quinta-feira, 18 de junho de 2026

Só mais uma !!!

Sporting 2 - 5 Benfica

2-0, na Final, a 50 minutos do título! A época tem sido complicada, com domínio total no campeonato, mas com muitas Taças perdidas! Existia receio antes deste Play-off, que a equipa podia voltar a bloquear no momento decisivo, mas hoje isso não aconteceu!
O Zé neste momento, já é um dos melhores jogadores do Mundo, e com a garra que joga, torna-se absolutamente fundamental!
Sábado, às 15h, poderá ser o último jogo da época! Espero que seja!

St. Gallen


Vamos começar a época na Suíça, tal como tem acontecido muitas vezes, mas desta vez, é mesmo um jogo oficial!

A época anterior na Suíça, o campeonato foi um pouco louco, mas além de terem terminado em 2.º lugar, ganharam a Taça! Entretanto já perderam alguns jogadores... mas o mais importante nesta eliminatória, vai ser mesmo saber quais os jogadores que o Benfica terá disponível para os dois jogos!

Pois...

Os meus reforços para Marco Silva


"Se fosse eu a decidir, não faria uma revolução. Procuraria um lateral-esquerdo para entrar de imediato no onze, dois centrais que permitissem preparar o futuro e um extremo capaz de acrescentar aquilo que hoje falta à equipa. 'Crónicas de bancada' é o espaço de opinião de Hugo Oliveira, sócio do Benfica e deputado à Assembleia da República

Todos nós, adeptos, gostamos desta altura do ano. Gostamos de dar palpites, de ter longas discussões sobre quem deve sair, quem deve ficar e quem deveríamos contratar. É certo que raramente chegamos a consenso, mas são debates que fazem parte do futebol e que nos divertem. E, nesta preparação para a próxima época, como não poderia deixar de ser, também eu vou deixar os meus palpites sobre o próximo plantel do Benfica.
Há verões em que o Benfica precisa de uma revolução. Este não me parece ser um deles.
Marco Silva não chega à Luz para reinventar o futebol. Chega para fazer uma coisa que tem faltado demasiadas vezes ao Benfica nos últimos anos: transformar bons jogadores numa grande equipa. E há uma diferença enorme entre as duas coisas.
Na baliza não há grande discussão. Trubin é titular. Ponto final. Tem qualidade, tem margem de crescimento, tem personalidade e já demonstrou que consegue lidar com a pressão de defender a baliza do Benfica. Samuel Soares pode continuar como alternativa e a verdade é que, pela primeira vez em muitos anos, não sinto necessidade de discutir esta posição. A estabilidade também é um reforço.
Na lateral direita, curiosamente, existe um problema, mas não é por falta de opções. É precisamente o contrário.
Dedic chegou e agarrou o lugar. Mostrou velocidade, capacidade ofensiva e uma consistência defensiva acima do que muitos esperavam. Sem Bah, que apenas regressou da lesão quando a época já ia avançada, Banjaqui foi tendo oportunidades. E não desiludiu. Pelo contrário. Sempre que entrou deixou sinais claros de que o Benfica tem ali um jogador especial. Daqueles que não aparecem todos os anos.
O futuro da posição passa por ele.
Bah já mostrou no passado que tem qualidade para jogar no Benfica, mas não me parece fazer sentido iniciar uma época com três laterais-direitos de qualidade para uma única posição. Por muito que goste do jogador, se alguém tiver de sair, apostaria em Bah.
No lado esquerdo a realidade é bem diferente.
Se olhamos para José Neto com os mesmos olhos com que olhamos para Banjaqui, em Dahl a conversa muda de figura. Nunca me convenceu totalmente. Nem oferece um caudal ofensivo que compense as suas limitações, nem a sua maior contenção defensiva trouxe uma segurança que justificasse essa escolha.
Por isso, se há posição onde o Benfica deve investir para ter um titular indiscutível, é esta.
José Neto deve continuar a crescer, mas sem a pressão de ter de resolver já um problema que ainda não está preparado para resolver sozinho.
No centro da defesa estará provavelmente uma das maiores operações deste mercado.
A saída de Otamendi deixa um vazio que vai muito para além da qualidade dentro de campo. Sai liderança, experiência, personalidade e uma voz que durante anos comandou aquela linha defensiva.
António Silva e Tomás Araújo continuam a ser uma dupla com presente e futuro. São dois jogadores que gostaria muito de ver permanecer mais uma temporada, mas também sei que ambos têm mercado e que o futebol atual dificilmente permite fazer planos a longo prazo.
Mesmo que ambos permaneçam, acredito que o Benfica precisa de contratar dois centrais.
Não porque os titulares não cheguem. Mas porque a sucessão deve ser preparada com tempo. O Benfica não pode voltar a ser apanhado desprevenido quando chegar o dia em que um dos seus centrais mais valiosos sair.
No meio-campo a situação é diferente.
Talvez seja mesmo o setor onde o Benfica está mais bem servido.
Aursnes é daqueles jogadores que qualquer treinador gostaria de ter. Faz praticamente tudo bem. Percebe o jogo como poucos, toma quase sempre boas decisões e tem uma inteligência competitiva que muitas vezes passa despercebida.
Richard Ríos acrescenta intensidade, transporte e agressividade. Barreiro oferece trabalho, pressão e chegada à área. Barrenechea pode trazer critério e equilíbrio. Manu Silva surge como mais uma solução válida para um setor que já tem qualidade em abundância.
Mas o jogador que mais me intriga é Sudakov. Porque sinto que pode ser uma das grandes figuras da próxima época. Tem talento, visão, último passe e capacidade de aparecer em zonas de finalização.
Tem aquilo que tantas vezes faltou ao Benfica: capacidade para ligar o meio-campo ao ataque com naturalidade.
Mas também é um daqueles jogadores que dependem muito do contexto.
Se for apenas mais um elemento perdido entre linhas, corre o risco de desaparecer. Se Marco Silva conseguir construir a equipa à sua volta, pode tornar-se uma das referências do campeonato.
Nas alas encontro a principal fragilidade do plantel.
Lukebakio tem capacidade para decidir jogos, mas continua à procura da regularidade que separa os bons jogadores dos grandes jogadores. Schjelderup continua envolto em dúvidas sobre o seu futuro. Prestianni tem talento, mas ainda está numa fase de crescimento. Rafa, utilizado mais por dentro, pode ser solução para partir da esquerda, como já foi noutras épocas.
Mas falta qualquer coisa.
Falta aquele jogador que recebe a bola e faz imediatamente a bancada acreditar que alguma coisa vai acontecer.
Aquele extremo capaz de ganhar duelos individuais, de desmontar blocos baixos e de resolver jogos fechados.
E em Portugal, onde o Benfica passa grande parte da época a atacar equipas fechadas sobre a sua área, esse tipo de jogador vale ouro.
Na frente, Pavlidis deve continuar a ser a referência.
Nunca tive dúvidas sobre a sua qualidade.
O problema é que o avançado do Benfica vive permanentemente sob julgamento. Se marca um golo, devia ter marcado dois. Se marca dois, falhou uma oportunidade. Se passa um jogo sem marcar, surgem imediatamente dúvidas sobre a sua utilidade.
Ivanovic é um caso interessante. Oferece características diferentes, mais profundidade, mais agressividade e outra capacidade de atacar espaços. E Anísio Cabral pode muito bem ser uma das boas surpresas da próxima temporada.
Por isso, se fosse eu a decidir, não faria uma revolução.
Procuraria um lateral-esquerdo para entrar de imediato no onze, dois centrais que permitissem preparar o futuro e um extremo capaz de acrescentar aquilo que hoje falta à equipa.
O resto deixava para Marco Silva.
Porque o Benfica tem passado demasiados verões a tentar ganhar campeonatos no mercado.
E os campeonatos raramente se ganham apenas no mercado.
Não se ganham em comunicados à CMVM. Não se ganham em apresentações com milhares de visualizações. Não se ganham em fotografias com cachecóis ao alto.
Ganham-se quando existe uma equipa.
Uma equipa com hierarquia. Uma equipa com identidade. Uma equipa em que cada jogador conhece o seu papel e percebe exatamente o que o coletivo espera dele.
O Benfica não precisa de comprar um plantel novo.
Precisa de deixar de parecer um plantel comprado às peças.
E esse será o verdadeiro teste de Marco Silva.
Não pedir quinze jogadores.
Com o que existe, construir uma equipa.
Parece pouco.
Mas, olhando para os últimos anos, talvez seja precisamente isso que tem faltado."

Adversário conhecido


"Em destaque na BNews, o sorteio da 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase da Liga Europa.

1. Embate com St. Gallen
O sorteio realizado em Nyon determina o embate entre Benfica e St. Gallen no caminho para a Liga Europa. Os jogos serão disputados em 23 e 30 de julho.

2. Comunicado oficial
Leia o comunicado oficial sobre a renúncia à aquisição de uma participação qualificada no capital social da Benfica SAD por parte do fundo americano Entrepreneurial Equity Partners (EEP).

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Uma vitória para cada lado
A final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no masculino está empatada. No 2.º jogo, o Sporting ganhou ao Benfica por 8-2.

5. Jogo do dia
O Benfica visita o Sporting em hóquei em patins no masculino para disputar o jogo 2 da final dos play-offs do Campeonato Nacional (20h30).

6. Homenagens
As carreiras no Benfica dos hoquistas Diogo Rafael e Lucas Ordoñez foram celebradas no jogo 1 da final do Campeonato.

7. Europeus de canoagem de velocidade
Fernando Pimenta faz o balanço de mais uma participação bem-sucedida.

8. Entrevista de saída
A voleibolista Isidora Ubavic despede-se do Benfica após 3 temporadas.

9. Reforço anunciado
A distribuidora internacional belga Jutta Van de Vyver é reforço para a equipa feminina de voleibol benfiquista.

10. Bons desempenhos
Atletas do Benfica em destaque.

11. Casa Benfica Algueirão – Mem Martins
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 18.º aniversário."

No Mundial, os jogos ganham-se nos últimos 20 minutos: será Cristiano Ronaldo a jogá-los?


"Ao minuto 75, 90% dos jogos de futebol ainda não têm o resultado definido. E os mais importantes são os últimos 20 minutos. Se esperamos que os primeiros dois primeiros da fase de grupos, com a RD Congo e o Uzbequistão, se decidam antes dos 75 minutos, com a Colômbia e nos 5 jogos que Portugal ambiciona fazer até ganhar a final, só se irão decidir no final.
A escolha dos minutos que Cristiano Ronaldo vai jogar vai revelar a estratégia de Roberto Martínez — é em Ronaldo que vai apostar para ganhar os jogos ou é em Gonçalo Ramos, um super suplente no Paris Saint Germain?
Os minutos decisivos, com as defesas desgastadas e com mais espaço, vão ser jogados por quem? Num jogo que seja decidido nos penáltis, Cristiano vai estar em campo ou já terá sido substituído?
Na final da última Champions League, Dembélé, o Bola de Ouro, saiu aos 90 minutos e Gonçalo Ramos jogou o prolongamento — marcou um dos penáltis que decidiram a Champions.
O que decidirá Roberto Martínez? O que preferiria Cristiano Ronaldo? E Gonçalo Ramos? No Euro 2016, era impossível Portugal ter chegado à final sem Cristiano Ronaldo, mas já não estava em campo quando a ganhámos — não foi menos importante nem festejou menos por isso.

A festa no Marquês de Pombal
A frieza com que o Marquês de Pombal foi reagindo à carreira de Portugal no Mundial 2022 encontra a explicação no que se passava no interior do grupo. Até aos quartos de final, uma meia dúzia de carros terá passado a apitar. Com a derrota frente a Marrocos, a festa não chegou a começar.
Na avaliação que será feita da participação no Mundial que hoje começa para Portugal, Cristiano Ronaldo vai ser sempre o grande protagonista. Se atingirmos a final, será a sua consagração. Se formos eliminados antes, será considerado um fracasso, com a responsabilidade a ser apenas partilhada com o selecionador nacional.
Sebastião José Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, governou de forma autoritária, utilizando os poderes ilimitados que lhe foram conferidos pelo Rei D. José I.
Reconhecido hoje pelo que fez de excepcional, da reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755 ou pela criação e demarcação da primeira região vinícola do mundo, o Douro, o tempo foi permitindo esquecer as suas atitudes sanguinárias. A família Távora, falsamente acusada de perpetrar uma tentativa de atentado ao Rei, foi assassinada de forma cruel. A Marquesa de Távora, foi apenas decapitada.
O marido e os filhos, o mais novo com 22 anos, foram sujeitos a tortura, incluindo terem sido partidos os ossos dos braços e das pernas antes de serem estrangulados. Quando o Rei D. José I morreu, a sua viúva, a Rainha D. Maria I, assumiu o trono e ordenou a revisão do anterior processo judicial. Foi reconhecida a inocência da família — tinha sido sujeita a perseguição política. De imediato afastou o Marquês, que terminou os seus dias ostracizado em Pombal.
Vem de longe a cultura de medo e subserviência dos portugueses ao poder em exercício. Se cair em desgraça, a subsequente expressão pública de repugnância.
Como vivo perto do Marquês de Pombal, participo sempre, muitas vezes sem fazer questão nisso, nas festas de celebração de campeonatos. Este ano, a novidade foi a festa espontânea de umas centenas de adeptos do FC Porto. Essa festa ter sido encarada com naturalidade pelos 99% de lisboetas que não são portistas, confirma que o ambiente entre os adeptos é saudável e foi eliminada a violência no futebol que existia antes do Euro 2004. Que se viva uma grande festa no Marquês, com todos os portugueses unidos no apoio à Seleção Nacional.

Inferno da Luz será a contratação mais importante para o Benfica em 2026/27
O Benfica parte para a época 2026/27 com dois objetivos, ser campeão nacional e, 65 anos depois, voltar a vencer uma competição europeia — hoje só possível em épocas que não disputa a Champions. Se vencer a Liga Europa, todo o grupo ficará imortalizado na história do Benfica.
Na época que agora terminou, o campeão FC Porto fez 88 pontos, 45 no Dragão. O Benfica fez 80, apenas 39 na Luz. A diferença final foi de 8 pontos — 6 deles nos jogos em casa. O Benfica até marcou mais 8 golos que o FC Porto (74-66), mas sofreu mais 7 (25-18) — esta diferença no número de golos sofridos é significativa (+38%).
O inferno da Luz, existia mesmo e empurrava a equipa do Benfica — sobretudo no final de cada uma das duas partes, em que o adversário era encostado à sua área. A pressão era sentida apenas no campo, porque os adversários sempre puderam festejar tranquilamente em todas as bancadas no estádio da Luz.
De Inferno, a Luz tem evoluído a Purgatório. Desde uma assobiadela monumental quando o Qarabag, sem acertar na baliza, fez o primeiro remate num jogo que o Benfica estava a ganhar 2-0 (acabou por perder 2-3) ao vulcão que ajudou a empatar com o FC Porto quando perdia por 0-2. Sobretudo, com o SC Braga, quando o jogo estava empatado e o Benfica precisava de paciência, até marcar um golo para ganhar e se qualificar para a Champions.
O público assobiava constantemente quando o SC Braga tinha a posse de bola (o seu ponto forte) e intranquilizou a equipa — a estratégia do Benfica era aproveitar o cansaço do adversário para ganhar nos últimos 15 minutos (como tinha feito em Alvalade).
Em termos individuais, António Silva foi o mexilhão que se lixou com a má época de Otamendi e a constante irregularidade de Trubin.
Otamendi cometeu erros grosseiros em jogos que custaram pontos e foi expulso irresponsavelmente no jogo decisivo em Famalicão. Em Alvalade, por exemplo, Trubin estava desastrado, nervosíssimo, já tinha sido salvo pela barra num momento infeliz. Depois de defender o penálti, ganhou confiança e o jogo virou.
No ambiente do Dragão e da Luz e nos triângulos Diogo Costa, Bednarek e Kiwior e Trubin, Tomás Araújo/António Siva e Otamendi, o Benfica perdeu o campeonato."

Dez razões para não subestimar a RD Congo


"Portugal inicia hoje a sua caminhada no Mundial frente à República Democrática do Congo. Para muitos adeptos, trata-se de uma estreia acessível. No entanto, quem acompanha o futebol africano sabe que essa pode ser uma perspectiva precipitada.
Ao longo dos últimos anos tive o privilégio de viver o futebol africano por dentro, incluindo uma Taça das Nações Africanas ao serviço da Nigéria. E há uma ideia que ficou clara: África mudou.
As seleções africanas continuam a apresentar intensidade, força física e velocidade, mas acrescentaram organização, experiência internacional e uma confiança competitiva que não existia há duas décadas.
O recente jogo entre Nigéria e Congo, no apuramento para o Mundial, foi um excelente exemplo dessa evolução. O Congo teve mais posse de bola, criou mais oportunidades e apresentou um valor de xG (golos esperados) muito superior ao da Nigéria. Em muitos momentos foi claramente a equipa mais perigosa.
Por isso deixo dez razões para Portugal não subestimar este adversário.
1. Porque sabe jogar com bola. O Congo não vive apenas da transição. Tem capacidade para construir e controlar momentos do jogo.
2. Porque já não sente inferioridade. Esta geração cresceu a competir nos melhores campeonatos do mundo.
3. Porque cria oportunidades. Os números frente à Nigéria mostram uma equipa ofensivamente ambiciosa.
4. Porque tem um líder chamado Chancel Mbemba. O capitão, atualmente no Lille, continua a ser uma referência do futebol africano pela experiência, personalidade e capacidade competitiva.
5. Porque possui um dos laterais mais difíceis de ultrapassar. Aaron Wan-Bissaka, atualmente no West Ham United, é fortíssimo no duelo individual e pode anular muitos dos desequilíbrios portugueses pelos corredores.
6. Porque Meschack Elia pode decidir um jogo. O extremo do Alanyaspor, do Turquia, foi o jogador mais perigoso frente à Nigéria e representa uma ameaça constante na profundidade.
7. Porque Arthur Masuaku acrescenta qualidade. O lateral do Lens combina experiência internacional com uma excelente capacidade de cruzamento.
8. Porque Noah Sadiki simboliza a nova geração africana. O médio do Sunderland, da Bélgica, dá inteligência, critério e capacidade de ligação entre setores.
9. Porque Cédric Bakambu continua a ser perigoso. O avançado do Real Betis conhece bem o futebol europeu e mantém uma capacidade de finalização que exige atenção permanente.
10. Porque acredita verdadeiramente. E esta talvez seja a maior diferença relativamente ao passado. Esta seleção entra em campo convencida de que pode competir com qualquer adversário.
Portugal continua naturalmente a ser favorito. Tem mais profundidade de plantel, mais qualidade individual e mais soluções para resolver momentos difíceis.
Edgar Morin defendia que os sistemas complexos valem mais do que a simples soma das suas partes. O Congo parece ser precisamente isso: uma equipa organizada, competitiva e capaz de superar o valor individual dos seus jogadores.
O primeiro passo rumo à vitória de Portugal neste Mundial passe por compreender essa realidade.
Porque a República Democrática do Congo não veio para participar. Veio para competir e discutir o resultado até ao apito final."

A tartaruga ninja e o ninja que é lebre


"Terão sido alguns os franceses que ontem, antes do jogo, por culpa do Senegal, se lembraram de 2002. Nesse torneio, o jogo foi visto como o embate entre duas Franças, a rica, cheia de craques, coroada quatro anos antes campeã do mundo e logo no Europeu seguinte como melhor equipa do continente, e outra mais pobre, uma espécie de França B, com jogadores que atuavam na primeira liga, alguns filhos de emigrantes nascidos no país, talentos menores com uma vontade enorme de autodeterminação. Claro que o contexto não era completamente favorável aos gauleses, já que Zidane se tinha lesionado num jogo de preparação e falhava desde logo aquele primeiro jogo (e depois o seguinte, para estar no último, mas ainda visivelmente limitado), mas ninguém lhes pode negar o mérito.
Aos 30', Papa Bouba Diop, gigante médio defensivo que jogava no Lens, aparecia na área, após jogada pela esquerda de El-Hadji Diouf, e assinava por baixo da palavra escândalo. A equipa B preparava-se para ganhar à principal e chocar o mundo. Pior! Abalados pelo desaire, os Bleus empatariam com o Uruguai (0-0) e perderiam com a Dinamarca (0-2), dizendo adeus ao Mundial da Coreia e do Japão.
Hoje, a realidade é mais ou menos semelhante. Dos 16 utilizados, cinco futebolistas do Senegal — Koulibaly, Niakhaté, Pape Gueye, Ibrahim Mbaye e Habib Diarra — jogaram pelas equipas jovens francesas. Outros aí nasceram e escolheram o país africano em homenagem aos pais. E continuam com aquela fome de mostrar que não são inferiores.
A primeira parte, em New Jersey, deu muito mais Senegal do que França, mas no segundo tempo os Bleus assumiram finalmente o favoritismo e caíram em cima dos rivais. É que não deixa de haver diferenças substanciais entre Kylian Mbappé, um dos melhores do mundo, e Nicolas Jackson, ou entre Ismaila Sarr e Michael Olise. Claro que há um envelhecido Sadio Mané, mas até o nível de argumentos hoje de Doué e Barcola é superior. E lá a França deu o primeiro aviso ao que vem.
A tartaruga ninja, que pode vestir qualquer personalidade, seja Rafael, Leonardo, Donatello ou Michelangelo, apareceu para resolver, fazer história e piscar o olho aos recordes. Contudo, França tem também um ninja que é lebre, pela velocidade de raciocínio e execução. Um enorme Olise."

Há um(a) Vozinha que avisa Portugal


"Chegou o dia da estreia no Mundial... e não faltam alertas à Seleção para não esperar facilidades, o mais recente dado por Cabo Verde. Mas Roberto Martínez parece já apontar à fase a eliminar

Seis dias depois do início do Mundial, Portugal entra finalmente em campo, para defrontar a RD Congo, esta tarde, a partir das 18h00. Com as casas de apostas e os power rankings dos principais sites de estatísticas a colocarem a seleção lusa entre o 4.º e o 6.º lugares dos maiores candidatos à vitória final, muitos adeptos pensam que a Seleção terá um passeio no parque em Houston. Pura ilusão.
Há, aliás, um(a) Vozinha que avisa Portugal para não esperar facilidades — a do heróico guarda-redes de Cabo Verde, que juntamente com mais dez intrépidos tubarões conseguiu parar a favoritíssima Espanha, na segunda-feira, em Atlanta.
E a Espanha é melhor que Portugal. E a RD Congo, em teoria, é mais forte que Cabo Verde (embora não defenda tão bem). Achar que basta entrar em campo é perigoso, e já outros exemplos foram dados neste Mundial para a necessidade de não subestimar adversários, do empate do Brasil com Marrocos ao empate da Suíça com o Qatar, do empate dos Países Baixos com o Japão ao empate da Bélgica com o Egito, passando pelo empate do Uruguai com a Arábia Saudita (bem, perante este cenário, se calhar nem seria mau para Portugal empatar...).
O problema é que, temo, Roberto Martínez está a dar a passagem à fase a eliminar como dado quase adquirido, e orientou a preparação em função disso. Ele próprio admitiu que haverá dois Mundiais, um da fase de grupos, o outro a seguir.
E a forma como a preparação de Portugal decorreu, não só a circunstância de não ter ensaiado, em jogos de preparação, aquele que se espera que venha a ser o onze titular, mas também o facto de ter sido a última seleção a chegar à América do Norte, nem atingindo os dias recomendados para adaptação à diferença horária, denota que a preocupação é que a Seleção esteja no máximo lá mais para a frente. Estes três jogos da fase de grupos são um prolongamento da preparação; o Mundial a doer começa nos 16 avos de final, parece pensar o selecionador.
Faz todo o sentido... se correr bem. Estamos perante a maior (em número de seleções e duração) competição de sempre, e apontar o auge da equipa logo para os primeiros jogos poderá ter consequências mais para a frente (a final do Mundial é daqui a quatro semanas e meia, a 19 de julho).
Mas há um risco, e ignorar a Vozinha que avisa que a RD Congo não será pera doce é algo a que Portugal não se pode dar ao luxo. Acredito que não o fará, mas estou muito menos confiante que a maior parte dos adeptos."

Este Mundial não mata mas mói


"HOUSTON — Viajar pelos Estados Unidos à boleia de um Mundial é uma experiência colossal, mas que cobra uma fatura física pesadíssima a quem anda no terreno e a quem se prepara para a estreia, como a Seleção Nacional.
Se a imensidão da Florida já nos tinha dado uma noção do gigantismo deste país, a mudança de agulha para o Texas veio confirmar a regra de ouro desta cobertura: este Mundial não mata, mas mói.
As distâncias são monumentais — estamos a falar de um território onde os voos domésticos entre cidades superam facilmente a duração de muitas viagens internacionais na Europa. Para a equipa de reportagem d’A BOLA, a jornada rumo a Houston transformou-se numa maratona de resistência que nos obrigou a abdicar por completo do sono.
O despertador nem sequer chegou a tocar, pois a partida do hotel em Palm Beach aconteceu às duas da manhã. Daí em diante, foi um corrupio frenético: conduzir na escuridão, deixar o carro de aluguer no aeroporto, enfrentar as rigorosas barreiras de segurança americanas, fazer o check-in e embarcar num voo de três horas e meia. Tudo isto gerindo a distorção da distância horária, que agora nos coloca a seis horas de diferença para Lisboa.
A verdade é que os enviados especiais não pregaram o olho, mas o relógio não espera por ninguém e a atualidade exige foco total mal as rodas do avião tocam na pista do Texas.
Chegados a Houston, o carrossel continua a girar a alta velocidade.
Foi preciso correr para o hotel, largar as malas e ir direto ao encontro dos adeptos portugueses que já começam a colorir as redondezas. Daí, o plano apontou para o hotel da Seleção Nacional, o Intercontinental, e, logo a seguir, para o NRG Stadium. Foi lá que, às 18h45 locais, Roberto Martínez e um jogador projetaram o duelo com o Congo nas conferências oficiais. Pelo meio desta correria louca entre voos, hotéis e estádios, a equipa tentou a proeza de almoçar qualquer coisa rápida.
A fome aperta, o cansaço acumula-se nos ossos, mas a adrenalina de estar no coração do espetáculo é o que nos mantém firmes, felizes e de pé. É o maior espetáculo do Mundo a acontecer aos nossos olhos."

Portugal: os candidatos entre o sonho e o objetivo


"O talento da seleção nacional obriga a elevar a fasquia da ambição, ainda que internamente haja algum desacordo semântico. A estreia é esta quarta-feira, em Houston (18h, SIC/Sport TV1), frente à República Democrática do Congo 

Talvez a comitiva portuguesa leve um dicionário na bagagem. Para matar o tempo nos longos dias de espera entre jogos, desafiando o tédio e o calor em Palm Beach, no hotel perto da residência de Donald Trump onde a seleção ficará, jogadores, treinador e presidente podem debater a divergência discursiva que se apoderou do grupo. Portugal: os candidatos entre o sonho e o objetivo.
Pedro Proença não tem ido com meias-palavras. Diz que a esperança está “no máximo”, que a ambição é “sem limites”, que “não chegar acima dos quartos de final” representará um “torneio muito curto”. Bernardo Silva concretizou a ambição. “Ganhar o Mundial é um sonho, um objetivo e uma grande oportunidade”, classificou o segundo mais internacional da convocatória. No entanto, Roberto Martínez tem apelado ao “realismo”, mencionando que erguer o troféu é “um sonho”, somente passando a objetivo “quando já foi feito”.
Reside maior prudência oratória no espanhol que se senta no banco do que no presidente da Federação. Talvez a ausência de sintonia seja mais um sintoma de um divórcio anunciado, somente adiado pelo êxito na Liga das Nações. Seja como for, a qualidade do plantel obriga a cruzar o Atlântico com o estatuto de candidato a erguer o título na final de 19 de julho.

Datas-chave
Instalado no Grupo K, Portugal é uma das últimas seleções a entrar em campo, estreando-se esta quarta-feira, às 18h, contra a República Democrática do Congo, em Houston. Segue-se o Usbequistão, a 23 de junho, também em Houston, e fecha-se a fase inicial contra o adversário teoricamente mais poderoso, a Colômbia, dia 28, em Miami.
Com os dois primeiros de cada um dos 12 grupos e os oito melhores terceiros seguindo para os 16 avos de final, não aceder ao ‘mata-mata’ representaria um dos maiores descalabros da história do futebol nacional. Caso a participação não seja “muito curta”, citando Proença, haverá, pelo menos, o igualar de 1966 e 2006, as duas únicas ocasiões em que Portugal esteve entre os quatro primeiros.
Justificando-se com os amigáveis disputados em março nos Estados Unidos e no México e com a circunstância de disputar os dois primeiros desafios num recinto fechado, a comitiva somente abandona o estágio na Cidade do Futebol na sexta-feira, já depois de a bola ter começado a rolar no torneio. A opção foi treinar em casa e realizar dois amigáveis em solo nacional. Frente ao Chile e Nigéria, além da grande rotação de jogadores, uma das notas de maior destaque foi o pouco fulgor demonstrado por Cristiano Ronaldo, que se mantém como absolutamente indiscutível para Bob. Diogo Costa, Rúben Dias, Nuno Mendes, Vitinha e Bruno Fernandes também partem com lugar fixo no onze.

Os caminhos de Portugal
A incerteza quanto aos terceiros que avançarão para os 16 avos de final complica as antevisões, mas é possível traçar alguns cenários quanto ao futuro nacional na competição. Se vencer o grupo, Portugal beneficiará de mais tempo de descanso e defrontará, em Kansas City, um terceiro classificado. Seguir-se-ia uma eliminatória em Vancouver, o regresso a Kansas, meia-final em Atlanta e a final em Nova Jérsia. Neste caminho, progredir até aos quartos de final seria, em teoria, um pouco mais acessível, podendo aí haver um histórico embate contra a Argentina de Messi.
Convém sublinhar que estas projeções partem da premissa da lógica a prevalecer e os favoritos a cumprirem, o que frequentemente não sucede. Seja como for, no campeonato das hipóteses, se a seleção for segunda do grupo, terá vida bem mais complexa. Percorreria distâncias maiores, com 16 avos em Toronto, oitavos de final em Dallas e depois indo a Los Angeles, e calharia primeiro contra o segundo classificado do Grupo L (Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá) e depois, possivelmente, frente a Espanha. Caso a equipa de Martínez desiluda e passe como terceira, a logística até proporcionaria uma curta viagem até Atlanta, mas possivelmente para esbarrar logo perante os ingleses.
Para Portugal, uma das metas passará por contrariar a histórica dificuldade face à oposição não europeia. Este século, em Mundiais já houve derrotas com Estados Unidos, Coreia do Sul, Uruguai e Marrocos e empates com Costa do Marfim e Irão. O caminho para o sonho, ou objetivo, ou oportunidade, passa por não ser eurocêntrico."

Vozinha é um de nós e aquelas lágrimas são também as nossas: obrigado, por isso!


"Há um purgatório na terra e quem já teve a infelicidade de passar por ele, sabe do que eu falo. Chama-se Embaixada dos Estados Unidos, na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, e é um teste à resistência humana.
Pelo menos para quem não chega antes das sete da manhã.
Eu cometi esse erro e foram mais de três estoicas horas de pé, sem um banco, uma cadeira, um muro que fosse onde me sentar. De uma fila para a outra, de um controlo para outro, num ritual interminável de mostra papel, mostra passaporte, esvazia os bolsos.
Os telemóveis ficam à porta, o que nos obriga a mergulhar por três horas na Idade Média.
Não deixa de ser giro, durante dez ou quinze minutos: olhamos para o teto e interrogamo-nos como sobrevivemos aos anos oitenta. Depois torna-se um aborrecimento de morte.
Pois há umas semanas, como já disse, calhou-me a mim. Bufava, olha para o relógio, insultava mentalmente a burocracia americana.
Três ou quatro pessoas à minha frente na fila, estava um indivíduo alto, atlético, com umas mãos enormes. Mostrava uma serenidade que roçava o budismo zen. Identifiquei-o rapidamente: era Vozinha, o guarda-redes de Cabo Verde.
E fiquei a olhar para ele, com admiração.
Enquanto todos nós, as cerca de quinze ou vinte pessoas que entravam de cada vez, murmurávamos pragas, ele mantinha-se impávido. Sempre com a mesma expressão no rosto.
Depois de talvez uma hora na rua, ao frio porque daquele lado não bate o sol, após passar pelo primeiro controlo, após mais uma hora na segunda fila à entrada de uma parte antiga do edifício, fomos colocados num corredor. Onde apareceu um senhor, de caneta na mão, a perguntar o motivo da viagem e o que fazíamos na vida, antes de riscar o formulário DS-160.
Vozinha disse que ia em trabalho, por causa do Campeonato do Mundo. Que era jogador da seleção de Cabo Verde. O funcionário da embaixada desejou-lhe boa sorte.
E eu fiquei a imaginar Cristiano Ronaldo durante três intermináveis horas naquela fila. A explicar a um funcionário que era jogador da seleção de Portugal. Ou Ruben Dias. Ou João Félix, Bruno Fernandes, João Cancelo, Diogo Costa.
Impensável, não é?
Pois, impensável para eles, que são megaestrelas. Para Vozinha foi provavelmente mais um dia normal. Por isso o que ele fez ontem, frente à Espanha, deixou-me quase emocionado.
O primeiro herói do Mundial, não foi um jogador qualquer. Foi um de nós. Que, se for preciso, espera três horas de pé, ao frio, ao nosso lado.
Aquelas lágrimas que soltou no fim, quando caiu no relvado, foram as lágrimas de todos nós."

Em nome do dono!!!

Emigrantes?!!!