quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Vitória na tormenta...


Benfica 3 - 2 Slavia Praga
Freitas, Moreira, Umeh


No meio dum autêntico diluvio no Seixal, qualificação com uma vitória muitíssima complicada, contra um adversário muito agressivo, que se adaptou melhor às condições do relvado, marcou cedo; reagimos, empatámos ainda no 1.º tempo, voltámos a ficar em desvantagem num carambola habitual destas condições de jogo, mas nunca desistimos, e acabámos por fazer a remontada, com muita garra!
Nestas condições, a qualidade técnica passa a ser secundário, os Checos fortes fisicamente, com muita correria, conseguiram equilibrar. Só um Benfica, com espírito de vitória, conseguiria a reviravolta...


Vantagem...


Braga 0 - 1 Benfica
Moller


Na 1.ª mão da Meia-final da Taça de Portugal, vitória com um golo madrugador (aos 2'), numa partida realizada num relvado bom (no meio deste temporal...), contra um adversário complicado, com a Pauels a defender um pênalti dando uma boa vantagem para a 2.ª mão, que só será jogada lá para o fim de Março!!!


Derrota em Itália...

Novara 3 - 0 Benfica
25-20, 25-17, 25-15

Despedida Europeia, com mais uma derrota normal, onde as jogadoras até estiveram bem, principalmente no 1.º Set, mas o nível da Champions, é muito alto, para este Benfica...

Benfica: um desassossego


"É bem diferente encarar um novo desafio com a alegria no rosto e a confiança reforçada. Ganhar ao Real Madrid, e da maneira invulgar e apoteótica que foi, é muito diferente da apreensão que a derrota em Turim, naturalmente, provocou. Porém, o futebol é um desassossego constante e, em Tondela, muita coisa mudou. O onze escolhido por Mourinho nem por isso. Banjaqui só regressou por impedimento de Dedic e António Silva já se esperava que voltasse, pela sua garantida capacidade e pelo descanso que permite a Tomás Araújo, nesta altura o parceiro preferencial de Otamendi.
Quanto ao resto, tudo diferente. A relva é uma parte importante para que a qualidade técnica dos jogadores faça diferença. No caso, as equipas menos dotadas acabam por beneficiar e tirar partido das condições mais adversas em que se joga. A parte física passa a valer mais, equilibrando os duelos pela força e não tanto pela arte das equipas em confronto. Um Tondela trabalhador, agressivo e bem organizado viria a constituir um obstáculo que teve em Bernardo, o guarda redes da equipa, o seu inspirado expoente máximo. Ao contrário de outras equipas, o Tondela soube respeitar o espetáculo, não tendo sido o habitual antijogo a prevalecer, como vemos em muitas outras ocasiões.
O Benfica fez de tudo para vencer e o Tondela o mesmo fez para sobreviver. Não foi um jogo tecnicamente bonito, mas sim especialmente competitivo.
Mourinho vem optando por manter os seus dois jovens alas na equipa titular, porque a resposta destes tem sido boa. Esta solução tem permitido a Sudakov estender a sua qualidade enquanto coordenador do jogo ofensivo da equipa. Para que isto suceda, as costas do talento ucraniano são preenchidas pela eficiente e versátil dupla de médios, Aursnes e Barreiro, da qual o experiente técnico não tem prescindido. Com esta alteração inverteu-se o triângulo do meio campo, com o sacrifício inicial de Enzo ou Manu, jogadores mais posicionais. A verdade é que, mesmo não tendo ganho este último jogo, nem marcado, foram muitas as oportunidades criadas, mesmo em condições meteorológicas tão difíceis.

Velha manha lusa
Relativamente ao tema da relva e das visitas dos grandes, lembro-me que havia um mister ali para os lados da Reboleira (não é esse que estão a pensar...) que proibia os funcionários do clube de cortarem ou tratarem da relva na semana dos jogos caseiros com os grandes, para aumentarem as dificuldades dos craques visitantes.
«Quanto mais esburacado melhor», era a mensagem passada. Claro que era o tempo do vale tudo, e várias eram as manhas utilizadas. Pela antiguidade da história, mesmo sendo verdadeira, vou poupar a identidade do treinador em causa, até porque essa nem era das piores estratégias a que então se recorria. Talvez um dia volte ao assunto.

Pavlidis
É difícil não admirar o esforço e o rendimento de Pavlidis. É fácil perceber a importância que tem na equipa e o quanto ela depende de si. Neste momento, parece-me, Pavlidis não recuperou ainda a sua absoluta confiança depois do episódio do Dragão, seguido do escorregão em Turim.
A fase que atravessa afeta a sua normal convicção, perdendo para a insegurança e para a perda do timing das suas ações. Nos dois últimos jogos, com o Real Madrid e o Tondela, a espontaneidade do avançado grego tornou a não ser a mesma. O primeiro toque não está perfeito quando perto da baliza e o remate perde tempo e espaço. O remate de primeira também não é agora uma opção procurada. O esforço é o mesmo, ou até superior, mas a eficácia está em fase que importa inverter. Até os penáltis, em que era muito seguro e parecia infalível, vêm sendo convertidos com uma menor certeza.
A vida do goleador é o mérito do golo ser, normalmente, dividido com quem assiste ou até com quem recupera a posse de bola. A perdida flagrante não. É da sua exclusiva responsabilidade, algo que pesa no avançado e que temporariamente o diminui. Esta é uma realidade que faz parte, com a qual um atacante tem que lidar, lutando por repor o mais cedo possível a sua eficácia. Entretanto, os jogos não param e as exigências ainda menos. É quando o apoio dos verdadeiros adeptos se torna mais importante.

Real noite
É difícil retratar a noite europeia que se viveu na Luz. A qualidade e a personalidade da equipa do Benfica, naquele que era o jogo-chave, foram o orgulho de qualquer benfiquista.
A propósito, achei muito positiva e satisfatória a tolerância dos adeptos no final deste jogo em Tondela. O que, normalmente e infelizmente, resulta em insultos, quando não se ganha, transformou-se desta vez em aplausos, premiando muito justamente o esforço e não o indesejado empate. Bom exemplo dos seguidores da equipa, que seria bom estabilizar.
Voltando à noite de sonho, e ao final do jogo, foi absolutamente justa a homenagem pública ao comportamento de Courtois, à qual também Mourinho se juntou. As boas atitudes nunca são demais e devem ser promovidas, mas veem-se quase exclusivamente quando se ganha. Desta vez, o gigante belga, mesmo na derrota, vestiu a pele de Trubin, seu companheiro de posição tantas vezes incompreendida, abraçando o colega adversário pela sua inesquecível proeza."

Benfica: os miúdos não sentem que é impossível


"O Benfica chega a janeiro como chegam os pugilistas que ainda estão de pé, mas já perderam a conta aos golpes. Houve eleições há pouco mais de quatro meses com Rui Costa, ao longo de uma dura campanha, a revalidar o mandato. Antes mudou o treinador. Saiu Bruno Lage, entrou José Mourinho, um dos homens mais preparados do futebol europeu para gerir crises, egos e ruínas. E, ainda assim, o Benfica chegou ao coração do inverno fora da Taça de Portugal, derrotado na Taça da Liga, a nove pontos do líder FC Porto e a cinco do segundo lugar ocupado pelo Sporting. A noite épica frente ao Real Madrid, que permite a continuidade na Champions, tornou-se num balão de oxigénio que perdeu algum volume com o empate em Tondela.
Uma época que começou com ambição, passou a resumir-se a um objetivo curto de chegar ao segundo lugar e um sonho (ainda muito distante) de alcançar a primeiro, além de mais um capítulo europeu prestes a ser escrito com o Real Madrid. Em matéria interna, o resumo faz-se de forma simples: pouco para quem é grande, muito para quem está ferido.
A equipa, é justo dizê-lo, tem melhorado. Está melhor hoje do que há algumas semanas. Mais organizada, mais compacta, menos caótica. E para isso também contribuiu a ida de Aursnes para o meio e a interrupção no futebol anárquico de Ríos. Mas ainda continua com o peso de quem sabe que qualquer erro já não tem margem de correção. Cada jornada de campeonato é uma final, cada falha um epitáfio. O futebol, quando se joga assim, deixa de ser jogo e passa a ser julgamento.
Foi nesse cenário que apareceram os miúdos. Como aparecem sempre. Sem pedir licença. Sem pedir desculpa. Banjaqui tem 17 anos e corre pela direita como quem ainda não sabe que o futebol também pode doer. Anísio Cabral, da mesma idade, pisa a área com a naturalidade de quem ainda acredita que todas as bolas podem ser golo. Foram eles que fabricaram o último frente ao Estrela. Um gesto simples. Um entendimento limpo. Um golo que não muda classificações, mas muda estados de alma. E às vezes é isso que salva um clube de se perder por dentro.
Com eles vieram os sorrisos. A pureza. A alegria. A irreverência. Aquilo que o Benfica parecia ter perdido, antes do jogo com o Real Madrid, e no meio da pressão constante de viver no limite em todas as competições.
Além de Banjaqui e Anísio (que voltaram a jogar frente ao Tondela) podem também juntar-se outros que já se estrearam pela equipa principal, como Diogo Prioste ou José Neto. Todos com a mesma característica invisível e decisiva: cabeça limpa e sonhos até ao céu. A tal leveza que os mais experientes, carregados de expectativas e obrigações, nem sempre conseguem ter.
O combustível dado por sangue novo já resultou antes na Luz. Foi assim com Renato Sanches na primeira época de Rui Vitória, quando ninguém lhe explicou que não podia fazer aquilo. Foi assim com João Félix no ano em que Bruno Lage chegou à equipa principal e recuperou sete pontos ao FC Porto. Foi assim, mais recentemente, com a vitamina João Neves na ponta final da primeira época de Schmidt, fundamental para o Benfica manter o avanço e sagrar-se campeão. O futebol repete-se porque os clubes esquecem-se. E voltam a lembrar-se quando já há pouco a perder.
A distância nove pontos para os dragões, com o Sporting pelo meio, faz com que a matemática se apresente de forma fria e faça com que o título, ainda antes do clássico de segunda-feira, seja ainda uma miragem. Mas pode haver outra vitória. Menos ruidosa. Mais profunda. A afirmação destes miúdos, e um novo milagre na Champions, pode ser o melhor que esta época tem para oferecer na Luz.
José Mourinho tem tido a coragem e visão de os lançar. E eles correspondem. De sorriso aberto, futebol nas pernas e coração cheio. Assim continuem a ter oportunidades. Assim possam gozar da paciência que normalmente é reservada aos reforços de €27 M e €30 M, aqueles que podem somar cinco ou seis jogos cinzentos porque fazem parte do processo de adaptação. O talento de alguns destes jovens merece essa aposta contínua e equilibrada. Mourinho saberá isso melhor do que ninguém.
Depois há o lado magnético com a bancada. A identificação é imediata. Os sócios olham para eles como família. Porque são da casa. Porque cresceram ali. Porque representam a base e a essência do clube.
Com a exceção da Supertaça, ainda conquistada no período de Bruno Lage, a época do Benfica pode terminar sem títulos.. E isso nunca deve ser satisfatório num clube que investiu como nunca e tem condições para outro tipo de campanha. Mas com os sorrisos dos campeões do mundo de sub-17, nem tudo tem de ser depressão.
Às vezes, a maior vitória é perceber que o futuro entra sem medo. Com miúdos que pisam o relvado sem saber que a missão é quase impossível. Que respondem ao desafio sem traumas, cicatrizes ou ressacas de maus resultados. E talvez seja por isso que jogam como se cada segundo fosse eterno e cada jogo pudesse mudar tudo."

Ineficácia e matemática


"Depois de um apuramento épico para o play-off da Liga dos Campeões e uma vitória histórica sobre o Real de Madrid, que só não foi mais expressiva pela ineficácia atacante que tem vindo a marcar a época, como Mbappé, com a grandeza dos realmente grandes, assinalou no final do jogo, regressados à Liga, a deslocação a Tondela prometia ser difícil, não só pela qualidade do adversário, como por outros "adversários" serem expetáveis. Desde logo, o próprio Benfica e a forma como iria reagir à "ressaca" do jogo europeu, da natural euforia daí resultante e da eventual desconcentração que daí pudesse resultar, para além do vento e da chuva que iriam previsivelmente tornar, como tornaram, o terreno difícil. Nenhum destes fatores impediu o Benfica de criar oportunidades atrás de oportunidades, ter mais de duas dezenas de remates à baliza e, sem desmerecer a excelente exibição (mais uma) do guarda-redes Bernardo Fontes, só a ineficácia ofensiva justificou este empate que é muito penalizador para uma equipa que tem vindo a crescer e que, mais uma vez, até jogou bem, mas não fez o mais importante num jogo de futebol - marcar golos. Um dia depois, o Casa Pia encarregou-se de provar que o que aconteceu em Tondela acontece a todos e o líder perdeu o seu primeiro jogo na Liga, deixando um sabor amargo do que podia ter acontecido... Resta, pois, continuar a acreditar na matemática, que até foi amiga recentemente, de preferência transformando as oportunidades em golos, e, com trabalho e união, ganhar os jogos que faltam no campeonato, acreditando que ainda é possível. A matemática assim o dita..."

Muito Benfica para apoiar


"Os vários jogos do Benfica agendados para hoje e o reconhecimento das Nações Unidas das boas práticas benfiquistas no âmbito da sustentabilidade são os temas em destaque nesta edição da BNews.

1. Football for the Goals
Benfica adere ao programa Football for the Goals das Nações Unidas. Reconhecimento surge na sequência do trabalho desenvolvido pelo Clube no âmbito da sua estratégia de sustentabilidade Redy – Ganhar em Todos os Campos.

2. Calendário
Estão definidas as datas e os horários da 22.ª e 23.ª jornadas da Liga Betclic.

3. Entrevista
Miguel Figueiredo, campeão do mundo Sub-17, afirma que "vestir a camisola do Benfica é um privilégio".

4. Jogos do dia
Às 15h00 joga-se, no Benfica Campus, a partida entre Benfica e Slavia Praga a contar para os 16 avos de final da UEFA Youth League. Às 17h00 há embate europeu de voleibol no feminino em Itália entre Igor Gorgonzola Novara e Benfica. Às 19h00, o Benfica visita o SC Braga na 1.ª mão das meias-finais da Taça da Liga de futebol no feminino. Às 20h00, o Benfica desloca-se ao reduto da AA Avanca em andebol. A equipa feminina de hóquei em patins atua no rinque do Parede (21h30).

5. Ação solidária
Uma iniciativa conjunta do Sport Lisboa e Benfica e da UEFA Foundation em benefício da Associação Dá-me a Tua Mão.

6. Transferências
José Melro passa a representar o Marítimo e Michée Ndembi o KVC Westerlo.

7. Seleções jovens
Seis atletas do Benfica estão convocados pela Seleção Nacional Sub-18, nove pela Seleção Nacional Sub-17 e outros seis pela Seleção Nacional Sub-16.

8. Reforço
A norte-americana Zoe Matthews junta-se ao plantel da equipa feminina de futebol do Benfica.

9. Bom desempenho
Isaac Nader vence Czech Indoor Gala e estabelece o recorde nacional em pista curta dos 3000 metros. Nos 1500 metros, Salomé Afonso também se tornou recordista nacional da distância em pista curta.

10. Saída
Benfica e a futsalista Natália Detoni cessaram a ligação contratual.

11. Título distrital em análise
Os Sub-14 de basquetebol são campeões regionais.

12. Benfica 1 Minuto
O essencial da atividade do Sport Lisboa e Benfica nos últimos dias em 60 segundos.

13. Aprender em família
Uma iniciativa do Museu Benfica – Cosme Damião."

Rio Ave e o absurdistão de Atenas


"«O estilo de jogo de um clube revela o perfil único de cada comunidade.»
A frase é do genial Eduardo Galeano e preenche uma das maravilhosas páginas da sua obra maior, Futebol ao Sol e à Sombra.
Eu permito-me acrescentar mais uns pozinhos de perlimpimpim à ideia fundamental do mestre. O clube do nosso coração define-nos profundamente, tanto quanto a terra onde nascemos e o país onde vivemos.
Ser adepto, insisto, é um exercício de resistência, de persistência, de memória e afetos. É àquele emblema, àquelas cores, àqueles nomes que recorremos semanalmente em romaria terapêutica.
Não brinquemos com os sentimentos destas gentes. Amar uma instituição desportiva, uma equipa de futebol, não é um mero passatempo. É uma opção de vida séria, uma irreprimível condição existencial.
Daí a minha incompreensão por determinados projetos negócio-empresariais deste futebol a que tendemos chamar de moderno. De moderno, garanto-vos, nada tem.
Estes fundos de investimento em formas de SAD são, demasiadas vezes, o apogeu da insensatez, o carrasco que segura a corda da forca. Sem visão, sem emoção, sem perspetivas de crescimento. Apenas a certeza da queda e do cadafalso.
Há boas exceções – Famalicão, Estoril Praia… -, mas sobretudo uma legislação incapaz de bloquear a entrada de gente pouco credível no capital social de sociedades responsáveis pela sensível gestão de clubes históricos.
Hoje escrevo sobre o Rio Ave. Preocupado. Preocupado com a incompreensível gestão desportiva, a descaracterização absoluta do ADN do plantel e o aparente desinteresse em relação aos interesses competitivos do histórico dos Arcos.
Longe de estar sossegado na I Liga, o Rio Ave perdeu agora a dupla responsável por 73 por cento dos golos da equipa para o… Olympiacos. O Olympiacos do senhor Marinakis, investidor e acionista maioritário do emblema grego, do Nottingham Forest e do Rio Ave.
Um absurdistão helénico. Difícil de catalogar.
Voltemos a 2023. Penalizado por uma descida de divisão (2021) e o tenebroso caso-Olinga, o Rio Ave mergulhou num passivo de 13 milhões e num descontrolo orçamental difícil de perceber.
Porquê? Pouco tempo antes, sob a gestão de Silva Campos, a equipa chegava a finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga (2014), montava plantéis competitivos (sexto, sétimo, quinto, sétimo e quinto lugares entre 2016 e 2020) e, acima de tudo o resto, era um clube cumpridor e com profunda ligação à comunidade e respeito pelo passado.
O tal «perfil único de cada comunidade».
Ora, o descalabro financeiro e o canto da sereia do milionário de Atenas, com promessas de mundos e infindáveis milhões, levou os adeptos do Rio Ave a aceitarem a formalização de uma SAD e a venda de 80 por cento desse capital a Marinakis.
«Liquidez imediata, reforço do plantel, melhoria das infraestruturas, pagamento de dívidas, redução do passivo, salários em dia…»
Dois anos e uns meses volvidos, o que se vê em campo é uma equipa mal preparada, mal orientada, recheada de atletas de algum talento, mas desnorteados pela circulação no carrossel de Marinakis. De Nottingham para Vila do Conde e daí para Atenas. Uma confusão.
Nas últimas cinco janelas de transferências, 48 jogadores entraram no plantel. Alguns por empréstimo, outros em definitivo, sem que o povo rioavista se sinta minimamente representado.
Algum destes rapazes sabe quem é o capitão Duarte? Quem foi N’Habola no clube? Já ouviram falar de Tarantini, Niquinha, Gama ou Luís Coentrão? O genial Dibo?
Em outubro de 2025, a Assembleia Geral aprovou o «Masterplan» da SAD, cujos pilares principais são a nova Bancada Nascente (a erguer até 2028), sete campos relvados, mais uma estrutura física de apoio ao futebol profissional e a requalificação da área envolvente aos Arcos.
Tudo isso são boas notícias, mas de implementação impossível se os sócios se mantiverem cegos, surdos e mudos. O Rio Ave não suportará uma nova descida de divisão e o afastamento total do homem que prometeu as maravilhas das mil e uma noites em Vila do Conde.
A envergadura da empreitada é colossal, há margem para o benefício da dúvida, mas sem o apoio do povo e um maior acerto nas opções desportivas o sucesso é altamente improvável.

PS: no final do ano, uma brutal onda de despedimentos afetou todos os departamentos do clube, deixando a nu o desinteresse do acionista maioritário pelas pessoas que faziam de elo ligação entre clube e cidade, entre instituição e adeptos. No TEMA DO DIA do zerozero podem ver e ouvir todos os detalhes sobre este Rio Ave desalmado. Preocupante."

Ronaldo aproveita o poder que conquistou


"Dois casos ajudam a perceber a dimensão de um jogador que é muito mais que uma «multinacional com pernas». CR7 faz amanhã 41 anos e continua a ser um fenómeno

Há uma frase que é atribuída a Jorge Valdano com a qual a figura de Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro peca por defeito. Disse o campeão do mundo em 1986, autor de vários livros de futebol e cronista de primeira água que os futebolistas tornaram-se «multinacionais com pernas» a propósito dos rendimentos que passaram a receber e as marcas que os próprios construíram.
O tema vem-me à cabeça nas vésperas de o maior futebolista português de todos os tempos celebrar 41 anos (é já nesta quinta-feira) e motivado por duas notícias relacionadas com CR7: a primeira, de menor impacto, envolvendo uma parceria comercial entre a Federação Portuguesa de Futebol e uma das suas empresas; a outra, que mereceu grande destaque na imprensa internacional, sobre o boicote do capitão da Seleção Nacional aos jogos do Al Nassr por considerar que o PIF (Fundo de Investimento Público, sigla em inglês), que detém os quatro maiores clubes da Arábia Saudita (Al Nassr, Al Ittihad, Al Ahli e Al Hilal), está a privilegiar o Al Hilal (ex-clube de Jorge Jesus) em detrimento dos outros ao nível de injeção de capital para contratações.
As duas situações confirmam um estatuto que Ronaldo forjou e que lhe foi permitido. Ao levá-lo para a Arábia Saudita para mudar a imagem do que muitos jocosamente apelidavam de 'camels league', os políticos daquele país atribuíram-lhe uma importância que vai muito para lá do Cristiano futebolista, como se prova pela sua presença na Casa Branca, integrando a comitiva (de forma oficial ou não isso pouco importa) do herdeiro real Mohammed bin Salman no encontro com Donald Trump.
Esperar agora que o jogador não reivindicasse para si esse poder nos bastidores seria desconhecer a matéria de que ele é feito. Se Ronaldo vencerá ou não a batalha, isso são outros quinhentos, porque do outro lado está gente com ainda mais dinheiro que ele.
Já na questão do acordo entre a FPF e a empresa AVA by CR7, especializada em soluções de recuperação e performance, mais do que o enquadramento em causa (a contrapartida será apenas ao nível de publicidade), importa perceber a dimensão das duas instituições: de acordo com um estudo publicado em agosto de 2025 pelo Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), a marca CR7 vale €850 milhões e tem receitas fixas anuais de €350 milhões (ordenado e patrocínios), além do seu universo empresarial. Ganha, portanto, cerca de 155 vezes mais que as receitas operacionais da FPF (dados de 2023). São números assombrosos que ajudam a colocar as coisas em perspetiva."

O regime dos treinadores


"A questão do regime de contratação de treinadores em Portugal tem ganhado destaque. No centro deste debate está a dúvida sobre a forma mais adequada de enquadrar legalmente esta relação laboral: através de um contrato de trabalho ou de um contrato de prestação de serviços. Esta é uma decisão que tem implicações profundas, tanto a nível da segurança dos treinadores como nas obrigações fiscais e contributivas de ambas as partes.
Por definição, um contrato de trabalho pressupõe uma relação de subordinação entre o empregador e o trabalhador, onde o segundo atua sob a direção e o controlo do primeiro. Já o contrato de prestação de serviços enquadra uma relação de maior autonomia, sem subordinação ou deveres laborais formais, sendo os pagamentos feitos mediante a entrega de resultados.
Na prática, os treinadores, mesmo contratados como prestadores de serviços, cumprem funções que, em muitos casos, estão alinhadas com as características de um contrato de trabalho. Coordenam treinos, obedecem a regras do clube, cumprem horários rígidos e estão sujeitos a instruções e supervisão. Esta situação não afeta apenas os profissionais — tem repercussões no sistema fiscal e na Segurança Social. Por isso, tem-se assistido a um maior esforço das autoridades para fiscalizar estas situações e corrigir potenciais irregularidades.
É evidente que a resolução desta questão requer um equilíbrio cuidadoso entre os direitos dos treinadores e os interesses das entidades empregadoras, promovendo um regime justo e transparente para ambas as partes."