sábado, 28 de fevereiro de 2026

Sem cabeça!!!

Linhas...

Frame!

A Força...


"Mais de 5 mil benfiquistas no Santiago Bernabéu. Durante 90 minutos, silenciaram um estádio inteiro. Do primeiro ao último segundo. A ganhar, a empatar ou a perder. Uma paixão imune ao marcador.
Não fui a Madrid porque estou em Harvard, mas vi o jogo no campus, rodeado por pessoas de 43 nacionalidades, entre elas espanhóis e adeptos do Real Madrid. Todos impressionados com a força daquele apoio.
Os adeptos são, e sempre serão, a maior força do Benfica."

Mourinho...


"Que a “Abola” estava pelas ruas da amargura já se sabia…portanto é apenas um continuar de miséria editorial que por ali vai.
O Mourinho é o melhor treinador português de TODOS OS TEMPOS, duvido que daqui a 100 anos haja outro sequer perto daquilo que ele conquistou na carreira e daquilo que ainda tem para conquistar.
Já li e ouvi todo o tipo de barbaridades, colocar Amorim, Peixoto, Vasco Botelho, Marco Silva, De Zerbi entre outros num plano para render Mourinho no Benfica demonstra que o problema é mesmo Mourinho e a forma como ele está a moldar o grupo e a incutir a mentalidade competitiva que nos tem faltado nos últimos anos.
O nosso trajeto este ano tem sido decepcionante, no entanto, só mesmo quem está toldado pela intoxicação diária é que não observa a evolução da equipa nos últimos 2/3 meses.
Mourinho é o projeto, e podem pintar tudo das cores que quiserem mas os projetos são sempre os treinadores e mais nada.
A sua capacidade de liderança é que catapulta os clubes para os sucessos desportivos, claro que necessitam de uma equipa com capacidade e frieza a analisar o seu trabalho por trás, mas é sempre o treinador que transforma o clube para um patamar superior…se tal não fosse ninguém investia em técnicos…contratavam experts do X, Facebook e demais redes sociais…mas não, vão à procura de TREINADORES.
E Mourinho é o melhor que o dinheiro pode comprar para Benfica, quer agora quer nos próximos 10 anos!
Deixem o homem trabalhar, evoluir o grupo, dispensar e contratar quem tem de dispensar e contratar e na próxima época conversaremos!
Ponderar outra opção aí sim seria um tiro nos pés."

Benfica: eliminados pela eficácia, firmes nos princípios


"Há eliminações que se explicam com facilidade estatística. Outras exigem mais contexto. A do Benfica frente ao Real Madrid pertence à segunda categoria. No fim, o que conta é a eficácia. O Real Madrid foi mais eficaz. Concretizou melhor as oportunidades que criou. E, no futebol de alta competição, sobretudo em eliminatórias europeias, essa diferença é quase sempre decisiva.
O Benfica perdeu. Convém começar por aqui, sem rodeios nem subterfúgios. No Benfica não há vitórias morais. Não podem existir. O resultado é o que fica. A história regista quem passa, não quem se bate bem. Ainda assim, seria intelectualmente desonesto não reconhecer que o Benfica se bateu bem. Competiu. Discutiu a eliminatória. Não foi inferior em organização, nem em intensidade, nem sequer em vários momentos de domínio territorial.
Desta eliminatória há muito a analisar no plano estritamente futebolístico. A qualidade individual de alguns jogadores do Real Madrid fez a diferença em momentos-chave. A arbitragem do primeiro jogo deixou marcas evidentes no desenrolar da eliminatória. Houve decisões difíceis de compreender a este nível. Tudo isto faz parte do jogo. Deve ser discutido, analisado, escrutinado. É matéria de futebol.
O que não faz parte do futebol não deve ser tratado como se fizesse.
O racismo não é um detalhe lateral. Não é um episódio menor. Não é um excesso de fervor competitivo. É intolerável. Sempre. Em qualquer contexto. E é preciso dizê-lo sem ambiguidades.
O que aconteceu no Estádio da Luz com Vinícius Júnior é inaceitável. Houve atos e insultos racistas vindos de pessoas nas bancadas. Foram visíveis. Foram audíveis. Não há espaço para relativizações. Não há provocação que legitime um insulto racista. Não há atitude menos correta que justifique a desumanização de alguém pela cor da pele. Ponto final.
Esteve bem o Benfica ao anunciar a abertura de um inquérito interno para identificar os responsáveis e, caso se confirmem como sócios, avançar com processos disciplinares que podem culminar na expulsão. A credibilidade dos valores não se mede em comunicados inflamados, mede-se em decisões concretas.
Diferente é a situação que envolve Gianluca Prestianni. Vinícius Júnior acusou-o de lhe ter dirigido um insulto racista. Prestianni nega. Entre uma acusação feita em campo, num ambiente de enorme tensão competitiva, e a ausência de provas públicas inequívocas, há um espaço que deve ser preenchido por investigação, não por julgamento sumário.
Não consigo aceitar discursos que tentam minimizar atos racistas com base em alegadas provocações. Mas também não consigo aceitar a condenação automática de alguém apenas porque foi acusado. A presunção de inocência não é um formalismo jurídico. É um princípio civilizacional.
O presidente do Benfica veio dizer que acredita que o jogador não proferiu qualquer insulto racista, acrescentando que, se acreditasse no contrário, ou se tal se vier a provar, o jogador já não seria jogador do Benfica ou deixará de o ser. É uma posição clara: tolerância zero ao racismo.
As duas situações são distintas. Ambas graves, mas diferentes. Numa há evidência objetiva de insultos racistas vindos das bancadas. Noutra há uma acusação que precisa de ser apurada com rigor. Defender uma investigação séria não é desvalorizar a palavra de ninguém. É garantir que a luta contra o racismo é conduzida com firmeza, mas também com responsabilidade.
A luta contra o racismo não se faz com folclore, nem com comunicados apressados de organizações que tantas vezes reagem mais depressa do que investigam. Faz-se com medidas, com sanções quando há prova, com pedagogia e com coerência. O racismo é intolerável. Mas a condenação sem prova clara também corrói os fundamentos que se pretendem defender.
Fechado este capítulo, regressamos ao futebol.
A eliminatória foi decidida por detalhes. Pela qualidade individual de quem resolve em dois ou três lances. Pela eficácia. E também por uma arbitragem no primeiro jogo que condicionou momentos relevantes. Não vale a pena fingir que isso não existiu. Existiu.
Mas esta eliminatória mostrou uma evolução evidente da equipa do Benfica. A recuperação de jogadores lesionados trouxe estabilidade e soluções. As contratações de inverno acrescentaram profundidade. A subida de rendimento de alguns elementos consolidou uma ideia de jogo mais consistente. Hoje, o Benfica não depende exclusivamente do seu onze inicial. Tem banco. Tem alternativas de qualidade semelhante. Tem margem de gestão.
Isso não significa que esteja tudo feito. Significa que o caminho que está a ser seguido está correto. Não há necessidade de revoluções permanentes, nem de alterações estruturais precipitadas num futuro próximo. A tentação de começar de novo a cada época é grande. Mas raramente produz estabilidade.
O Benfica caiu perante o Real Madrid porque, do outro lado, estava uma equipa com jogadores capazes de decidir em segundos aquilo que outros constroem durante minutos. Isso não diminui o que foi feito. Mas também não o transforma em algo que não foi.
Perder faz parte do futebol. O que não pode fazer parte é a perda de identidade. E nisso, nesta eliminatória, o Benfica não falhou. Competiu. Respondeu. Não se encolheu.
Agora é manter o rumo. Sem euforias quando se ganha. Sem dramatismos estruturais quando se perde. Com a mesma exigência de sempre. No Benfica não há vitórias morais. Mas também não há derrotas que apaguem o caminho quando ele está a ser bem trilhado."

Mourinho e uma metamorfose ainda incompleta


"Durante anos, José Mourinho combateu tudo e todos. Agora, a luta parece ser interior. Entre arrojo renovado e influência recuperada, há ainda limitações por superar E se José Mourinho for a solução para José Mourinho?

E se o que estamos a ver é o técnico a contrariar finalmente a sua pior versão, a escrever ele mesmo a antítese para a tese que o tem deixado obcecado, por concluir, desde Madrid? Esse anti-guardiolismo que sempre lhe fez mal. Depois de talvez ter sempre precisado de um inimigo, funcionado melhor em confronto, pode ter-se reencontrado no conflito interno.
É Mou tão especial que só mesmo ele nos deixaria a argumentar com o nosso próprio intelecto. Advogado no hemisfério esquerdo a apontar para o do direito, ambos de preto e farta cabeleira branca, amarelada com o tempo, enquanto a datilógrafa escreve cada pró e cada contra que, no fim, possam validar uma opinião definitiva, o que quer que isso seja. Quase uma sentença.
Mourinho tem tantas dimensões que parece quase impossível não cair no mesmo erro dos que o idolatram. Porque pode ser o bom ou o mau, ambos ao mesmo tempo ou nenhum deles. Deixa-nos sempre na dúvida, mesmo que tenhamos a certeza. É tão genial, como às vezes parece vazio. Tão arrasador como às vezes se deixa arrasar. Mas nos últimos tempos, algo mudou.
Não são só dois ou três jogos na UEFA Champions League ou uma maior solidez na Liga, ainda que esteja por derrotar o primeiro grande rival. É, parece-me, a evolução. Talvez tenha sido rota de fuga diante de tantos lesionados, mas, mesmo assim, entre outras opções, mais conservadoras, escolheu a inesperada, a mais ofensiva, aquela em que o resto do mundo talvez mais acreditasse e tem-na mantido mesmo agora, quando poderia inverter novamente o sentido.
É isso, porém, não apenas isso. Havia algo que me parecia inevitavelmente perdido. A capacidade de elevar o estado mental dos seus jogadores a ponto de acreditarem ser de classe mundial, como fez no passado com tantos nomes. Talvez tenha exagerado com Otamendi e Tomás Araújo ainda precise de resolver os duelos à primeira para poder ser considerado como tal, mas o que se viu no Bernabéu foi uma equipa psicologicamente preparada. Ainda que tenha perdido. Que não se tenha conseguido transcender em toda a plenitude. A mensagem esteve sempre lá, como esteve no 4-2 na Luz e até na derrota da primeira mão do play-off. O técnico terá reencontrado a ligação direta para a cabeça dos seus jogadores.
Depois, estrategicamente, voltou a provar que ainda tem a leitura de um Kasparov se o relvado fosse um tabuleiro de xadrez. Richard Ríos nos meios-espaços interiores, baralhou os merengues a ponto de Arbeloa ter de reagir com a troca posicional de Carreras por Camavinga. O colombiano abriu o caminho para o primeiro golo e para o que poderia ter sido a remontada à portuguesa.
Será isso suficiente para Rui Costa deixar sair um «Mourinho continua na própria época»? Não sabemos quando o presidente tomou a decisão, até pode ter sido ali, naquele momento, quando questionado pelo jornalista espanhol. E, sobretudo, o racional. Como se costuma navegar à vista na Luz, calculo que não haja projeto. Mourinho é o Ho’dor que na Guerra dos Tronos bloqueia a porta aos inimigos até que o que lhe mandam fazer (Hold the Door) se torna o seu nome. E não espantará ninguém se for mesmo todo o projeto.
No entanto, sem um rumo e o apoio de uma liderança, que prima pela constante ausência, estará mais perto de ganhar do que este ano, mesmo se subtrairmos o tempo que levou a consolidar o modelo encarnado?
E mesmo com a recuperação desse tempo, será este Mourinho dos dois extremos e outros tantos avançados detentor da chave do sucesso para uma maratona como a Liga? Onde o metro quadrado se vende mais caro do que em Madrid. Onde o ataque posicional é fundamental para ultrapassar blocos baixos e nem sempre há espaço para as acelerações de Rafa e companhia. Onde dominar através da posse é, muitas vezes, fundamental para se ter sucesso.
Tatuou os últimos sucessos no ombro direito. Foram provas a eliminar – UEFA Europa League e UEFA Conference League — e, mesmo com maior pujança no último terço, o modelo que está a implementar até inclinou ainda mais recentemente para a transição ofensiva com a introdução de Rafa em vez de Sudakov. Falta, portanto, uma ou duas camadas a esta equipa.
É verdade que os adeptos podem levantar a ideia de que tanto o FC Porto de Francesco Farioli como o Sporting de Rui Borges não são igualmente grandes especialistas quando lhes tapam os caminhos para a baliza, mas têm resolvido melhor os problemas que lhes aparecem pela frente — basta olhar para a classificação — e é o Benfica quem tem de encurtar distâncias. E isso só se faz com outro tipo de jogadores no onze, seja na defesa, onde tudo começa quando se constrói a partir daí, ou no coração do meio-campo e até na alimentação do ataque e na forma como os mais adiantados se associam com os restantes.
O mercado de janeiro mostrou a todos que Mourinho quer aceleração (e também outro tipo de finalizadores e de extremos, mais verticais) em vez de pensamento e criatividade. Só que não basta correr mais rápido do que os adversários ou ter mais altura na área, com cruzamentos a saírem de ambos os flancos, para se vencer sempre.
É aqui que a antítese ainda continua a falhar. Mourinho já joga com um maior número de armas para ferir os rivais, porém, exceto quando ele próximo adiciona complexidade através da estratégia, e isso acontece sobretudo para aproveitar os erros do oponente, tudo parece demasiado linear e facilmente desconstruído no ataque, assim que falta o seu maior combustível, o espaço.
Vamos acreditar que ainda não deixou o estado de crisálida. Que ainda não completou a metamorfose. Que da luta entre tese e antítese ainda sairá a mais bela das sínteses, uma que reúna finalmente a equipa com a cultura do clube, ainda que não muito vencedora nos anos mais recentes. E se encontre em campo a organização defensiva, a voracidade na transição e a criatividade no ataque associativo. Se não o conseguir, temo que volte a falhar por insuficiente."

Benfica passa a vida de 'jogo do ano' em 'jogo do ano'


"A jornada 25 tem clássicos no menu, mas o que será deles sem o que se passar nesta que começa hoje? Se calhar não é à toa que falam no famoso «jogo a jogo». Benfica sabe-o melhor que ninguém

Em agosto de 2025 já o Benfica andava a disputar jogos do ano, com o acesso à fase de liga da UEFA Champions League a constituir fator decisivo para o que se seguiria da época, inclusivamente no que respeita à maior ou menor aposta no reforço do plantel.
Uma soma relevante de resultados menos positivos nos meses seguintes colocou no caminho dos encarnados outros jogos do ano: a receção ao Sporting, as visitas ao Dragão para a Liga e para a Taça. Curiosamente, poucos diriam que José Mourinho conseguiria transformar os dois últimos desafios da primeira fase da Champions noutros jogos do ano. E seguiu em frente.
Eliminado entretanto da Taça de Portugal e da Allianz Cup — e agora da Champions, mas com sinais encorajadores — o Benfica tem-se segurado no campeonato (é bom lembrar que ainda não perdeu) e de repente parte para o último terço com excelentes possibilidades de conseguir o objetivo mínimo do segundo lugar. Depende de si próprio e, como referido, os últimos indicadores têm vindo a tornar-se cada vez mais positivos.
A questão do título, não sendo de todo impossível, é bastante mais improvável, porque isso significaria não só um resto de temporada exemplar como a queda simultânea dos dois rivais que seguem na frente. Mas a verdade é que os encarnados estão mais perto do segundo lugar do que o Sporting do título (algo que neste momento nem depende apenas do comportamento dos leões).
Dito isto, tenderá a opinião pública a olhar para a jornada 25 como tira-teimas, revelação do futuro ou aumento da incerteza, porque o Benfica recebe o FC Porto e o Sporting vai a Braga.
No entanto o Benfica, mais que os rivais, sabe que o jogo do ano pode estar sempre à espreita na próxima esquina.
Se FC Porto e Sporting vencerem hoje os respetivos compromissos em casa frente a Arouca e Estoril (o que obviamente também não é líquido), a visita encarnada a Barcelos, onde mora uma das melhores equipas nacionais, torna-se jogo do ano para se manter na luta pretendida.
Se um deles ou ambos tropeçarem torna-se jogo do ano porque permite, depois da boa exibição de Madrid, uma aproximação ou duas aproximações que há meses classificaríamos de improváveis.
É por isso que esta jornada 24 se afigura a mais decisiva de todas… até à seguinte. Há um lugar-comum dos treinadores e dos jogadores que falam no «jogo a jogo». Mas também não há lugares comuns sem algum fundo de lógica. Todos o sabem, o Benfica desta época sabe-o ainda melhor."

Agenda preenchida


"A atualidade benfiquista na BNews.

1. Calendário
O jogo entre Benfica e FC Porto da 25.ª jornada da Liga Betclic está agendado para o próximo 8 de março, às 18h00, no Estádio da Luz.

2. Comunicado oficial
O Sport Lisboa e Benfica "desmente de forma categórica que o jogador Prestianni tenha comunicado ao plantel ou à estrutura do Clube ter proferido um insulto racista ao jogador Vinicius Jr, do Real Madrid".

3. Bastidores de uma goleada
Veja imagens exclusivas dos bastidores do Benfica-AZ Alkmaar (6-2) dos oitavos de final da UEFA Youth League.

4. Vitória em dérbi
O Benfica ganhou por 4-3 ao Sporting na 7.ª jornada da WSE Champions League de hóquei em patins e assegurou a presença na final eight da competição.

5. Agenda para o fim de semana
Sábado: No futebol de formação, os Sub-23 jogam em Famalicão às 15h00 e os Juniores atuam no reduto do Gil Vicente às 11h00; na Luz há jogo de futsal entre Benfica e Fundão (19h00); em andebol, receção ao ABC (15h00) e, em voleibol, deslocação ao Castêlo da Maia (19h00); a equipa feminina de hóquei em patins visita o CP Manlleu (16h00).
Domingo: A Equipa B visita o Penafiel (18h00); os Juvenis recebem o Sporting às 11h30 e os Iniciados são anfitriões do Braga (11h00); nos masculinos (hóquei em patins), o Benfica desloca-se ao Riba d'Ave (18h30); as equipas femininas de basquetebol, futsal e voleibol jogam respetivamente, no pavilhão do União Sportiva (15h15), na Luz com o Leões Porto Salvo (20h00) e em Braga (15h00).

6. Convocatória
As basquetebolistas do Benfica Joana Soeiro e Maria João Bettencourt estão convocadas pela Seleção Nacional.

7. Protagonista
A andebolista Duda é a entrevistada da semana.

8. Reconhecimento noticia destaque
No âmbito de uma prática habitual no Benfica Campus, estão entregues os diplomas de mérito escolar e social relativos ao 1.º semestre de 2025/26.

9. Campo de férias Judo
Estão abertas as inscrições.

10. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV."

Gondomar: da despromoção no Apito Dourado à reintegração na II Liga


"O regresso do Gondomar SC à II Liga não é uma promoção desportiva: é a consequência jurídica da anulação de uma despromoção decidida há quase duas décadas.
Em 2009, no âmbito do processo disciplinar conhecido como «Apito Dourado», o Gondomar SC foi despromovido quando disputava a então Liga de Honra - a atual II Liga. A decisão teve impacto imediato na sua posição competitiva e marcou profundamente o percurso do clube.
Anos depois, essa decisão foi objeto de apreciação pelos órgãos de justiça desportiva e pelos tribunais judiciais. Com a sua anulação, impôs-se uma questão inevitável: como executar hoje uma decisão que reconhece que a despromoção foi indevida?
O Regulamento das Competições da Liga Portugal prevê expressamente este cenário. Quando uma decisão judicial determina a integração de um clube numa competição profissional, essa integração ocorre na segunda época desportiva seguinte ao trânsito em julgado da decisão.
No caso do Gondomar SC, isso significa que o clube será reintegrado na II Liga na época desportiva 2026/2027 - precisamente a competição que disputava à data da despromoção.
O mecanismo adotado não passa por alterar classificações passadas nem por retirar retroativamente a vaga a outro clube. A solução regulamentar é diferente: cria-se uma vaga adicional na competição, que será preenchida pelo clube reintegrado.
Naturalmente, esse alargamento excecional exige ajustamentos. No final da época em que ocorre essa integração, descem três clubes à competição não profissional, permitindo que o sistema regresse ao número habitual de participantes na época seguinte. O equilíbrio é preservado através do ajustamento das descidas, e não pela eliminação de direitos entretanto consolidados por terceiros.
Importa ainda esclarecer que a reintegração não é automática. O clube continua obrigado a apresentar candidatura e a cumprir todos os requisitos financeiros, infraestruturais e regulamentares exigidos aos demais participantes nas competições profissionais. A decisão judicial reconhece o direito à integração; a participação exige conformidade regulamentar.
Este caso demonstra que o tempo da justiça raramente coincide com o tempo do futebol, que a estabilidade das competições não pode servir de escudo para manter decisões juridicamente inválidas, mas que a execução da justiça também não pode ignorar a realidade organizativa do futebol profissional.
O regresso do Gondomar SC à II Liga é, acima de tudo, a execução tardia de uma decisão que altera a história competitiva do clube."