, um mero dirigente de uma federação desportiva internacional, ali a fazer do que não é. Era Gianni feito estadista, imperador do futebol, Papa da bola.
Chegou o deslumbramento. Infantino não foi Infantino quando, privando com Trump e o dinheiro dos Estados Unidos e prescindindo de know-how da FIFA e fazendo tudo sozinho, “l''état, c'est moi”, quis lançar em modo sprint um plano arrojado. Possivelmente, como escreveu o “Times”, ficou embasbacado pelo salário do comissário da NFL, muitas vezes superior ao presidente da FIFA, e tenha pensado que o seu agora ex-futuro papel como comissário da agora ex-nova subsidiária da FIFA o levasse para esse patamar financeiro.
A notícia do “Times” trocou-lhe as voltas. Perdeu o controlo da narrativa, não lhe foi possível embrulhar a proposta em suave envelope, dar-lhe tons mais amigáveis e parecendo menos o que era: alinear parte de um produto cultural que é altamente lucrativo a investidores privados que poderão não o cuidar devidamente. Era mau porque este é um produto cultural e não um ativo financeiro, porque o Mundial é uma máquina de fazer dinheiro e não necessita ajudas nesse campo, porque as apresentações que foram vindo a público desprezavam o futebol feminino.
É importante, aqui, sublinhar o papel decisivo do jornalismo, e sobretudo de Martyn Ziegler, o homem que inicialmente trouxe a história a público.
É, também, fundamental realçar que boa parte da crítica não se deveu propriamente a princípios ou a uma grande noção de ética. Foi, sobretudo, uma questão de poder, de influência. De controlo, e do controlo da narrativa que Gianni perdeu. Presidentes de federações, líderes de confederações, membros dos órgãos mais importantes da FIFA, todos foram postos de parte por Infantino, que embarcou nisto rodeado dos seus amigos mais poderosos. E os chefes do futebol não o perdoaram, sentiram-se postos de lado, não informados ou consultados.
E agora?
Bem, há quem argumente que o sucessor de Blatter — está a valer ter saudades de Blatter? — está ferido de morte. Que a UEFA procure derrubá-lo, tentando encontrar um candidato para as eleições de março, não surpreende, mas mais significativo é o fraquejar de apoio vindo de Ásia ou das Américas. Por outro lado, há os que sustentam que Infantino mantém uma base considerável, que o Mundial 2026 deu camiões de dinheiro que serão distribuídos, que Gianni treme, mas não cai.
Não obstante a relevância do futuro da FIFA, há algo aqui que ultrapassa Infantino, como ultrapassava Blatter. Sim, o futebol não precisa de Gianni Infantino, amigo de autocrátas, auto-considerado chefe de Estado. Mas, mais do que isso, o futebol não precisa de um presidente da FIFA tão poderoso, tão influente, de poder tão pessoalizado, de campo de atuação tão vastamente alargado.
O futebol é um jogo brutalmente resiliente, extraordinariamente popular, que encantava multidões no século XIX e encanta no século XXI, que reinava na era do telégrafo e reina na era da internet, cujo Mundial masculino representa um incrível motor financeiro. O futebol não precisa de um imperador; precisa de um burocrata, um chato, um nerd que cumpra as leis e regulamentos, em vez de os contornar, que faça por distribuir o dinheiro e verifique se vai mesmo para onde tem de ir — só um quinto das federações mostram contas auditadas e, por esse planeta, não faltam casos de desvios de fundos da FIFA — , que não extravase competências.
A casa de Gianni poderá cair. A casa da FIFA, infelizmente, apresenta vícios que vão além de um líder, por muito tóxico e nocivo que ele seja."