segunda-feira, 30 de março de 2026

Benfica e o caso Schjelderup


"O futebol é um desporto excecional, vivido tanto fora dos relvados como dentro das quatro linhas. As emoções, os julgamentos apressados sobre quem é bom ou mau jogador e as certezas absolutas que se formam em segundos fazem parte da sua magia e das suas contradições.
Essa paixão poderia ser apenas romântica, não fosse o impacto real que tem nas carreiras e na confiança dos jogadores.
As opiniões pouco fundamentadas chegam maioritariamente das bancadas e dos analistas que não conhecem todos os dados. Mas também os profissionais, dentro dos clubes, erram e tomam decisões das quais acabam por se arrepender.
Essa natureza humana e imprevisível serve para ilustrar o trajeto de Andreas Schjelderup, um dos casos mais interessantes recentes do Benfica. 
O jovem extremo norueguês, que já foi rotulado de tudo — desde demasiado verde para se afirmar, emprestado que não voltaria, provável dispensa, até estrela em ascensão —, é hoje fundamental no futebol ofensivo encarnado e brilha também pela seleção da Noruega.
Aos 21 anos — Schjelderup chegou ao Benfica com 18, vindo da Dinamarca, onde liderava a lista dos goleadores mais jovens dos campeonatos europeus —, como tantos outros jogadores jovens, enfrentou o desafio da adaptação: nova língua, novos métodos e uma pressão muito superior à que conhecia. Estas transições jamais são lineares.
Cada jogador tem o seu tempo e a sua sorte para se afirmar. É precisamente aí que o papel de quem os orienta, dos treinadores e das estruturas dos clubes, se torna tão decisivo quanto o talento que trazem nos pés.
Reconhecer quem é realmente bom, além do ruído da opinião pública e das respostas imediatas, é uma capacidade rara e valiosa.
O caso de Schjelderup no Benfica é apenas um entre muitos, e em muitos clubes, mas mostra como o tempo, a paciência e a leitura certa do contexto podem transformar um jovem promissor num jogador determinante. Nem todos chegarão ao topo, mas é essencial que haja quem lhes limpe do caminho as pedras. Ter alguém nos clubes que perceba isso é tanto ou mais fundamental que contratar um bom jogador."

Como pode a guerra no Irão chegar aos clubes portugueses?


"Tensão no Médio Oriente tem impacto no preço do petróleo. Este na inflação. E esta na subida da taxa de juro. Aumenta custo de financiamento e custos operacionais. E dos clubes grandes, o Benfica é o clube mais exposto....

No futebol fala-se de tática, jogadores e treinadores. Fala-se pouco de inflação, juros ou petróleo. Mas são muitas vezes estes fatores que fazem a diferença, e uma escalada de tensão no Médio Oriente pode ter impacto direto nas contas das SADs e, por consequência, no sucesso desportivo.

Planeamento rigoroso
Uma das principais características de quem gere uma SAD é a capacidade de antecipar cenários. O sucesso não se constrói com gestão de curto prazo nem com a corda na garganta. É essencial existir um plano financeiro de médio e longo prazo que resista a oscilações desportivas. Rigor e disciplina não garantem decisões sempre certas, mas asseguram que são tomadas de forma lógica e sustentada, em função da informação disponível em cada momento, sobretudo quando surgem choques externos que obrigam a decisões rápidas. Clubes que planeiam estrategicamente conseguem enfrentar crises sem comprometer o futuro, enquanto os que vivem à beira do limite ficam vulneráveis a choques inesperados.

Impacto externo
Ao longo do caminho surgem sempre fatores inesperados que exigem reação. A atual escalada de tensão envolvendo o Irão é um desses casos. O impacto faz-se sentir sobretudo através da subida do preço do petróleo. Se esta tendência se prolongar, resultará num aumento da inflação. Na Europa, o Banco Central reage normalmente subindo as taxas de juro para controlar a inflação.
Este efeito tem consequências diretas para as SADs: eleva o custo do financiamento, considerando que muitos clubes dependem de dívida de curto prazo ou de refinanciamento constante (como empréstimos obrigacionistas); pressiona os custos operacionais, nomeadamente os FSE (fornecimentos e serviços externos), reduzindo a margem financeira. Em contextos como este, a antecipação e adaptação tornam-se decisivas, não apenas para a saúde financeira, mas também para a performance desportiva, já que restrições orçamentais afetam contratações e manutenção de talento.

Riscos e exposição
Perante este cenário, a preparação para o pior torna-se essencial. Entre os três grandes, os contextos são distintos: o FC Porto poderá beneficiar de uma eventual conquista do campeonato, que lhe daria uma margem financeira adicional pela entrada direta na Liga dos Campeões, embora continue dependente do sucesso desportivo imediato para equilibrar as contas. O Sporting apresenta uma estrutura mais equilibrada, beneficiando das receitas recentes da Liga dos Campeões e de uma política de custos controlada, mas uma quebra nas receitas futuras reduziria essa margem de segurança. O Benfica é estruturalmente o clube mais exposto. Apesar de apresentar capitais próprios robustos, tem a maior estrutura de custos — incluindo massa salarial e FSE. A ausência da Liga dos Campeões, combinada com a subida dos custos de financiamento e a pressão inflacionista, pode criar um desajuste significativo entre receitas e despesas. A isto acresce a necessidade de refinanciamento de dívida (50M€ de empréstimo obrigacionista) e de manter investimento desportivo, para voltar a lutar pelo título em 26/27. Projetos como o Benfica District, particularmente sensíveis ao aumento dos custos de construção e financiamento, reforçam ainda mais esta exposição.
É por estes motivos que uma gestão preparada, que antecipe cenários e tenha planos de contingência, se torna determinante para que os clubes consigam reagir rapidamente a choques inesperados, sejam eles externos ou desportivos. Mais do que reagir, clubes que conseguem antecipar situações imprevistas podem transformar crises em oportunidades: reorganizar estruturas, rever prioridades e investir de forma mais eficiente, aumentando resiliência e capacidade competitiva a médio e longo prazo.
No futebol moderno, vencer no campo é apenas metade do caminho: quem não consegue antecipar choques externos, gerir os custos com rigor e tomar decisões fundamentadas corre o risco de ver todo o sucesso desportivo comprometido antes mesmo do apito final.

A valorizar: Gyokeres
Apareceu quando a sua seleção mais precisava dele. Um hat trick que traz esperança aos adeptos suecos.

A desvalorizar: José Gandarez
José Gandarez voltou a evidenciar um problema estrutural na cultura do clube: a tendência para apontar fatores externos sempre que surgem resultados negativos, em vez de assumir responsabilidades pelas decisões tomadas. O caso da Benfica FM é um exemplo recente. Num momento em que o clube enfrenta pressão financeira e precisa de decisões estratégicas claras, avançou-se com um investimento significativo sem ter a certeza da certificação regulatória. Mais do que culpar a ERC ou outros fatores externos, era essencial explicar aos sócios e adeptos o racional desta decisão e como ela se enquadra na estratégia global do clube. A forma como este processo foi gerido demonstra como escolhas mal fundamentadas podem criar tensões internas e afetar a dinâmica da equipa, sem trazer benefícios concretos. Como se explica um projeto desta natureza sem se ter essa garantia?"

FC Porto-Sporting: chamem a polícia


"A guerra entre os dois clubes está a atingir níveis absurdamente perigosos. Vem aí um clássico no Dragão para a Taça de Portugal e podemos temer o pior. Isto já não é desporto

Facto: um jogador e o treinador da equipa de andebol do Sporting tiveram de receber assistência médica por causa de um cheiro intenso no balneário do Dragão Arena, onde ia realizar-se o jogo frente ao FC Porto. De acordo com os relatos confirmados e cruzados por A BOLA, a equipa leonina teve de equipar-se no corredor, não podendo fazê-lo no balneário.
Facto: durante o jogo, que os verdes e brancos venceram por 33-30, o FC Porto reagiu através de um comunicado, desmentindo os «odores intensos». «Tais insinuações são graves, abusivas e totalmente destituídas de qualquer fundamento […] O FC Porto repudia, de forma firme, qualquer tentativa de associação do seu nome, das suas infraestruturas ou dos seus profissionais a situações que não correspondem à realidade. Trata-se de uma acusação inadmissível, que atinge injustificadamente a reputação de uma instituição», pode ler-se.
Facto: o Sporting não fez qualquer comunicação após o jogo.
É muito grave que uma equipa seja obrigada a passar pelo que o Sporting passou; e é tão ou mais grave que isto possa ter sido uma encenação – porque é isso que, de forma indireta, os azuis e brancos insinuam.
Isto já não se trata de uma questão desportiva, antes um caso de polícia e de justiça, seja para que lado pender a balança da senhora.
É surreal pensar que um balneário possa estar inutilizável e representar uma ameaça à equipa adversária, tal como é do domínio da loucura a possibilidade de ter ocorrido uma pantomina para atingir a imagem de um rival.
Do ponto de vista da comunicação, os dragões foram mais ágeis: deixaram a dúvida no ar, mesmo que isto represente apenas uma fuga para a frente; já os leões não podem ficar em silêncio e estão mais que obrigados a esclarecer tudo, de ponta a ponta, para consubstanciar a acusação oficiosa.
A guerra aberta entre FC Porto e Sporting está a atingir níveis absurdamente perigosos e que extravasam Liga ou Federação. Porque se estende para várias modalidades; é a futebolização do conflito a entrar nos pavilhões. Por isso é caso e tempo de o poder político entrar em ação. Há muito que as linhas vermelhas foram ultrapassadas e no século XXI não são admissíveis discursos e práticas que possam colocar pessoas em perigo. Porque é disso que se trata: as massas tendem a reagir ao terrorismo discursivo. Vem aí um FC Porto-Sporting para a Taça de Portugal e temo o pior. Isto está irrespirável."

Lukebakio...

Coletta...

Los Simpson predijeron el partido de México y Portugal. Literalmente, hoy fue esto. 🇲🇽🇵🇹

Vai ter penta no Brasileirão


"Não, este texto não pretende garantir que Cruzeiro, Vasco da Gama e Fluminense, os três atuais tetras, superados só por Palmeiras, Santos, Flamengo, Corinthians ou São Paulo em número de conquistas, vão ser campeões do Brasil.
Nem que Éverton Ribeiro, hoje no Bahia, Dudu, jogador do Atlético Mineiro, ou Tchê Tchê, médio do Vasco, os três jogadores tetracampeões em atividade na Série A, longe ainda assim das glórias santistas Pelé, Lima e Pepe, todos hexa, vão conquistar o Brasileirão. O penta de que se trata aqui tem a ver com Portugal.
Se cruzarmos os inquéritos aos adeptos realizados no início da competição e a opinião da maioria dos observadores e dos analistas com as probabilidades avançadas pelas casas de apostas, chegamos à conclusão que 38,5% acreditavam que o Flamengo seria o principal candidato à revalidação do título; outros 38,5, por sua vez, viam o Palmeiras, vice em 2025, como o campeão deste ano; 15,4% arriscavam o nome do Cruzeiro, terceiro no ano passado mas, por agora, em último da tabela; e cerca de 3% falavam no Grêmio.
Ou seja, se somarmos Fla, Verdão, Raposa e Tricolor Gaúcho, chegamos a 95,4%, de acordo com os adeptos, os observadores, os analistas, os apostadores. Logo, há fortíssimas possibilidades de ter penta no Brasileirão: pela quinta vez, um treinador português deve consagrar-se em dezembro o campeão do país.
No início da temporada — leia-se ano civil — eram pouco mais de 40% porque só Abel Ferreira, no favorito Palmeiras, e Luís Castro, no muito outsider Grêmio, representavam as cores nacionais no Brasileirão. Porém, nas últimas semanas, o outro super-candidato Flamengo e um dos mais consistentes outsiders apesar do começo desastroso, o Cruzeiro, também trocaram os respetivos professores brasileiros, Filipe Luís e Tite, por misters portugueses, Leonardo Jardim e Artur Jorge.
E, com isso, há então perto de 100% de hipóteses do tal quinto título porque São Paulo, Fluminense e Bahia, os que mais se aproximam por ora do topo da classificação, não parecem ter fôlego suficiente para a luta de 38 jornadas e fazer frente aos candidatíssimos Flamengo e Palmeiras.
Se um treinador português vencer então o Brasileirão 2026, vai ser a quinta conquista em oito anos. Jorge Jesus abriu as portas, pelo Mengão, em 2019, Abel fez o bis em 2022 e 2023, e o regressado Artur Jorge ganhou em 2024.
Além, claro, dos brasileiros, só esses portugueses levantaram a taça em 70 edições do Brasileirão — ou seus antecessores e equivalentes. A exceção foi o argentino Carlos Volante que treinou o campeão Bahia, mas apenas no jogo final da edição de 1959. De 2019 para cá a prova virou uma espécie de luso-brasileirão."