sexta-feira, 1 de maio de 2026

TEMOS TRÊS FINAIS PARA GANHAR!


"Segundo lugar não é primeiro dos últimos

1. Vai longe o tempo em que o segundo lugar era considerado o primeiro dos últimos. Hoje em dia, com a diferença de valores financeiros que se verificam entre participar na Champions ou na Liga Europa, o segundo lugar tem, sim senhor, muita importância.

2. O Sporting beneficiou de muitos favores arbitrais ao longo da época, só assim se manteve na luta pelo título, só assim se mantém na luta pelo segundo lugar. Finalmente, à 31ª jornada, apresentaram razões de queixa de um erro do árbitro. Isto diz tudo sobre o que se passou nesta liga.

3. Foi a soberba de que no fim acabavam inevitavelmente por ganhar que os derrotou: mercados mal conduzidos, só Luis Suárez pegou de estaca; muitas lesões não traumáticas mal recuperadas; foco exclusivo na luta fraticida com o Porto; a dúvida era por quantos iam ganhar ao Benfica.

4. O Benfica era o desgraçadinho da competição, plantel cheio de lacunas, Mourinho um treinador acabado, o terceiro lugar estava-lhe destinado.

5. Aqui chegados, com dois pontos de avanço a três jornadas do fim, temos que agarrar o segundo lugar com unhas e dentes, a responsabilidade passou toda para o nosso lado. É constatar como eles caíram do pedestal e fazer precisamente o contrário: sabendo que nada está conquistado, encarar cada um dos três jogos como finais, disputá-los com humildade a níveis estratosféricos, com toda a garra e mais alguma desde o primeiro minuto.

6. Muita atenção, também, às nomeações e às arbitragens. Colecionámos más decisões ao longo da época.

7. A eventual conquista do segundo lugar não apaga os erros próprios que cometemos e cedo nos afastaram da luta pelo título. Aprender com os erros é obrigatório para atacarmos, em 2026-27, o título."

Rui Costa preso por ter cão e por não ter


"Quantos daqueles que o elogiaram por ter renovado com Roger Schmidt não o criticaram um ano e cinco meses depois por ter renovado com Roger Schmidt?

A continuidade de José Mourinho no Benfica é um tema que está aí para ficar, pelo menos até 10 dias depois do final da época. Foi esse o prazo que o treinador indicou — admite-se que possa ter sido interpretado como uma espécie de ultimato a Rui Costa — para tudo ficar esclarecido. Até lá vamos perder a conta às vezes em que se falará do assunto, por obrigação profissional de qualquer jornalista, por exploração mediática de assunto com salero, por tentativa de desestabilização ou por qualquer outra intenção que me esteja a escapar. Sim, porque, neste momento, dificilmente Rui Costa dirá outra coisa diferente daquela que disse a A BOLA, a 8 de abril. Até parece que foi há mais tempo quando o presidente do Benfica afirmou que o futuro de Mourinho não era tema porque há um contrato em vigor até 2027.
Não sei se ouvimos um coro de elogios da última vez que Rui Costa renovou o contrato de um treinador, mas críticas duvido que alguém tenha produzido. A 31 de março de 2023, com o Benfica qualificado para os quartos de final da UEFA Champions League e com mais dez pontos que o segundo classificado no campeonato, então o FC Porto, estendeu o contrato de Roger Schmidt de 2024 para 2026. Viria a despedir o treinador alemão um ano e cinco meses depois, provavelmente tarde para alguns, ou mesmo muitos, dos que aplaudiram a renovação e que podem mudar de opinião como o vento de direção.
Se há pouco mais de três anos, na renovação de Schmidt, pode ter faltado o espírito crítico que sobrou no momento do despedimento, especialmente entre os adeptos do Benfica, não deixa de ser curioso, sobretudo considerando que muitos colaram a Mourinho o rótulo de treinador ultrapassado, que agora se rasguem vestes por ainda não ter um novo contrato assinado. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, poderemos dizer.
Mourinho tem o legítimo direito de querer mais anos de contrato no Benfica, como de executar a cláusula de €3 milhões que lhe permite ir à vida dele depois do fim da época. Como, igualmente, Rui Costa tem o direito de pelo menos querer esperar até que tudo fique decidido na temporada para depois, então, optar ou não pela proposta de renovação. Afinal, não é sequer certo que o Benfica consiga acabar no segundo lugar do campeonato e, com isso, participar nas eliminatórias de qualificação para a fase de liga da Champions. Não é, como tal, prudente, para não exagerar no adjetivo, a posição de Rui Costa, considerando os interesses do Benfica?
Quando contratou Mourinho, como uma vez defendi, Rui Costa não estava só a contratar um grande treinador, mas tudo o resto, todo o pacote, entre várias coisas a capacidade de o treinador controlar, através da comunicação, todo o contexto, seguramente não em benefício contrário aos interesses dele.
Continuo a defender, se isso interessa a alguém, que Mourinho é o treinador indicado para o Benfica, tendo em conta, ainda mais, todo o contexto de tensão no qual o clube vive mergulhado, apesar de Rui Costa ter vencido a segunda volta das eleições há pouco mais de cinco meses. Mas também o escrevo sem a responsabilidade de chegar a acordo com Mourinho para a renovação de contrato, muito menos sem a obrigação de lhe pagar qualquer indemnização se as coisas correrem mal.
Mourinho mede bem as consequências de todas as palavras que diz ou não diz. Quando, desafiado por A BOLA, foi incapaz, por exemplo, de dizer ‘Eu fico’, como Paulo Portas, há 25 anos nas eleições à presidência da Câmara de Lisboa, sabia o que estava a fazer. Numa leitura simpática, arrisco, alimentou a especulação e a expectativa, não só entre os benfiquistas, de que Rui Costa pudesse dizer mais do que a continuidade não é um tema.
Certo é, certamente, contribuiu para que o assunto continuasse a ferver, umas vezes em lume brando, outras com a força de chamas fortes.Parece, pois, sensata, no mínimo, a posição de Rui Costa, mesmo que pudesse já ter metido alguma água na fervura. Já me parecem menos sensatas, porém, as opiniões fundamentadas com pouca racionalidade de que o presidente do Benfica já deveria ter tomado e anunciado a decisão sobre se renova o contrato de Mourinho. Mas, nos tempos que correm, não é difícil encontrar quem seja preso por ter cão e por não ter."

Sem Champions há craques que torcem o nariz ao Sporting…


"Oferta de participação na Liga dos Campeões é argumento que está a ser utilizado no mercado para convencer potenciais reforços. Sem o 2.º lugar tudo fica mais difícil para o leão.

Há muito, pelo menos desde que a Champions League foi criada e passou a encher os cofres dos clubes que nela participam e têm sucesso, que o 2.º lugar (ou o 3.º, consoante a posição de Portugal no ranking de clubes da UEFA) deixou de ser o primeiro dos últimos, expressão muito em voga há uns tempos. E não me refiro apenas aos milhões que entram em caixa para fazer face a despesas, outros compromissos e capacidade financeira para investir em contratações — poder de compra para os passes e condições salariais. Refiro-me também ao poder de persuasão junto de alguns jogadores a contratar no mercado.
Tomando o Sporting como exemplo, e sabendo que os leões estão já no terreno por dois médios (o internacional sub-21 italiano Issa Doumbia do Veneza e o espanhol do Betis Sergi Altimira), não será difícil de perceber que a oferta de participação na Liga dos Campeões é argumento que está a ser utilizado junto dos jogadores, que têm mercado nas ligas internas, bem mais atrativas do que a portuguesa. E não será de estranhar o entusiasmo de ambos com a possibilidade que os leões lhe acenam de participar na maior prova de todas, ainda por cima com o cartão de visita do 7.º lugar na frase de liga nesta temporada e a ida aos quartos de final, fase em que se bateram de igual para igual com o Arsenal.
Na mira leonina para a próxima temporada está também o craque da 2.ª divisão de Espanha, o extremo do Corunha Yeremay Hernández, cobiçado também por muitos clubes de LaLiga. E o que têm de diferenciado os leões para oferecer (ou tinham, porque o empate de ontem com o Tondela pode ter hipotecado a meta)? A Champions. Daí que não seja apenas o encaixe financeiro que jogam na luta pelo 2.º lugar com o Benfica, jogam também um trunfo fundamental para jogar junto de potenciais reforços na altura de os persuadir. E com isso a capacidade de ter craques a jogar de leão ao peito e com isso a qualidade no plantel que levará a mais títulos, a mais presenças na Champions, a encaixar mais financeiramente.
Pois é este (ou era, depois da hecatombe de ontem...) o grande desafio de Rui Borges numa altura em que se anuncia uma renovação de contrato já esperada mas entretanto questionada pela perda de possibilidade de chegar ao tricampeonato e sobretudo pela ultrapassagem do Benfica na luta pelo tal 2.º lugar. Mais do que a conquista da Taça de Portugal (sendo certo que é um troféu importante e esta época, porque o adversário na final, o Torreense, é de escalão secundário, perdê-la teria uma onda de choque de magnitude devastadora), a entrada na Champions terá (ou teria...) de ser o grande objetivo que os empates com o Aves SAD e o Tondela podem ter deitado a perder. E com isso a perda dos milhões e de poder de persuasão no mercado junto dos alvos…
Independentemente disso, nota para a renovação de Rui Borges, cuja carreira que levou a equipa a fazer na Champions significou esta época um encaixe de 80 milhões de euros. Merece renovar, não apenas pelo encaixe e valorização do plantel mas porque num mar de problemas de tanta lesão conseguiu levar a equipa na luta. Passa a estar ligado ao Sporting até 2028 e não apenas 2027 mas sabe de antemão que lhe vão exigir mais do que o que será feito esta época para efetivamente cumprir a nova última temporada de contrato..."

Do sonho europeu ao pesadelo de Alvalade


"O Sporting já conheceu antes esta sensação de vertigem competitiva. Na época 2004/05, com José Peseiro, a reta final ficou marcada por uma sucessão dolorosa de perdas: foi-se a Taça de Portugal, foi-se o campeonato, foi-se a final europeia e foi-se também o acesso direto à Liga dos Campeões.
Duas décadas depois, a história não se repete da mesma forma, mas a memória regressa como eco emocional.Há menos de quinze dias, depois da avalanche emocional frente ao Bodo/Glimt, o Sporting ainda tinha vivo o sonho europeu, mantinha-se no caminho da Taça de Portugal e podia alimentar a ambição do tricampeonato.
Hoje, o cenário é profundamente diferente: eliminado da UEFA Champions League, afastado definitivamente do tri e com o 2.º lugar cada vez mais distante, porque já não depende apenas de si. Neste momento, resta a Taça de Portugal, próxima, mas longe de estar garantida.
Podemos tentar explicar o desaire de várias formas: o cansaço físico, as lesões, as opções do treinador ou uma postura pouco ambiciosa e pouco ofensiva perante vários adversários. Mas este artigo procura, uma vez mais, olhar para o lado psicológico da competição: a exaustão emocional, a perda de confiança, de energia e de controlo, bem como os fantasmas do passado que habitam a memória coletiva e carregam consigo um peso emocional que nenhuma equipa ignora por completo, mesmo que não tenham sido eles a viver a experiência do passado.
Do ponto de vista da psicologia do desporto, as quebras competitivas raramente resultam apenas de menor qualidade técnica ou tática. Muitas vezes, emergem da acumulação de acontecimentos emocionalmente significativos que alteram a forma como a equipa interpreta o jogo, o erro e a adversidade. Um dos elementos mais desestabilizadores para qualquer equipa é a perda de controlo percebido. Não se trata apenas de perder jogos, pontos ou objetivos competitivos; trata-se de sentir que a época já não está inteiramente nas próprias mãos.
Quando isso acontece, a leitura psicológica da competição altera-se: o jogo deixa de ser vivido apenas como oportunidade e passa a ser também vivido como ameaça à narrativa construída ao longo da temporada. A equipa pode continuar a ter qualidade, talento e recursos, mas, se a perceção de controlo diminui, aumenta a ansiedade, reduz-se a clareza na tomada de decisão e cada erro tende a ganhar um peso emocional superior ao seu valor real.
O Sporting parece hoje colocado nesse território delicado: ainda compete, ainda tem objetivos, ainda pode terminar a época com uma conquista, mas já não transmite a mesma sensação de domínio emocional sobre o seu destino. Cada passe errado parece confirmar a instabilidade, cada golo sofrido reforça a dúvida, cada minuto sem resposta aumenta a perceção de ameaça.
É neste ponto que a confiança e a sensação de controlo deixa de ser uma convicção interna sólida e passa a depender, perigosamente, do marcador. Outro conceito importante é a forma como a equipa avalia psicologicamente a pressão: como desafio ou como ameaça.
Em momentos de confiança, a pressão pode ativar, mobilizar e tornar a equipa mais agressiva, criativa e determinada. Mas quando se acumula frustração, fadiga emocional e medo de perder o que ainda resta, a mesma pressão pode ser vivida como ameaça. A tomada de decisão torna-se menos fluida, a criatividade reduz-se, o erro pesa mais e a equipa fica mais reativa do que afirmativa.
Em Alvalade, este peso parece ter ganho expressão simbólica: não se trata apenas de perder pontos ou objetivos, mas de sentir que a época começa a escapar das mãos. E quando uma equipa sente que está a perder o controlo da sua própria narrativa competitiva, precisa de mais do que discursos motivacionais.
Precisa de recuperar segurança, clareza, energia emocional e uma identidade de jogo que lhe permita voltar a acreditar antes de exigir que os outros acreditem por ela. Junto aqui um terceiro fator, um fenómeno menos visível, mas profundamente poderoso, a memória emocional coletiva. Mesmo que a época de 2004/05 não esteja presente de forma consciente na mente dos atletas atuais, ela continua inscrita na história do clube, na memória dos adeptos e na narrativa dos media.
E é precisamente aí que ganha força: não necessariamente como lembrança individual dos jogadores, mas como carga emocional coletiva que envolve o contexto competitivo. Quando a sucessão de perdas começa a parecer familiar, o ambiente em redor da equipa muda; cada resultado deixa de ser interpretado isoladamente e passa a integrar uma narrativa maior, feita de ecos, receios e fantasmas antigos.
Essa pressão simbólica pode contaminar o clima emocional do clube, tornar a crítica mais intensa, a impaciência mais visível e a ansiedade mais partilhada. É assim que se pode instalar uma espiral negativa de confiança: a dúvida aumenta a tensão, a tensão condiciona a decisão, a decisão menos clara aumenta a probabilidade de erro e o erro confirma a dúvida inicial. A equipa deixa então de enfrentar apenas o adversário seguinte; enfrenta também o peso emocional de tudo aquilo que, dentro e fora do relvado, parece voltar a escapar."

FC Porto, Benfica e Sporting por Sérgio Godinho e Jorge Palma


"Quando Jorge Palma se junta a Sérgio Godinho, o palco passa a ser oficina onde se trabalha a filigrana. Da voz e composição. Aconteceu em Carnaxide, no 25 de abril. Saí de alma lavada. Com sentido de gratidão e privilégio. A minha lista de canções valeria muitíssimo menos sem os poemas e músicas de ambos.~

FC Porto «com um brilhozinho nos olhos»
Como sempre, o pensamento foge-me. Dou por mim a imaginar Francesco Farioli a ouvir Sérgio Godinho «com um brilhozinho nos olhos». «És o number one, dou-te 20 valores, és o 13 no totobola». Elogios merecidos ao treinador do FC Porto, quase campeão. Tirem o quase, não nos prendamos com matemáticas. Já André Villas-Boas estará a pensar no 6 de julho de 2025, dia em que assinou com Farioli. «Este é o primeiro dia do resto da tua vida», ouve. Os adeptos vão mais para Jorge Palma. «Dá-me lume», grita-se. E o dragão em intensas labaredas. «Seu eu fosse compositor compunha em teu louvor um hino triunfal», ouve-se das bancadas. «Se eu fosse crítico de arte, havia de declarar-te obra-prima à escala mundial». Exagero? Exagero, nestes momentos, é não se ser exagerado… E a reflexão sobre o FC Porto termina com um regresso a Sérgio Godinho. Por onde andava este dragão? «Ai, eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto.» O Porto à… Porto.

Benfica: duas almas em guerra
No Benfica parece que não há tempo para se ser feliz. O 2.º lugar está à mão de semear, mas o sai não sai de Mourinho é que anima a discussão. «E já que a paciência tem os seus limites, diga-me lá quantos são que é p’ra eu saber se espero ou não. Caramba, está-se p´ráqui a dançar na corda bamba…sem se saber para que lado é que se cai». Sérgio Godinho está a ver bem a coisa, de facto. Como Jorge Palma, diga-se. «Só por existir, só por duvidar, tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar». Rui Costa e Mourinho, duas almas na missão de um resgate de grandeza. Só que «Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar. Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar».

Sporting no «Elixir da Eterna Juventude»
Sérgio Godinho tem tanto para dizer sobre o Sporting, «de mãos nos bolsos e olhar distante, era o rapaz de camisola verde». «Estou velho! Dói-me o joelho. Dói-me parte do antebraço. Dói-me a parte interna de uma perna. E parte amiga da barriga. Que fadiga. O que é que eu faço?». A pergunta de Sérgio Godinho não tem resposta, Rui Borges já não sabe se rir se chorar. Se alguém soprar haverá um jogador que cai sem forças e lesiona-se. Um Sporting «Frágil», garante Jorge Palma. «Já nem consigo ser ágil». Mas Jorge Palma, um dos meus filósofos favoritos, tem o remédio. «Tira a mão do queixo não penses mais nisso (…) Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar». E Rui Borges a cantarolar: «Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar».

O carteiro não tem culpa
No encore, a época a chegar ao fim. «Para uns são alegrias, para outros tristezas são», lembra Sérgio Godinho. E eu canto em nome dos jornalistas, «o carteiro não tem culpa, é a sua profissão». Vamos lá, Sérgio Godinho. «Um, dois, três e quatro. Quem é o candidato a ser hoje o campeão? (…) Ouve-se o relato. É golo, é golo! (…) A vitória está na mão»."

Obrigado, Luis Enrique


"Não, claro que a responsabilidade por um dos melhores jogos da história do futebol de topo não é só do treinador do PSG.
O que me leva a agradecer ao espanhol é o facto de ter despido aquela capa que os treinadores usam, dizendoque preferem ganhar por 1-0 ou 2-1 do que por 5-4, como se não gostassem tanto de futebol como nós todos, os pagantes da indústria, os que lhes pagam, direta e indiretamente, os ordenados milionários.
«Foi o melhor jogo em que participei», afirmou. Está certo que o ganhou, o que ajuda ao estado de espírito, mas também disse «merecemos ganhar, merecemos empatar e merecemos perder». Obrigado a todos os outros, também.

De chorar por mais
Meias-finais da Taça a um só jogo (e em campo neutro) correspondem ao regresso do espírito original da competição.

No ponto
Braga está a engalanar-se para mais uma meia-final europeia. Novo passo no processo de crescimento em curso.

Insosso 
Momento negativo de Rafael Leão surge demasiado próximo do Mundial, o que poderá não constituir boa notícia.

Incomestível
Aquela ideia peregrina de substituir o Irão pela Itália no Mundial-2026 só podia mesmo ter vindo de onde veio..."

A merecida homenagem a Roberto Baggio


"O futebol italiano atravessa uma crise profunda. É difícil acreditar que um país quatro vezes campeão do Mundo se encontre nesta situação, mas não há volta a dar: a Itália vai falhar mais um Mundial.
Há 20 anos, pouco depois de a seleção italiana ter conquistado o Campeonato do Mundo, ninguém diria que aquela final memorável contra a França, marcada pela célebre cabeçada de Zidane a Materazzi, foi o último triunfo da squadra azzurra em eliminatórias do Campeonato do Mundo.
A vitória acabou por vingar Roberto Baggio, cujo falhanço na final de 1994 ainda pesava, mas, por mais simbólica que fosse a vitória, não conseguiu apagar as consequências que se estão a arrastar por décadas.
Em 2010, a Itália voltou a falhar. Ficou na última posição da fase de grupos, grupo esse que até era considerado o mais acessível da prova. Após esse desfecho, Roberto Baggio, juntamente com Vittorio Petrone, elaborou o chamado 'Dossier Baggio'. Considerado um plano ambicioso para reformar o sistema do futebol italiano, a ideia nasceu com a intenção de intervir desde as federações, aos centros de formação. Inicialmente, o projeto recebeu via verde por parte de instituições e dirigentes, mas foi sol de pouca dura.
Baggio queria, mais do que ninguém, contribuir para uma mudança estruturada e necessária. Envolveu profissionais de confiança para garantir que o projeto tivesse solidez durante o processo de renovação. Apesar do parecer favorável, o plano nunca saiu do papel.
Hoje, o Dossier permanece como símbolo de uma oportunidade perdida: a preparação do futebol italiano para o futuro, no investimento da formação e garantir progressivamente que novos talentos pudessem surgir de forma sustentável. Roberto Baggio mostrou assim que queria que o seu legado ia muito além do campo. Muito além da coroação como melhor jogador do Campeonato do Mundo em 1994. Aquele em que apesar de ser o melhor, falhou o lance decisivo.
A Itália não soube cuidar do seu ídolo quando este caiu. E após a sua reforma, também não. E as crianças da altura como eu, adultos de hoje, não foram educados a perceber que os heróis também falham. Quando todos pensavam que este era o pior pesadelo de uma nação, passado poucos anos começaram a surgir os verdadeiros efeitos a longo prazo. A Itália deixou de apostar de forma consistente na formação de jovens talentos, as infraestruturas desportivas ficaram desatualizadas e os clubes passaram a depender cada vez mais de estrelas estrangeiras, em vez de cultivar a base nacional.
A seleção, outrora símbolo de excelência tática, começou a perder competitividade nas grandes competições e entrou num ciclo de desastres. Aliás, a Itália parece que já não é o país de futebol. E a culpa não foi de Baggio, foi de quem não cuidou dele. Alguns adeptos neste momento preferem ténis ao futebol de onze. Os ídolos mudaram. E os novos ídolos de outras modalidades também se queixam.Jannik Sinner já afirmou que trocava um dos seus títulos pelo regresso da Itália ao Mundial.
O tenista lamentou a fase negra da seleção e até já referiu que faria tudo para ver a sua equipa no maior palco do futebol. É impensável que os jovens de hoje nunca tenham visto a seleção jogar um Campeonato do Mundo, chegou a comentar em conferência de imprensa.
O futebol continua a ser o desporto dominante em Itália, mas a sua hegemonia tem vindo a ser desafiada nos últimos anos por modalidades que, lentamente, conquistam novos públicos e consolidam estruturas competitivas. A crise do futebol, abriu espaço para que outros desportos ganhassem protagonismo. Para além do ténis, também desportos como basquetebol, voleibol, ciclismo, automobilismo, atletismo e desportos de combate demonstram que existem alternativas com potencial cultural e profissional.
A ascensão de conquistas olímpicas também tem vindo a crescer e os transalpinos aproveitaram o facto dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano terem sido no país para consolidar essa posição. Mais do que números, os Jogos Olímpicos representaram uma oportunidade única para fortalecer a cultura desportiva do país.
Ao diversificar o foco para modalidades além do futebol, a Itália abriu portas para jovens talentos, incentivou hábitos de prática desportiva e reforçou a noção de que o sucesso nacional depende de uma base ampla, sólida e sustentável. Cada medalha, cada participação, é uma mensagem de que o desporto italiano pode crescer de forma equilibrada, valorizando a técnica, a disciplina e o orgulho nacional.
Outro assunto do momento e que foi sempre uma imagem de marca em Itália, refere-se à longevidade dos jogadores. Enquanto antigamente as principais referências eram praticamente todas italianas, como Francesco Totti, Andrea Pirlo, Paolo Maldini, Alessandro Costacurta ou Giuseppe Baresi, neste momento jogadores como Modric fazem a diferença, já com 40 anos no bilhete de identidade.
Outros craques, como Kevin de Bruyne, estreiam-se em Itália já com uma condição física aquém do esperado. Não faltará muito até ser considerado o campeonato dos reformados.
A gestão de novos talentos é um dos pilares estratégicos para clubes de futebol, influenciando o desempenho desportivo, sustentabilidade financeira e reputação da equipa. Identificar, desenvolver e integrar jovens jogadores exige uma combinação de visão de longo prazo, ciência do desporto e gestão. Nas costas dos outros vemos as nossas e a reflexão também deve ser feita por cá. Em alguns clubes, de forma urgente."

Aviso

Desigualdades...!!!

Verdadeiramente intolerável...

Hat-Trick em 6 minutos!!!

Gonçalo Moreira

Atividade benfiquista


"Vários temas nesta edição da BNews.

1. Foco no Famalicão
O plantel às ordens de José Mourinho trabalha afincadamente com o objetivo de somar três pontos em Famalicão (sábado às 18h00).

2. Benfica Corporate 2026
Realizou-se o evento anual que assinala o contributo de patrocinadores e parceiros do Clube. Os elementos do Futebol Profissional marcaram presença.

3. O sonho do Daniel
Uma iniciativa conjunta do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.

4. Prémio entregue
Gonçalo Moreira foi eleito Melhor Jovem de março na Liga 2.

5. Últimos resultados
Em hóquei em patins, o Benfica ganhou por 6-8 no reduto do OC Barcelos. Os Sub-23 foram derrotados por 1-2 pelo Famalicão.

6. Dérbi no feminino na Luz
As hexacampeãs de futebol recebem o Sporting, às 19h00 de sexta-feira, 1 de maio, no Estádio da Luz.

7. Mais jogos amanhã
No futebol de formação, a equipa B visita o Sporting (20h30) e os Juvenis atuam em Braga (11h00).
No feminino, há ainda as seguintes partidas: em hóquei em patins, com a Gulpilhares na Luz (21h00); em andebol, no Funchal, frente ao Madeira SAD, relativo à 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal (17h00); em polo aquático, duplo encontro na piscina do Sporting (14h30 e 19h00).

8. Protagonista
A futebolista Diana Silva é a entrevistada da semana.

9. Está marcada a final da Taça de Portugal
Benfica e FC Porto disputam a Taça de Portugal de futebol no feminino. É no dia 17 de maio, às 17h15, no Estádio Nacional.

10. Entrevista
A conquista da Taça de Portugal de futsal no feminino em análise com Angélica Alves.

11. Doação
O acervo do Museu Benfica – Cosme Damião está mais rico. Daniel Pinto, cavaleiro de dressage do Benfica, ofereceu a indumentária com que participou nos Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney.

12. Ação social
Jovens atletas do futsal de formação do Benfica integraram as quatro rotas noturnas da Comunidade Vida e Paz, uma parceira da Fundação Benfica."

Do Pedro Rodrigues aos menores sem empresários


"Um jovem de 14 anos assinou, esta semana, um contrato de formação com o FC Porto, mas ainda não tem idade legal para ter um agente. Porque se há de privar um praticante desportivo menor de ser representado por um empresário se, por exemplo, a partir dos 16 anos, pode ir a uma discoteca?

Na sua edição de quarta-feira, o jornal ‘Record’ titulou: “Pedro Rodrigues assina contrato.” O texto da notícia clarificou: “O jovem Pedro Rodrigues, de apenas 14 anos, assinou contrato de formação com o FC Porto. O lateral esquerdo, que atua nos sub-15, está a cumprir a segunda época nos dragões, assume ter Martim Fernandes como referência e sonha com a equipa principal: ‘Pretendo trabalhar para poder assinar um contrato profissional e estrear-me pela equipa A‘, referiu”.
Nos termos da Lei n.º 54/2017, de 14 de Julho, tendo Pedro Rodrigues 14 anos, o contrato que estava ao seu alcance era precisamente o contrato de formação desportiva (artigo 28.º, n.º 1). Aos 16 anos já poderá assinar o almejado “contrato profissional” (artigo 5.º, n.º 1). Mas em Portugal só aos 18 anos poderá ser representado por um empresário desportivo (artigo 36.º, n.º 2, em desenvolvimento do artigo 37.º, n.º 2 da ‘Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto’). Fará isto sentido? Já tive ocasião de o expressar em diferentes contextos, e aqui me permito reforçar: a meu ver, não. Por três grandes ordens de razão.
Em primeiro lugar, considero que não faz sentido que enquanto menor um futebolista não possa beneficiar de um apoio de um empresário desportivo para encontrar o melhor clube ou a melhor sociedade desportiva para celebrar um contrato de formação desportiva ou um contrato de trabalho desportivo, e até, para usar uma expressão regulamentar da FIFA, “outros serviços” conexos. Se existe um momento em que o jovem atleta mais precisa de uma orientação, de uma ajuda para a melhor escolha quanto ao seu futuro, é na fase mais precoce, de início da carreira, quando tem menos contactos e menos conhecimentos a todos os níveis.
Num clube com a dimensão do Futebol Clube do Porto, com mais visibilidade – até dada por notícias como a que ora se comenta - será menos difícil, mas pensemos na maioria dos casos. Neste contexto, e sem desconhecer a subjetividade e a dificuldade que sempre apresenta a densificação do conceito, creio que se pode invocar que o legislador nacional deveria aqui ater-se ao “interesse superior da criança”, na aceção do artigo 3.º da referida Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU.
Em segundo lugar, entendo que a proibição legal de representação de menores de idade por empresários também não faz sentido porque, sem escamotear a existência de tráfico de futebolistas menores, a percentagem é reduzida ao ponto de prejudicar a larga maioria dos praticantes que beneficiariam com a possibilidade de serem representados por empresários desportivos. Acresce que um reforço da restrição do acesso à atividade de empresário e do controlo do exercício dessa atividade, até por ‘falsos empresários’, são medidas mais proporcionais ao objetivo prosseguido.
Por exemplo, a vigente duração legal máxima de dois anos para os contratos de representação, sem possibilidade de renovação automática, é já uma forte proteção para os representados, pelo que também o seria para os menores se estes pudessem recorrer aos serviços de um empresário desportivo. E é na ausência de um contrato que o cenário do tráfico de menores mais tende a florescer...
Em terceiro lugar, creio que a solução legal em apreço não faz sentido quando contraposta com a unidade do nosso sistema jurídico. Mirando apenas alguns exemplos, cabe perguntar: porque se há de privar um praticante desportivo menor de ser representado por um empresário se, a partir dos 16 anos, pode ir a uma discoteca? Porque se há de proibir um praticante desportivo menor de ser representado por um empresário quando se pode pronunciar sobre a adoção a que seja sujeito, ou solicitar o seu apadrinhamento, algo bem mais estrutural para a sua vida? Porque é que um menor, desde que com a escolaridade obrigatória, pode trabalhar – inclusivamente como praticante desportivo profissional - e não há de poder ser representado por um empresário desportivo para assinar um… contrato de trabalho desportivo?
Se um menor com 16 anos pode ser autor em contencioso jus-laboral e já é imputável em sede penal, não terá com essa mesma idade discernimento suficiente para mandatar, conjuntamente com os seus representantes legais, um empresário desportivo? Com que fundamento se permite a um menor de 14 anos que consinta em cuidados de saúde, mas já não se lhe permite mandatar, conjuntamente com os seus representantes legais, um empresário desportivo? Onde está, então, a unidade do sistema jurídico?
Mais: a imposição de limites de sacrifício adicional aos menores que pretendam ser representados por empresários desportivos relativamente a outros menores não traduzirá um tratamento inequitativo e desproporcionado, à revelia do princípio da igualdade proporcional decorrente dos artigos 2.º e 13.º da Constituição da República Portuguesa?
Fica então, um modesto repto ao legislador - até porque a FIFA, no seu Regulamento de Agentes de Futebol, remete para a legislação nacional - para que pondere uma alteração legislativa, deixando de proibir a representação de menores por empresários desportivos."

Equador: Iván Kaviedes, o craque do Championship Manager com tantos golos quanto idas à prisão


"Em 1998 foi o maior goleador mundial, mas a vinda para a Europa não confirmou a fama conquistada em campo, e depois virtualmente. Jogou 15 minutos pelo FC Porto, marcou alguns dos golos mais importantes da história da seleção do Equador e nos últimos anos tem entrado e saído da prisão e de clínicas de reabilitação.

Muito boa gente ter-se-á deparado pela primeira vez com o nome “Iván Kaviedes” num save de uma das edições do início do século do Championship Manager (CM). Kaviedes era então um jovem jogador nas fileiras do Celta de Vigo e garantia muitos e bons golos a quem o comprasse no simulador em que um comum mortal se transformava no melhor treinador do mundo, capaz de vencer três vezes a Liga dos Campeões com o Beira-Mar.
Kaviedes, diga-se, não era exatamente um Maxim Tsigalko, um Julius Aghahowa, um Sergey Nikiforenko, muito menos um Tó Madeira. Para começar, porque era real. Tsigalko, Aghahowa e Nikiforenko também o eram mas, sendo todos eles craques do CM, nunca se destacaram por aí além fora do mundo virtual. No auge do jogo, o equatoriano vivia ainda dos louros de uma época estratosférica no Emelec em 1998, quando marcou 43 golos só na liga local, tornando-se o maior goleador planetário desse ano. Rápido, com técnica requintada e faro para o golo, estava ali a nova estrela sul-americana, digna dos desejos mais gulosos dos clubes europeus.
Foi por isso contratado pelo Perugia, na altura na Serie A. Sem a sua amada camisola 9 disponível, Kaviedes não foi de modas: aceitou o 33, mas pediu ao roupeiro que imprimisse no lugar do nome a palavra Nine (o inglês para nove), alcunha que até já trazia da infância, tal era a sua relação precoce com o golo. O ego estava lá, com certeza. Porém, da passagem por Itália ficam apenas umas raras viagens ao fundo das redes e o rumor de que teria cortejado a filha do presidente do Perugia. Seis meses depois de chegar, seguiu para o Celta, dando início a périplo internacional de empréstimos, o mais curto deles, de menos de dois meses, ao FC Porto - chegou com Octávio Machado e jogou apenas 15 minutos num jogo de Taça com o SC Braga, antes de José Mourinho o descartar.
Na seleção nacional as coisas iam correndo melhor, o que ajudou Kaviedes a manter uma certa aura local: é dele o golo que apura o Equador para o seu primeiro Mundial, em 2002. Em 2006, depois de uma aleatória passagem pelo Crystal Palace (seis jogos, zero golos) e outra não menos inusitada pelo Argentinos Juniors (13 jogos, um golo), foi peça importante na equipa que chegou aos oitavos de final no Mundial da Alemanha, entrando para o folclore dos Campeonatos do Mundo com o festejo do terceiro golo da vitória frente à Costa Rica, quando colocou uma máscara de Homem Aranha na cara, para homenagear Otilino Tenorio, avançado equatoriano desaparecido um ano antes num acidente de viação.
Depois do Mundial de 2006, Kaviedes, em tempos um dos putos maravilha no CM, voltou definitivamente ao futebol do Equador, somando mais polémicas que sucessos. Em 2009, foi admitido pela primeira vez numa clínica de reabilitação, por problemas com álcool. Em 2012 agrediu dois polícias, ficando detido por cinco dias. Nos relvados, voltou a marcar golos no Macará, mas sairia do clube devido a casos de indisciplina e desencontros com o treinador. Foi desperdiçando uma série de derradeiras oportunidades, oferecidas porque poucos tinham visto um talento como o dele no país. Voltaria à prisão em 2018, por não pagar a pensão de alimentos de um dos seus nove filhos, todos de mulheres diferentes.
Kaviedes assumiu em entrevistas ter consumido cocaína durante a carreira. “Mas nunca joguei drogado”, assegurou ao portal “Vistazo”, em 2020. Em 2023 voltou a ser detido, embriagado, precipitando nova entrada numa clínica de recuperação. Um grupo de antigos colegas internacionais equatorianos, entre eles Antonio Valencia e Iván Hurtado, organizou então um jogo de solidariedade para reunir fundos para o antigo avançado pagar a reabilitação e reiniciar a sua vida. Um dos colegas denunciaria mais tarde que Kaviedes tinha fugido da clínica e ligado a Hurtado para pedir o dinheiro do jogo."