terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Que chatice, o Benfica goleou
"O frete de José Mourinho e um resultado frente ao Estrela da Amadora que parece não ter sido o melhor...
José Mourinho tem evitado algumas conferências de imprensa, sobretudo em semanas europeias, evitando falar na terça-feira (antes do jogo), quarta (a seguir ao jogo), sábado (antes do jogo da Liga), domingo (depois do jogo da Liga), terça outra vez (antes de novo jogo europeu) e outra vez na quarta (a seguir ao jogo europeu).
Considerando que as quatro conferências de imprensa europeias são obrigatórias e a conversa com os jornalistas a seguir ao jogo nacional também, a vítima é sempre a antecipação do duelo do campeonato. Anteontem, coincidiu com a entrada de adeptos no Seixal, para falarem da situação do clube com o próprio treinador, com os capitães, com os dirigentes presentes — Mário Branco e Simão Sabrosa. Como não houve conferência, Mourinho não pôde falar sobre o que aconteceu.
Mas depois duma noite em que tanta coisa correu tão bem — de Pavlidis a marcar de cabeça, uma raridade, à exibição magnífica de Sidny, com estreia a marcar, até à participação feliz de dois miúdos campeões do mundo de sub-17 no último golo ao Estrela, Banjaqui (que foi titular) e Anísio Cabral (um minuto depois de entrar...) —, adivinhava-se um Mourinho mais solto, mais conversador.
Em vez disso, tivemos um treinador com ar de frete. Quem o viu, facilmente pensará que estava aborrecido com a goleada — se calhar, ganhar por um ou dois golos teria dado mais jeito, que chatice ter uma exibição que prova que o Benfica pode mesmo jogar bem, que não é uma ambição só atingível com mais três ou quatro reforços...
Não gostou dos «adjetivos» com que se falou da entrada de adeptos no Seixal? Use os dele. Remeter apenas para o comunicado, e recusar-se a falar sobre o efeito que isso teve, sobre o que se passou, é manter o assunto vivo, e duvido que seja isso o que pretende.
Acha que as pessoas «acreditam nas histórias que se vendem» sobre Rafa, sobre a saída do jogador da Luz, sobre o regresso, sobre o salário? Tem de aguentar — infelizmente vivemos numa sociedade em que tanta gente mente que por muito que se tente convencer alguém de alguma coisa haverá sempre céticos... E o futebol, e o Benfica (se não o atual, basta recuar uns anos), não podem lamentavelmente achar que não tiveram responsabilidade nisso.
E com isto tudo Mourinho perdeu uma ótima ocasião de falar de bola, que é o que realmente importa. Nem que fosse para admitir que o 4-0 foi mesmo uma chatice, ou um acaso..."
26 de janeiro de 1963
"Eusébio faria ontem anos (84), Mourinho faz hoje (63), Ruben Amorim fará amanhã (41). O golo de Anísio Cabral, com assistência de Daniel Banjaqui, serve de prenda para os três
O final de janeiro tem algo de transcendental para o futebol português e, por extensão, para o futebol europeu e mundial. A 25 de janeiro de 1942 nasceu Eusébio da Silva Ferreira. O Pantera Negra. A estátua grega. O King. Enorme entre os maiores. E os maiores são nomes como Pelé, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Romário, Platini, Zidane, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenómeno, Messi ou Cristiano. Hoje Eusébio valeria centenas de milhões de euros e não ficaria mais de um ano no Benfica, tal a dimensão extraterrena que incendiava cada centímetro cúbico do corpo. Era ouro, platina e filigrana em forma humana. Único.
Vinte e um anos depois do nascimento de Eusébio na longínqua Mafalala, às sete da manhã de 26 de janeiro de 1963, em Setúbal, nascia José Mário dos Santos Mourinho Félix. Outro King. Estátua grega em forma de treinador. Special One. And two. And three. And four. And five. Enorme entre os maiores. E os maiores são nomes como Guardiola, Klopp, Ferguson, Ancelotti, Sacchi, Busby, Herrera, Paisley, Cruyff, Clough, Trapattoni, Michels ou Shankly. E talvez já haja aqui nomes a mais para o nível que Mourinho atingiu.
Hoje, 26 de janeiro de 2026, Mourinho chega aos 63. E chega com uma goleada: 4-0 ao Estrela. É apenas a terceira vez em que, com José Mourinho, o Benfica marcou mais de três golos. E com as estreias inesquecíveis de Daniel Banjaqui (assistência) e Anísio Cabral (golo), dois campeões do Mundo de sub-17 ainda a caminho de completarem 18 anos. O golo de Anísio, então, é de loucos: entra e, 63 segundos depois, toca na bola pela primeira vez e, de cabeça, faz golo. Que melhor presente, 24 horas antecipado, poderia desejar José Mourinho?
Os finais de janeiro, porém, não são relembrados apenas por neles terem nascido Eusébio da Silva Ferreira e José Mário dos Santos Mourinho Félix. Também serão relembrados, embora a escalas diferentes, pelos nascimentos de Jacinto João (25/1), Carlos Xavier (26/1), Rodolfo e Manuel António (29/1), Jaime Graça (30/1) e Veloso (31/1). Todos internacionais A do futebol português. Nenhum atingiu o nível estratosférico atingido pelos nossos dois Kings, mas, ainda assim, brilhantes.
Por fim, um dos homens do futebol português mais falados dos últimos seis anos: Ruben Filipe Marques Diogo Amorim. Completará amanhã, 27 de janeiro, 41 anos. Tentou o golpe de asa no Manchester United após os golpes de asa no SC Braga e no Sporting, mas as coisas não correram bem. Os red devils agora desataram a ganhar e já estão em posição de Champions. Que raio de aniversário, Ruben."
Vitória larga com estreias auspiciosas
"O destaque nesta edição da BNews é o triunfo do Benfica ante o CF Estrela da Amadora por 4-0 em dia de recordação de Eusébio e Fehér e coroado com um golo sonhado e protagonizado por dois juniores de primeiro ano, ambos recém-campeões do mundo Sub-17.
1. Três pontos e boa exibição
José Mourinho sublinha a vitória alicerçada num bom desempenho coletivo: "O objetivo principal do jogo era ganhar, e o segundo objetivo, que era ganhar e jogando bem, também foi conseguido. Fizemos um bom jogo."
Sobre Banjaqui e Anísio Cabral, o treinador do Benfica refere que "esperava que tanto um como o outro tivessem nível para jogar na primeira equipa". A acerca de Rafa, regressado ao Clube, salienta que "é um jogador de um nível superior, de grande qualidade, com experiência de jogar com esta camisola pesada".
2. Man of the Match
Sidny, autor de um golo e de uma assistência, além de ter sofrido a falta que resultou na grande penalidade convertida por Pavlidis, foi considerado o Homem do Jogo. "Estou muito grato por este momento", afirma.
3. Estreantes constroem golo
Banjaqui, titular pela primeira vez, assistiu o estreante absoluto Anísio Cabral para golo. Constate na conta oficial do Benfica Campus no Instagram que, meses antes, já o avançado imaginara a jogada.
4. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os quatro golos marcados pelo Benfica ao CF Estrela da Amadora.
5. Liderança reforçada
O Benfica ganhou por 0-5 na visita ao Racing Power e alargou a vantagem pontual para sete pontos no topo da classificação da Liga BPI.
6. Domingo vitorioso
Registaram-se ainda os seguintes triunfos pintados de vermelho e branco: em hóquei em patins, 1-3 no rinque da Oliveirense; em râguebi, 13-25 na visita ao Direito; 2-1 nos Juvenis de futebol frente ao Estoril; 77-70 ante o Imortal em basquetebol no feminino; e 1-3 à AA São Mamede em voleibol no feminino.
7. Bons desempenhos
O nadador Diogo Ribeiro arrecadou duas medalhas de ouro e uma de bronze no 59.º Challenge International de Genève.
E os atletas Pedro Afonso e Pedro Buaró também estiveram em destaque."
Andebol e futsal dão o palco. Porque continuamos a vender‑nos como amadores?
"Durante este mês de janeiro, Portugal entrou simultaneamente em dois palcos onde soma respeito competitivo e atenção mediática: o Europeu de andebol, disputado entre 15 de janeiro e 1 de fevereiro na Dinamarca, Noruega e Suécia, e o Europeu de futsal, entre 21 de janeiro e 7 de fevereiro na Eslovénia, Letónia e Lituânia. Trata-se de um arranque de ano que coloca as Seleções Nacionais no centro da agenda e abre espaço a uma conversa maior: estamos a capitalizar comercialmente esta relevância competitiva ou continuamos a vender abaixo do nosso valor real?
Num calendário global saturado, estes torneios colocam Portugal no ecrã certo, na hora certa, com jogos em janelas europeias de alta afinidade e com potencial de cross-selling para patrocinadores e media digitais; a questão não é se há audiência, é se a transformamos em receita, dados e fidelização de longo prazo.
O andebol chega a 2026 com um capital simbólico adicional: o quarto lugar no Mundial'2025 elevou as expectativas e consolidou a perceção de Portugal como presença regular entre as melhores seleções, com nomes que o público já reconhece e que a comunicação pode (e deve) trabalhar como ativos de marca: Martim Costa e Francisco Costa, são exemplos óbvios de um produto desportivo com história, carisma e métricas de performance, enquanto Rui Silva ou Gustavo Capdeville compõem um núcleo de referência que permite construir narrativas de continuidade e maturidade competitiva.
Esta ancoragem de storytelling é ouro para patrocinadores que procuram associar-se ao talento nacional com prova social e para broadcasters que precisam de histórias para além do resultado. O torneio decorre em países com tradição de consumo de andebol, o que significa janelas de exportação de marca Portugal e, se houver estratégia, possibilidade de ativação dirigida à diáspora e aos nichos B2B desses mercados.
No futsal, Portugal carrega um estatuto incrível: bicampeão europeu em 2018 e 2022, campeão mundial em 2021 e com a hipótese de um tricampeonato inédito nesta edição, um posicionamento que, do ponto de vista de marketing, permite precificar melhor inventário, exigir KPIs de conversão nas ativações e negociar conteúdos premium de bastidores para OTT e plataformas sociais.
O calendário joga a nosso favor: os jogos do Europeu de futsal encaixam entre as fases da Liga dos Campeões e antes do Super Bowl, evitando o 'tsunami' mediático de fevereiro e permitindo janelas de pico em mercados lusófonos e de emigrantes. Em termos de produto, o futsal oferece aquilo que o mercado digital quer: ritmo alto, highlights abundantes, probabilidade elevada de clipes virais e um ciclo de conteúdos que se estende para lá dos 40 minutos regulamentares.
O que ainda falta? Métrica e ambição. A maioria dos patrocínios nestas modalidades continua a ser vendida como visibilidade, quando deveria ser vendida como performance: custo por contacto qualificado, incremento de notoriedade em segmentos jovens, uplift de vendas por código promocional, crescimento de base dos adeptos captados no ciclo competitivo.
Há um último ponto estratégico: a internacionalização. O Europeu de andebol joga-se em casas que respiram a modalidade; o Europeu de futsal dispersa-se por três países que procuram consolidar o produto; em ambos os casos, Portugal tem espaço para negociar conteúdos em inglês e espanhol, vender pacotes de hospitalidade para empresas e, sobretudo, experimentar modelos de distribuição digitais que testem novos conteúdos pera segmentos específicos de adeptos.
É aqui que se decide se continuamos a depender do futebol para financiar o ecossistema ou se usamos janeiro para provar que modalidades com identidade própria conseguem sustentar um plano de negócios moderno. As seleções já estão dentro do campo a fazer a sua parte; do lado do marketing, a bola também é nossa."
FIFA 2026 - O futebol e a política do medo
"O sucesso do Mundial de 2026 já está minado antes mesmo do apito inicial. Não por falta de um esmagador interesse global, mas por uma combinação tóxica de xenofobia política e cobardia/ganancia institucional. Donald Trump faz a sua parte, a cada dia com redobrado zelo: discursos hostis, políticas de exclusão, ameaças veladas a quem vem de fora. A FIFA, por sua vez, assiste em silêncio, cúmplice por omissão, e ainda o premeia com troféus inventados para sabuja subserviência do narciso em Washington.
O futebol sempre foi um dos raros espaços onde o Mundo sempre se cruzou sem pedir visto. Um território simbólico de convivência entre povos, culturas e diferenças.
Ao transformar o estrangeiro num inimigo, Trump ataca directamente esse princípio. E ao aceitar organizar o seu maior evento num país que normaliza o medo do outro, a FIFA trai a essência do jogo que diz proteger.
A história não perdoa. Apenas Adolf Hitler conseguiu interromper os Jogos Olímpicos durante mais de uma década. E fê-lo depois de ter usado os Jogos de Berlim, em 1936, como palco ideológico. Um plano humilhado por Jesse Owens, que destruiu em pista aberta a farsa da supremacia da “raça ariana”. O desporto respondeu, então, com uma verdade poética.
Hoje, a ameaça, embora mais subtil, não é menos perigosa. Ninguém espera que os estádios americanos sejam bombardeados, mas as suas bancadas ameaçam ficar despidas de diversidade.
Adeptos que desistem, viagens canceladas... As fronteiras do país co-organizador, ao dia de hoje, intimidam humanista de todos os continentes.
O Mundial de 2026 poderá vir a ser amputado da sua alma internacional.
Trump abusa e a FIFA aceita. Ambos são responsáveis.
Se 2026 ficar marcado como "O Mundial do Medo" , leram aqui primeiro, não foi um acidente. Foi uma escolha!
E talvez reste apenas uma última ironia nesta história: um jogo Estados Unidos da América vs México. E que termine 0-7 para alegria dos "latinos"!
O futebol acaba sempre por expor quem tentou usá-lo contra aquilo que ele representa."
NA BOA TARDE DOS MIÚDOS UMA VITÓRIA INDISCUTÍVEL
"BENFICA 4 . 0 Estrela da Amadora
> curiosidade para ver quantos se vão sentar hoje na Catedral depois da desilusão de Turim e da tarde chuvosa que descarrega água sobre Lisboa
> e é hoje que vamos ver Daniel Banjaqui a estrear-se como titular, na lateral direita - tenho uma fezada tremenda neste miúdo, depois há de chegar a vez do Zé Neto
> na segunda foto com dois indefetíveis Benfiquistas de Guimarães: o Carlos Ribeiro e o Jaime Barbosa.
LA LA LA LA LA
EU AMO O BENFICA
LA LA LA LA
EU AMO O BENFICA
LA LA LA LA
EU AMO O BENFICA
01 o António já safou sobre a linha um golo feito numa fífia do Otamendi.
05 alguém que explique ao povo do futebol que tipo de agarrão a um jogador dá amarelo. Este apitador acha que amarelo só se puxarem o nosso até à casa de banho
07 Aursnes a aparecer tão bem e a rematar tão mal... primeiro golo desperdiçado
14 primeiras ações de Banjaqui a deixar-nos com água na boca. Parece que já joga nesta equipa há muito tempo.
17 uuuuuuuu belo livre direto do Sidny, redes a ir ao ângulo defender para canto. Com um pouco mais de força tinha marcado à ex- equipa. Temos homem para as bolas paradas
27 o futebol português é uma anedota: jogador do Estrela leva um toque nas costas, lembra-se disso uns metros à frente, atira-se para a piscina... falta!
29 bonita lembrança dos NN: estádio em pé em tributo a Miklos Fehér.
32 Rafa no pequeno grupo de cinco no aquecimento suscita aplausos e também assobios - é preciso lembrar que é nosso jogador e que precisamos dele no máximo?
38 este apitador é uma anedota pegada: armado em pedagogo junto do Dahl e de um do Estrela, gamou mais dois ou três minutos ao tempo útil do jogo: parabéns!
42 PA-VLI-DIIIIIIIIS! Canto tão bem marcado pelo Sidny, desta vez com o pé direito, direitinho para o infalível golpe de cabeça do grego. Muito bom para levantar o moral depois do falhanço no Dragão e do escorregão em Turim.
45+5 sem brilho, mas com justiça na frente do marcador
51 Sudakov não está, definitivamente, nos dias dele
53 pisão no Sidny, penálti indiscutível, vamos Pavlidis! Que bem marcado, Turim exorcizado, dois-zero.
57 Sidny aproveitou bem, com muita competência, a fífia deles, três-zero, e está nos três golos do Benfica
68 vem aí Rafa, foi chamado - para o lugar de Sudakov? Aposto.
72 acertei, e vai entrar também o Prioste para o lugar do Aursnes. Rafa, não há dúvida, divide a bancada. Eu sou dos que apoio. Apoio todos, aliás. Basta serem do Benfica.
76 Sidny a ganhar confiança, a mostrar-se muito no jogo
54.548 bom número face às circunstâncias
83 mais uma estreia made in Benfica Campus: Anísio!
84 mas que coisa mais linda!!! Banjaqui sub-17 para Anísio sub-17 e toma lá o quatro-zero num belíssimo golpe de cabeça.
90 só mais um minuto??? Palhaçada...
90+1 belo final de tarde do Benfica Campus no estádio da Luz. Este tem que ser o caminho num clube que tem uma formação de excelência."
A tarde dos sonhos concretizados de Banjaqui e Anísio ou como o Benfica-Estrela foi uma festa adolescente
"As águias golearam (4-0) a equipa da Amadora. Pavlidis bisou, Sidny destacou-se contra a ex-equipa mas o encontro foi dos jovens de 17 anos: Banjaqui estreou-se a titular e assistiu Anísio Cabral, que marcou um minuto depois de entrar
Quantas vezes terão eles imaginado este momento? Ou será que foi tão perfeito, tão ideal, que nem sequer cabia nos mundos que a mente constrói e desenha?
Daniel Banjaqui e Anísio Cabral passaram os últimos anos a crescer juntos. Sub-15, sub-17, seleções. A ganhar, sendo campeões do mundo e europeus sub-17. A sonhar.
Terão sonhado com isto? Nas longas tardes que os adolescentes têm, quando olham para o céu e se divertem a arquitetar as possibilidades do futuro, será que este momento entrou em brincadeiras?
"Nós na equipa principal, na Luz. Tu cruzas, eu cabeceio, golo, vitória do Benfica".
Não foi imaginação. Foi realidade. Minuto 84. Banjaqui, novidade do onze de Mourinho, a subir pela direita. Bola na área. Anísio Cabral fora lançado um minuto antes, um avançado de 17 anos com zero minutos na equipa B, virgem no futebol profissional. Cabeceamento, golo.
A festa dos meninos de 17 anos contrasta com os problemas do Benfica recente. A equipa não deixa de estar longe da liderança da I Liga, fora da Taça, fora da Taça da Liga, em situação difícil na Europa. Mas perder a esperança é perder a vida e, em Anísio e Banjaqui, houve uma bebedeira de otimismo.
O Estrela fez a curta viagem até à Luz com uma equipa radicalmente diferente da que apresentaria há um mês. O mercado levou Sidny, Kikas, Ngom, Montóia ou Chernev, os castigos tiraram Abraham Marcos e Jovane Cabral do desafio. Os médios Kevin Jansonn e Tom Moustieram fizeram os primeiros minutos pelos tricolores, que até tiveram a primeira grande oportunidade através de outra novidade recente.
Leandro Antonetti, internacional por Porto Rico, atuou de início pela primeira vez, aproveitando a orfandade de Kikas. Logo ao primeiro minutos, um erro dos que Otamendi volta e meia faz isolou o avançado, mas António Silva evitou um golo certo.
Muito às custas do entusiasmo de Banjaqui, o Benfica respondeu com algum perigo. Aurnses atirou ao lado, o adolescente também tentou, Sidny bateu um livre de pé esquerdo — com o ex-Estrela é sempre preciso indicar com que pé executa, tal a ambidestria — para voo competente de Renan.
No entanto, a maior parte do primeiro tempo encarnado foi de monotonia. Dificuldades para fazer o Estrela sofrer, circulação lenta, Mourinho a olhar para o relvado como um detetive que fareja o perigo.
Sindy Cabral tem um jogar que parece respirar através do cruzamento. Olhar para a área e colocar lá a bola sai-lhe como opção natural, uma e outra vez. À sexta ocasião que repetiu o gesto, aos 42', o canto que executou de pé direito foi direito à cabeça de Pavlidis, que levou as águias para o descanso em vantagem.
Quaisquer pretensões de pontuar que o Estrela tivesse caíram por terra no arranque da etapa complementar. Os amadorenses, que fruto do mercado e de castigos atuaram sem os autores de 18 dos 23 golos neste campeonato, nunca triunfaram em casa do Benfica e somaram a 13.ª derrota seguida na visita ao poderoso vizinho.
Aos 55' e aos 58', os locais passaram da margem mínima para uma liderança confortável. Sidny saiu da vida dos cruzamentos para ganhar um penálti que levou Pavlidis para o ponto onde costuma ser infalível, mas onde desperdiçara em Turim. Não se pode dizer que a execução tenha acusado o desacerto de Itália: tiro forte e colocado, partindo a baliza, como Mou pedira.
Depois foi Bernardo Schappo a ter saudades de quando o Estrela tinha um plantel algo mais composto. Janeiro está a ser de reconstrução e, quiçá querendo puxar a vida atrás, o central serviu Sidny. Lopes Cabral aceitou a oferta, marcando e pedindo desculpa à sua antiga equipa.
O fim da tarde foi de festa. Rafa Silva entrou e regressou. Mas o Benfica não acabou a olhar para trás, para o passado, mas para o futuro. No cruzamento de Banjaqui, no remate de Anísio, nos jovens do Seixal, talvez tenha estado uma mensagem que este Benfica atribulado pode apreender."
💭 Da imaginação à ação 🎯
💭 Da imaginação à ação 🎯 pic.twitter.com/Ggc0fSAcio
— SL Benfica (@SLBenfica) January 25, 2026
Luz rendeu-se à irreverência de quem procura fazer nome
"Aquele que parecia ser um jogo condenado ao desinteresse acabou por tornar-se num excelente motivo de reflexão. Certezas como Banjaqui ou Anísio só precisam de cruzar-se com um treinador que encontre o momento certo (e as doses certas) para ajudá-los na rampa de lançamento. E ‘Sidnys’ há mais por aí, é só procurá-los. Mourinho esteve à altura do desafio
A noite fria e desagradável que se abateu sobre uma Lisboa a despedir-se sem saudade da Ingrid não convidava a sair de casa. Mesmo assim, mais de 54 mil benfiquistas foram à Luz ver a sua equipa defrontar o Estrela da Amadora, desvalorizando as desilusões que janeiro trouxe à casa encarnada. E saíram com a alma lavada, porque testemunharam um momento de raro significado quando, aos 84 minutos, Banjaqui cruzou da direita e Anísio, entrado 60 segundos antes, meteu a bola no fundo da baliza de Renan Ribeiro com uma cabeçada de excelente execução. Dois campeões da Europa e do Mundo de sub-17, um e outro sem ainda terem idade para votar, valores emergentes made in Seixal, aqueceram a noite gélida e mostraram que são valores seguros já no presente, a quem o futuro reserva carreiras promissoras, assim saibam manter-se de pés no chão, humildes e com vontade de aprender.
Mas se estes dois jovens iluminaram a Luz (Diogo Prioste também entrou bem), que dizer do melhor em campo, o internacional caboverdiano Sidny Lopes Cabral, recentemente contratado ao Estrela da Amadora? Afinal, não é forçoso ir a destinos exóticos para encontrar reforços a sério. Eles andam aí, só faz falta quem os detete e quem neles acredite. E ainda houve o regresso de Rafa (que não jogava desde 2 de novembro) à casa mãe, onde pode dar a vivacidade que outros, como Barranechea ou Sudakov, não conseguem, e a lucidez que falta a Prestianni.
Vê-se, pois, que na noite em que o Benfica não esqueceu Miki Feher e Eusébio da Silva Ferreira, não faltaram motivos de interesse, que foram, até, para além do próprio jogo.
Início titubeante
Frente a um Estrela da Amadora que não estacionou o autocarro em frente a Renan Ribeiro, o Benfica procurou dar largura ao seu ataque, com Prestianni na direita e Sidny na esquerda, deixando Sudakov (teoricamente) no apoio a Pavlidis. Enquanto isso, Aursnes e Barrenechea (teoricamente) protegiam os centrais. Era assim que estava pensado, mas muitas vezes não aconteceu segundo o previsto, essencialmente porque Prestianni de tanto querer fazer não fazia nada, Barrenechea, vindo de paragem por lesão, estava noutra dimensão, mais a ver o jogo do que a participar, e Sudakov, depois de algumas promessas de melhoria, regressou à versão sem tempo para soltar a bola, que empastela o jogo e lhe retira fluidez.
Logo aos dois minutos, um corte defeituoso de Otamendi isolou Antonetti, que fez a bola transpor Trubin, valendo aos encarnados a dobra de António Silva, que impediu o 0-1 para os amadorenses. Foi o primeiro (e último, por sinal) aviso sério dos forasteiros, que durante a primeira metade beneficiaram da inconstância do Benfica, onde, do meio-campo para a frente, apenas Aursnes, Pavlidis e Sidny se mostravam à altura das circunstâncias.
Sem fulgor, com muitos hiatos, a equipa de Mourinho esteve, contudo, perto de marcar aos 8 minutos (Aursnes um tudo nada ao lado após passe de Sidny) e voltou a assustar Renan (que grande defesa!), aos 17, quando um livre de Sidny animou o Terceiro Anel. A partir desse momento o Benfica entrou numa toada incaracterística, e o Estrela, sem poder de fogo, equilibrou contudo as operações a meio-campo, desfazendo a superioridade territorial dos encarnados.
Como o jogo não atava nem desatava de bola corrida, aos 42 minutos, após canto batido da direita (de pé direito!) por Sidny, Pavlidis faturou com uma belíssima cabeçada. Graças a uma bola parada o Benfica foi para o descanso em vantagem.
Meninos e Rafa
Ao intervalo Mourinho trocou Barrenechea por Barreiro, condenando o Benfica a melhorar. E não tardou muito até que o jogo ficasse resolvido, já que distaram apenas três minutos entre o penálti convertido por Pavlidis (55), após falta clara de Encada sobre o incontornável Sidny, e o golo do próprio Sidny, que aproveitou uma oferta dos ex-companheiros e teve gelo nas veias no frente-a-frente com Renan. Com 3-0 e meia hora para jogar o vencedor estava mais do que encontrado, percebeu isso Mourinho, e também João Nuno, que não entrou em avarias táticas, para evitar males maiores, preferindo refrescar a equipa com caras conhecidas.
Os encarnados voltaram a melhorar com a troca de Prestianni por Schjelderup (60) e mais confortáveis no jogo ficaram quando Aursnes, desgastado, deu lugar a Prioste — entrou bem, tranquilo, a jogar e a fazer jogar — e sobretudo quando Sudakov saiu para o regresso de Rafa. João Nuno ainda fez uma tripla alteração aos 75 minutos, mas seria Mourinho, que tinha apostado — aposta cem por cento ganha — no menino Daniel Banjaqui, a chamar a jogo outra revelação da fornada dos campeões do Mundo de sub-17, Anísio Cabral, que levantou a Luz com um golo de cabeça de excelente recorte técnico, acorrendo a um cruzamento da direita do seu sócio Banjaqui.
O futuro a Deus pertence, mas talvez daqui a uns anos se fale nesta vitória folgada do Benfica sobre o Estrela da Amadora como a noite da estreia de Banjaqui e Anísio. Haverá mais de 54 mil benfiquistas em condições de dizer «eu estive lá»."
Os sorrisos de Banjaqui e Anísio animam presente e iluminam futuro
"Final de jogo de sonho para os adolescentes Daniel Banjaqui e Anísio Cabral. Em dia de estreias, o primeiro assistiu no golo do segundo. Sidny foi o agitador de serviço (também marcou) no dia da redenção de Pavlidis
O melhor em campo: Sidny (8)
Do início ao fim, foi quem mais teve capacidade de agitar o mesmo, sobretudo quando a monotonia ameaça tomar conta do jogo da equipa. Veloz, enérgico, com capacidade de chegar à linha de fundo, aplicar o drible, fazer muitos cruzamentos, usar com igual facilidade os dois pés, combinar com os companheiros, surgir em zonas de finalização e também finalizar. Aos 8' meteu a bola na área para Aursnes quase marcar, aos 14' estava na área para concluir com perigo um centro de Banjaqui, mas a bola foi cortada, aos 17' marcou um livre (bola por cima da barreira) que Renan defendeu, aos 42' marcou o canto para o golo de cabeça de Pavlidis, aos 52' sofreu penálti que o avançado grego converteu, aos 58', isolado, teve frieza para assinar o terceiro da equipa, aos 68' e 77' voltou a ameaçar. Fez muito e bem.
Trubin (5) — Aos 5' não chegou a tempo de um mau atraso de Otamendi, mas António Silva salvou-os. De resto, pouco trabalho teve. Mas esteve no terceiro golo — pontapé longo mal desviado por Schappo acabou nos pés de Sidny.
Daniel Banjaqui (8) — Aos 9' levantou os braços a pedir bola. Queria ser protagonista na estreia a titular e não imaginaria que o seria. De que maneira. Sem problemas a defender, apesar de um par de passes errados, foi superofensivo, aos 13' serviu Sidny na área depois de arrancada pela direita, aos 14' ameaçou Renan com um disparo de pé esquerdo à entrada da área, aos 24' estava a tentar cabecear na área, aos 44' deixou Stoica para trás, numa iniciativa individual, e centro para Sidny, aos 45+4' rematou com perigo à malha lateral, aos 62' encontrou Pavlidis em boa posição na área. Mas o melhor estava guardado para o fim. Ainda com força, aos 84', fugiu pela direita e cruzou para o golo de Anísio. Festejaram como adolescentes.
António Silva (7) — Seguríssimo a defender, sem dar espaço a Antonetti, evitou um golo aos 2', na proteção a Trubin e Otamendi. Também andou pelo ataque — cabeceamento perigoso aos 6' e remate à figura de Renan. Grande passe, ainda, a servir a velocidade de Banjaqui aos 13'.
Otamendi (5) — Mau atraso, sob pressão, quase proporcionou golo a Antonetti aos 2'. Também falhou o tempo de entrada sobre o avançado aos 71' que poderia ter custado caro. Foram as únicas falhas num jogo tranquilo, no qual somou várias intervenções seguras.
Dahl (6) — Remate perigoso aos 45+3' foi o ponto alto de exibição tranquila, sem grande problemas defensivos e com muitas ações no ataque.
Aursnes (6) — Com larga área de ação e liberdade, tanto estava a cortar linhas de passe e a recuperar bolas, como a finalizar na área. Aos 8' apareceu na área, antecipou-se a Luan Patrick com um toque e rematou cruzado com muito perigo. Aos 21' chegou atrasado, por pouco, para desviar para golo de cabeça. Aos 44' viu amarelo por agarrar Jorge Meireles, mas evitou males maiores e o erro tinha sido cometido por Sudakov.
Barrenechea (4) — Sem energia, talvez por ter perdido a forma, viu cartão amarelo por entrada fora de tempo e falta sobre Jorge Meireles. Pouca ou nenhuma influência.
Prestianni (3) — Pouco ou nada positivo. Falhou dribles, perdeu bolas, na direita (onde começou) e na esquerda. Sem impacto positivo no jogo, saiu aos 60'.
Sudakov (4) — Jogou no apoio a Pavlidis e decidiu quase sempre mal — no passe (aos 45' esteve na origem de contra-ataque perigoso do E. Amadora), sobretudo junto à área adversária, e no que tinha de fazer para dar seguimento positivo aos lances de ataque. Precisa de fazer muito mais e melhor.
Pavlidis (8) — Noite de redenção depois do falhanço no clássico com o FC Porto e do penálti desperdiçado com a Juventus. No primeiro remate (cabeceamento) marcou. Depois foi letal no penálti — disparo ao ângulo esquerdo. Deu-se ao jogo, acertou nos passes e combinou com os companheiros.
Barreiro (6) — Deu mais rotação ao meio-campo e fez circular, mais rapidamente, a bola. Ajudou muito mais que Barrenechea na pressão. Bom passe para Sidny (68').
Schjelderup (6) — Entrou animado e com os olhos na baliza e nos companheiros na área. Dois bons passes para Rafa e Pavlidis.
Diogo Prioste (6) — Dos pés saíram passes com a precisão das tacadas de um bom jogador de snooker. Adulto na ocupação de espaços. Entrou bem no jogo.
Rafa (6) — Dois passes muito bons e rápidos para Pavlidis (78') e Sidny (84'). Num contra-ataque, foi possível ver que, 622 dias depois de ter jogado pela última vez pelo Benfica, ainda corre com a velocidade de pápa-léguas.
Anísio Cabral (8) — No primeiro lance deu-se à luta com um defesa-central para ganhar um canto. No segundo, 63 segundos depois de ter entrado, cabeceou para o quarto golo. Estreia de sonho. E logo aos 84' no dia em que Eusébio faria 84 anos. Melhor seria difícil."








