Irão: os impactos da guerra no futebol


"O que hoje parece ser do âmbito de uma geopolítica distante será, mais depressa do que imaginamos, uma bomba nos relvados europeus, e Portugal não terá como se esconder, muito pelo contrário.
Quando os Estados Unidos, a potência global que embarcou nesta escalada contra o Irão, se preparam para receber o próximo Mundial, a mensagem da FIFA permanece clara: o futebol continua disponível para legitimar quem projeta conflitos e instabilidade, desde que passe um cheque robusto e garanta o espetáculo, por mais grotesco que seja. Mas isso tem um preço!
Um conflito prolongado no Médio Oriente significa energia mais cara, inflação persistente, empresas a conter gastos. Menos dinheiro para patrocínios, menos margem para contratos milionários, menos folga para aventuras financeiras dos investidores habituais, quer árabes quer americanos, tanto na Premier League como na aquisição de SAD's em Portugal. Na prática: orçamentos mais curtos, folhas salariais comprimidas, transferências mais modestas. E uma Europa que se habituou a viver à boleia de capital externo, muito dele oriundo precisamente da região agora em chamas, pode descobrir, de repente, que não é sustentável sem este fluxo financeiro.
Para Portugal, a fragilidade é dupla. Por um lado, clubes estruturalmente dependentes de vendas e de receitas televisivas serão empurrados para uma austeridade ainda maior: vender mais cedo, vender mais barato, aceitar propostas de fundos e investidores cujo único critério é a rentabilidade imediata. Por outro, o fecho, ainda que parcial, da torneira do dinheiro do Golfo, e de parcerias da Liga e da FPF com as dos países do Médio Oriente, retira margem de manobra aos emblemas, atletas, técnicos e empresários, que viam nesses mercados uma tábua de salvação.
Se o futebol europeu entrar em modo defensivo, a Liga portuguesa será sempre um dos primeiros elos a ceder pela sua enorme exposição, nomeadamente à Liga Saudita.
E Israel? A sua permanência na UEFA, já de si um contorcionismo político, ganha contornos grotescos quando colocada em paralelo com a devastação regional. A normalização competitiva da seleção é dos clubes de Israel no espaço europeu (jogos, deslocações, transmissões, conferências de imprensa) funciona como uma anestesia política e mediática para o seu papel na sua esfera regional. Transforma um actor militarmente agressivo no médio oriente num “europeu como os outros”.
No entanto, esta integração artificial tem consequências práticas. Em cenário de escalada, aumentam riscos de segurança, as deslocações tornam-se mais complexas, e os jogos podem ser adiados ou deslocados. Os clubes e atletas portugueses podem ser chamados a competir num quadro marcado por alertas diplomáticos, contestação pública e dilemas éticos: é aceitável defrontar seleções ou equipas de um país que promove uma guerra aberta com os seus vizinhos enquanto se fala de “respeito pelos valores do jogo”?
O resultado final é um futebol europeu encurralado entre dependência financeira e cobardia política. Se nada mudar, Portugal continuará a jogar dentro deste tabuleiro viciado: economicamente vulnerável, moralmente amarrado a decisões alheias, desportivamente utilizado como figurante num espetáculo onde quem bombardeia também organiza Mundiais e coleciona lugares numa confederação que não é as sua. E isso, mais cedo do que tarde, acabará por se sentir não só nos balanços e nas SAD, mas na própria credibilidade do futebol no coração do público."

Anatomia de uma rutura: a neurobiologia da queda de Filipe Luís no Flamengo


"O futebol, na sua camada mais superficial, é um jogo de números e táticas. No entanto, para quem observa as dinâmicas de poder e desempenho sob a ótica do comportamento humano, a demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo revela um padrão clássico de colapso cognitivo e sistémico. A saída do técnico não é um erro de percurso isolado, mas o resultado inevitável de um ambiente onde a hubris (a soberba) e a dissonância entre a expectativa da direção e a realidade do balneário atingiram um ponto de rutura.
Como foi recentemente reportado, o processo de erosão começou muito antes do apito final. A direção do clube já manifestava questionamentos profundos, o que sinaliza um fenómeno de contágio emocional negativo dentro da estrutura decisória. Quando a cúpula de uma organização perde a confiança antes de um evento crítico, ela cria um ambiente de "stress antecipatório" que permeia o grupo. Neurocientificamente, isto compromete a performance: a pressão externa constante ativa a amígdala cerebral dos intervenientes, prejudicando o córtex pré-frontal, responsável pelas decisões racionais e estratégicas sob pressão.
O grande vilão desta narrativa, porém, parece ser o viés da soberba. O Flamengo, ao longo da última época, permitiu que uma autoconfiança desmedida se transformasse num obstáculo cognitivo. A crença de que o talento individual e o peso histórico bastariam para subjugar o Campeonato Carioca revelou-se uma falha de julgamento severa. No comportamento de alta performance, a soberba atua como uma barreira à aprendizagem; ela impede a equipa de reconhecer vulnerabilidades, criando uma zona de conforto perigosa que, quando confrontada com a realidade, gera frustração e paralisia.
O "peso do Carioca" não foi apenas desportivo, foi psicológico. O que deveria ser um processo de maturação tornou-se uma âncora de cobrança desproporcional. Filipe Luís, apesar da sua inteligência tática, viu-se preso num ecossistema onde a gestão de egos e a instabilidade política da direção sobrepuseram-se ao planeamento técnico.
Em suma, a demissão é o preço de uma fatura acumulada por erros de perceção.
O Flamengo não falhou apenas por questões de campo; falhou porque a sua estrutura não soube gerir a dopamina do sucesso passado, transformando-a numa arrogância que cegou a análise do presente. Quando a soberba domina o processo decisório, a conta chega — e, invariavelmente, é o elo mais visível da corrente que acaba por ceder."

Mourinho deu xeque-mate quando chamou Bah a jogo


"Perante as dificuldades que um excelente Gil Vicente lhe estava a colocar, o treinador do Benfica leu bem o jogo, tapou o flanco esquerdo dos galos, e manteve a sua equipa equilibrada. A vantagem de não se importar com o que os outros possam dizer...

Em vésperas de uma jornada apimentada, que acolhe a ida do Sporting a Braga e a viagem do FC Porto à Luz, o Gil Vicente-Benfica assumiu uma importância extra, por afetar diretamente as ambições de ambas as equipas, os encarnados ainda à procura do acesso direto à Champions (ou algo mais) e os galos à procura do poleiro europeu.
Há que dizer que, sem deslumbrar pela qualidade do futebol praticado, o jogo de Barcelos esteve longe de desiludir, porque durante quase toda a partida as equipas estiveram ligadas à corrente e bateram-se com intensidade. E se digo em quase toda a partida é porque o Benfica entrou sem conseguir construir jogo na primeira parte, e teve um recomeço absolutamente apático, que resultou no golo da equipa de César Peixoto.
Na metade inicial, com as equipas a apostarem em sistemas semelhantes (4x2x3x1), a estratégia dos minhotos começou por confundir o Benfica. Após um início em que criavam a primeira muralha defensiva a meio do meio-campo das águias, mantendo a equipa muito junta, os gilistas, a partir dos oito minutos, assumiram sem complexos uma pressão alta que lhes deu o controlo da partida e obrigou o Benfica a esquecer-se de que tinha meio-campo, esticando bolas na frente, difíceis para Pavlidis ou Rafa, que tinham, contudo, o condão, de evitar perdas de posse comprometedoras no primeiro terço.
O Benfica demorou mais de um quarto de hora para mostrar algum conforto e foi um lance trabalhado entre Pavlidis e Rafa (18), superiormente defendido por Lucão, que soou como toque a rebate dos encarnados. Mesmo penalizados por um duplo pivot muito abaixo das necessidades do conjunto de Mourinho – Aursnes pelas limitações físicas que eram evidentes e Barreiro por nunca ter encontrado a intensidade que fizesse dele o motor da equipa – a turma da Luz acabou por assenhorar-se das operações a partir da meia hora, graças à dinâmica de Schjelderup e Rafa, e esteve perto de marcar por duas vezes no minutos 34 - Lucão e Zé Carlos opuseram-se com brilho – mas não falhou ao minuto 35, após um canto de Aursnes e uma cabeçada ao segundo poste de António Silva.
Os encarnados estiveram, três minutos volvidos, muito perto de ampliar a vantagem, mas uma bola que embateu no peito de Pavlidis, após grande cruzamento de Dahl, fez estremecer o travessão.
Fazendo um jogo de menos a mais, o Benfica chegou com justiça ao intervalo em vantagem, mas metia-se pelos olhos dentro que o jogo continuava em aberto, sobretudo porque os gilistas se mostravam ágeis e muito apoiados nos ataques rápidos e a dupla Aursnes/Barreiro não chegava para as encomendas: se ia não vinha, e vice-versa...

Benfica apático 
Sem que César Peixoto ou Mourinho tivessem aproveitado o intervalo para mexer nas equipas, a verdade é que o segundo tempo começou sob o signo do galo: o Gil tinha mais intensidade, ganhava as segundas bolas e as bolas divididas, enquanto que o Benfica parecia que tinha tomado um Valium no descanso. Aos 50 minutos, Aursnes chegou ao fim, sendo substituído por Barrenechea, a solução mais conservadora, própria de quem não quer deitar fora a vantagem, mas no minuto seguinte, num lance pouco menos que caricato, o Gil empatou, com Héctor a fazer a bola entrar lenta, lentamente na baliza de Trubin, apanhado em contra-pé e sem argumentos, do alto dos seus dois metros, para dar a volta ao texto.
Logo a seguir, a ‘virada’ podia ter sido completa, após uma falha de marcação do Benfica num pontapé de canto (55'), que Héctor aproveitou para cabecear, obrigando Trubin à defesa da noite. A reação encarnada, que teve em Schjelderup o principal e mais inconformado protagonista, tomou forma aos 62 minutos, quando o nórdico fez a bola atravessar a face da baliza de Lucão, sem que Rafa ou Pavlidis a empurrassem para o fundo da baliza. Mas quando Peixoto e Mourinho mexeram nas equipas, aos 68 minutos, era impossível prever para que lado ia cair o jogo. Costuma dizer-se que as substituições são como os melões, só depois de abertas é que se sabe se são boas, e neste caso Mourinho ficou com a peça mais doce: Ríos (saiu Barreiro) entrou bem, dinamizou a equipa e deu coerência ao meio-campo, num regresso à dupla com Barrenechea, agora sim com pernas para andar, e Lukebakio tornou mais posicional o ataque do Benfica, que corria o risco de se perder na desgarrada. Do outro lado, Joelson e Carlos Eduardo não acrescentaram muito, embora o ala desse muito que fazer, como mais à frente se verá.
Foi já com um Benfica ‘acordado’ e regenerado com um novo motor, que Schjelderup tirou um coelho da cartola, assinando um golo de belíssimo efeito (73), com a bola a entrar de baixo para cima, ao primeiro poste.
Foi então que José Mourinho brilhou. Percebeu que tinha de travar um flanco esquerdo gilista muito incisivo (Konan/Joelson) e não foi de modas: meteu Bah (saiu Schjelderup e Lukebakio foi para a esquerda), em tese para tapar Konan, e com isso deu mais conforto a Dedic e travou as investidas mais perigosas dos donos da casa. César Peixoto ainda refrescou a equipa com Santos e Fernández, mas o Benfica estava bem organizado e ia ameaçando, especialmente com Rafa e Lukebakio, ampliar a vantagem. Konan ainda obrigou Trubin a uma defesa vistosa, mas o Benfica, que na segunda parte, em termos de estar vivo no jogo, passou do péssimo ao excelente, não deixou fugir os três preciosos pontos em disputa, que tornam ainda mais emocionantes os grandes jogos da próxima jornada."

Pavlidis em todo o lado e Schjelderup no sítio certo


"Os encarnados bateram o Gil Vicente na 24.ª jornada Liga. Prestianni foi titular, mas faltou alegria ao jogo do argentino

A figura - Andreas Schjelderup (7)
O extremo norueguês fez uma exibição adulta, na forma como garantiu perigo constante pelo corredor esquerdo e também como ajudou Dahl a defender. Aos 34 minutos Schjelderup rematou de cabeça com muito perigo e poderia ter sido feliz, não fosse o bom corte de Zé Carlos, defesa com quem travou um duelo muito interessante, perdendo e ganhando duelos ao longo do jogo. Aos 62', o extremo das águias bailou e cruzou com muito perigo, mas Rafa e Pavlidis não acreditaram e esfumou-se excelente oportunidade de golo. Schjelderup foi inconsequente em mais um par de lances até que, aos 73 minutos, novo bailado nórdico e um remate fulminante que Lucão foi incapaz de suster. Correu muito atrás dos três pontos e mereceu o grande golo e o destaque deste jogo.

(5) TrubinMostrou segurança em vários momentos, como no remate de Agustin (2'), no cabeceamento de Héctor Hernández (51') e num remate do avançado espanhol (56'), mas ficou a sensação de que poderia ter feito melhor no golo do mesmo Hernández (52') — pareceu querer antecipar e acabou por não tapar o espaço mais óbvio. Finalizou a exibição com grande defesa a remate de Konan (90') e algumas más decisões na reposição de bola com os pés.

(6) Dedic Ligado à corrente, mas com menos voltagem que o habitual. Agustin deu-lhe algum trabalho e também Luís Esteves, quando caiu na direita, mas Dedic manteve rigor defensivo. No ataque tentou o desequilíbrio, poucas vezes teve sucesso, mas lutou para fazer a diferença. Cruzou bem para Rafa tentar o remate no lance em que a bola sobrou para Schjelderup marcar golo (73').

(6) António Silva Tentou o passe longo e defendeu com competência, à exceção de um remate que Héctor Hernández fez livre de marcação (56'), parecendo na zona que caberia ao central guardar. Marcou de cabeça o primeiro golo, que deu nova alma à equipa.

(6) Otamendi Sempre no caminho da bola, pelo ar e junto à relva. Foi dos primeiros a tentar empurrar a equipa, na forma como apertou na marcação mais à frente. Falhou a marcação a Hernández, é verdade, mas o principal pecado nesse lance não foi dele, tendo sido apanhado desprevenido.

(5) DahlGanhou e perdeu duelos com Murilo e fez crescer a exibição com um bom remate (34') para defesa de Lucão e um cruzamento para Pavlidis enviar à trave (38').

(4) Leandro BarreiroSentiu dificuldades para lidar com a qualidade de Luís Esteves e a velocidade de, por exemplo, Konan. Foi dele a primeira e capital distração no lance do golo do Gil, quando deixou fugir Santi García para receber o lançamento lateral de Esteves — García depois cruzou e Héctor Hernández finalizou. Remou contra o Gil, mas muitas vezes de forma desconexa.

(4) Aursnes Sempre muito clarividente no passe e solidário na recuperação da bola, mas sem fulgor para fazer crescer a equipa, ou pernas para a segurar.

(5) Prestianni O compromisso defensivo do costume, mas desinspirado nas ações ofensivas e alguma aparente falta de alegria. Foi ele quem recuperou a bola que mais à frente permitiu a Rafa rematar com perigo (18') e se esforçou para cruzar para remate de cabeça de Schjelderup (34').

(5) Rafa Muitas vezes de costas para a baliza, teve pouca bola, ou demasiado longa. Fez um bom remate para boa defesa de Lucão (18'), mas teve pouco envolvimento e resultado.

(6) Pavlidis Baixou muito para ter bola e funcionou também como um dos melhores médios do Benfica, além do trabalho que fez na frente. Ofereceu a Rafa uma boa oportunidade (18'), teve movimentação decisiva no golo de António Silva, rematou (de peito, aos 38') à trave e lançou Schjelderup no segundo golo. Faltou mais qualidade na definição de lances de potencial perigo. E foram vários.

(5) Barrenechea Deu alguma geometria ao jogo, mas sem capacidade para mandar no meio-campo e estancar o Gil.

(5) Richard Ríos A energia e capacidade de choque que levou para campo foram importantes para ligar a equipa.

(4) LukebakioTentou deixar marca, mas não conseguiu. O drible ainda não lhe sai e teve poucos minutos de jogo para ganhar confiança e poder crescer, sobretudo porque com a entrada de Bah passou para o corredor esquerdo, onde parece menos confortável.

(5) Bah Fisicamente muito intenso, deu-se ao jogo sem constrangimento e marcou posição no flanco direito, especialmente perigoso para o Benfica."

VENHA DE LÁ O PORTO!


"Gil Vicente 1 - 2 BENFICA

Pré-jogo 1.
Provavelmente a mais difícil visita a Barcelos desde que me lembro de acompanhar o Benfica. O Gil Vicente está a fazer um campeonato de enorme qualidade, basta lembrar o magnífico jogo que fizeram na Luz - a melhor equipa nacional que por lá passou esta época.

Pré-jogo 2.
Equipa de arbitragem com a dupla João Gonçalves (árbitro) e Tiago Martins (VAR) que anulou em Braga um golo limpinho por suposta falta de Ríos completamente inventada. Assim voaram dois pontos que muita falta nos fazem agora.

Pré-jogo 3.
Não podendo jogar com o equipamento principal, gosto de ver a equipa toda de vermelho ou toda de branco.

LA LA LA
LA LA LA LA
FORÇA BENFICA
VENCE POR NÓS

00 Mourinho a optar pelo seu onze ideal, com António no lugar do Tomás e o regresso de Prestianni - ausente por castigo dos dois últimos jogos.
15 nada de especial a assinalar para além do Trubin já se ter aplicado a um bom remate de jogador do Gil, Gil que vai pressionando bem a nossa saída de bola, vai-nos criando dificuldades, é uma equipa muito bem trabalhada pelo César Peixoto
18 finalmente uma boa jogada, com perigo a sério, da nossa parte: excelente remate de primeira do Rafa para boa intervenção do redes deles, um pouco mais desviada e não teria hipóteses. A ver se tomamos conta do jogo, isto tem estado equilibrado demais para o meu coração
22 amarelo poupado ao Santi Garcia: mocada no Otamendi sem que a bola estivesse ao alcance, não se entendem os critérios deste apitador, quase de seguida marca ao Schjelderup uma falta inexistente
30 fracota meia-hora da nossa parte, várias más decisões e passes falhados na zona ofensiva, muito jogo direto, isto não está fácil
33 acordámos! Duas jogadas de golo em menos de nada, carrega, olhem lá, este centro em esforço do Prestianni foi incrível
34 já está, um-zero: AN-TÓ-NIO!!! Belo golpe de cabeça na sequência de um canto, belo regresso à titularidade, atravessa um belo momento de forma de há muitos jogos para cá
37 mais uma excelente jogada corrida dos nossos e a barra a defender um golo feito do Pavlidis - é caso para dizer: que galo!
45+1 vantagem merecida, justa, mais jogadas de golo, mais oportunidades, o Gil acabou por criar mais dificuldades para a nossa construção do que a construção deles para a nossa baliza. À luz dos números - fui espreitar o SofaScore - a nossa vantagem é também justificada.
48 Aursnes no chão, problema dos grandes para nós, é um jogador fundamental, arruma o meio-campo, vai sair
51 eles entraram com tudo e já empataram, a nossa defesa a assistir ao espetáculo num lançamento lateral, golo muito consentido, inadmissível para amadores, quanto mais para este nível
56 eles continuam em cima de nós, cantos, grande defesa de Trubin, que Benfica é este que regressou das cabines?
61 nossa senhora, ninguém mete o pé a este centro do Schjelderup, a bola correu toda a pequena área do Gil, era só empurrar, só encostar, que perdida!
72 SCHJEL-DE-RUP!!! Atravessa grande momento, grande ação individual dentro da área, nunca se sabe se vai para dentro, para o pé direito, ou para fora, para o esquerdo, o defesa defendeu dentro, ele foi por fora, pé esquerdo ao ângulo mais próximo, dois-um, lindoooo!
81 não é por nada, mas gostava de ver o jogo correr de forma mais continuada no meio-campo deles
87 agora uma entrada ao Lukebakio, bola zero, parar um contra ataque perigoso desta forma deveria dar vermelho, amarelo é pouco para este tipo de faltas
89 porra, que susto, que remate do meio da rua, que defesa do Trubin, um golo deles agora era um desastre 90 mais 4 para o sofrimento
90+4 A-CA-BOU!!! Vencer era fundamental em vésperas de receber o Porto. Campo difícil, adversário dos melhores da liga, vitória arrancada com muito esforço, muita entrega, nem sempre o melhor futebol, mas os três pontos, o mais importante, não fugiram."

O Benfica foi a Barcelos angariar fundos para a viagem ao topo da classificação virtual


"Um Benfica bipolar teve o melhor momento no final da primeira parte e passou pela pior fase no início da segunda. O Gil Vicente reagiu ao golo inaugural de António Silva, mas os encarnados reforçaram a presença no ataque. Sem uma grande quantidade de oportunidades, Schjelderup concretizou a que teve (2-1). No regresso de Prestianni ao onze inicial, existiram, como quase sempre, razões para duvidar das capacidades de sedução da equipa de José Mourinho

A mola que impulsionou o Gil Vicente para o 5º lugar da I Liga foi a coragem na aplicação da patenteada ousadia ofensiva. César Peixoto implementou uma identidade, matéria através da qual a equipa de Barcelos poderia ser reconhecida até mesmo se jogasse à paisana.
Tudo o que os gilistas têm em excesso, o Benfica tem em defeito. Tanto que, discursivamente, também existem flutuações. José Mourinho recorda o resultado quando joga mal e ganha, mas releva a exibição quando não ganha e, supostamente, joga bem. O que importam os paradoxos quando se tem uma classificação virtual feita por especialistas independentes de todas as entidades do mundo exceto do Benfica?
Não é novidade que as capacidades de sedução dos encarnados têm que ser revistas. Só ali pouco antes do intervalo, a exibição motivou algum interesse. O golo de canto de António Silva, que esteve perto de ser evitado em dois momentos por Elimbi e Buatu, deu ao Benfica uma sobranceria desajustada.
César Peixoto, inclusivamente, queixou-se da demora de Amar Dedic na execução de um lançamento junto da área técnica do Gil Vicente. Apesar do recurso a métodos deselegantes, quando a bola estava em jogo e quando não estava, o Benfica rematou à barra. Samuel Dahl, com a força do cruzamento, obrigou Pavlidis a desviá-la como se o seu peito fosse uma tábua.
Os traços de personalidade mais vincados pertenciam ao Gil Vicente. Na pujança de Ghislain Konan, os minhotos rompiam cordas. Na agilidade de Murilo, escolhiam momentos de ataque. No início da segunda parte, o Benfica foi apanhado em visita à sua realidade virtual e Luís Esteves, que tem dos pés mais respeitáveis da I Liga, fez uma reposição manual que desbloqueou o empate. O dez obreiro Santi García encontrou Héctor Hernández e a vantagem foi anulada. Trubin evitou logo de seguida o bis do espanhol.
Sem médios viris, José Mourinho montou um onze de roda baixa. Leandro Barreiro compunha a falta de centímetros com a ansiosa busca pela recuperação e tinha um viveiro de pulgas – Schjelderup, Prestianni e Rafa – nas imediações.
O tumultuoso Gianluca Prestianni praticou futebol à vista de todos pela primeira vez desde que o mundo se colocou a arrazoar quanto à culpabilidade ou inocência do argentino no caso Vinícius. A certo ponto, ignorou as incumbências que tinha à direita do ataque para interromper uma saída do Gil Vicente. Pelas medições do palmómetro, os adeptos encarnados dão razão ao jovem de 20 anos. Talvez esse tenha sido o melhor momento de um regresso discreto.
A acumulação de átomos no último terço não suscitou combinações frenéticas quando era mais necessário que elas surgissem. O Gil Vicente atolou-se no seu meio-campo, confiando no aparecimento de oportunidades para contra-atacar que não existiram. Apesar de parecerem estar a querer partir o muro com um espanador, os encarnados foram rentáveis. Dedic desencantou um cruzamento que ficou a pingar na área. Zé Carlos foi apanhado numa ilha com Schjelderup e, no um para um, o norueguês disparou para o 2-1.
Os jogos em que o Gil Vicente intervém ganham estatuto para poderem ser considerados grandes. A equipa de César Peixoto tem recursos para, frente aos candidatos ao título, dividir o encontro e apresentar-se como possível vencedor. Contra o Benfica, não foi diferente. Os períodos de domínio alternados indicaram um equilíbrio que passou despercebido ao resultado (2-1) e as águias vão para o clássico a sete pontos do FC Porto."