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Atualidade do Benfica


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do quotidiano benfiquista.

1. Empréstimo
João Veloso vai evoluir no Moreirense.

2. Expectativas de uma boa época
Os Juniores já fazem trabalho de campo.

3. Movimentações do defeso
Anderson Fortes reforça o plantel de futsal do Benfica. A futebolista Matilde Matos assina contrato profissional. E José Silva deixa de representar o basquetebol encarnado após 9 temporadas.

4. Contributo internacional
Gabriela Fernandes ajudou Portugal a vencer o Campeonato da Europa Sub-20 da Divisão B de basquetebol.

5. Chamadas internacionais
Tiago Silva e Tomás Natário Teixeira estão convocados pela seleção nacional de voleibol. Na mesma modalidade, os Sub-19 portugueses contam com quatro atletas do Benfica.

6. Taça do Mundo de velocidade
Fernando Pimenta alcançou duas medalhas de ouro. O canoísta do Benfica está empenhado em obter o apuramento para os próximos Jogos Olímpicos já este ano.

7. Judo – Cerimónia de Graduação
"É um dos momentos mais importantes da época", realça Telma Monteiro, coordenadora do judo do Benfica."

Tomada de decisão


"Exemplos de como os detalhes importam

Tomada de decisão. Além de ser um dos atributos mais importantes do futebol moderno, é também uma das terminologias mais utilizadas por treinadores, analistas e comentadores de futebol. Por norma, associa-se aos momentos com bola, mas também se tomam decisões sem ela. Tal como se tomam decisões a partir do banco de suplentes.
Bernardo Silva e Bruno Fernandes decidiram contestar a decisão do árbitro que havia assinalado falta sobre Mikel Merino. A contestação levou-os a perder o foco durante breves segundos, o suficiente para o mesmo Merino repor rapidamente a bola em jogo. A jogada desenrolou-se, Diogo Dalot focou-se apenas na bola enquanto Rúben Dias decidiu encurtar sobre Ferran Torres. Todos sabemos o que a soma destas decisões sem bola custou a Portugal – um golo e o adeus ao Mundial.
Gabriel Magalhães, velho conhecido de Haaland na Premier League, decidiu afundar para proteger o espaço junto à baliza de Alisson. Sem bola, não orientou os apoios de forma a poder disputar o duelo aéreo e, pior do que isso, focou-se apenas na bola. Perdeu a noção do espaço à sua volta que poderia ser atacado por Haaland, perdendo igualmente a referência na marcação. Schelderup cruzou com conta, peso e medida, o goleador norueguês fez o que melhor sabe e abriu as portas do adeus canarinho ao Mundial 2026.
Sorloth será o rosto mais visível da importância de uma boa tomada de decisão com bola por parte de um jogador. A Noruega vencia por 1-0 e, prestes a fechar a primeira parte, Oddegard isolou Sorloth em contra-ataque. A vantagem numérica e posicional favorável à Noruega pedia o passe de Sorloth para Haaland. O nº 7 norueguês decidiu resolver a jogada individualmente. Perdeu tempo e espaço. Não criou perigo. Minutos depois Bellingham empatava a partida.
No banco, Carlo Ancelotti decidiu lançar Neymar em campo quando ainda havia 0-0 no marcador frente à Noruega. Optou ainda por derivar Endrick para o corredor lateral direito, de modo a não expor Neymar. O Brasil nunca mais criou perigo e Haaland fez o resto.
Thomas Tuchel perdia ao intervalo frente à Noruega. Optou por deixar Rice e Madueke nos balneários, lançando Eze e Saka nos seus lugares. A Inglaterra instalou-se definitivamente no meio-campo ofensivo, operou a reviravolta e obrigou a Noruega a regressar mais cedo a casa.
E ainda que a tomada de decisão possa ser treinada e que o contexto seja fulcral para a mesma, nada importa mais do que a cabeça do decisor. Seja ele jogador ou treinador."

E afinal que portugueses ficam no Mundial até ao fim?


"Estão nas meias-finais do Mundial as quatro melhores seleções — mesmo — e... já agora os 13 melhores árbitros. Um deles é português, embora isso pouco nos orgulhe por cá

Entramos na reta final do 23.º Campeonato do Mundo com a reconfortante sensação de que chegam à fase decisiva as quatro melhores equipas quer do torneio quer da atualidade. Claro que os oitavos de final souberam a pouco aos portugueses, mas patriotismos e preferências à parte será difícil não interpretar o naipe de semifinalistas com uma sensação de justiça apurada. França, Espanha, Argentina e Inglaterra são mesmo as melhores seleções do Mundo nos dias que correm.
Brasil e Alemanha, os outros colossos eliminados, pouco mostraram que justificasse outro fim. Percorrido o mapa de eternos favoritos (e tendo em conta que a Itália não veio sequer a jogo), importa olhar para a segunda linha de candidatos.
Sobre Portugal, que até eliminou a Croácia, há pouco a acrescentar. A Bélgica e os Países Baixos foram mais ou menos iguais a si próprios, ou ao que têm sido nos últimos anos, e o Uruguai há muito que saiu deste lote
Do lado das boas surpresas temos Cabo Verde (à sua escala, que nos nossos afetos é maior e ainda bem), Estados Unidos, Marrocos, Suíça e Noruega.
Se pensarmos que a Suíça, de 2016 para cá e falando de Europeus e Mundiais (a Liga das Nações é uma coisa muito portuguesa, ainda), fez o mesmo que Portugal nas fases finais, sobra então a Noruega como melhor não-semifinalista deste torneio. De longe, diria.
Mas o futebol do Mundial não são só as seleções e aí Portugal tem um motivo de orgulho ao qual liga pouco e se for preciso ainda despreza: neste momento, João Pinheiro e os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia são os únicos portugueses que ainda podem sonhar com a final.
Ao que se sabe é improvável tal acontecer, mas estar entre os 13 árbitros que ficam até ao fim, sendo que oito serão nomeados para os quatro jogos (árbitro e quarto árbitro), é proeza à qual estamos a dar muito pouca importância.
Chamado como árbitro principal para três jogos até ao momento (mais um como quarto árbitro), teve decisões de risco para tomar e tomou-as todas de forma correta, com ajuda do VAR.
Podem contestar-se as regras e os protocolos (eu também tenho um fraquinho nostálgico pelo futebol sem VAR, confesso), mas questionar o que é óbvio perante a tecnologia e as normas existentes não é, de todo, sensato.
João Pinheiro e a respetiva equipa devem orgulhar Portugal, sim. Mesmo que nos preparemos para mais um ano inteiro a dizer mal deles e dos colegas todos, na maioria das vezes como justificação fácil para insucessos e grãos de areia para os olhos dos adeptos."

Há aí algum abraço para Sorloth?


"O futebol é feito de ‘ses’, mas nenhum deles fica para a história, por maior que seja. Não há realidades alternativas, apenas uma, ainda que possa ser formada por várias versões. No intervalo de todas elas, estão os factos, o que deve continuar a ser contado de geração a geração, ainda que com liberdade criativa. Porque é nessa dimensão que habitam os heróis e nós, sem eles, demoramos mais tempo a conseguir ser melhores humanos.
No Noruega-Inglaterra, mais do que o bis de Bellingham ou o erro de Nyland, expiado com quem mais interessa, mulher e filhos, naquele abraço coletivo em que cada um segurava o próximo para que não caísse ao abismo, o que permanece é a encruzilhada em que Sorloth se despistou. Porque aquele «o que seria se tivesse passado a Haaland, e este feito o 2-0?» ecoou depois a cada rugido dos Três Leões até ao final.
E nós até os protegemos. Se fosse um médio, nada seria mais imperdoável, mas um avançado, que se alimenta dos golos que marca, já tem direito a uma dose considerável de egoísmo. É verdade que a decisão pode ser trabalhada, mas quem decide é quem tem a oportunidade. Um treinador pode escolher o jogador que decide sempre bem e, ainda assim, num jogo, este pode errar.
Sorloth engasgou-se nessa fome num 1x1 forçado, em que O’Reilly só teve de apostar no mais provável. Fechou-lhe o melhor pé e a jogada perdeu-se.
Há quem culpe os dois pontas de lanças em simultâneo. A tal teoria do egocentrismo. Em superioridade, no 2 para 1, Sorloth apostou em si. Ainda não tinha marcado no Mundial, não conseguia lidar com mais dias de ressaca. Todavia, pode não ter sido só isso. Será que o gigante não congelou e se embrulhou na solenidade do momento?
Onde ao lixo da humanidade é permitido sê-lo sem restrições, sucederam-se ameaças e insultos. Ninguém lhe ofereceu um abraço que o sustente sobre o próprio abismo. Sorloth pareceu demasiado egoísta para tê-lo realmente sido."

Os heróis do Mundial


"Um guarda-redes que faz um arquipélago sonhar; um treinador que usa o microfone para não deixar esquecer um genocídio; um mago da bola que combate o racismo sem hesitações. Os heróis de um Mundial nem sempre são os que levam a taça. Às vezes são os que lembram as bancadas de que o futebol continua ligado à vida real e que a maior competição do planeta não serve só para marcar golos.
Vozinha - pequeno no nome, gigante nas redes. Espantou o Mundo e pôs metade dele a torcer por Cabo Verde. Levou um país de meio milhão de habitantes agarrado às luvas e, contrariando todas as probabilidades, defendeu o orgulho nacional como Cesária Évora ou Amílcar Cabral. O nome que tem nas costas vem do tempo em que era menino e levava pancada dos rapazes mais velhos no futebol de rua. Ia de cara trancada de volta para a casa da avó que o criou quando as coisas não lhe corriam bem. Os outros riam-se do mau perder. "Vai lá ter com a avozinha", diziam. E assim ficou: Vozinha. Passaram quase 40 anos desde esses tempos na ilha de São Vicente e hoje a dona Maria já cá não está, mas o resto do Mundo esteve na vez dela. Vozinha não é o rosto da Adidas, não promove casas de apostas, não faz publicidade à Linic nem tem encontros na Casa Branca. Não leva o estilo de vida estratosférico dos ídolos milionários do mundo da bola. É só um homem comum com mãos firmes, que ajudou a seleção que representa a chegar onde nunca antes tinha chegado.
Hossam Hassan - técnico de coragem. Conseguiu interromper o ruído do futebol para lembrar um silêncio ensurdecedor. Enquanto os outros treinadores falavam de esquemas táticos, lesões ou arbitragens, o selecionador do Egito aproveitou os holofotes das conferências de Imprensa para lembrar o horror de Gaza. Não pediu penáltis, pediu humanidade. Não reclamou tempo de compensação, reclamou tempo para olhar para quem continua a viver entre bombas. "Eu imploro, deixem o povo palestiniano viver! É só isso que eles querem", disse antes de defrontar a Argentina. Sabe que o futebol não trava uma guerra, mas também sabe que um Mundial oferece um palco para se ser visto. Ele preferiu ser ouvido.
Kylian Mbappé - craque dentro e fora de campo. Após a derrota do Paraguai para a seleção francesa, a senadora Celeste Amarilla fez um chorrilho de comentários racistas sobre a origem e educação do jogador francês. Chamou-o de "camaronês colonizado" e insinuou que havia crescido na selva, rodeado por macacos. Sem surpresas, Mbappé foi capitão fora das quatro linhas e virou o jogo, apontando o lado da vergonha, da indignidade e do "racismo descarado". "É indigna do seu cargo. Não representa o Paraguai, que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição", respondeu.
Os campeões escrevem a história do futebol. Os heróis escrevem a história das pessoas."

Vamos a isto!


"1. Terminou sem glória a expedição da equipa da Federação Portuguesa e Futebol ao Mundial de futebol. Uma fase de grupos cumprida burocraticamente, um mata-mata com a Croácia em que a seleção foi quase sempre inferior ao adversário tendo a seu favor a sorte do jogo, a simpatia do VAR que anulou três golos aos croatas e, por fim, a cabeça de Gonçalo Ramos para tudo se acabar na segunda-feira, frente aos espanhóis, tal como era de esperar.

2. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol já tratou de se desresponsabilizar. Fê-lo rapidamente atirando para Fernando Gomes, o seu antecessor, os créditos pela contratação de Roberto Martínez. “Quando assumimos a FPF, tínhamos plena consciência de que esta não era a nossa opção”, disse com aquele oportunismo que o caracteriza.

3. Realmente foi um grande azar para Pedro Proença a vitória de há um ano na Liga das Nações que impediu o despedimento do selecionador nacional Martínez tal como estava programada. Mas o presidente da FPF não é o sujeito mais azarado destas digressões da seleção nacional, façamos-lhe justiça, até porque Proença tem, cá por casa, imensas coisas com que se preocupar, como, por exemplo, o que fazer com aquele árbitro-mentiroso que vicia relatórios e que vem atuando sem vergonha na Liga principal do nosso futebol.

4. Voltemos ao sujeito mais azarado das comitivas nacionais. Trata-se de Gonçalo Ramos, um jogador formado no Benfica, normalmente convocado para as aventuras da seleção. Estreou-se no Mundial do Catar fazendo um hat-trick contra a Suíça e foi logo substituído não fosse atrever-se a fazer um póquer. Depois desse desaforo nunca foi um jogador regularmente titular na seleção.

5. Quando joga, marca, é verdade. Leva 11 golos em 1031 minutos distribuídos por 27 presenças na seleção. Sem penáltis. Este Ramos é um perigo. É tão perigoso que não pode ser titular da seleção. É este o seu azar. E o nosso, claro.

6. Vamos, então, ao que interessa, o Sport Lisboa e Benfica e às suas atualidades. Neste defeso, por exemplo, mudou-se de treinador. Saiu José Mourinho a troco de 15 milhões de euros e entrou Marco Silva, a quem não haverá um único benfiquista que não deseje as maiores felicidades. Neste momento, o Benfica tem três jogadores no Mundial. Andreas Schjelderup e Fredrik Aursnes ao serviço da Noruega e Dodi Lukebakio ao serviço da Bélgica. Boa sorte a todos!

7. O primeiro jogo não-oficial da temporada aberto ao público é um Benfica-Flamengo no Algarve. É uma bela maneira de arrancar na temporada de 2026/27. Vamos a isto!"

Leonor Pinhão, in O Benfica

Um adeus expectável


"A equipa sénior masculina da Federação Portuguesa de Futebol encerrou a sua participação no Mundial 2026. Perdeu com a Espanha e tudo está dentro da normalidade. As exibições nos jogos disputados em Houston, Miami e Toronto não deixaram grandes dúvidas: um grupo de bons jogadores não faz uma equipa.
Faltou quase tudo em campo, sobrando sempre muito fora dele – entrevistas, reels, praia, fait divers e excesso de confiança. Após a primeira ronda de jogos, percebeu-se bem quem tinha unhas para tocar guitarra. Quem eram os treinadores que recorriam a todo o plantel e quem estava sem ideias. Roberto Martínez sai do cargo e também está tudo dentro da normalidade. A ver se o próximo selecionador vai à manicure antes de entrar ao serviço, porque a guitarra anda desafinada e há ali cordas que precisam de ser usadas. Já chega da cantilena de dois acordes com que fomos brindados nos últimos anos. Dizem que o próximo homem do leme virá do desemprego, depois de umas temporadas na Arábia Saudita. É só uma questão de tempo para se perceber se Bernardo Silva vai ser convocado para lateral-direito.
Enquanto quase todas as equipas que demonstraram qualidade seguem em competição (um abraço aos incríveis cabo-verdianos que ficaram pelo caminho), o foco já se vai alterando. O Sport Lisboa e Benfica voltou ao trabalho e prepara-se para estrear a versão Marco Silva frente ao Flamengo, neste sábado às 19:30, no Algarve. No fundo, é só isso que importa e é só disso que estamos todos à espera. Sim, é um início de época prematuro, mas pelo menos que sirva para termos as alegrias que o Mundial 2026 não permitiu."

Ricardo Santos, in O Benfica

The End


"Um fabuloso filme de Billy Wilder, realizado em 1950 e chamado “Sunset Boulevard”/“O Crepúsculo dos Deuses”, mostra-nos uma antiga estrela do cinema mudo (representada magistralmente por Gloria Swanson, ela própria oriunda desse período), que vive em isolamento e entra numa espiral de decadência por se recusar a aceitar sair do seu próprio passado.
Lembrei-me várias vezes deste filme durante o Mundial, ao ver uma antiga estrela arrastar-se em campo, sem perceber que o seu tempo acabou, sem saber sair de cena, e sem que ninguém, a bem ou a mal, o consiga convencer da realidade.
Cristiano Ronaldo foi um dos melhores futebolistas de sempre. É, seguramente, o cidadão português mais conhecido em todo o mundo. Arrasta consigo multidões de fãs (não necessariamente verdadeiros adeptos de futebol), vende camisolas, dá audiências, faz girar dinheiro, ou seja, tudo o que nos dias de hoje acontece com uma celebridade de âmbito global.
Talvez essa bolha mediática, essa fama desmedida, ou a natural bajulação dos que lhe são mais próximos (e ainda alguns golos que vai conseguindo no meio de defesas sauditas), não lhe permitam perceber que, aos 41 anos, já não é o melhor jogador do mundo, já não é sequer um dos melhores, e só com boa vontade podia caber, ainda, nos convocados de uma selecção como a portuguesa. E Roberto Martinez revelou absoluta incompetência na gestão do tema, comprando artificialmente uma paz podre que levou a equipa portuguesa e ele próprio a caírem com estrondo. Sem perdão, atendendo a que Portugal se apresentava, neste momento, com um dos melhores plantéis da sua história, e com legítimas ambições de alcançar um título mundial.
Ver Portugal perder é sempre doloroso. Quando percebemos que o motivo da derrota podia ter sido evitado, a dor transforma-se em indignação."

Luís Fialho, in O Benfica

Pertencer


"Pertencer a uma comunidade é fazer parte, contribuir, ser alguém. Não é coisa pouca ser respeitado e reconhecido pelos que nos rodeiam e que connosco partilham o espaço urbano. É certo que as relações de vizinhança são cada vez mais difusas, mas nos bairros sociais mantêm uma força especial, ligando famílias e vizinhos numa vivência do espaço público mais intensa do que noutras áreas urbanas. Por isso, os jovens interagem mais entre si e tendem a construir a sua socialização sobretudo nesse contexto, o que pode limitar o contacto com outras realidades e contribuir para alguma segregação no uso do espaço comum. Ninguém beneficia de bairros disfuncionais ou limitadores da vida comunitária. Pelo contrário, os desafios socioeconómicos atuais tornam ainda mais importante a existência de solidariedades vicinais, familiares e intergeracionais. E a contribuição de todos para o bem comum é determinante. Por isso há que promover um espaço público adequado à convivência positiva e dinamizar a vida comunitária para que todos possam viver em harmonia. Viver em família e pensar em comunidade são condições essenciais para uma vida equilibrada. Embora se fale frequentemente do afastamento dos jovens das suas comunidades, a realidade é mais complexa. Na maioria dos casos, não falta vontade de participar, faltam oportunidades, estímulos e formas eficazes de concretizar essa participação. É aqui que a inovação social assume um papel decisivo, tal como todas as ferramentas capazes de comunicar com os jovens, motivando-os para a reflexão e para a ação. Nesse contexto, o futebol tem um poder único. E quando esse poder se junta ao prestígio dos seus protagonistas e ao compromisso social do Benfica, os resultados fazem-se sentir. É o que acontece há vários anos através de uma parceria feliz entre a Fundação Benfica e a Gebalis, que já produziu muitos e bons resultados na cidade de Lisboa.
Por tudo isto levámos os vencedores da liga Community Champions à ilha da Madeira e, ao mesmo tempo que lhes proporcionamos justo prêmio, demonstramos localmente o interesse e potencial deste projeto para que possa o mesmo ser reproduzido. Fica o desafio!"

Jorge Miranda, in O Benfica