📂 Treinos Benfica Campus
— SL Benfica (@SLBenfica) January 12, 2026
12.01.2026 🎬 pic.twitter.com/3sPPE5fOzT
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Treino...
Existem Loucos que fazem falta...!!!
Imagine playing against this guy 😂 pic.twitter.com/4cJ4k3gfMi
— Football Twats (@FootbaIITwats) January 11, 2026
As Taças que combatem a macrocefalia
"Desde que há Taça da Liga, FC Porto (8), Benfica (7) e Sporting (3) sagraram-se campeões nacionais. Mas, no mesmo período, nas duas Taças (Liga e Portugal) houve festa em Braga, Guimarães, Vila das Aves, Moreira de Cónegos, Coimbra e Setúbal ...
O Vitória Sport Clube, depois de um percurso brilhante, em que derrotou o FC Porto no Dragão e o Sporting e o SC Braga, em Leiria, todos de ‘virada’, tornou-se no chamado ‘campeão de inverno’, e levou a Taça da Liga, pela primeira vez, para a cidade-berço.
Valerá a pena refletir um pouco sobre esta competição, mal-amada desde a primeira hora, que em cada época só é valorizada por quem ergue o troféu. Para as comparações que se seguem, o triunfo vimaranense não é contabilizado, porque ainda não são conhecidos os vencedores da Liga e da Taça de Portugal na época em curso.
Desde 2007/08, época em que a Liga de Clubes, então presidida por Fernando Gomes, inaugurou a competição, conquistaram a Taça em disputa, até 2024/25, Benfica (9), Sporting (4), SC Braga (2), FC Porto, V. Setúbal e Moreirense e, fora dos três grandes, estiveram na final Paços de Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave, Marítimo (2) e Estoril. Se compararmos com a Taça de Portugal, no mesmo período, os resultados não são muito diferentes. Entre 2008 e 2025, a prova-rainha do nosso futebol foi ganha por FC Porto (7), Sporting (4), Benfica (2), SC Braga (2) e Académica, Desportivo das Aves e Vitória Sport Clube. Quer isto dizer que, nas 18 edições em causa, os três grandes ficaram com a Taça da Liga em 14 ocasiões, e com a Taça de Portugal em 13; também é confirmado o estatuto de D’Artagnan do SC Braga, vencedor de duas edições em cada uma das Taças.
Tratando-se de duas competições com formatos diferentes, com a Taça da Liga a surgir com um modelo que teoricamente seria muitíssimo favorável aos três grandes, a verdade é que o que se apura na comparação não é substancialmente diferente.
Haverá ainda para dizer que, enquanto nas 18 épocas analisadas, V. Setúbal, SC Braga, Moreirense, Académica, Vitória Sport Clube e Desportivo das Aves, levantaram troféus nacionais nas Taças, no que à I Liga diz respeito, a divisão de títulos foi feita entre os suspeitos do costume: FC Porto (8), Benfica (7) e Sporting (3).
Numa altura em que estão em cima da mesa do futebol português dossiers relevantíssimos, nomeadamente os que dizem respeito à venda centralizada dos direitos televisivos e à reformulação dos quadros competitivos profissionais, será bom refletirmos na melhor forma de impedir que o fosso entre os três grandes – com o SC Braga isolado entre o pelotão da frente e o pelotão de trás - e os outros continue a alargar-se. São prova do desequilíbrio absurdo vigente os 21 pontos que, em 17 jornadas, separam o primeiro do quarto classificado da I Liga, ou, mesmo, os 11 pontos que distam entre o terceiro e o quarto. Aqui a questão é sempre a de se saber como revitalizar a classe média, afinal a que define, com o advento da Liga Conferência, boa parte do posicionamento português no ‘ranking’ da UEFA. Dando mais dinheiro aos mais ‘pobres’, através da centralização? Ainda não se conhece a fórmula de repartição nem o montante global... Criando um modelo de competição que mantenha interesse até ao fim e proporcione mais receitas de bilheteira e possa criar um produto vendável internacionalmente? A maioria dos clubes parece não estar para aí virada e os ‘grandes’ têm-se revelado surpreendentemente passivos... Temas que podem vir à baila no I Congresso do futebol, no fim de janeiro."
A pergunta sem resposta na AG do Benfica
"Sou de uma geração estranha: vivi metade da minha vida sem internet e telemóveis, metade com eles. Tive de me adaptar a essas novas tecnologias dia a dia. Sou, também, daquela primeira geração que já não sabe coser à máquina, mexer em eletricidade, fazer uma bainha ou desmanchar um carro, e telefona do smartphone ao pai, ao sogro, ou alguém que saiba. Coisas mais ou menos simples que nos tornam embrutecidos para muitas coisas, esquisitinhos a clicar em botões para tudo, a ver vídeos no YouTube sobre como colocar um aspirador a funcionar ou como descalcificar a máquina do café, especialistas em nada, no fundo.
Daí aquela sensação de liberdade que muitos sentiram naquele dia do apagão do ano passado, em que algumas horas sem energia obrigaram muitos ao regresso a algumas coisas simples, sem depender de tecnologia, como ligar o telemóvel à airfryer para fazer o jantar.
Acompanhei há dias a Assembleia Geral do Benfica para ser discutido o projeto para revitalizar a zona envolvente ao estádio da Luz, a construção do Benfica District. Em vez de apenas ir ao futebol, pretende-se que os adeptos passem lá o dia a viver, conviver, gastar. E em família. Escritórios, hotel, teatro, centro comercial, pavilhão maior, estádio maior, tudo em grande.
Depois de uma apresentação do arquiteto e de vários milhões de euros terem sido atirados de um lado para o outro, houve lugar a perguntas dos sócios, que depois seriam respondidas. E a primeira foi desconcertante. O sócio não quis saber se vai haver muitas ou mesmo muitas derrapagens, para que serve um centro comercial junto ao maior shopping da cidade, como se vai encher o pavilhão semana a semana, nem sequer quando é que a equipa de futebol vai ganhar muitos jogos e ser campeã, a pergunta sacramental nestas reuniões. Não.
Quis saber quando é que haveria uma sala de convívio para os sócios. Um pedido tão singelo, tão longe da megalomania, que até gerou silêncio no pavilhão. Um regresso relâmpago a um tempo mais simples, sem espetáculos de luzes led e DJ no estádio - outra das queixas de alguns sócios, por acaso. O que é certo é que a questão ficou sem resposta. E isso diz muito. Implica um tempo que não volta, sem que saibamos muito bem para onde seguimos."
A culpa é de Amorim e Gyokeres, pois claro!
"Inglaterra começa a desconfiar do mercado português após os 'flops' em que se transformaram o ex-treinador e o ex-avançado do Sporting bicampeão. Mas haverá mesmo uma inflação de valores?
Os exemplos apontados são Ruben Amorim e Viktor Gyokeres e, mais a jusante, Darwin Nuñez e, até, João Félix; e o objetivo é demonstrar que, hoje, de Portugal... nem bons ventos, nem bons casamentos. Nos últimos dias, entre publicações nas redes sociais e artigos de opinião na imprensa britânica, Inglaterra parece ter dado início a um processo de desconfiança relativamente ao mercado português, alegando uma inflação injustificada dos valores emergentes no nosso futebol, pelo qual a Premier League tanto se apaixonou nos primeiros anos do século XXI, por conta das chegadas de Cristiano Ronaldo, em 2003 ao Manchester United, e de José Mourinho, ao Chelsea, no ano seguinte.
Os dois maiores protagonistas da história do desporto-rei em Portugal e que se tornaram nos maiores conquistadores da história do nosso futebol, chegaram, viram e conquistaram Terras de Sua Majestade, abrindo, ao mesmo tempo, portas e janelas ao mercado luso e dando início a um fluxo que levou, diretamente, de cá para lá nomes como Bruno Fernandes, Nani, Rúben Dias, Ricardo Carvalho, Matheus Nunes, Enzo Fernández, Abel Xavier, Pedro Mendes ou Hugo Viana, além de treinadores, como Marco Silva.
Porém, após mais de duas décadas de encanto, a relação de amor parece estar a esfriar e há cada vezes mais vozes nos media britânicos a fomentar o divórcio entre a Premier League e a Liga Portugal. E os culpados, dizem essas vozes, estão bem identificados:
Ruben Amorim, que arrasava no Sporting, com um futebol diferente, excitante, moderno e que traria, finalmente, a mudança ao Manchester United, falhou brutalmente, como antes haviam falhado todos (Moyes, Giggs, Van Gaal, Mourinho, Solskjaer, Rangnick, Ten Hag e Van Nistelrooy) os que sucederam aos quase 30 anos de glória de Alex Ferguson;
Viktor Gyokeres, goleador insaciável no emblema de Alvalade, contratado pelo Arsenal a troco de 65,7 milhões de euros, e que demora a justificar a aposta;
Darwin Núñez, veloz e palpitante no Benfica e adquirido pelo Liverpool por 75 milhões de euros, mas que nunca conseguiu afirmar-se na Premier League.
Aos três é aplicado, na generalidade das opiniões publicadas em Inglaterra sobre o tema, o termo flop. E há ainda um quarto jogador mencionado como exemplo maior: João Félix, uma das maiores vendas da história (do Benfica para o Atlético Madrid por €126 milhões), e que passou, sem grande glória pelo Chelsea.
Dá que pensar, sim, mas, quando há craques a brilhar ao mais alto nível, como João Neves, Vitinha, Nuno Mendes ou Rafael Leão, estará o mal no mercado vendedor ou... nos compradores?"
Atividade do fim de semana
"O movimento benfiquista ao longo do fim de semana, que inclui o triunfo na Taça Federação de basquetebol no feminino, é o destaque nesta edição da BNews.
1. Troféu conquistado
O Benfica ganhou ao Quinta dos Lombos, por 86-85 após dois prolongamentos, na final da Taça Federação de basquetebol no feminino, vencendo a prova pela 3.ª vez.
Na mensagem de felicitações, o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, salienta que se trata de uma "conquista que expressa um enorme espírito de grupo".
2. Foco na Taça de Portugal
O grupo de trabalho às ordens de José Mourinho prepara o embate com o FC Porto agendado para a próxima 4.ª feira.
3. Vitória merecida
Em futebol no feminino, o Benfica derrotou o Rio Ave por 2-0.
4. Outros resultados – masculinos
Em basquetebol, o Benfica ganhou no reduto do Vasco da Gama por 70-118. Em futsal, vitória por 1-6 na visita ao Barbarense. Em hóquei em patins, sucesso no rinque do Sesimbra (2-11). Em voleibol, derrota com o Sporting (3-1) e vitória frente ao Castêlo da Maia (1-3).
5. Outros resultados – femininos
Vitórias no andebol (ABC por 34-23), futsal, (Casa do Povo de Freixo por 10-0), hóquei em patins (HC Palau por 4-1), polo aquático (Sporting por 6-38) e râguebi (RC Bairrada/RC Tondela por 19-25). No voleibol, desaire no reduto do FC Porto (3-0).
6. Resultados - Formação
Os Juniores ganharam por 0-1 em Tondela. Os Juvenis golearam a Académica por 0-5. E os Iniciados empataram sem golos na visita ao Sporting.
7. Ensinamentos dos mais velhos
Jogadores da Equipa B conviveram com os jovens atletas da Benfica Escola de Futebol Benfica Campus (Seixal) e da Benfica Escola Açores.
8. Empréstimo
Joana Silva vai evoluir no Valadares Gaia até final da temporada em curso.
9. Treinos de captação
210 crianças nascidas entre 2017 e 2020 mostraram-se no Benfica Campus.
10. Recorde no triplo salto
A atleta do Benfica Amélia Pinga estabeleceu o novo recorde nacional moçambicano do triplo salto.
11. Acervo mais rico
Rafael Mimoso, nadador do Benfica, fez uma doação de um objeto especial ao Museu Benfica – Cosme Damião.
12. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube.
13. Casas Benfica
A embaixada do benfiquismo em Reguengos de Monsaraz celebrou o 26.º aniversário. Em Castelo Branco e em Vila Nova de Gaia foi realizado o tradicional Jantar de Reis."
Vida de treinador...
"No futebol, a fronteira entre ser besta e ser bestial é tão ténue que mede-se muitas vezes em 90 minutos. Um resultado transforma relações, altera perceções e redefine competências. Um golo muda um discurso, uma derrota apaga um trabalho. É por isso que, neste mundo instável, se diz, com ironia, que a mala de um treinador nunca pode estar totalmente desfeita: tem de estar sempre pronta, tanto para entrar como para sair
Ainda a época 2025/26 vai a meio e já é um espelho fiel desta realidade. O treinador tornou-se a face mais visível de tudo: do sucesso, do insucesso e, muitas vezes, de problemas que não criou. O cargo de treinador é, hoje, um dos mais frágeis do futebol moderno. Vive-se do aqui e agora, do último jogo, da classificação atualizada, da sensação do momento ou da perceção momentânea. O tempo, esse, deixou de ser critério. Passou a ser um luxo.
Os números são claros. Com muitos campeonatos ainda longe do fim, já se registaram 110 mudanças de treinador nas principais ligas europeias, num estudo que analisou 18 dos 20 campeonatos de topo, excluindo Suécia e Noruega por diferenças de calendário. Não se trata de casos isolados, mas de um padrão estrutural.
A SuperLiga da Turquia, com 17 trocas de treinador, continua a liderar o ranking da instabilidade, seguida pela Grécia e pelo Chipre, com 10 mudanças cada, e pela Bélgica, com 9. Mesmo entre as cinco grandes ligas europeias, o cenário é revelador: a Premier League assume agora a liderança, com seis demissões, impulsionadas pelas saídas de Ruben Amorim do Manchester United e de Enzo Maresca do Chelsea. Curiosamente, ambos tinham recebido recentemente o prémio de melhor treinador do mês na competição — Amorim em novembro e Maresca em dezembro — e começaram 2026 já a perder o lugar, numa liga que se apresenta como exemplo de profissionalismo e estabilidade. Nem mesmo o campeonato mais rico do mundo escapa à lógica da urgência e da pressão imediata por resultados.
Este cenário não é novo, mas é cada vez mais extremo. Treinadores como Pep Guardiola, Carlo Ancelotti ou José Mourinho têm alertado, ao longo dos anos, para o mesmo problema: o treinador passou a ser o primeiro, e quase sempre o único, responsável visível pelos fracassos coletivos. Guardiola afirmou que «hoje um treinador precisa ganhar imediatamente, porque o tempo deixou de existir.» Ancelotti, mais pragmático, resume: «No futebol atual, a paciência é uma palavra decorativa».
Mas há um aspeto tantas vezes esquecido nesta discussão: a vida do treinador é vivida permanentemente sob observação. Em Inglaterra, usa-se uma expressão particularmente feliz para a descrever: Life inside the fishbowl — vida dentro do aquário. O treinador está sempre visível, exposto, observado de todos os ângulos. Cada gesto é analisado, cada substituição escrutinada, cada palavra dissecada. E o mais perturbador é que grande parte desse olhar é inquisidor e, não raras vezes, pouco informado. Comentadores ocasionais, ex-jogadores sem preparação, dirigentes de ocasião, redes sociais, programas de debate intermináveis. Todos opinam. Poucos contextualizam. Menos ainda entendem verdadeiramente os processos do jogo e o que é, realmente, o futebol.
Treinadores consagrados têm-no denunciado. José Mourinho falou várias vezes sobre a tribunalização do futebol moderno. Pep Guardiola referiu que hoje se analisa mais o resultado do que a ideia. Carlo Ancelotti sublinhou que o treinador passou a ser avaliado por quem nunca treinou, nunca liderou um balneário e nunca geriu um grupo sob pressão extrema.
Neste aquário, não há espaço para erro pedagógico nem para maturação de processos e ideias. Tudo é imediato, tudo é definitivo. Uma derrota gera teorias, duas geram desconfiança, três criam sentenças públicas. O treinador deixa de ser um construtor ou a solução para passar a ser um problema.
Por isso, já não existem histórias como a de Sir Alex Ferguson. O escocês esteve 27 anos no Manchester United, construiu uma cultura vencedora e deixou um legado que atravessou gerações. Importa recordar: nos primeiros anos em Old Trafford, Ferguson esteve muito perto de ser despedido devido à falta de resultados. Se fosse hoje, dificilmente teria sobrevivido. O futebol moderno teria eliminado, precocemente, um dos seus maiores mestres.
O presente oferece exemplos claros desta impaciência crónica. Escrevi aqui nesta rubrica sobre o injusto despedimento de Sérgio Conceição no Milan. O sucesso de Vítor Pereira no Wolves, com uma época 2024/25 marcada por vitórias e por ter salvo o clube da despromoção, parecia consolidar a sua posição. No entanto, poucos meses depois, foi despedido. O problema seria o treinador? Não me parece, de todo. Wilfried Nancy é um caso particularmente revelador: apenas 32 dias depois de suceder a Brendan Rodgers, deixou o cargo de treinador do Celtic. Um mês. Tempo insuficiente para mudar seja o que for, mas suficiente para ser descartado. No Liverpool, o treinador que foi campeão na época passada começa já a ouvir vozes que questionam a sua continuidade. Rui Borges, campeão pelo Sporting, já começou a ouvir essas vozes, e já se fala que a direção leonina estará a considerar um eventual substituto. Espero que não. O futebol raramente contextualiza; reage. O crédito desaparece à velocidade de uma story nas redes sociais. O passado recente não protege o presente imperfeito. O aplauso dura menos do que o eco da crítica.
O dado mais alarmante desta época, no entanto, está noutro número: 11 clubes europeus já se encontram no terceiro treinador da temporada. Em países, culturas e contextos diferentes, repete-se o mesmo padrão. Nottingham Forest, Celtic, Aves SAD, Panathinaikos, Antalyaspor, entre outros. Dois treinadores despedidos, um terceiro a entrar, muitas vezes com os mesmos problemas estruturais intactos. Mudam-se treinadores, mantêm-se problemas como é o caso do Manchester United. Falha o planeamento, falha o projeto, falha a liderança, falha a coerência mas o treinador paga primeiro.
Tudo isto levanta uma pergunta essencial: estamos a trocar treinadores ou a esconder falhas mais profundas? Planeamento deficiente, decisões erradas no mercado, lideranças frágeis, expectativas desalinhadas. Mudar o treinador tornou-se o gesto mais rápido, mais visível e mais mediático. Dá a sensação de ação. Raramente resolve a raiz do problema.
Tudo isto expõe uma profissão vivida sob pressão constante, emocionalmente desgastante e estruturalmente frágil. O treinador já não gere apenas uma equipa: gere expectativas, discursos, ruídos e julgamentos. Vive dentro de um aquário onde todos olham, poucos compreendem e quase ninguém espera.
Vida de treinador é isto: viver num equilíbrio permanente entre a glória e a queda. Entre a assinatura da renovação e a da rescisão. Entre o aplauso fácil e a contestação imediata. Um exercício diário de resistência, lucidez, adaptação e sobrevivência num futebol que corre mais depressa do que a reflexão. Hoje, mais do que nunca, a pergunta já não é se o treinador vai ser questionado. É quando. É, também, quanto tempo falta para alguém, de fora do aquário, bater no vidro e exigir mudança. Porque, no futebol do agora, o tempo deixou de ser aliado, passou a ser inimigo."
Um novo tempo para o Boxe português
"O boxe nacional atravessa hoje uma fase de renovação que o projeta muito para além da sua função histórica de intervenção social. Modalidade fundadora dos Jogos Olímpicos, o boxe afirma-se em Portugal como uma referência sólida e inspiradora no panorama desportivo, com um percurso próprio e heterogéneo que se tem vindo a consolidar como um espaço de formação de prática regular e de afirmação competitiva.
A Federação Portuguesa de Boxe, fundada em 1914, tem desenvolvido um trabalho consistente de renovação da modalidade. Nos últimos dois anos, Portugal marcou presença em Campeonatos da Europa, Campeonatos do Mundo e no último apuramento olímpico, destacando a qualidade dos seus clubes, treinadores e atletas. Paralelamente, projetos inovadores e de investigação em parceria com a Universidade de Aveiro sobre o impacto da modalidade no atleta, a aposta no boxe feminino e o boxe adaptado, têm reforçado a inclusão, a diversidade e o impacto social da modalidade.
A admissão de Portugal, a 31 de dezembro de 2025, na World Boxing é mais um reconhecimento internacional do esforço ambicioso do boxe português, que continua a crescer em clubes, praticantes e notoriedade. O grande desafio para o próximo ano passa pelo reconhecimento público e pelo financiamento, essenciais para consolidar este projeto e garantir que o boxe português se afirma de forma sustentável, inclusiva e de excelência."
Alcaraz em Melbourne: O capítulo que pode mudar o ténis
"O Australian Open abre 2026 com a narrativa perfeita para marcas e audiências: Carlos Alcaraz entra em Melbourne à procura do único torneio que lhe falta para completar o Grand Slam e consolidar o estatuto de atleta-marca global.
Esta combinação de ambição histórica, timing e localização cria um produto de entretenimento de altíssima tração mediática e comercial: os Grand Slams são, por natureza, o formato premium do ténis, mas o Australian Open tem um diferencial estratégico: começa o ano e oferece o verão australiano como ambiente instagramável que amplifica conteúdos e ativações.
Para marcas e organizadores, o caso Alcaraz impõe uma pergunta direta: estamos a maximizar um atleta que pode 'fechar o ciclo' de títulos antes dos 23 anos e, com isso, arrastar novos públicos para o ténis? É aqui que o marketing tem de trabalhar em três frentes: narrativa, dados e experiência.
Na narrativa, Melbourne precisa de vender 'o último capítulo' com inteligência editorial, cruzando a jornada de Alcaraz com a memória recente do circuito; na camada de dados, o torneio deve medir em tempo real a correlação entre picos de audiência e momentos de tensão competitiva; na experiência, é crucial transformar a presença física no recinto em conteúdo partilhável que viva para lá da partida.
Carlos Alcaraz é um catalisador raro: soma finais consecutivas em Grand Slams e chega a Melbourne com a narrativa do 'único troféu que falta', um arco que, no passado, transformou Federer, Nadal e Djokovic em ativos comerciais com valor de longo prazo. Para os patrocinadores, esta é a hora de desenhar experiências dentro e fora do recinto: conteúdos exclusivos, ofertas dinâmicas em dia de jogo, merchandising limitado associado a momentos chave e, sobretudo, de ligar propósito e performance sem cair em slogans vazios.
O torneio tem a vantagem competitiva do território: Melbourne dispõe de uma infraestrutura de hospitalidade e mobilidade que facilita ativações e parcerias, enquanto a janela horária australiana, historicamente vista como barreira, pode ser aproveitada com conteúdos on-demand que mantêm o pico de consumo durante todo o dia nas geografias europeias e americanas.
A antecedência editorial também joga a favor: a imprensa especializada e guias de calendário colocam o Australian Open como 'primeiro grande' de 2026, com a expectativa adicional de observar efeitos da troca técnica no desempenho de Alcaraz e a resposta dos seus rivais diretos, como Jannik Sinner, vencedor em 2025, o que alimenta debates e aumenta o valor do pré-jogo.
Há ainda uma dimensão de cultura e tecnologia que o torneio deve abraçar: em 2026, o consumo de streaming caminha para modelos mais personalizáveis e orientados por dados, e os grandes eventos começam a integrar camadas interativas para reduzir a fricção na descoberta e aumentar a retenção; esta tendência é transversal e atinge também o desporto, tornando crítica a capacidade de oferecer múltiplos ângulos, estatísticas em tempo real e highlights automatizados em formatos curtos para redes sociais.
Em 2026, o Australian Open não é apenas o torneio que abre o calendário. É o palco onde o ténis decide se quer competir pela atenção com as ligas que ocupam o mês de janeiro ou se quer liderar o mês com uma história que só ele pode contar."






