sábado, 9 de maio de 2026

Regresso à Final...

Benfica 5 - 2 Sp. Gijon

Estamos de regresso ao jogo mais importante da Champions, o jogo mais importante na modalidade feminina! E com clareza, fomos superiores, e só algum desperdiçio, principalmente no início do 2.º tempo, deu alguma emoção desnecessária à partida...

Isentos!

Rui Costa e Mourinho numa decisão que pode marcar uma era


"Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo

Nos últimos dias ganhou força a ideia de que José Mourinho poderá fechar o seu ciclo no Benfica no final da época. Independentemente da sua veracidade, esta perceção deve ser tratada com seriedade estratégica, sobretudo num Benfica que aprendeu, ao longo das últimas décadas, que decisões emocionais têm custos reais. 
A presença de Mourinho no Benfica ultrapassa claramente o relvado. O treinador transformou-se num ativo de marca, com impacto direto na capacidade do clube gerar valor. A exposição mediática internacional, o reforço do posicionamento global e o efeito de arrastamento sobre patrocínios, receitas comerciais e notoriedade são evidentes, ainda que nem sempre quantificados publicamente. Num mercado futebolístico cada vez mais financeiro, estes fatores não são acessórios. São estruturais.
Quando se discute a eventual saída de uma figura desta dimensão, é tentador reduzir o debate ao sucesso desportivo imediato. Esse seria um erro clássico. Mourinho é também um catalisador de confiança junto de investidores, parceiros e até talentos que veem no Benfica um palco ambicioso. A sua simples associação ao projeto gera expectativas que se traduzem em valor económico, mesmo antes de qualquer resultado final.
Por isso, aceitar com naturalidade um eventual afastamento no final de 25/26 seria um sinal de “curto‑prazo estratégico”. Um clube com a ambição do Benfica deve ir até ao limite para preservar um ativo que reúne não apenas qualidades técnicas ímpares, mas também a capacidade de gerar receitas, reforçar a reputação e criar vantagem competitiva. Não está em causa ceder a uma personalidade, mas sim reconhecer, de forma racional, o retorno financeiro e desportivo de um investimento que acrescenta valor ao projeto como um todo.
Num contexto europeu em que a distância entre clubes se mede cada vez mais em músculo financeiro e capacidade de atração, abdicar voluntariamente desse diferencial seria um luxo irracional. Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo."

O Benfica e a perigosa arte de navegar à vista


"A iminente saída de José Mourinho para o Real Madrid serve como o espelho mais nítido da distância que separa o amadorismo emocional do rigor profissional. Enquanto em Madrid se discutem cêntimos e se esgrimem argumentos para evitar o pagamento de uma cláusula de três milhões de euros, na Luz o cenário é de uma passividade gritante. Florentino Pérez gere o Real Madrid com a frieza de quem sabe que cada euro investido exige um retorno desportivo e financeiro, mas entre nós a gestão continua a ser feita de coração nas mãos e olhos postos na próxima manchete de jornal. Se o sucesso bater à porta na próxima temporada - com ou sem Champions, pois a altura da redação deste artigo ainda parece possível lá chegar - será puramente por obra do acaso, pois a estrutura que deveria garantir esse mérito parece ter-se dissolvido numa nuvem de decisões impulsivas.
A diferença de filosofias é abismal e deveria envergonhar qualquer sócio atento. No clube blanco, a racionalidade impera e a negociação por Mourinho é um exemplo de como um clube a sério protege o seu património. Por cá, o Benfica continua a ser um poço sem fundo onde se despejam vinte ou trinta milhões de euros em novos cromos para a caderneta sem qualquer critério aparente. O aparente interesse em nomes como Zalazar ou Felipe Augusto para o plantel mostra que o padrão se mantém inalterado. Contrata-se por impulso, para entreter os adeptos e alimentar uma ilusão de competência, quando na verdade estamos perante uma ausência total de plano.
Chegamos a maio num estado de indefinição que beira a negligência. Não temos um treinador confirmado, não temos um projeto desportivo enunciado e, ainda assim, já andamos no mercado a tentar fechar jogadores. Esta é a negação absoluta do que deve ser a gestão de um clube de elite. Como se pode escolher um ativo de milhões sem saber que sistema tático será utilizado ou que perfil de jogo o futuro técnico pretende implementar? É colocar o carro à frente dos bois e esperar que a inércia nos leve ao destino desejado. Nesta altura, pouco importa se o escolhido será Marco Silva, Rúben Amorim ou qualquer outro nome, porque o problema é estrutural e não apenas individual.
A direção atual parece acreditar que o sucesso se compra a granel, esquecendo que o mérito nasce da organização e do método. Vivemos num clube onde não há rei nem roque, onde o critério desportivo foi substituído pelo marketing da esperança. Enquanto em Madrid se perdem horas para chegar a um acordo que resulte num custo zero, aqui desperdiça-se o futuro em investimentos cegos. Se a próxima época nos trouxer alegrias, que ninguém se iluda, será por sorte e nunca por mérito de quem nos dirige. A gestão desportiva do Benfica tornou-se um exercício de entretenimento para as massas, quando deveria ser a bússola que nos guiava rumo à excelência europeia que tanto apregoamos mas que tão pouco praticamos."

De quantos Zalazares precisa o Benfica?


"Portugal agradece o talento, mas o Benfica já tem Ríos. Trinta milhões são um luxo e a redundância do erro. Mourinho faz as malas, enquanto Rui Costa habita o silêncio

Ao contrário do país, que está bem melhor sem o homónimo, ainda mais quando este acabou exponenciado ao cubo como aconteceu há uns meses, o futebol português e o SC Braga agradecem claramente ter pelo menos um Zalazar, o Rodrigo, a confirmar talento.
É um ótimo médio. Agressivo, bom tecnicamente e impositivo no transporte de bola até ao último terço, onde se destaca pelo perigoso e forte remate. Sinalizou isso perante o clube que mostra interesse na sua contratação e não podemos dizer que não encaixa no que mais José Mourinho procura nos jogos grandes, a transição ofensiva veloz e letal.
Ainda que não haja jogadores iguais e o uruguaio possa ser um pouco mais associativo e até providenciar uma maior ligação, diria que no atual plantel dos encarnados encontra-se pelo menos alguém próximo desse perfil: chama-se Richard Ríos, custou 27 milhões. O SC Braga pede 30M por Zalazar, sensivelmente um ano mais velho.
No 4x2x3x1 de Mourinho, o seu espaço estará ali na posição 10, onde Rafa não tem brilhado e Barreiro serve para questões mais pragmáticas, seja a defender ou a atacar, independentemente do que os números digam depois. Eventualmente, Zalazar poderá explorar um flanco, tal como já lhe aconteceu na Pedreira e até com Ríos na Luz.
Volto aí: fará sentido apostar nele quando tanto se esperou que o colombiano quebrasse as barreiras de uma adaptação que para ele seriam sempre mais altas do que para os demais, tal a falta de escola? Dificilmente. Parece um luxo desnecessário ou até a redundância de um erro.
Trinta milhões parece ser um número gigantesco para o negócio, ainda mais porque, na verdade, não é a peça que falta ao puzzle encarnado. Eventualmente, poderá sê-lo na concepção de José Mourinho, porém mesmo na perspetiva de alguém que afina o seu modelo pelo mesmo diapasão que o Special One haverá posições mais emergentes a reforçar.
O Benfica, que andará a mexer-se no mercado, tantos os nomes que já choveram sem a época ainda ter terminado, vai dando passinhos curtos enquanto um oferecido Mou, que faz passar a mensagem que está pronto para voltar a Madrid — regresso em que parece ter agora começado a acreditar —, não lhe resolve o problema de sempre: tome a decisão por ele, seja esta qual for. Porque, acredito, Rui Costa já não sabe se quer que o treinador fique ou, pelo contrário, saia. A sala de troféus no Museu da Luz parece reduzida a sala de espera para o Bernabéu.
As escolhas no mercado serão fundamentais, seja para o reforço da nova identidade, enquanto conjunto de contra-ataque, ou para a rotura com o paradigma, atrás de uma cultura de equipa grande, com mentalidade ofensiva. O dinheiro da Champions será decisivo. Haverá poucos no grupo que se vendam bem para poder reinvestir.
Mesmo que José Mourinho quisesse, não poderia dar melhor exemplo daquilo que é hoje do que a forma como abordou o jogo em Famalicão após a expulsão de Otamendi — de quem na Luz, de forma inconcebível e até irresponsável, se continua à espera que se decida, enquanto pisca o olho a outro central em pré-reforma, De Vrij, de 34 anos. As substituições e o recuar de linhas tiveram exatamente o efeito esperado. Não por si. As águias ficaram sem a bola e permitiram finalizações aos minhotos. E, com isso, as queixas de arbitragem, legítimas ou não, não servem mais do que cortina de fumo.
Com a tendência do clube em reagir mais por impulso do que planear, de se mexer de forma pesada, quase arrastada, e até conservadora, aceitando quem ninguém quer quando não encontra solução, o tempo que for perdendo com alvos errados pode custar-lhe mais uma vez bem caro. Para já, e percebe-se pelos nomes, Rui Costa segue o plano de Mourinho: um médio de transporte, um ponta de lança de área, um extremo… Nada de centrocampistas de associação, de centrais capazes de romper linhas, de uma construção e fase de criação imunes à pressão. Nada de criatividade, fantasia e génio.
Mourinho vai continuar a querer mais ou menos o mesmo que tem querido nos últimos anos. Controlar os jogos com a bola no pé não é para ele. Dominar em absoluto também. Continua a lutar contra o mundo, que há algum tempo chegou a outras conclusões sobre qual o melhor caminho, reforçadas por um PSG decidido a fazer história. De um Luis Enrique a mostrar que a força de uma ideia, quando se escolhe os jogadores certos e há uma forte coesão coletiva, acaba por dificilmente ter rival. E ainda que na história do jogo andemos muitas vezes em ciclos e círculos, este será o fim da história mais real que provavelmente iremos ver.
Com Sudakov a ser uma incógnita do ponto de vista mental, o Benfica arrisca-se a arrancar a próxima temporada ainda mais longe de se tornar uma equipa dominadora, o que se pode agravar se o Benfica não resistir ao assédio ao brilhantismo de Schjelderup, que viu Mourinho aproximar-se bem mais dele do que ele se aproximou do treinador, ganhando moral depois da bela exibição diante do Real Madrid.
O Benfica não precisa de três Zalazares. Ou de um. Mas talvez desespere por jogadores do mesmo nível com um perfil diferente. Que liguem as pontas soltas da equipa e do grupo, e os façam subir um patamar. Que queiram conquistar e não fazer guerrilha. Talvez até os tenha no Seixal e é preciso não ter medo de olhar para lá, mas se não existirem, que saiba encontrá-los e encaixá-los.
Não terá Mourinho já dado indicações a Rui Costa de que a sua cabeça também já está em Madrid e que o Benfica já só é prémio de consolação? Talvez o técnico já não esperasse um Real na sua vida, mas quando começou a acreditar que havia mesmo hipóteses fez o seu charme. E até está defendido pela falta de convicção do presidente em dizer inequivocamente que o lugar é seu, pelo tempo que quiser. E em dar-lhe o que quer. O pior é que se ficar, além de tudo o resto, também já se percebe que a união não será total. E se sair, ninguém sabe bem quem irá chegar. Para ocupar uma cadeira, no meio do vazio, numa Luz que faz eco. Porque tudo está interligado."

Muito Benfica para apoiar


"A atividade desportiva do Benfica em destaque na BNews.

1. Comunicado oficial
Leia a informação oficial do Sport Lisboa e Benfica acerca da reunião com o grupo de investidores norte-americanos que pretende adquirir uma posição acionista na Benfica SAD.

2. Calendário
O desafio entre Benfica e Braga relativo à penúltima jornada da Liga Betclic é na próxima 2.ª feira, às 20h15, no Estádio da Luz.

3. Sempre bem-vindo
Jonas está de regresso a Lisboa e fez uma visita surpresa a dois atletas do Futebol Adaptado que abordavam o papel da Fundação Benfica, em entrevista à Benfica FM.

4. Jogos do dia
Em Coimbra, a equipa feminina de hóquei em patins do Benfica defronta o Telecable HC, às 19h00, nas meias-finais da WSE Champions League Women.
Na Luz, às 20h00, há o 3.º jogo da final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol no feminino entre Benfica e Quinta dos Lombos.

5. Últimos resultados
O Benfica eliminou o Reus e está nas meias-finais da WSE Champions League de hóquei em patins, onde vai medir forças com o Barcelona, em Coimbra, amanhã às 16h00.
Em voleibol, derrota, por 3-0, com o Sporting. Os encarnados terminaram o Campeonato Nacional na 2.ª posição.
Os Juniores venceram por 2-1 ante o Rio Ave.

6. Sábado preenchido
A Equipa B recebe o Académico de Viseu às 20h30. Os Juvenis são anfitriões do Real SC às 11h00. À mesma hora, os Iniciados visitam o Estoril.
Na Luz, às 11h00, embate com o Atlético em futsal no feminino. Às 15h00, receção ao FC Porto em andebol. Às 17h00, jogo com o Braga em basquetebol.
Em Coimbra, às 16h00, meias-finais da WSE Champions League de hóquei em patins entre Benfica e Barcelona.
No Estádio Universitário de Lisboa, às 17h00, o Benfica recebe o CDUL em râguebi, numa partida que poderá valer o título nacional para os encarnados.
A equipa feminina de andebol visita o CJ Almeida Garrett e pode assegurar o pentacampeonato (21h00). E a equipa feminina de polo aquático disputa o jogo 1 da final do Campeonato Nacional, em Algés, frente ao Fluvial Portuense (13h30).

7. Bastidores
Veja imagens exclusivas do percurso do hexacampeonato de futebol no feminino conquistado pelo Benfica. E veja também como decorreu a sessão de autógrafos no relvado do Estádio da Luz.

8. Protagonista
O futsalista André Correia é o entrevistado da semana.

9. Títulos nacionais na formação em análise
Em foco os Juniores masculinos de voleibol e as Sub-15 femininas de futsal.

10. Reconhecimento
SL Benfica reconhecido como entidade formadora no futsal, tanto no masculino como no feminino.

11. Taça do Mundo de Szeged
Acompanhe a prestação dos canoístas do Benfica.

12. Bons desempenhos
Em destaque a equipa feminina de râguebi no Circuito Nacional de Sevens e os cavaleiros Daniel Pinto e Leonor Coelho.

13. Apoio a quem precisa no Oeste
Uma iniciativa conjunta da Fundação Benfica e da GNR.

14. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de 5.ª feira da BTV.

15. Jogo das Casas
Veja a 2.ª parte da reportagem da BTV acerca do Jogo das Casas."

A Federação que não se vê ao espelho


"A Federação Portuguesa de Futebol apresentou ao Governo nove medidas para combater a violência no desporto. Sete são dirigidas aos adeptos. E os dirigentes? É um documento. Mas é também um espelho. E a FPF não se vê nele. Na verdade, vários espelhos em que a FPF não se vê.

Primeiro espelho: o dirigente não existe
Desde 2004, cada vez que alguém mexeu na legislação do combate à violência no desporto, foi sempre na mesma direcção: apertar os adeptos. A Lei 39/2009. O Cartão do Adepto em 2021, que a Iniciativa Liberal revogou no Parlamento. A Lei 40/2023, contra a qual voltámos a votar. Vinte anos. Sempre no mesmo sentido. Sempre o mesmo alvo.
O dirigente que inflamou a semana toda em conferências de imprensa, que tratou o árbitro como inimigo público, que transformou a rivalidade desportiva em guerra declarada, esse não aparece de forma explícita em nenhuma medida. Nem nesta, nem nas anteriores. A lei até o obriga a "usar de correcção e moderação". Não se aplica. Nunca se aplicou. Ninguém é realmente punido.
Isto não é esquecimento. É método.

Segundo espelho: a violência não mora apenas nos grandes estádios
As medidas mais concretas da FPF neste pacote, os bilhetes nominativos, Fan ID, plataformas de controlo de acessos, aplicam-se, na prática, às competições profissionais. Que não são organizadas pela Federação, mas pela Liga Portugal. A FPF propõe medidas sobre aquilo que não gere. E esquece aquilo que é sua responsabilidade mais directa: as outras competições nacionais, mas também as das associações distritais e o futebol de formação. É precisamente aí que ocorre o maior número de incidentes graves. É aí que um árbitro jovem de 20 anos é agredido num campo de terra batida. É aí que muitos pais nas bancadas são o principal foco de violência.
A FPF tem competências, mas abdica delas. Não tem medidas. Não tem vontade.

Terceiro espelho: o presidente é um ex-árbitro
Esta semana, a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol foi ouvida no Parlamento. Forneceu dados: 400 agressões em dez anos, dez só no último mês, a maioria sobre jovens com menos de 25 anos. Adiantou propostas: estatuto do árbitro não profissional e equiparação a agente de autoridade para efeitos sancionatórios, entre outras.
A Federação Portuguesa de Futebol, presidida por um ex-árbitro, respondeu com nove medidas sem uma única linha sobre árbitros. Nem sobre a sua protecção. Nem sobre quem os agride. Nem sobre quem cria o clima para que sejam agredidos, como responsável moral da violência.
Há ironias que são apenas cómicas. Esta é estrutural.
Vinte anos. Sempre a mesma direcção. Sempre o mesmo resultado. A violência persiste. Os dirigentes escapam. E a FPF continua incapaz de se ver ao espelho."

Transferência de menores no processo de formação: «Assinei a ficha e agora?»


"O futebol profissional vive num mundo de desafios, novidades e num rebuliço de milhões. A cada semana, surgem boatos e rumores, esperanças e ambições. Uma sanção cujo fundamento se desconhece; uma providência cautelar cujo desfecho se aguarda com ansiedade.
Os campeonatos profissionais são, em boa verdade, o motor do futebol em Portugal. Enchem estádios e alimentam uma indústria, um fenómeno aparentemente alheio a qualquer crise, guerra ou pandemia.

Existem ilusões criadas em função do rendimento imediato e frustrações alimentadas por jogadores de potencial
Todavia, o futebol e os campeonatos profissionais são o anseio de muitos que, semanalmente, percorrem os balneários dos campeonatos de formação distritais e nacionais. Semanalmente, milhares de jovens lutam pelo sonho, pela oportunidade, pelo ideal. Também neste universo existem transferências, “rumores”, mudanças de treinadores e jogadas ardilosas para captar o próximo “Cristiano” ou reter o “craque” do grupo “A”. Existem ilusões criadas em função do rendimento imediato e frustrações alimentadas por jogadores de potencial. Num fim de semana, o jogador de potencial vê-se frustrado e ultrapassado pelo jogador de rendimento que, “amanhã”, irá assistir, numa qualquer televisão, ao sucesso daquele que era visto apenas como um jogador “de potencial”, o patinho feio que não jogava e que, “afinal”...
Este cenário é corriqueiro, repetitivo e cíclico. Com este desejo asfixiante de minutos, muitas vezes são tomadas decisões pelos encarregados de educação das quais rapidamente se arrependem; ou, no extremo oposto, surgem pais facilmente aliciados pelo desejo premente de equipas rivais que, afinal, rapidamente perdem o encanto. Precipitações movidas pelo desejo de “palco” que, muitas vezes, contrariam o bem-estar de quem mais interessa: a criança.

O modus operandi é simples: algures entre fevereiro e março começam os contactos para vincular os jogadores
Vejamos: é comum os clubes de formação, na ânsia e na pressa de garantir as suas “armas” para a época desportiva subsequente, pressionarem a assinatura da “ficha de inscrição”. O modus operandi é simples: algures entre fevereiro e março começam os contactos para, de certa forma, vincular os jogadores, levando-os a assinar os documentos necessários e criando, assim, a ideia de compromisso definitivo. Na prática, o jogador (e os seus representantes legais) compromete-se, em boa verdade, com o clube, faltando apenas, posteriormente, para concluir o processo de inscrição, o exame médico.
Sem prejuízo de o clube ter nos seus arquivos exames médicos que possibilitem a inscrição do jogador em julho, certo é que se torna vital que os jogadores conheçam os direitos que possuem, ainda que tenham assinado os “papéis”. É igualmente fundamental compreender o que o Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores da Federação Portuguesa de Futebol (RECITJ) confere ao atleta menor sem contrato de formação.

Os Regulamentos garantem ao jogador menor de idade o direito de livremente pôr termo ao vínculo desportivo
Senão vejamos: o n.º 4 do artigo 19.º do RECITJ garante ao jogador menor de idade que não tenha celebrado contrato de formação desportiva o direito de livremente pôr termo ao vínculo desportivo com um clube se, cumulativamente, o clube com o qual foi efetuado o compromisso desportivo ainda não tiver procedido à sua inscrição e tiver sido comunicada a intenção de pôr termo ao compromisso desportivo à associação distrital ou regional geograficamente competente e ao clube com o qual o mesmo foi efetivado.
Por hipótese, até 30 de junho — termo da época desportiva — é possível que o clube ainda não tenha registado o compromisso desportivo para a época subsequente. Nessa medida, o jogador (e os seus representantes legais) pode comunicar a intenção de pôr termo ao compromisso assinado para a época seguinte e que “às pressas” foi convidado a subscrever, permitindo, assim, que a escolha seja feita de forma livre, esclarecida e ponderada, no momento oportuno.

No decorrer da época desportiva, a transferência de jogadores menores de idade poderá ser admitida em situações excecionais
Já no decorrer da época desportiva, a transferência de jogadores menores de idade — reitero, crianças — poderá ser admitida em situações excecionais, designadamente quando o encarregado de educação altere a sua residência para localidade situada a mais de 20 km da anterior e que fique a maior distância da sede do clube ao qual o jogador se encontra vinculado; quando exista acordo expresso ou declaração de dispensa emitida pelo clube de origem, em papel timbrado e com reconhecimento das assinaturas dos respetivos representantes; quando o clube desista da participação na competição do escalão etário do jogador ou seja desclassificado dessa prova; quando, após as quatro primeiras jornadas oficiais do respetivo escalão, o jogador não seja inscrito na ficha técnica de jogo por motivos que não lhe sejam imputáveis; ou, ainda, quando se verifique alteração superveniente das condições constantes do manual de acolhimento que tenham determinado a opção do praticante pelo clube, desde que tal alteração se encontre devidamente comprovada (vide n.º 3 do artigo 19.º do RECITJ).

Os encarregados de educação devem assumir uma postura particularmente vigilante e esclarecida
Esta última motivação para a transferência do menor durante a época desportiva traduz-se numa consequência “imposta” unilateralmente ao clube pela inobservância das garantias anteriormente prestadas. Se esta realidade assume especial importância em momentos de rutura, serve também o presente texto de alerta para os encarregados de educação, que devem procurar conhecer, guardar e reter toda a informação que lhes tenha sido transmitida e garantida aquando da decisão de inscrição no clube A ou B. Nesse momento, devem assumir uma postura particularmente vigilante e esclarecida.
Em suma, importa recordar que o futebol de formação não pode ser encarado apenas como um espaço de captação de talento ou de competição entre clubes. Antes de atletas, estamos perante crianças e jovens em processo de crescimento, cujo desenvolvimento pessoal, emocional, social e académico deve prevalecer sobre qualquer expectativa desportiva imediata. O conhecimento dos direitos conferidos pelo Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores da Federação Portuguesa de Futebol assume, por isso, particular relevância para jogadores e encarregados de educação, permitindo que decisões tão relevantes como a vinculação ou transferência de um menor sejam tomadas de forma livre, consciente e verdadeiramente orientada pelo superior interesse da criança."

Medidas de combate à violência no desporto


"Esta semana, a Federação Portuguesa de Futebol teve oportunidade de reunir com o Governo e apresentar medidas concretas para contribuir no combate à violência no desporto.
Aqui estão as medidas apresentadas pela instituição: Criação de uma plataforma centralizada de controlo de acessos nas competições em que tal seja tecnicamente possível, garantindo rastreabilidade, controlo efetivo de entradas e exclusão de indivíduos interditos;
Introdução de ingressos nominativos (Fan ID) nas competições onde tal seja viável, eliminando o anonimato e reforçando a responsabilização individual;
Aplicação efetiva da medida acessória de apresentação em esquadra para adeptos proibidos de frequentar recintos desportivos, assegurando a eficácia real das sanções;
Reforço das revistas de segurança por parte das forças de segurança em eventos de maior risco, prevenindo a introdução de pirotecnia, armas e objetos proibidos;
Criação de mecanismos de identificação de adeptos pelas forças de segurança em caso de desordem nas bancadas, nos recintos onde tal seja possível, garantindo responsabilização individual;
Ações de prevenção socioeducativa promovidas pela APCVD, organizadores e forças de segurança junto de associações distritais e regionais, associações de classe e clubes;
Mecanismos para maior celeridade processual e efetividade das penalizações, especialmente em matérias relacionadas com violência no desporto, em articulação com o Ministério Público e os tribunais;
Reforço das medidas regulamentares de combate à violência, sensibilizando os clubes para a importância da penalização dos adeptos em caso de comportamentos inadequados;
Valorização e formação contínua dos gestores de segurança, profissionalizando esta função essencial no contexto desportivo."

O rali voltou à minha aldeia e eu, cá longe, quase larguei uma lagriminha


"A primeira vez que fui ao Rali de Portugal devia ter uns 6 anos, meados dos anos 90. Era uma especial à noite, que descia a serra até à aldeia. A fauna era fabulosa. Havia, por exemplo, o “Cornos Luminosos”, tinha uma espécie de fita à volta da cabeça com umas pequenas lanternas e à conta disso ficou assim a alcunha

Há dois anos, o Rali de Portugal regressou à minha aldeia natal. Foram, pelas minhas contas, bem mais de 20 anos de ausência. Na quinta-feira voltou a passar na Ribeira de Fráguas, olho para a televisão, oiço os relatos que me vão chegando, dizem-me que está tudo muito diferente, moderno e tal. Há “zonas espectáculo”, com música, bandas, comes e bebes. Sinto uma pancada de nostalgia e, cá longe, quase larguei uma lagriminha. Quando eu era miúda, o rali era *o* acontecimento. Nem as festas do S. Tiago rivalizavam. Era o único dia do ano em que a minha mãe permitia que eu faltasse à escola, coisa que lhe custava horrores porque não era aquela educação que ela me dava. Mas eu esperava um ano inteiro por aquele dia.
A primeira vez que fui ao Rali de Portugal devia ter uns 6 anos, meados dos anos 90. Era uma especial à noite, que descia a serra até à aldeia. A fauna era fabulosa. Havia o “Cornos Luminosos”, tinha uma espécie de fita à volta da cabeça com umas pequenas lanternas e à conta disso ficou assim a alcunha. E os dois irmãos velhotes, que se apresentaram no rali de fato de treino, camisa e gravata. A ocasião era solene. Também havia os que se mandavam pelas escarpas abaixo para não serem atropelados. Gente muito destrambelhada. E lembro-me vivamente dos discos dos travões em fogo dos Toyota Celica.
Nos anos seguintes, antes do rali ir fazer piões para outras paragens, o espetáculo passou a ser à tarde e era por isso que eu e sensivelmente 90% das crianças das freguesias ali à volta não compareciamos aos nossos compromissos escolares. O meu pai nunca me levou ao futebol, era mais das quatro rodinhas e por isso ao rali não se falhava. A expetativa rebentava quando começavam a passar os carros com os números 000, depois o 00 e por fim o 0, antes dos artistas do pó meterem pé a fundo. E ficava-se até ao fim, que era quando aparecia a mítica Renault 4L de Pinto dos Santos.
Não havia cá food courts, DJs ou coisa que o valha. Cada um levava a sua bucha e cheguei a ver gente a alombar com mesas de cozinha de madeira pelas encostas acima. Lembro-me do ano em que o meu pai deu cabo do cano de escape do pequeno jipe da minha mãe a tentar chegar ao troço e de muita gente ter pensado, pelo barulho, que o rali tinha começado mais cedo. A minha mãe não ficou contente. Mais pelo cano de escape, também por ver as duas filhas e o marido cobertos de pó quando chegámos a casa.
Também houve um lendário ano em que vários carros se despistaram perto do sítio que tínhamos escolhido para ver a especial e de muita gente tentar levar souvenirs para casa. Era vê-los com faróis debaixo do braço, pedaços de portas, um limpa-pára-brisas já meio torto, ao som de um desesperado piloto (austríaco, creio) que só gritava “DON’T TOUCH THE CAR!”. Não resultou. Um rapaz lá da terra teve as suas duas semanas de fama porque conseguiu vender as imagens dos acidentes para um canal de televisão. Eram os tempos das primeiras camcorders, de cassetes, e não dos telemóveis com internet que tornaram tudo menos raro e de mais fácil partilha.
Sinto que tudo era mais apaixonante nesses anos, mas acabo de ver imagens dos ralis dessa época e não sei mesmo como não houve mais tragédias. Há milhares de pessoas empoleiradas mesmo junto aos troços, algumas efetivamente na estrada. Há tangentes milimétricas a pernas, multidões em curvas perigosas. Uma loucura. Talvez as tais “zonas espetáculo”, por muito anódinas que me pareçam agora, sejam mesmo necessárias."

Colômbia: Carlos Valderrama, El Pibe que recusou 2 milhões de dólares para cortar o cabelo


"Em campo, era impossível perder a carapinha de Carlos Valderrama de vista. Médio de poucos números, mas muita exuberância técnica e estilística, era estrela na seleção da Colômbia que colocou a Argentina a levar olés em pleno Estádio Monumental no apuramento para o Mundial de 1994. No seguinte, deu a última camisola que usou pela seleção cafetera a David Beckham

Carlos Valderrama estava num bar em Santa Marta, na Colômbia. Juntou-se com os amigos do futebol a pontuar a conversa com esse elixir da recuperação pós-treino chamado cerveja. Aproximou-se do boémio coletivo um camião da polícia, farejando grupos criminosos. O veículo estava cheio e as autoridades não tinham onde colocar mais candidatos à fiscalização. Inesperadamente, os jovens tiveram que deixar os copos para trás quando a polícia arranjou espaço para eles.
Na esquadra, os agentes pediram a identificação aos detidos. Quando chegou a sua vez, Valderrama deixou cair o cartão ao tirá-lo do bolso. Ao erguer-se, após o apanhar, a sua cara ficou a conhecer a mão de um polícia. O catraio de 19 anos não se sujeitou à humilhação e retribuiu antes de se pôr a fugir pelo meio de uma praia. O alvoroço terminou com El Pibe atrás das barras.
Esteve preso durante 50 dias e diz-se que a iminência de se tornar no grande craque do clube local, o Unión Magdalena, lhe terá aberto a porta da cela para se alojar na enfermaria. Por estar cansado de o ver à frente e perante a insistência do pai, o juiz libertou o jovem.
Foi lá que a alcunha foi forjada. Nessa equipa, jogava então um argentino. Chamava-se Turco Deibe. Carlos costumava visitar o balneário do Unión Magdalena com o pai, mas, certo dia, o progenitor chegou sem a sua cria de seis anos. O jogador perguntou: “Onde está El Pibe?” A partir daí, a expressão argentina para designar um garoto passou a ser sinónimo de Valderrama.
A impulsividade era pouco verbalizada. Naquela saudosa altura em que os jornalistas entravam pelo campo dentro assim que o jogo terminava, a airosa carapinha loira era de imediato posta à prova com perguntas sobre os frescos acontecimentos. Para despachar o assunto, dizia só “todo bien, todo bien”.
Jogador fácil de ver ao longe devido à exuberância capilar, Valderrama foi médio de muita técnica e poucos números. A geração de ouro da Colômbia chegou a qualificar-se para Mundiais em que era a principal candidata a ganhar. No caminho para o Campeonato do Mundo 1994, os cafeteros golearam a Argentina por 5-0 no Estádio Monumental e assumiram a responsabilidade de lutarem pelo título. “O mais incrível foi ouvir os olés do público argentino a cada toque nosso na bola. Inesquecível. Eles é que começaram a picar-nos”, contou em entrevista ao “Observador”.
Antes da fase final, realizada nos Estados Unidos, uma marca fez-lhe uma alucinante proposta: $2 milhões para cortar o cabelo. Fiel ao penteado assumido quando se rendeu ao efeito provocado por um pente com três dentes, rejeitou o dinheiro. Essa edição do torneio também se fez de infortúnios. A Colômbia não passou da fase de grupos, pois o defesa Andrés Escobar marcou um fatal autogolo. Fatal porque o mataram à porta de uma discoteca em Medellín por causa do erro. O trágico desfecho quase levou à reforma antecipada de Carlos Valderrama, aí jogador do Junior Barranquilla.
Anos antes, em 1987, foi considerado o melhor jogador da Copa América. No ano seguinte, estava a deixar o Deportivo Cali para ir conhecer a Europa. Pelo Montpellier, defrontou o Benfica na Taça UEFA. De França, seguiu para o Valladolid, treinado pelo guru do futebol colombiano Francisco Maturana.
Em Espanha, melhor do que perguntar por Carlos Valderrama é pedir informações sobre o tipo que teve os huevos sentidos por Míchel, craque do Real Madrid que exagerou nas táticas para ganhar espaço num canto. “Me emputé”, recordou o colombiano à revista “Líbero”. “Cada vez que vou a Espanha dizem-me: ‘Valderrama, o Míchel vai apanhar-te.’ É um cumprimento.”
Deixou a seleção colombiana após o Mundial 1998. No último jogo, trocou a camisola com David Beckham, manto que ainda usa de quando em vez. Intransigente, por mais dinheiro que lhe ofereçam, não a vende.
Hoje em dia, o cabelo deixou de ser loiro, mas ainda há Valderrama nas pulseiras e colares cheios de miçangas complementados por brincos com diamantes. Quando é para falar da Colômbia, adversária de Portugal no Mundial 2026, está sempre pronto. Num desses momentos, perguntaram-lhe se comprava bilhetes para ver a seleção. “Não compro boletas. Joguei 20 anos na seleção, vou comprar boleta? Olá!” A gargalhada contaminou toda a gente."