segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A “Santa Aliança”: a recriação do “fantasma” que tudo justifica


"André Villas-Boas (AVB) afastou Pinto da Costa mas agora parece empenhado no espírito da sua recriação. Outra vez com a recuperação da narrativa do “contra tudo e contra todos”, talvez a única forma de se convencer a si próprio que não se verga para afirmar, internamente, a sua liderança…

1. .… Mas já vergou: AVB não seguiu o seu caminho, está a ser no pensamento uma cópia mal acabada de Pinto da Costa, não percebendo que os sequazes do ex-líder portista nunca lhe perdoarão. A “Santa Aliança” é apenas uma invenção para tentar manter unido um clube (fundamental para o futebol português) que se apresenta ainda muito dividido. As vitórias estão a dar-lhe alento para recuperar a ideia do bastião. Do ADN. Da perseguição territorial. Do discurso divisionista. E dos plantadores da ideia de que “o resto do País” não quer que o FC Porto ganhe. Não é verdade. São fantasmas. São imagens (antigas) agora utilizadas em forma de holograma. Realidades virtuais. Convenientes. Que têm o condão de atemorizar. Como, aliás, se viu agora no “clássico” com a recriação de um clima e de um ambiente emocionais tendentes a levar o adversário e a arbitragem para uma evidente zona de conforto. Entre méritos e alavancas sistémicas que tornam o futebol em Portugal uma actividade com “coisas muito estranhas”. Mas não apenas de um lado. De muitos lados. O futebol português tem de valer por aquilo que se joga, com base na qualidade do treino e da gestão. E não através de técnicas que não se importam com o lado marginal desta indústria e que ainda dominam o torrão pátrio.

2. No pós-clássico entre o FC Porto e o Benfica houve uma Gala. Glamour, muitos sorrisos, luzes, cumprimentos, abraços, reencontros, prémios e consagrações, palmadinhas nas costas, o ramalhete perfeito. Dois presidentes dos clubes dominantes: André Villas-Boas, presidente-campeão, e Frederico Varandas, questionado acima de tudo sobre o presente e o futuro de Rui Borges. O presidente do Benfica, ausente.

3. E, na plateia, José Fontelas Gomes, vice-presidente da FPF, ex-presidente do CA da FPF, entre Pedro Proença e Reinaldo Teixeira, presidente da Liga. Interessante. Nas declarações à imprensa, André Villas-Boas, vencedor do “clássico”. Nas Galas, somos de facto brilhantes (no sentido da emanação do brilho, mesmo que seja meio natural, meio artificial), mas no intervalo das Galas é que percebemos a realidade do futebol, tipo “Titanic”. Uns de boquilha, outros de salva-vidas. A realidade, extra-Gala, aponta-nos para uma guerrilha institucional, para cenas que não deveriam acontecer nos jogos entre oficiais do mesmo ofício, como ambientes difíceis pré-construídos, acentuada agora pelas declarações de André Villas-Boas (AVB), que relançou o tema da… “Santa Aliança”.

4. Santa Aliança?! Onde? Na segunda Circular ou na narrativa que André Villas-Boas percebe que tem de utilizar porque continua a ter o clube dividido, porque há uma ala que interpreta — apesar dos elogios cirúrgicos — a forma como AVB tratou Pinto da Costa nos seus últimos tempos de vida como uma “traição” irreparável? Villas-Boas apresentou-se como regenerador, como elo de ligação capaz de acabar de elevar o nível do discurso e para, ele próprio, recusar certas técnicas de antanho, sustentadas na promoção interna através da escolha do inimigo externo. E qual foi sempre o “inimigo externo”? Os clubes de Lisboa, a comunicação social de Lisboa e todos os movimentos que não dessem cobertura à dinâmica da vitimização contra o “centralismo”. André Villas-Boas utilizou, de início, um discurso elevado de agregação e, sobretudo, de crítica em relação à gestão de Pinto da Costa e prometeu não dar tréguas a todos aqueles que, dentro do clube, tivessem prejudicado o FC Porto. Onde está essa “limpeza” que prometeu? O grau de satisfação terminou quando o ex-líder da claque [F. Madureira] foi preso? E quem alimentou a estratégia anti-democrática e de abuso da qual AVB se confessou prejudicado e só teve consequências mais visíveis para o ex-líder da claque? Onde estão os resultados da sugerida conduta ética? Onde ficou a crítica de AVB a todos aqueles que deixaram o FC Porto na exaustão financeira e nas condutas paralelas anti-desportivas?

5. Esta asserção da “Santa Aliança”, que é um fantasma e uma asserção de um certo complexo de inferioridade que não tem adesão à realidade de um clube com expressão nacional e internacional, caiu logo pela base no local onde AVB a proferiu, porque se houve esse Santa Aliança Frederico Varandas e Rui Costa estariam alinhados no tema da centralização e estariam alinhados no posicionamento contra o actual presidente da FPF. E não estão.

6. Tivemos no Dragão duas ‘escolas’ de futebol e ganhou aquela que melhor preparou o jogo em termos emocionais, ao seu estilo e sem contemplações.
O FC Porto não é apenas uma equipa com bons executantes e com uma forma de expressar os seus talentos futebolísticos que o leva a gerar supremacias.
O FC Porto, nestas partidas mais quentes, sobretudo com os rivais, transporta o jogo para o patamar que mais lhe convém, porque tem uma história que se convencionou chamar o tal ADN à qual junta, hoje, com André Villas-Boas, a certeza de que é preciso criar um determinado ambiente a partir do qual — quando é necessário — os adversários se sintam desconfortáveis.
O FC Porto aguentou o ‘forcing’ inicial do Benfica, mas nesse embate foi criando as condições necessárias para emocionalmente o Benfica se sentir desconfortável. E o Benfica, com alguns jogadores sem experiência de “clássicos” em Portugal, caiu redondamente na esparrela.
Pôs a funcionar a máquina do seu próprio conforto e, repito, levou o jogo para onde queria, em relação ao rival e também em relação à arbitragem. O árbitro Miguel Nogueira até viu coisas que mais ninguém viu e não viu coisas que deveria ter visto (excesso de dureza).

7. Não me pareceu que Marco Silva, como muitos fazem após derrotas, quisesse tapar o sol com a peneira. Assumiu, aliás, os erros próprios, deixando, no entanto, uma mensagem muito clara, do tipo: eu vim de outra realidade, onde se joga futebol e onde o respeito pelo público e o respeito por oficiais do mesmo ofício e a noção de competir se sobrepõem ao jogo rasteiro e subterrâneo que continua a dominar o futebol em Portugal, em muitas latitudes.

8. O que Marco Silva quis dizer é que, para se sobreviver neste contexto de toxicidade que se cultiva há anos no futebol indígena, é preciso que os homens se transformem em monstros. Sem respeito por ninguém. E isto é dramático. São centenas de mensagens que me chegam a dizer: ‘já não gosto deste futebol que se respira em Portugal, ninguém faz nada para mudar, é sempre a mesma coisa’. E depois vem a lengalenga e as técnicas do costume, muito alavancadas nas redes sociais, em que nada é por acaso. Há muita coisa concertada. Existe uma obsessão de difamar todos aqueles que não dizem ámen a esse tipo de técnicas, gente da televisão — os chamados comentadores-adeptos que, nalguns casos, atiram mesmo o futebol para as profundezas do esgoto — e todos assistimos a este degradante espectáculo com uma permissividade total, sejam governantes, presidentes de câmaras, alegados ilustres cidadãos deste país, gente com ligações à comunicação social e “tutti quanti” de uma “fauna futebolística” sem uma centelha de vergonha e de nível, com preocupações até ao nível de uma certa paz social.
As regras têm de ser iguais para todos. Repito: para todos.

9. Tudo o que vemos sobre os relvados, em termos da capacidade de resposta de um FC Porto forte, nos limites da sã competitividade, é de aplaudir e não venham dizer que esse apego à competição de uma forma militante é uma resposta ao “centralismo”, que já cansa de tanto ouvir e, hoje por hoje, passadas décadas, é uma conveniente mas mera falácia. O problema é o resto: a falta de desportivismo, a procura do conflito gratuito e as pressões feitas sobre quem não se deixa capturar e alinha nessa narrativa ou na exteriorização dessas estratégias.

10. Um dos problemas do futebol português é o corporativismo entre os agentes (nem todos mas muitos ex-treinadores, ex-jogadores, ex-árbitros, candidatos a novos empregos, que, para ganharem os seus milhõezinhos e/ou participarem em ações que lhes dão visibilidade, têm de se calar e fazer de conta que não veem nada e que é tudo uma confabulação anti-futebol. Não se importam de fazer a defesa da corporação, mesmo que ela não ultrapassasse a fasquia de uma certa corrupção intelectual.
Não nos enganem!
Uma vergonha, ainda por cima, cheia de sorrisos falsos e hipócritas! Somos, de facto, um país de “chicos-espertos”!…
Metam a mão na consciência e parem enquanto for tempo!"

1 comentário:

  1. sim seu palhaço velho e que deverias estares ja na reforma, nao nos enganas e o respeito começa em respeitar-se os outros primeiro para que sejamos respeitados, e tu palhaço triste e velho deverias ser o primeiro a faze-lo, intelectualmente nao vales um centimo pois tentas passar a imagem de neutro e honesto mas neste artigo demonstras mais uma vez o HIPOCRITA que és e sempre foste; o exemplo ja to vou dar e é a prova do ignorante e HIPOCRITA que és!!!! escreves o FC Porto e o Benfica em variadas frases quando deverias escrever o FC Porto e o SL Benfica... pois nunca escreveste em toda esta MERDA de artigo hipocrita e banal o Porto e o SL Benfica... se conseguires compreender a diferença!!!!!!! HIPOCRITA e IDIOTA é o que sempre foste grande calhao e cagalhao mal cheiroso travestido de isento e neutro, e grande cobarde!!!!!

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