terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Voleibol, basquetebol, andebol e hóquei: está na hora de jogar em equipa
"Em Portugal há, pelo menos, quatro modalidades que vivem no mesmo habitat competitivo, partilham os mesmos pavilhões, disputam a mesma atenção do público e das marcas e, ainda assim, continuam a agir como projetos totalmente separados: voleibol, basquetebol, andebol e hóquei em patins.
Todas têm massa crítica suficiente para criar um produto conjunto robusto e, em simultâneo, nenhuma tem escala individual para competir sozinha com o futebol ou com o entretenimento digital. Segundo o INE, o voleibol conta com cerca de 60 mil federados, o andebol com 50 mil, o basquetebol com 30 mil e o hóquei em patins com quase 10 mil. Somadas, estas quatro modalidades de pavilhão, representam perto de 150 mil praticantes federados.
Estes números mostram uma base de praticantes e adeptos suficiente para uma proposta comercial integrada, com calendário coordenado, direitos agrupados, ticketing conjunto e uma plataforma de CRM única para conhecer e ativar adeptos ao longo do ano.
O diagnóstico dos líderes federativos é inequívoco: faltam infraestruturas, o parque existente está envelhecido e a “rutura de espaços de pavilhão” impede responder à procura — no voleibol, por exemplo, o crescimento feminino tem sido “fora do normal” e os clubes já não conseguem acolher todas as atletas; no andebol e no hóquei em patins, a competição nacional continua a ser de excelência, mas esbarra na disponibilidade de horários e condições.
Esta é uma dor comum às quatro federações e, por isso mesmo, um motivo para trabalharem juntas: uma carteira de pavilhões partilhada, com padrões técnicos harmonizados e planeamento central de datas, reduziria conflitos, aumentaria a ocupação útil, melhoraria a experiência do espetador e libertaria mais horas-prime para transmissões e ativações.
Também no patrocínio o caminho é evidente. O andebol consolidou um naming de longo curso com o Placard, que hoje dá nome ao campeonato, à Taça e à Supertaça Ibérica; o hóquei em patins renovou igualmente com o Placard e reforçou o fornecimento técnico com a Azemad; o voleibol atraiu a Solverde.pt para a Liga feminina e para a Seleção, acompanhando a evolução competitiva e mediática da modalidade.
Se cada federação já consegue contratos relevantes sozinha, um pacote intermodalidades — com presença cruzada em pavilhão, televisão e digital, momentos 'festival' e uma narrativa conjunta de desporto de pavilhão — teria maior valor incremental para as marcas, sobretudo para categorias que procuram continuidade e frequência (retalho alimentar, telecomunicações, banca, energia ou o gaming regulado).
Com alguma criatividade podemos pensar em várias soluções. Imaginem a 'Liga dos Pavilhões': oito fins-de-semana por época, com jornadas temáticas que rodassem entre capitais de distrito, um bilhete único diário, um 'passe família' e uma grelha televisiva coordenada para que o adepto pudesse ver, no mesmo dia, dois jogos de modalidades diferentes com uma só experiência de recinto.
O ticketing seria centralizado e dinâmico, com preços que respondessem à procura em tempo real e com um projeto que combinasse lugares, merchandising e experiências de proximidade (clínicas com atletas, visitas guiadas, meet & greet com técnicos e atletas). No digital, uma app única permitiria acumular pontos, trocar por vantagens e construir um perfil de consumo que as federações partilhariam entre si, respeitando a privacidade, para personalizar comunicação e ofertas. O resultado esperado seria simples: mais lotações em jogos médios, melhor conversão dos jogos grandes e uma redução dos custos unitários de aquisição de público.
No plano de conteúdos, há um espaço óbvio a ocupar: programação semanal com highlights multi-modalidades, narrativas cruzadas de atletas e treinadores, estatísticas visuais e formatos curtos para redes sociais que expliquem regras, táticas e protagonistas. O basquetebol tem hoje uma janela internacional rara, com as seleções em fase final europeia e um português a competir na NBA; o andebol vem de um ciclo de resultados que elevou a perceção do produto; o hóquei em patins mantém um campeonato de referência; e o voleibol feminino cresceu de forma acelerada e tem procura latente por espaços e competições.
Para fechar o círculo, as quatro federações podem alinhar-se em três frentes de eficiência. Primeiro, compras e operações: centralizar a contratação de segurança, bilhética, produção televisiva, pisos e equipamentos homologados baixa custos e eleva padrões. Segundo, dados e medição: um painel único de audiências, assistências e retorno por patrocinador, com acesso partilhado e governança clara, permitiria transformar o patrocínio de visibilidade em patrocínio de performance. Terceiro, calendário e desenvolvimento: encontros semestrais com Ligas, autarquias e tutela para planear janelas, candidaturas conjuntas a eventos internacionais e requalificações de pavilhões com financiamentos europeus e municipais.
O desporto de pavilhão português tem tudo para dar um salto — massa crítica de praticantes, história, rivalidades, talento exportável e campeonatos competitivos — mas continua a vender-se em pacotes pequenos, desencontrados e com custos de estrutura redundantes.
Se voleibol, basquetebol, andebol e hóquei em patins se sentarem à mesma mesa e tratarem adeptos e marcas como um ecossistema comum, passarão de quatro produtos bons a um produto irresistível. O país precisa de mais gente nos pavilhões; as federações precisam de mais receita previsível; as marcas querem mais eficiência; e as autarquias necessitam de projetos que deem vida aos equipamentos.
Quando o todo vale mais do que a soma das partes, a estratégia é óbvia: trabalhar em conjunto e transformar as modalidades de pavilhão num verdadeiro negócio integrado — com calendário inteligente, bilhete único, conteúdos modernos e métricas que provem aquilo que já intuíamos há muito tempo: em Portugal, o pavilhão pode ser a casa mais valiosa do nosso desporto."
Três pontos merecidos
"Nesta edição da BNews, o destaque é o triunfo do Benfica, por 2-1, ante o Alverca, não obstante terem ficado três penáltis por assinalar.
1. Vitória importante
José Mourinho enaltece a exibição, lamenta os golos por concretizar e salienta a relevância da vitória: "Jogamos bem, criamos muito e marcamos pouco. Mas pronto, conseguimos fazer o segundo golo pelo miúdo [Anísio Cabral] e 3 pontos. Mais do que decisivos, superdecisivos para a nossa esperança de chegar mais acima."
2. Área. Falta. Segue.
Três lances onde ficaram penáltis por assinalar.
3. Apoio imprescindível
Anísio Cabral partilha o que sente por mais um golo apontado: "É um sentimento inesquecível poder marcar pelo clube do meu coração. O apoio dos adeptos dá-me sempre vontade de continuar a trabalhar, vontade de vir aqui e ir para cima deles."
4. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os dois golos marcados pelo Benfica ao Alverca.
5. Título europeu revalidado
O Benfica é bicampeão europeu de corta-mato em estafeta mista.
6. Chuva de golos
Em futebol no feminino, o Benfica ganhou, por 5-1, ante o Vitória SC.
7. Outros resultados
Em hóquei em patins, vitória benfiquista ante o Valongo (5-1). Em futsal, goleada infligida ao CS São João (12-1). As equipas femininas de andebol e de voleibol também ganharam, respetivamente nos redutos de Batalha AC (20-40) e de Esmoriz (0-3).
No futebol de formação, os Sub-23 ganharam por 2-1 ao Braga e os Iniciados venceram por 3-1 ao Paços de Ferreira.
8. Jogo do dia
A Equipa B do Benfica visita o Portimonense às 18h00.
9. Comunicado oficial
Conheça a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica sobre o que considera ser "as falsas acusações da Associação Artística de Avanca relativamente ao jogo referente aos 16 avos de final da Taça de Portugal de andebol".
10. Campeões regionais
No hóquei em patins, os Sub-15 do Benfica conquistaram o título regional."
Anísio salvou o Benfica com a sua lua-de-mel na Luz
"Em noite chuvosa e entre tempestades, o Benfica venceu (2-1) o Alverca procurando sempre os mesmos três nos ataques e viciando-se em cruzamentos. Eram tantos que Mourinho lançou Anísio Cabral, o campeão mundial de sub-17, para a área. Ao segundo jogo pela equipa principal, outra vez ao primeiro toque que deu na bola e no minuto seguinte a entrar em campo, o adolescente marcou
Aquela noite na Luz, épica e lendária, deu ao alento do Benfica uns propulsores dignos de foguetões da NASA. Tal foi a descarga hormonal de serotonina e dopamina que os neurotransmissores de qualquer adepto, arrisco dizer, benfiquista ou não, haveria de retumbar num baixio inevitável: seria impossível que uns ânimos assim, uns contornos heroicos daqueles, uns planetas alinhados com régua esperassem hermeticamente no estádio pelo regresso da equipa, entretanto, ida a Tondela para um empate a lembrar que as coisas mudam num instante.
Vieram tempestades, foram-se a Ingrid, a Kristin, a Marta, e os jogadores do Benfica entraram no campo molhado para flanquearem o Alverca. Insistiram os encarnados em carrilar o jogo, os centrais a ignorarem um Leandro Barreiro formatado com outras pré-definições e um Fredrik Aursnes fiável para fazerem a bola chegar com pressa à recente inspiração encontrada nas alas. Pouco merecedores de destaque até há bem pouco tempo, a equipa assentou desde cedo na procura de Prestianni e Schjelderup.
Do norueguês veio o primeiro remate oriundo da primeira boa ideia, ao tabelar na esquerda com o calcanhar sedoso de Rafa. As mãos de Matheus Mendes negaram-lhe um festejo. O primeiro golo teria Prestianni, do lado oposto, esperto a posicionar-se atrás da pressão dos ribatejanos mal perderam a bola, para receber um passe e soltar em Rafa. A trivela do recém-chegado retornado também encontrou as manápulas do guarda-redes do Alverca, mas um norueguês prolongou a sua lua-de-mel com a Luz: na recarca, Schjelderup juntou um golo (16’) aos dois que fez contra o Real Madrid.
Festejou-se com banho de chuva, as gargantas dos adeptos ainda quentes da reverberação de há quase duas semanas também muito por causa do norueguês baby-faced. E o Benfica, a ganhar, não abrandou. Rafa acelerava-se com qualquer bola que recebia, absoluto contraste com a pausa de Sudakov, o habitual ocupante do lugar que o via do banco. O entusiasmo de Sydney Lopes Cabral fê-lo rematar de longe, da direita e com o pé esquerdo, demonstrador da sua ambidestria. Otamendi animava-se para se juntar a contra-ataques. O Benfica tinha pressa em vez de controlo.
Já depois de cruzar uma bola venenosa, Chiquinho recebeu outra perto da linha do meio-campo, o dócil Sydney nas suas costas. Despachou o lateral quando este se encostou às suas costas, correu pelo arraial de espaço vago na metade do Benfica, lançou Marezi pela esquerda e o Alverca empatou (30’) com Figueiredo a emendar o passe do sérvio. Com dois passes os ribatejanos fizeram o golo.
Faltava calma ao Benfica com a bola, demasiado impetuoso a lançar-se em ataques, apressado a colocar passes em Prestianni, Schjelderup e Rafa para eles decidirem a jogada. O Alverca concedia metros e baixava as linhas, defendia-se junto à sua baliza de modo a forçar situações de campo aberto para as suas gazelas quando recuperasse a bola que recebia dos encarnados pouca paciência. Era uma opção conspirativa para abrir pradarias no relvado da Luz. Até ao intervalo, só um remate à distância de Vangelis Pavlidis no meio da velocidade única a que o Benfica jogava.
O ímpeto ficou na mesma equipa que continou a ter os cruzamentos frequentes de Lopes Cabral para um subtil Rafa desviar um deles contra o poste esquerdo. Depois foi ele próprio a assumir uma jogada e à boca da área rematar a bola que sobrevoou a barra por um palmo, maior do que a polegada a separar o cabeceamento de Pavlidis do mesmo ferro. O grego fora descoberto por um radar cruzado pela chuteira de Aursnes. Era assim, a cruzar incessantemente, que o Benfica se fazia ao Alverca.
Teve um pequeno salsifré que se instalar na Luz para os encarnados ligarem uma jogada pensada entre os seus três mais perigosos, mas seria a única. Após os assobios-mil face a um golo anulado a Pavlidis por a bola tocar no braço maroto do grego antes de desviar no seu peito, vinda do artimanhas Schjelderup, e de José Mourinho ver um cartão amarelo ao refilar com o árbitro por um penálti não assinalado sobre Rafa, os encarnados destabilizaram-se. Prestianni ainda se juntou aos dois citados para obrigar Matheus Mendes a uma parada complicada, depois a equipa mirrou no critério a atacar. O Alverca já só defendia.
Com o adversário encostado atrás, a primeira cartada de Mourinho foi tirar Sydney, mover Aursnes para lateral direito e lançar Sudakov para ser um médio, não um 10. Fazia sentido colocar um cérebro pensador no núcleo das jogadas, alguém que acalmasse a equipa no meio da pressa. Mas o Benfica manteve a tendência de pôr a correr o seu triunvirato, estava viciado, mal se reparava em Pavlidis, os seus apoios frontais como rotunda para os ataques em parte incerta enquanto Prestianni entrava na área e rematava em cheio na testa do guarda-redes.
Bruma e Anísio Cabral seguiram-se. Restavam cinco minutos. Era o treinador encarnado a acrescentar um cruzador à faixa e um corpo à área que tantas bolas recebia, se não fosse pela pontaria dos tantos cruzamentos ao menos a equipa piscava o olho às probabilidades - mais um avançado, mais um alvo.
E não era um qualquer, mas um muito magnético adolescente, só pode. Tão pintado de fresco com a tinta de campeão mundial de sub-17 com Portugal, ainda mais recentemente a Luz o vira entrar em campo aos 83 minutos contra o Estrela da Amadora e a marcar no minuto seguinte, ao primeiro toque na bola. Foi com a mesma cabeça triunfal, gravítica no poder de atração, que desviou o cruzamento de Samuel Dahl outra vez no seu contacto inaugural com a bola, uma cabeçada triunfal.
O miúdo celebrou com personalidade, doidivanas com moderação, a equipa rodeou-o e houve quem se mostrasse mais estupefacto do que Anísio, salvador de um Benfica que José Mourinho nem um minuto demorou a cerrar com mais um defesa central (António Silva) posto em campo. A vitória não fugiu, nem a história de outra noite efusiva na Luz, menos calórica em apoteoses, mas talvez mais simbólica para o longo-prazo.
Não havia Seixal em 1999, quando um desconhecido Pepa saiu do banco e se estreou a marcar à primeira intervenção no jogo, um episódio encantador com um rapaz da formação que o atravancou de expetativas auspiciosas. Faria carreira longe da Luz. Hoje há o Seixal onde cresceu Anísio, um Pepa 2.0, ou duplicador na proeza de aos 17 anos, a uma semana dos 18, ter entrado em dois jogos da equipa principal e em ambos ter marcado no minuto seguinte. Só se falará dele amanhã, em que há um FC Porto-Sporting onde o seu golo garantiu que haverá algum proveito para este Benfica volumoso em jogo ofensivo, muito rematador (29), mas nem sempre amigo do discernimento.
Não importa, nestes filmes já se sabe: durante dias o tema será a lua-de-mel de um menino bonito com a Luz."
CONTRA TUDO E CONTRA TODOS
"BENFICA 2 - 1 Alverca
> alguém compreende um jogo às 20h30 em domingo de inverno? O Braga não começou às 18h00? Alguém se preocupa com os adeptos? Amanhã não é dia de trabalho? Não vêm muitos Benfiquistas de longe?
> semana de muita água, de cheias, tarde de domingo de chuva, foi aumentando à medida que me dirigia para o estádio, será um duro teste ao relvado da Luz, já veremos como se comporta com o decorrer do jogo
LA LA LA LA
LA LA LA LA
1904 - 1904
00 Rafa, no onze, Sudakov no banco, Dedic em gestão, Banjaqui constipado, Sidny na latetal direita, Tomás no lugar do António, vamos a eles!
02 primeira jogada a deixar água na minha boca, envolvimento coletivo, Rafa a assistir de calcanhar, Schjelderup a obrigar a defesa apertada do redes
07 o Otamendi parece que comeu espinafres ao almoço, já vai no segundo passe com força excessiva
15 grande trivela de Rafa, redes estica-se todo para defender, SCHJEL-DE-RUP fácil na recarga: um-zero! Espera lá que o VAR está à procura de qualquer coisa, connosco o VAR demora sempre a validar os golos
19 calafrio na nossa área, nada de dormir na forma, rapaziada
25 Sidny a aquecer as luvas do redes, belo remate de pé esquerdo, gosto do atrevimento, é reforço de janeiro e parece que já cá anda há muito
29 Sidny comido a defender, autoestrada aberta sem portagem, está lá dentro: um-um. Cada vez chove mais
32 como é que o apitador não vê este empurrão sobre o Schjelderup? E o VAR? O VAR também não vê nada?
35 o 9 deles é bom, matulão, trata bem a bola
37 jarda do Pavlidis de fora da área a dar o mote: não dá para rematar dentro, remata-se de fora, crl, temos vários bons rematadores
45+1 o Dahl tem que afinar a mira dos passes longos. E o Barreiro acelerar a tomada de decisão
46 toca a acelerar!
49 desvio à Rafa no primeiro poste, estava lá o segundo a evitar o golo. Novamente Rafa, agora por cima da barra. E agora Sidny a rasar o poste esquerdo
55 como é que falhas esta assistência do Aursnes, Vangelis? Era golo cantado, crl
57 assim, sim: pressão, sufoco, oportunidades, só falta o golo, continuar a carregar
59 tinha que ser, cheirava a golo por todos os lados. Dois-um, PA-VLI-DIIIIIIIIS! Olha, o VARgonha conseguiu anular isto? Qual a razão?
65 apitador aos papéis, jogo estragado, lances de dúvida na área do Alverca, amarelos para os nossos, Mourinho incluído, a nossa arbitragem é um desastre, este está abaixo de cão
73 e continuamos a falhar oportunidades, há pouco uma cabeçada do Otamendi, agora o Rafa com o pé direito, o que estava mais à mão, mandou para o terceiro anel
75 nossa senhora, que jogada do Prestianni, como é que o redes defendeu isto? Com a cara? Só contra nós...
49.311 heróis nas bancadas
80 o tempo a passar...
85 A-NÍ-SIO!!! Entrou - marcou!!! A minha vasta experiência de treinador de bancada diz-me que este miúdo é craque a valer
90 como é que esta comédia vestida de preto só dá 6 minutos nesta segunda parte? Vá que estamos a ganhar. Em Tondela foram 5.
90+6 ponto final parágrafo, vitória contra tudo e contra o árbitro, contra todos, portanto. Era tão injusto e tão contra a verdade desportiva não ganharmos este jogo. O Benfica não pode ficar calado.
Parabéns aos responsáveis pela relva da Catedral, com tanta água em cima durante tantos dias, esteve para lá de boa para as circunstâncias."
Anísio, o toque de Midas que transforma em ouro
"O jogo estava difícil, o Benfica lutava contra o Alverca e contra os nervos que a arbitragem estava a provocar em jogadores, técnicos e adeptos, quando um miúdo de 17 anos entrou e, como se fosse a coisa mais simples do mundo, meteu a bola dentro da baliza ribatejana. Em grande estilo, ainda por cima...
Melhor em campo: Anísio Cabral (8)
Foi, sem dúvida, a figura deste Benfica-Alverca. Em primeiro lugar porque resolveu o jogo. Depois porque fê-lo na primeira vez em que tocou na bola, executando com maestria, sob marcação, um cabeceamento difícil, após cruzamento da esquerda de Samuel Dahl. Anísio, depois de ter marcado ao Estrela da Amadora, quando os encarnados já estavam na frente por 3-1, com a vitória garantida, um belo golo, foi desta feita chamado por Mourinho para a fogueira que ardia com labaredas altas, em que se transformara a receção dos encarnados ao Alverca. O ‘Special One’ deu-lhe a responsabilidade de resolver o jogo e o miúdo de 17 anos não desiludiu o ‘mister’. Ficou ainda a certeza de que o Benfica, contra equipas muito fechadas, precisa de dois pontas-de-lança. O golo salvador surgiu quando Pavlidis e Anísio estavam em campo em simultâneo.
5 Trubin — Sem culpas no golo dos ribatejanos, o guarda-redes ucraniano esteve bem no que fez, quer a segurar remates de meia-distância, que a lançar longo com o pé e a mão ou a mandar no jogo aéreo. Apenas um passe de risco para Sidny, aos 19 minutos.
4 Sidny — Joga muito bem, dá tudo o que tem, possui uma excelente meia-distância e colocou tudo isto ao serviço do Benfica, frente ao Alverca. Faltou-lhe, contudo, lembrar-se que a primeira missão de um defesa é defender e deixou demasiadas vezes desguarnecido o seu setor, incluindo o lance que deu o golo dos forasteiros.
6 Tomás Araújo — Sempre certo, com bom timing a desarmar, e com velocidade para dar profundidade à defesa encarnada. Ensaiou alguns passes longos, uma das suas especialidades.
6 Otamendi — Mais uma noite em que foi o patrão do Benfica, rigoroso nos cortes (aos 20 minutos tirou o pão da boca ao Alverca) e a arrastar dois defensores contrários nos lances de bola parada a favor do Benfica. Num deles, aos 67 minutos, subiu ao terceiro andar mas o cabeceamento saiu ao lado.
6 Dahl — O defesa sueco fez um jogo de menos a mais. Começou demasiado hesitante, executando cruzamentos que foram peras-doces para os defensores ribatejanos. Com pouca iniciativa, deixou as principais despesas do ataque para Schjelderup. À medida que a partida foi caminhando para o fim, mostrou-se mais confiante e arrancou um belíssimo cruzamento no lance do golo de Anísio.
7 Aursnes — O canivete-suíço do Benfica fez um jogo muito competente, que teve nota artística em dois passes, aos 29 e 55 minutos, para Prestianni e Pavlidis, que os desaproveitaram. Recuperador de bolas e ao mesmo tempo iniciador de muitas jogadas, o norueguês teve ainda a versatilidade suficiente para derivar para lateral direito, primeiro, fazendo a seguir a ala desse lado quando António Silva se juntou a Tomás Araújo e Pavlidis.
5 Leandro Barreiro — O que lhe sobrou em luta e entrega faltou-lhe em inspiração (ou capacidade para executar alguns números mais exigentes). A equipa cresceu após a sua saída.
6 Prestianni — O jovem argentino tem tudo para vir a ser um grande jogador. Porém, ainda não o é, alternando, ao longo dos 90 minutos coisas muito boas – como a jogada em que acertou com a bola na cabeça do guarda-redes do Alverca – com jogadas em que quebra a sequência de jogo da sua equipa. No deve e no haver, o saldo é positivo, e tende a sê-lo ainda mais, assim consiga definir melhor o último passe.
6 Rafa — Um bom regresso à titularidade do Benfica, apesar de ainda não ter os 90 minutos nas pernas. Posicionou-se bem entre linhas, procurou combinações com Pavlidis, e assinou uma belíssima trivela que Schelderup aproveitou para recargar, fazendo o 1-0. Aos 48 minutos ainda fez a bola bater no poste da baliza do Alverca, numa finalização de fino recorte.
7 Schjelderup — Finalmente o jovem norueguês começa a justificar as sucessivas apostas que foram feitas nele. Tivesse o Benfica outra presença na área e das muitas situações que construiu teria saído mais alguma coisa. No golo que marcou estava no sítio certo à hora certa e teve duas jogadas (a segunda deu o golo de Pavlidis anulado pelo VAR) de primeira água. Promete.
5 Pavlidis — Não foi a noite mais inspirada do matador grego, e esse facto ficou ilustrado aos 55 minutos, quando falhou, a passe de Aursnes, um golo cantado. Quando tem de jogar entre três centrais, a vida torna-se difícil, e se procura a bola recuando ou caindo nas alas deixa o Benfica sem presença na área.
6 Sudakov — O internacional ucraniano entrou numa fase escaldante da partida e conseguiu colocar alguma ordem na casa, criando condições para o sufoco final que o Benfica deu no Alverca. Mostrou-se também útil, já depois do 2-1, a esconder a bola dos adversários.
4 Bruma — Faltou-lhe ritmo para acelerar o que o Benfica precisava. Depois da vantagem foi generoso defensivamente.
5 António Silva — Foi juntar-se a Otamendi e Tomás Araújo, garantindo segurança para a baliza de Trubin.
4 Barrenechea – Teve um trabalho essencialmente defensivo, sem conseguir soltar-se para lançar o contra-ataque."
Quem senão o miúdo a manter a águia na corrida?
"José Mourinho apostou ainda mais na vertigem, com Rafa no lugar de Sudakov, mas tanta chuva pedia discernimento e uma finalização mais cirúrgica. Anísio voltou a entrar para repetir 'acreditem na formação'
Ainda não caíra o primeiro minuto e Prestianni já tinha roubado uma bola no meio-campo ofensivo e Sidny, agora lateral na ausência de Dedic e Banjaqui, arrancado um cruzamento. Aos 2', Schjelderup desenhava a primeira diagonal, servindo-se pela primeira vez do posicionamento entre linhas que Mourinho tinha à espera de Rafa no corredor interior. O remate, no entanto, não passou o guarda-redes Mateus Mendes.
A forte entrada abrandou depois — o Alverca sentia a necessidade de reter a bola e também atacar, assentando muito no talento de Chiquinho sobre a esquerda, com Sidny exposto pela projeção junto à linha — até Prestianni voltar a dar problemas à defesa do Alverca, mais concretamente a Meupiyou, à passagem do quarto de hora. Pavlidis serviu então Aursnes, que rematou com perigo.
Na resposta, os ribatejanos foram bloqueados na saída pouco depois da linha do meio-campo. Sidny passou a Barreiro, que viu Prestianni. O argentino acelerou e colocou em Rafa, que tentou a trivela. Mateus defendeu para a frente e Schjelderup empurrou: 1-0.
Sentindo as crónicas dificuldades do adversário em controlar os encontros, a equipa de Custódio desenhava aos 20' a primeira verdadeira ameaça. Chiquinho, sempre ele, cruzou da esquerda, Figueiredo assistiu Marezi sem deixar cair e a bola passou Otamendi, numa abordagem deficiente do capitão, ainda que tocada o suficiente para trair o sérvio. Três minutos depois, Chiquinho escapou-se a Sidny, que via o amarelo e ficava desde logo condicionado.
A vantagem não parecia segura. E não estava. Aos 29', Aursnes, que dividiu com Prestianni o protagonismo na primeira metade, tentou servir o argentino com um passe longo. Este rodou, mas, perante Mateus, não conseguiu finalizar. E, na resposta, os ribatejanos empataram. Chiquinho voltou a aproveitar a ausência de Sidny, bateu para a diagonal inside-out de Marezi, que cruzou rasteiro. Otamendi, a olhar apenas para a bola, não viu que Figueiredo atacava o espaço nas suas costas, com Dahl atrasado. 1-1.
O ataque do Benfica acordava sempre que a bola chegava a Prestianni ou Aursnes, mas o abuso da bola para as costas da defesa do Alverca acabava em muitas perdas e em parada e resposta. Muita vertigem, pouca cabeça. À chuva.
E CHIQUINHO NÃO VOLTA...
A maior dor de cabeça para as águias não voltou para o segundo tempo. Entrava Fabrício.
Aos 50', Sidny fez o que faz geralmente bem quando a bola está a jeito: cruza-a. Rafa, mesmo com a superioridade numérica (linha de 5, por vezes 6) dos ribatejanos, atacou o primeiro poste e acertou no outro. Uma jogada que galvanizou os locais, sucedendo-se tiros perigosos de Rafa, Sidny e Pavlidis (que desperdício do grego!). Prestianni e Aursnes mantinham o nível, agora com companhia.
O 2-1 andava perto. A reação à perda, sem a ameaça de Chiquinho, ajudava a montar o cerco. À passagem dos 60', numa de muitas insistências, Schjelderup arrancou pela esquerda e cruzou para o desvio de peito de Pavlidis. Só que o VAR viu um toque da mão esquerda do avançado e anulou. Prestianni voltava a rematar, Rafa e Barreiro queixaram-se de penáltis, entrou Sudakov. Rafa escondia-se da canhota numa trivela para o terceiro anel e Prestianni acertava na cabeça de Mateus. Incrível! Tão incrível como o primeiro toque na bola de Anisio. Lá para dentro! A cruzamento de Dahl. A salvar os graúdos!"






