segunda-feira, 6 de abril de 2026

Está quase...

Benfica 2 - 0 Torrense
Diana S.(2)


Não foi bonito, mas ganhámos! Aparentemente descobrimos que para ganhar a este Torrense, temos mesmo que jogar feio: marcações cerradas, pouco risco, e não permitir Cantos ou Livres Laterais ao adversário!

Estamos a 3 pontos da revalidação do título... do Hexa!!!

Qualificados para a Final 8

Torrense 3 - Benfica

Quando ainda existem muitas equipas de divisões inferiores, o Benfica, como vai sendo habitual, teve um sorteio manhoso, com uma deslocação perigosa a Torres Vedras.

Este foi um daqueles jogos, onde o Benfica pareceu ter o jogo sempre controlado, mas com as vantagens curtas, sempre com o perigo duma surpresa no horizonte!

A cor da camisola é diferente!

O Andrade de Famalicão, perdeu o bico?!!!

Resumo, resumido...

Um sopro de amor!!!

Ainda se queixam!!!

O poder dos verdadeiros protagonistas: ainda por explorar


"Quando os resultados não aparecem, raramente há responsabilização interna. É mais fácil encontrar inimigos externos, desviar atenções e alimentar narrativas que pouco têm a ver com a cultura desportiva.

O reconhecimento do futebol português no mundo deve-se, acima de tudo, aos seus protagonistas: jogadores e treinadores. Por isso, é difícil compreender o motivo pelo qual, em Portugal, quem mais protagonismo tem são os dirigentes. Em vez de valorizarem o jogo, preferem expor-se, criar ruído e alimentar conflitos, colocando o foco longe do que realmente importa. No fim, tudo parece justificar-se com a mesma lógica: ganhar a qualquer custo e garantir reconhecimento pessoal.

Visão curta
O futebol português tem muitas qualidades, mas insiste em olhar para o lado errado. Quando os resultados não aparecem, raramente há responsabilização interna. É mais fácil encontrar inimigos externos, desviar atenções e alimentar narrativas que pouco têm a ver com a cultura desportiva. O problema é estrutural. Muitos dirigentes gerem as suas instituições a pensar mais em si próprios do que no crescimento do futebol. Dentro deste contexto, identifico três perfis distintos.
Os presidentes dos clubes que alimentam rivalidades de forma excessiva promovem discursos que incentivam o fanatismo e legitimam a ideia de que, muitas vezes, o fim justifica os meios. O presidente da Federação, mais preocupado com a perceção pública do seu trabalho do que em resolver e encarar os problemas reais do futebol. Por fim, o presidente da Liga, que vive numa posição de dependência dos clubes. É quase como um gestor condicionado que precisa de os satisfazer para garantir continuidade.

Pensar no 'nós'
Há uma pergunta simples que ajuda a perceber o essencial: como imaginamos o futebol português daqui a 30 anos? A resposta diria muito sobre a forma como se pensa o presente. O que muitas vezes falta é uma visão coletiva. Em vez de um projeto comum, prevalecem interesses individuais, objetivos de curto prazo e a necessidade constante de afirmação. O futebol precisa de líderes com visão, cultura desportiva e capacidade para pensar para além do resultado imediato.
Ninguém quer que as rivalidades desapareçam, até porque fazem parte da essência do jogo. Mas devem viver dentro do relvado, com intensidade, respeito e regras claras. Se continuarmos neste caminho, arriscamos agravar divisões, afastar famílias dos estádios e deixar um exemplo pouco positivo para as próximas gerações. Sem um rumo coletivo, todos acabam por sair mais fracos, independentemente dos títulos conquistados.

Voz dos protagonistas
No centro de tudo estão os verdadeiros protagonistas: os jogadores e treinadores. Em Portugal, raramente têm espaço para se exprimirem com liberdade, porque as estruturas dos clubes tendem a controlar a mensagem, limitando opiniões e moldando discursos. É um paradoxo: são eles que fazem o futebol acontecer, mas, muitas vezes, não podem participar nas decisões que moldam o próprio jogo.
Curiosamente, quando saem do país, o cenário muda. Ganham independência financeira, estatuto e uma voz mais autêntica. É por isso que se torna cada vez mais importante ouvi-los, não apenas como atletas, mas como pessoas com pensamento próprio, consciência do impacto que têm no futebol e responsabilidade para com as próximas gerações.
Projetos como Soltinhos pelo Mundo, no Canal 11, aproximam os jogadores do público e mostram um lado humano e genuíno. As conversas abordam percurso, dificuldades, decisões e ambições, sempre com espírito crítico, mas também com humildade e respeito pelos adversários. Fala-se de como cresceram, dos obstáculos que enfrentaram e das lições que aprenderam, mostrando que por trás de cada estrela há uma história de esforço, disciplina e paixão pelo jogo.
Ouvir jogadores como Bruno Fernandes, Vitinha, Rúben Dias ou João Cancelo, desta forma, não só valoriza o futebol português como cria uma ponte entre ídolos e fãs, humanizando-os e inspirando jovens que querem seguir os seus passos. É também uma forma de mostrar que o futebol é mais do que resultados ou títulos: é cultura, atitude e responsabilidade coletiva.
O verdadeiro desafio será garantir que esta voz não desapareça quando terminarem a carreira. Pela independência financeira que conquistaram e pelo percurso que construíram, estão numa posição única para contribuir para um futebol português melhor, mais justo e mais forte. Podem usar a sua experiência para orientar, aconselhar e até influenciar políticas que beneficiem o coletivo, e não apenas interesses individuais.
Mais do que proteger interesses ou seguir lógicas corporativistas, o futebol precisa que pensem no coletivo — no nós — e que usem a sua voz para elevar o jogo, a cultura desportiva e inspirar as próximas gerações. Eles podem mostrar que ser protagonista não é só marcar golos ou ganhar títulos, mas também assumir responsabilidade, transmitir valores e transformar o futebol português de dentro para fora.
Se conseguirmos que a geração de hoje e de amanhã perceba este papel, estaremos a criar um legado duradouro, em que os protagonistas verdadeiros não são apenas figuras de destaque nos jornais ou nas redes sociais, mas sim líderes que usam a sua voz para o bem do futebol e da sociedade.

A valorizar: João Cancelo
Além de ser um dos melhores da sua posição, tem uma característica que não é muito comum nos jogadores: não tem medo das palavras e diz o que pensa sem receio das consequências.

A desvalorizar: Itália
Falha pela terceira vez um Mundial. Aqui está um exemplo de uma potência que não se soube adaptar aos novos tempos. Agarrou-se ao passado e os resultados estão à vista."

FC Porto-Sporting: a troca de acusações que nos faz recuar décadas


"A troca recente de críticas e acusações entre os presidentes do FC Porto e do Sporting é lamentável e triste. Pior ainda é perceber que essas disputas são velhas conhecidas do futebol português, parte de um ambiente tóxico que ambos os dirigentes prometeram combater quando chegaram ao poder.
Ao ouvir André Villas-Boas, na tentativa de fazer humor com factos mais ou menos relevantes, voltamos a reviver maus exemplos de outros tempos. E, sinceramente, acho que pouca gente continuará a achar piada. E quando Frederico Varandas responde no mesmo tom, ou pelo menos tenta, o cenário é o mesmo e chega a ser confrangedor: recuamos décadas na cultura desportiva nacional.
É possível que ambos queiram apenas defender os seus clubes — além parecer também um bocadinho o culto da personalidade — mas o resultado é destrutivo. A imagem projetada não é boa, não é nova e está longe do que se exige de líderes do desporto português.
Durante a antevisão do jogo com o Santa Clara, o treinador leonino Rui Borges lançou um desafio sensato: deixemos de discutir toalhas roubadas e passemos a falar de futebol. Mas como fazê-lo se são as figuras máximas dos clubes a alimentar polémicas que nada acrescentam ao jogo?
O mais grave, contudo, nem está nos dirigentes — e muito menos nos clubes e nos seus adeptos. A principal responsabilidade continua a ser do Governo português, que insiste em tratar o futebol como simples espetáculo de circo, ignorando o impacto social do fenómeno. Tudo o que envolve os três grandes — Benfica, FC Porto e Sporting — tem reflexo direto na sociedade. O clima de rivalidade doentia e de ódio crescente gera consequências sérias e, por vezes, trágicas. Já tivemos vários exemplos, antigos e mais recentes, e não somente no futebol. Enquanto o poder político continuar a empurrar o problema para as federações, e o Governo mantiver a postura de ‘eles que se entendam’, a bola de neve não vai parar de crescer.
Não são os clubes que devem pedir para ser ouvidos no Parlamento — o Parlamento é que deve convocá-los e assumir a liderança neste debate. O País precisa de um plano concertado e consistente para o futuro do futebol nacional.Mas em vez disso e de trabalharmos nele, continuamos a discutir televisões que parecem ter vida própria, odores, objetos escondidos e toalhas desaparecidas, e aceitamo-lo como normal. E enquanto essa mentalidade persistir, o futebol português continuará refém dele próprio."

Sporting e Benfica de novo a sonhar: vai Farioli voltar a ser... Farioli?


"O empate caseiro com o Famalicão reacende a luta pelo título e ressuscita o trauma do técnico italiano. Com Sporting (e Benfica) à espreita, estará o filme do Ajax prestes a repetir-se?

A noite de 4 de abril de 2026 ficará gravada como o momento em que o silêncio ensurdecedor do Dragão substituiu o cântico da vitória. O empate do FC Porto frente a um Famalicão atrevido não foi apenas um percalço no caminho; foi o estalar do verniz numa liderança que parecia inabalável.
Com o Sporting à espreita — e com o jogo em atraso frente ao Tondela a poder reduzir a distância para meros dois pontos —, o campeonato português deixou de ser uma cavalgada triunfal para se tornar num thriller psicológico de final incerto.
No centro deste furacão está Francesco Farioli. O técnico italiano, mestre da estética e da posse, começa a ver o seu passado projetado no Douro como um filme de terror em alta definição. É impossível não recordar a tragédia grega vivida na época passada em Amesterdão.
Ao serviço do Ajax, Farioli chegou a gozar de uma vantagem de 10 pontos sobre o PSV Eindhoven. O título era dado como certo, as faixas estavam encomendadas, mas a equipa desmoronou-se na reta final, permitindo uma ultrapassagem histórica que deixou a capital neerlandesa em estado de choque. A história, dizem os cínicos, repete-se; os adeptos portistas, agora, temem que Farioli esteja prestes a... ser Farioli.
A margem de erro evaporou-se e o calendário não tem piedade. Na próxima jornada, o FC Porto viaja até à Amoreira para defrontar o Estoril de Ian Cathro. E aqui reside o perigo real: este Estoril não é um outsider qualquer. Pratica um futebol de vertigem, corajoso e taticamente evoluído.
Convém não esquecer que, na primeira volta, apesar da derrota tangencial, os homens de Cathro foram claramente superiores em pleno Dragão, expondo fragilidades que Farioli nunca conseguiu camuflar totalmente.
Com 18 pontos em jogo, a Liga está relançada e o fôlego é novo em Lisboa. O Sporting de Rui Borges, que tem demonstrado uma frieza pragmática na perseguição, sente o cheiro do sangue e sabe que depende apenas de si para incendiar o topo.
Mas não se engane o Dragão: até o Benfica, mesmo correndo por fora e com menos probabilidades matemáticas, volta a ter licença para sonhar com um descalabro azul e branco. Para o FC Porto, o desafio já não é apenas tático, é mental.
Farioli tem seis jornadas para provar que aprendeu a lição neerlandesa ou para confirmar que o seu futebol, embora belo, carece do instinto de sobrevivência para os meses de brasa."

Da festa à fresta


"Agora, para Neymar ir ao Mundial só por uma fresta. Caso vá, fará uma festa. E se não for provavelmente também.

Neymar quer ir ao Mundial. E bater penáltis na Kings League. E fazer cruzeiros com os amigos e amigas. E jogar póquer com os parças. E curtir o carnaval. E ir para a balada sem que ninguém o recrimine. E que toda a gente esteja de acordo com ele mesmo quando joga mal, joga pouco ou nem joga.
Neymar, que assinou o primeiro contrato no início da adolescência, logo por valores muito acima da média salarial dos brasileiros, e depois foi multiplicando o valor por dois, por dez, por mil, por um quadrilhão, não passa, aos 34 anos, de uma criança mimada. Daquelas que faz birras se não comer o bolo, o chocolate e o gelado, daquelas que não entende que antes do bolo, do chocolate e do gelado tem de comer a sopa e o arroz e o feijão.
Maradona também adorava o lado chocolate da vida. Ronaldo Fenómeno idem. Mas quando um sentiu que era a sua oportunidade de conquistar o mundo fez um intervalo de todos os vícios para se preparar, com a faca entre os dentes, para o Mundial dele. E o outro comeu, em vez de chocolate, o pão que o diabo amassou para recuperar do joelho.
Bilardo e Scolari escancararam-lhe, por isso, as portas dos Mundiais de 1986 e 2022. Ancelotti, mal chegou ao Brasil, deu sinais de que estava disposto a fazer o mesmo por Neymar. Mas agora, sem mais nenhum jogo do Brasil e míseros 14 do Santos até à convocatória final de 18 de maio, a Neymar resta-lhe uma fresta.
Guarda-redes serão três: Alisson, certo, e dois de entre Ederson, Bento ou Hugo Souza. Laterais cinco, Wesley e Militão (caso o merengue não esteja apto, será Ibañez o central-lateral substituto), Alex Sandro e Douglas Santos, com Danilo Luiz para ambos os lados. Aos titulares Marquinhos e Gabriel Magalhães vão juntar-se mais dois zagueiros de entre meia dúzia de candidatos.
No meio, há lugar para um sexteto com Casemiro, Fabinho, Bruno Guimarães, Andrey Santos, Paquetá e Danilo Santos certos ou quase certos.
No ataque, os concorrentes, ao contrário da estrela santista, bateram com fé à porta de Carletto e foram entrando, pedindo licença, mas mostrando trabalho. Desde logo, Vinícius Jr e Raphinha, da elite mundial do futebol; depois, Estêvão, Matheus Cunha, João Pedro mais Gabriel Martinelli, todos na exigente Premier League; e agora, nesta última data FIFA, Endrick e Luiz Henrique.
Oito atacantes, já não cabe mais ninguém, provavelmente nem Richarlison, nem Igor Thiago, nem Rayan, nem, claro, o lesionado Rodrygo.
Agora, para Neymar ir ao Mundial só por uma fresta. Caso vá, fará uma festa. E se não for provavelmente também.
Neymar não passa, aos 34 anos, de uma criança mimada. Daquelas que faz birras se não comer o bolo, o chocolate e o gelado."