quinta-feira, 25 de junho de 2026
É sempre recordar!
Casagrande confessa uso de doping no FCPorto. O ex-jogador indicia que havia uma prática continuada de dopagem no clube: "Era algo injetável no músculo. Dava uma disposição acima do normal". pic.twitter.com/xsYePtAHsg
— master groove (@mastergroove2) June 24, 2026
DOIS GRANDES TREINADORES É HORA DE LHES AGRADECER
"1.
Marcel Matz deu-nos um penta no voleibol, que podia ter sido um hexa se o Covid não tivesse resultado numa época sem campeão, deu-nos também vários outros títulos e participações europeias dignas de nota. Incorporou o verdadeiro espírito Benfiquista, hoje tão afastado de muitos profissionais que passam pelo clube, era vê-lo frequentemente no pavilhão a apoiar outras modalidades. O voleibol do Benfica viveu com Marcel Matz o período mais glorioso da sua história.
2.
Norberto Alves, muito discreto e trabalhador, muito competente, vinha de um bis ao serviço da Oliveirense e conquistou um tetra em cinco épocas no Benfica. Devolveu, portanto, o basquetebol do clube à hegemonia da modalidade em Portugal. Muito exigente consigo próprio, tomou a decisão de partir porque era preciso "mudar o treinador, vir alguém com muita energia, com outra energia, para a equipa continuar a ganhar".
3.
Os títulos conquistados são o grande atestado da competência de Marcel Matz e Norberto Alves: dois treinadores de sucesso, dois grandes campeões, dois senhores no comportamento, dois treinadores de projeto, daqueles que desejamos para todas as modalidades, dois homens que com muita pena vejo partir do Benfica. Para já deixam um vazio difícil de preencher, tal a forma como nos habituámos a vê-los dirigir as equipas de voleibol e basquetebol do clube. Só posso desejar-lhes tudo de bom - desde que não seja, claro, ao serviço dos nossos rivais."
Garantir o lugar na Luz
"O tema principal desta edição da BNews é o começo da renovação dos Red Pass.
1. Arranca a renovação dos Red Pass
O período de renovação dos Red Pass para 2026/27 começou hoje e estende-se até 8 de julho.
2. Comunicado oficial
Leia o comunicado oficial da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica acerca das duas Assembleias Gerais agendadas para o próximo sábado.
3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.
4. Título em análise
Pedro Henriques faz o balanço da conquista benfiquista do Campeonato Nacional de hóquei em patins.
5. Regresso ao topo
Janice Silva, MVP da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no feminino, aborda o triunfo do Benfica na competição.
6. Entrevista de despedida
Norberto Alves está de saída do comando técnico da equipa masculina de basquetebol do Benfica.
7. Anúncios
O Benfica anuncia as saídas dos treinadores da equipa masculina de basquetebol e das equipas femininas de basquetebol e futsal.
8. Saída para o estrangeiro
O guarda-redes de andebol Gustavo Capdeville despede-se do Sport Lisboa e Benfica.
9. Título nacional
Benfiquistas brilham no Nacional de Minitrampolim
10. Balanço de época vitoriosa
A temporada dos Sub-19 masculinos de hóquei em patins do Benfica, hexacampeões regionais e campeões nacionais.
11. Captação de talento
Veja as melhores imagens da mais recente sessão de captação de talento realizada no Benfica Campus, na qual participaram 167 nascidos entre 2018 e 2021.
12. Bom desempenho
Rafael Mimoso, nadador do Benfica, em destaque na Taça COMEN ao serviço de Portugal.
13. Orfeão do Sport Lisboa e Benfica
O Orfeão do Sport Lisboa e Benfica encontra-se a admitir coralistas.
14. Gimnáguia
A 44.ª Gimnáguia é no próximo sábado, no Pavilhão Fidelidade."
Portugal, dia 2+1
"Depois do jogo com o Congo, não foi Portugal a empatar, mas sim o ‘homem estátua’, que fez, disseram muitos analistas, sobretudo internacionais, os chamados ‘pundits’, que ou são absurdamente contundentes nos comentários ou têm os dias contados, um jogo que lhes provocou vergonha alheia.
Na goleada ao Uzbequistão, quem se deu ao trabalho de ir acompanhando os principais órgãos de comunicação europeus, verificou que quem estava a ganhar folgadamente não era Portugal, mas sim Cristiano Ronaldo. Quem quiser ir atrás deste tipo de avaliações, acabará a acreditar que o polvo Paul acertou mesmo todos os resultados no Mundial de 2026.
Já o disse, e reafirmo, antes de ir à questão de fundo, que em competições de incidência planetária, apenas existem, ‘grosso modo’ dois patamares, o lugar mais alto do pódio e o caixote do lixo, e essas medidas, sem meio-termo, valem o que valem.Falemos então, para começar, da Seleção Nacional: depois de uma exibição demasiado cinzenta frente ao Congo, a equipa reagiu, e sem mudar o sistema, mudou a dinâmica, afinando ainda o posicionamento de alguns jogadores, nomeadamente Bruno Fernandes, finalmente entre linhas, e Vitinha, que depois de alguns sinais de fadiga, voltou a ser o dínamo que torna Portugal melhor.
Quando começar a fase de mata-mata, os jogos serão substancialmente diferentes e Roberto Martinez deverá retornar ao tema do equilíbrio defensivo, que mesmo contra o Uzbequistão, teve momentos em que deixou a desejar.
Finalmente, Cristiano Ronaldo. Um recorde extraordinário batido - marcou em seis fases finais do Campeonato do Mundo - e outro, de melhor marcador português em Mundiais, menos reluzente, porque Eusébio apenas fez seis jogos em 1966.
Depois (e nem eram precisos mais 90 minutos), a aposta irredutível de Martinez em Cristiano Ronaldo: se esta é uma premissa ‘sine qua non’, então há que aproveitar CR7 no melhor que ainda tem para dar. Tem de evitar sair da área adversária - inútil baixar e meter-se entre os médios - ou cair demasiado nas linhas, onde já não faz a diferença no um-contra-um. É a fixar dois adversários na zona do penálti, a ganhar o primeiro poste no cruzamentos, e a finalizar com suprema classe (o segundo golo que apontou foi sublime) que Cristiano Ronaldo deve ser mais do que uma marca global.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"
A melhor raposa do deserto
"Aguentei-me brilhantemente acordado durante o Jordânia-Argélia. Não porque estava empolgado com o embate, mas porque há um menino de 20 anos no meio-campo dos 'Fennecs' de que gosto particularmente. Chama-se Ibrahim Maza e começou a afirmar-se na última temporada no Bayer Leverkusen. É um jogador especial e muito iremos ouvir falar dele num futuro próximo. Maza, soube depois, foi eleito pela FIFA como o melhor jogador em campo. Algo que parecia claro à primeira vista, mesmo com todo o peso do sono, mas nunca se sabe quando a decisão vem do próprio organismo.
Os números, obviamente, impressionam, sobretudo aqueles que mal o conhecem. Foi aquele que mais toques deu na grande área contrária (6), mais remates fez (4) e mais dribles com sucesso conseguiu (5).
Ganhou metade dos 16 duelos junto à relva, porém todos os que disputou no ar, do alto dos seus 1,80 metros de altura, foram seus. Somou ainda oito passes no último terço, num total de 80% de acerto. Liguem ou não a estatísticas, Maza é brilhante com a bola nos pés, sobretudo quando a cola ao direito. Está em constante movimento, é arrogante diante da pressão e muito veloz na execução. Além disso, tem 'chegada' e definição no último momento, com golos e assistências. Mesmo que parta de um duplo-pivot. É a melhor e mais sagaz raposa do deserto. Aos 20 anos. Num mundo que continua a duvidar da força da juventude."
O milagre dos tripés antes da goleada portuguesa em Houston
"HOUSTON — O Texas não é um estado; é uma hipérbole. Em Houston, o ar não se respira, mastiga-se, espesso de um calor que, logo às nove da manhã, já derretia as convicções de qualquer europeu. Foi nesta sauna apocalíptica que a nossa equipa de reportagem se propôs a acompanhar a fan walk portuguesa rumo ao estádio.
Um trânsito infernal, daqueles que transformam avenidas em parques de estacionamento, obrigou o fotógrafo Miguel Nunes a saltar a meio da viagem: foi a pé, de lente em riste, fundindo-se na maré vermelha e verde.
Ficámos eu e o André Carvalho. Às costas, o kit de sobrevivência do jornalismo moderno: mochilas com computadores, baterias, cabos e câmaras que pareciam pesar toneladas, microfones e o derradeiro inimigo das articulações humanas — os tripés.
Sob o aparato de segurança digno de um filme de ação, um pequeno veículo da polícia que liderava o cortejo, com uma mini caixa aberta atrás, pareceu uma miragem no deserto. Num pacto luso-americano improvisado, nós e mais duas equipas de TV portuguesas depositámos ali os tripés. Alívio imediato.
O drama começou às onze da manhã, a uns escassos 60 minutos do apito inicial do Portugal-Uzbequistão. Às portas do gigante de aço, olhámos em redor e... a carrinha? Nem vê-la. Sumira-se no éter do dispositivo de segurança. Entrámos em pânico: fazer diretos para A BOLA sem tripé, em cima da hora do jogo e com tanto Mundial ainda por reportar, é o equivalente a jogar uma final sem guarda-redes.
Iniciámos marcha atrás, lavados em suor, interpelando autoridades dignas de uma série de TV. Mas, no meio daquela imensidão, nem a mística dos Texas Rangers parecia conseguir localizar o nosso material. Até que, num golpe de teatro digno de Hollywood, a carrinha cruzou-se connosco. O polícia travou e festejou o reencontro com o mesmo entusiasmo que todos nós.
«Ora aqui está um bom prenúncio para o jogo de Portugal», desabafou a Catarina, colega de outro canal. E que prenúncio. Completamente estourados, mas com o material a salvo, corremos para o estádio a tempo de ver o massacre: 5-0 ao Uzbequistão. Sobrevivemos ao Texas, os diretos estão garantidos e a Route 66 continua bem viva."
Formar para ganhar… ou ganhar para formar?
"Recentemente li uma reflexão atribuída a Dennis Bergkamp que me fez parar para pensar. A ideia era simples, mas profundamente relevante: a única equipa que tem a obrigação de jogar para ganhar é a equipa sénior. Todas as restantes equipas existem para preparar jogadores para lá chegar.
Numa época em que o resultado parece dominar grande parte das conversas sobre futebol, esta frase assume uma importância especial. Porque nos obriga a questionar algo fundamental: qual é, afinal, a verdadeira missão da formação?
À primeira vista, a resposta parece evidente. A formação existe para desenvolver jogadores. No entanto, basta observarmos o futebol jovem durante alguns fins de semana para percebermos que nem sempre é isso que acontece. Olhamos para classificações, celebramos campeões, contamos vitórias e derrotas, avaliamos treinadores pelos resultados e reproduzimos análises muito semelhantes às do futebol profissional.
Muitas vezes medimos o sucesso da formação através de critérios que pouco têm a ver com a sua verdadeira finalidade.
Competir é importante. Os jovens devem aprender a lidar com a pressão, com a responsabilidade e com a exigência de procurar vencer. O futebol sem competição perderia uma parte essencial da sua identidade. Mas existe uma diferença enorme entre utilizar a competição como ferramenta de desenvolvimento e transformar a vitória no objetivo absoluto.
Quando isso acontece, o processo começa a ficar comprometido.
Muitas vezes vemos equipas de formação construídas para ganhar imediatamente. Jogam os atletas fisicamente mais desenvolvidos. Reduz-se o espaço para a criatividade. Limita-se a margem para o erro. Procura-se o resultado do próximo sábado em vez da evolução do jogador que poderá chegar à equipa principal dentro de alguns anos.
A questão é simples: o que é mais importante para um clube? Ganhar um campeonato de sub-15 ou formar um jogador capaz de integrar a equipa principal? Ganhar um torneio internacional de sub-17 ou preparar um atleta para representar uma seleção nacional?
A resposta parece óbvia. No entanto, nem sempre as decisões tomadas no dia a dia refletem essa prioridade.
Talvez porque todos gostamos de ganhar. Jogadores, treinadores, pais e dirigentes. E isso é perfeitamente natural. O problema surge quando a necessidade de vencer passa a condicionar aquilo que deveria ser o principal objetivo da formação: desenvolver pessoas e atletas.
Muitas vezes a pressão não nasce dentro das quatro linhas. Nasce nas bancadas, nos grupos de mensagens e nas comparações permanentes entre clubes, equipas e gerações. Nasce, frequentemente, na ansiedade dos adultos relativamente ao futuro das crianças.
Os pais querem ver os filhos jogar, evoluir e vencer. É natural. O problema surge quando cada convocatória, cada substituição ou cada resultado passa a ser interpretado como decisivo para o futuro. A formação exige tempo, paciência e capacidade para compreender que o desenvolvimento raramente segue uma linha reta.
A história do futebol mostra-nos que o talento não evolui ao mesmo ritmo para todos. Jovens que se destacam cedo nem sempre chegam mais longe, enquanto outros revelam o seu potencial mais tarde. Por isso, avaliar atletas apenas pelos resultados imediatos continua a ser um erro frequente.
Também os treinadores vivem um dilema difícil. Sabem que devem preparar jogadores para o futuro. Mas continuam muitas vezes a ser avaliados através da classificação.
E quando um treinador é avaliado pelos resultados, tende naturalmente a tomar decisões orientadas para ganhar. Não porque seja menos competente ou menos comprometido com o desenvolvimento. Simplesmente porque é humano.
É aqui que surge uma das maiores responsabilidades da liderança. Os dirigentes devem criar culturas que valorizem o desenvolvimento acima do resultado imediato. Devem definir critérios claros sobre aquilo que consideram sucesso e garantir que toda a organização compreende essa visão.
Uma academia não deve medir a sua qualidade apenas pelos troféus conquistados. Deve medir-se pelo número de jogadores promovidos, pela qualidade dos seus processos, pela evolução dos seus atletas e pelos valores que transmite diariamente.
Infelizmente, continuamos muitas vezes a confundir equipas vencedoras com processos vencedores. E nem sempre são a mesma coisa. Existem equipas jovens que ganham muito e formam pouco. E existem equipas que não conquistam títulos, mas que produzem jogadores preparados para competir ao mais alto nível.
As melhores academias do mundo não vivem obcecadas com títulos de formação. A sua prioridade está no desenvolvimento individual dos atletas, na aprendizagem e na criação de ambientes onde os jovens possam crescer sem medo de errar.
Porque o erro faz parte do desenvolvimento. Nenhum jogador aprende sem falhar. Nenhum atleta evolui sem enfrentar dificuldades. Nenhum talento se desenvolve plenamente se viver condicionado pelo receio permanente de cometer um erro.
Na formação, errar não deve ser encarado como um problema. Deve ser encarado como uma oportunidade de crescimento.
Talvez seja precisamente esta a maior diferença entre formar para ganhar e ganhar para formar. Quem forma para ganhar procura resultados imediatos. Quem ganha para formar utiliza a competição como uma ferramenta de aprendizagem e evolução.
Porque a formação não serve apenas para criar jogadores. Serve para formar pessoas. Serve para ensinar disciplina, desenvolver responsabilidade, criar hábitos de trabalho e transmitir valores que acompanharão os jovens ao longo da vida.
Quando falamos de formação, não estamos apenas a discutir o futuro de um clube. Estamos a discutir o futuro do futebol português.
Os jogadores que hoje treinam nos escalões jovens serão os profissionais de amanhã e, para alguns, os futuros internacionais portugueses. Cada decisão tomada numa academia tem impacto muito para além do próximo fim de semana. Tem impacto na qualidade dos nossos campeonatos, na competitividade dos clubes e na capacidade de Portugal continuar a afirmar-se como uma referência mundial na formação de talento.
Ganhar é importante. Ninguém entra em campo para perder. Mas na formação a vitória deve ser vista como consequência do desenvolvimento e não como a razão da sua existência.
Por isso, quando olhamos para um campeonato jovem, a pergunta mais importante não deve ser quem venceu no último fim de semana. Deve ser quem estará preparado para competir ao mais alto nível daqui a cinco ou dez anos.
É aí que a formação revela o seu verdadeiro valor. Porque, no futebol de formação, as vitórias mais importantes surgem anos mais tarde, quando um jovem está preparado para representar um clube, uma seleção ou a melhor versão de si próprio."
Portugal de calções
"O problema da selecção é que nunca é só a selecção. É Portugal de calções, pouco à vontade em trajo curto, exposto perante o mundo, com talento suficiente para se julgar predestinado e insegurança bastante para desconfiar da própria predestinação
Para quem gosta de futebol em Portugal, aderir à causa da selecção é sempre uma espécie de contrafacção do sentimento clubístico. É aquela altura em que todos os que não gostam de futebol, não ligam a futebol, dizem mal do futebol, aparecem de cachecol do Continente a dizer coisas como “palhaço”, “fora-de-jogo”, e, até mesmo, “golo”. Professoras de Geografia de sessenta anos proclamam: “A equipa de todos nós”. E o adepto que, jornada após jornada, sobrevive ao clube por que torce à força de antipiréticos fica acabrunhado. Há ali uma espécie de traição à ordem natural das coisas. Justificadamente, desconfia. Muito prudentemente, põe-se de parte.
Não existe no nosso país aquela alucinação argentina, aquele verdadeiro entusiasmo inglês, aquela coisa embriagada, pueril, totalizante. E é pena. Bem se tentou em 2004. Foi preciso um vídeo motivacional de um mau treinador brasileiro, mas a nação aplicou-se. Durante esse Europeu, quando os chinelos de meter o dedo pareciam anunciar uma nova civilização atlântica, andámos todos a fingir que o equívoco cromático imposto em 1910 nos dizia alguma coisa de profundo.
Correu mal. Mas já tinha corrido pior dois anos antes, no imperdoável Coreia-Japão. Ainda não havia bandeiras nas janelas. Havia apenas a selecção, nua diante da sua própria estolidez. Alguns de nós ainda não regressaram inteiramente de Suwon.
O mal sempre foi uma coisa mais íntima, mais portuguesa, mais nossa. E há qualquer coisa na selecção portuguesa de futebol que nos irrita a todos, ainda que de maneiras diferentes.
Tomemos o jogo de terça-feira. Uma crónica sobre o Portugal-Usbequistão deveria começar, fatalmente, com um “Usbequisquê?”. Exactamente. Contra essa sorte de países, onde o desporto nacional consistirá nalgum tipo de luta medieval, no arremesso do carneiro ou no derrube cerimonial de plátanos, o resultado nunca poderia ser menos do que dez a zero. Cinco é pouco. Cinco é uma cortesia protocolar.
Não deveria ser preciso explicar, mas eu explico na mesma, porque há sempre um contabilista dentro de nós. Pelo miserável e contemporâneo critério do valor de mercado dos jogadores, os dois onzes entraram ontem em campo separados por uma relação de 8,5 para 1. O onze inicial de Portugal valia seiscentos e qualquer coisa milhões; o do Usbequistão, setenta e qualquer coisa (sendo que, desse total, cinquenta pertenciam a Khusanov, o defesa central que joga no City). Segundo este nefasto raciocínio, Portugal deveria ter ganho por quarenta e três a zero. Menos do que isso não seria golear, seria perdoar.
É claro que somos nós que nos irritamos a nós próprios e, por isso, faça a selecção o que fizer, nunca ninguém estará verdadeiramente satisfeito com ela. Se perdemos, confirmamos a nossa decadência. Se empatamos, é uma vergonha. Se ganhamos por um, não convencemos. Se ganhamos por cinco, faltaram outros cinco. A selecção nunca joga apenas contra o adversário. Joga contra essa neurose nacional que nos assombra desde Alcácer-Quibir com escala em Saltillo e passagem pela mão direita de Abel Xavier. E quando, em 1966, descobrimos que podíamos mesmo ser grandes, torcer por Portugal tornou-se uma das mais previsíveis e constantes formas do embaraço nacional.
Claro que também irrita a tutela perpétua de Cristiano Ronaldo. Um atleta que é um regime. E é admirável que só quando já se ultrapassaram todos os limites do razoável, comentadores e jornalistas desportivos se tenham lembrado de escrever alguma coisa sobre o assunto. Como se, agora, se tivesse chegado à conclusão de que ter D. Sebastião em campo a tempo inteiro é só outra maneira de jogar com um fantasma a ponta-de-lança.
Irritam-se também aqueles que acham que o desdém pela selecção é pose. E também os desdenhosos se irritam por não conseguirem manter a pose (e no fundo se importarem). Tal como os ingleses e os argentinos também nós nos deixamos absorver pelo fenómeno. Só que à nossa maneira retorcida.
E, depois, claro, há o futebol. Porque, acima de todas as coisas, Portugal pratica um futebol amofinado. Igualzinho à caricatura que dele fizeram os Simpsons em 1997. Procurem. A bola circula, circula, circula, e não é preciso ser Homer Simpson para adormecer diante daquilo. O pináculo desse génio anestésico foi o Euro 2016.
Lembrar-se-ão com certeza. Ao que parece, Portugal ganhou o torneio. Está escrito, logo deve ter acontecido. Foi uma espécie de piada, elaborada de empate em empate, até ao chouriço final. Um paio ganho com um chouriço. O que irritou mais nem foi a vitória; foi o travo a impostura.
E a Geração de Ouro é, como é evidente, o conjunto de jogadores mais irritante de sempre. Tínhamos tudo e esse tudo incluía a ilusão de que a beleza acabaria por produzir justiça. Não produziu. Produziu saudade, que é a forma nacional de perder com a sensação (irritante) de que se deveria ter ganho.
O problema da selecção é que nunca é só a selecção. É Portugal de calções, pouco à vontade em trajo curto, exposto perante o mundo, com talento suficiente para se julgar predestinado e insegurança bastante para desconfiar da própria predestinação.
É uma dor de cabeça. E os grandes torneios, em que ficamos assim, diante de todos, vestidos de nós próprios, não ajudam nada. Saudades do Itália ’90."
O milhão de euros que falta à saúde mental
"Olhar para as Instituições de Ensino Superior em Portugal é celebrar o sucesso dos nossos rankings académicos, a excelência da produção científica e as elevadas taxas de empregabilidade. Para elevar ainda mais este percurso de sucesso, temos a oportunidade de integrar uma dimensão igualmente importante da vida académica, que é o desporto universitário. Ao colocarmos o desporto de forma clara e ambiciosa no centro dos Planos Estratégicos das nossas universidades e politécnicos, estamos a dar um passo em frente na construção de uma academia mais completa, saudável e verdadeiramente focada no sucesso dos estudantes.
Para compreendermos o impacto real desta questão, basta fazermos as contas com base na realidade atual. Se uma instituição de ensino superior público canalizasse apenas 7,17% da propina anual de cada estudante para o investimento desportivo, estaríamos a falar de sensivelmente cinquenta euros por ano por aluno. À primeira vista, parece uma quantia modesta e perfeitamente comportável. Contudo, quando aplicada à escala de uma instituição de média ou grande dimensão com vinte mil estudantes, este pequeno teto percentual transforma-se num investimento massivo de um milhão de euros por ano.
O que se faz, afinal, com um milhão de euros anuais dedicados exclusivamente ao desporto? A resposta é simples e imediata, pois permite transformar radicalmente a experiência académica e a saúde de toda a comunidade. Com este orçamento, torna-se viável formar e contratar recursos humanos adequados, garantindo treinadores, fisioterapeutas e gestores desportivos qualificados para acompanhar os estudantes. Permite também criar e dinamizar ligas universitárias internas, alargando a prática desportiva para lá da competição formal e envolvendo o estudante comum em dinâmicas de campus saudáveis. Além disso, este montante serve para apoiar diretamente as associações de estudantes e académicas, fortalecendo o tecido associativo que tantas vezes assume sozinho, e com recursos muito escassos, a gestão do desporto.
Por fim, possibilita a construção e reabilitação de instalações, permitindo planear a médio e longo prazo para erguer ou modernizar pavilhões, ginásios e campos de forma gradual e sustentável. Isso possibilitaria que todos os estudantes pudessem utilizar as instalações desportivas ao longo do dia, determinados serviços e espaços.
Apostar no desporto é apostar diretamente na qualidade do próprio ensino superior, no bem-estar e na saúde mental. Num momento em que a saúde mental dos jovens universitários atinge níveis de alerta preocupantes, a atividade física surge como uma das ferramentas de prevenção mais eficazes de que dispomos.
O desporto promove a inclusão, combate o isolamento, melhora a resiliência psicológica e fomenta hábitos de vida saudáveis que acompanharão estes futuros profissionais para o resto da vida.
O desporto universitário merece ser abraçado como uma das dimensões mais bonitas e estruturais da formação humana nas nossas academias. Canalizar uma pequena fatia das propinas para este fim não significa subtrair recursos, mas sim multiplicá-los de forma extraordinária na saúde, no bem-estar, nas infraestruturas e na coesão de toda a comunidade. É um convite para que os reitores e presidentes integrem esta visão de futuro nos seus planos estratégicos, demonstrando que com uma gestão sensível e inovadora é plenamente possível transformar pequenos contributos num legado marcante de felicidade e vitalidade para os nossos estudantes."
Inteligência artificial na medicina do futebol
"A tecnologia entrou, definitivamente, no futebol e a medicina não ficou de fora. Nos últimos anos, a inteligência artificial passou de conceito futurista a ferramenta presente, diariamente, nos clubes. Porém, no meio de tanto entusiasmo, impõe-se a pergunta: estamos perante uma verdadeira revolução ou apenas mais uma tendência com expectativas inflacionadas?
Hoje, é possível recolher uma quantidade impressionante de dados sobre um jogador. Distâncias percorridas, acelerações, desacelerações, cargas internas, qualidade do sono, histórico de lesões — tudo é monitorizado. A inteligência artificial surge como o passo seguinte: transformar esses dados em previsões, nomeadamente, na identificação do risco de lesão. Aparentemente, o potencial é enorme. Antecipar uma lesão antes de acontecer, seria uma mudança de paradigma. Ajustar cargas de treino com base em modelos preditivos pode, em teoria, proteger o atleta e otimizar o rendimento. No papel, parece simples. No terreno, nem tanto.
Quem trabalha no contexto de futebol profissional percebe, rapidamente, as limitações. O corpo humano não é um algoritmo linear. A resposta ao esforço varia de jogador para jogador e até de semana para semana. Fatores como stress, qualidade do sono, contexto competitivo ou até o estado emocional influenciam o risco de lesão e nem tudo é quantificável.
A inteligência artificial depende da qualidade dos dados que recebe no futebol, sendo, muitas vezes, incompletos ou difíceis de interpretar. Um número isolado, raramente, conta toda a história, sendo essencial o papel da equipa médica e técnica na interpretação, contextualização e decisão. É aqui que entra o papel insubstituível da equipa médica e técnica: interpretar, contextualizar e decidir.
Mais do que substituir o médico, a tecnologia deve funcionar como apoio à decisão. Uma ferramenta, não um veredicto. O risco está em confiar cegamente no modelo e ignorar sinais clínicos ou perceções que não cabem numa folha de dados de Excel.
No dia a dia de um clube, a realidade é clara: a inteligência artificial ajuda e alerta, mas não decide nem diagnostica. Pode sugerir, mas não conhece o jogador como quem o acompanha diariamente.
No futebol moderno, ganhar vantagem passa também pela forma como se usa a informação, dado que a diferença continua a estar menos no algoritmo e mais em quem o interpreta."
Então!
Miguel Almirón covered his mouth and was shown a red card, plus an additional one-match suspension. ❌🇵🇾
— Micky Jnr (@MickyJnr__) June 24, 2026
Meanwhile, Jude Bellingham covered his mouth against Ghana but walked away without a red. 🤔🏴
Same action, different outcomes… interesting debate on consistency in… pic.twitter.com/dYoKyHivwv








