Thursday, April 9, 2026

Um campeonato em sete anos


"Com o empate na visita ao Casa Pia, o Benfica deixou fugir as poucas possibilidades que ainda tinha de poder ser campeão. Já é o próprio Mourinho que atira a toalha ao chão. Até mesmo o segundo lugar e o apuramento para a Liga dos Campeões começa a ficar difícil. Será o terminar de uma época mais uma vez mal preparada, com mais um despedimento de treinador no início da temporada e em que quase nenhum dos objetivos foi alcançado.
Há apenas a fraca consolação da conquista da Supertaça, prémio muito pequeno para quem gastou mais de 100 milhões em reforços. Rui Costa foi o nº 2 do Benfica desde 2008 até 2021, estamos a falar de 13 anos, teve esse tempo todo para se preparar e já há cinco anos que é o nº 1 do clube e isto é o que tem para mostrar: em cinco temporadas, um Campeonato, uma Taça da Liga e duas Supertaças.
Ou seja, perdeu quatro em cinco Campeonatos, perdeu cinco em cinco Taças de Portugal e perdeu quatro em cinco Taças da Liga. Em todos esses cinco anos, gastou centenas de milhões de euros em reforços, contratou sempre à volta de dez jogadores anualmente para a equipa principal, gastou mais dinheiro do que os rivais e o que se vê é um Benfica à deriva, incapaz de ter sucesso desportivo continuado (e até esporádico) e a ficar para trás em relação a Porto e Sporting.
No entanto, uma maioria significativa dos sócios do Benfica votou nisto ainda há poucos meses. Ninguém pode dizer agora que não sabia no que estava a votar, ninguém pode dizer que está surpreendido, mas espero que agora também ninguém venha dizer que não votou em Rui Costa ou que está desiludido ou que esperava outra coisa. O que Rui Costa tem para dar ao Benfica já é muito claro e com certeza não precisa de mais dez anos à frente do clube para mostrá-lo: é alguém que não se preparou para ser Presidente do Benfica, que vive da sua imagem de jogador e do benfiquista que chorou quando marcou um golo ao clube e que não tem qualquer projeto sólido para o Benfica.
A sua espécie de projeto foi apresentar uma obra megalómana para o Estádio da Luz e suas redondezas e no início de todas as épocas despejar 100 milhões em reforços, quase sempre mal escolhidos e esperar que corra bem. Em 2022 correu bem, com Schmidt, Enzo, Aursnes e David Neres; em todos os outros anos correu mal. Muito mal.
Os sócios votaram e agora Rui Costa não vai sair. Irá ser ele mais uma vez a preparar a próxima temporada, a sexta da sua Presidência. Irá insistir em Mourinho (como insistiu em Schmidt ou Lage) e se calhar desta vez não atirará 100 milhões para reforços porque as finanças do clube já não o permitem e as receitas da Champions não existirão. Se, com bonança, está a ter estes resultados, como será Rui Costa na tempestade?
O Maestro começa a posicionar-se para a lista dos piores Presidentes da História do clube. Mas os sócios, que já se habituaram a isto tudo, que tornaram o Benfica num clube em que falhar é normal e aceitável, em que não existe uma cultura de exigência, deram-lhe mais tempo para tentar dar a volta a isso (a um tipo que está na direção desde 2008, repare-se). Aliás, se as eleições fossem hoje, Rui Costa voltava a ganhar. Essa maioria benfiquista habituou-se ao que tem e está disposta a dar-lhe mais oportunidades, já que 18 anos é pouco.
Já eu duvido da sua capacidade, fico com a crença que até um relógio avariado está certo duas vezes ao dia e quem sabe 22/23 foi a primeira vez e 26/27 seja a segunda vez. Nestas alturas dá vontade de criticar tudo e todos e claro que José Mourinho e os jogadores também têm culpas. Mourinho nunca conseguiu pôr o Benfica a jogar um bom futebol, mesmo agora que só joga uma vez por semana e tem tempo para treinar, e acaba por falhar todos os objetivos para que foi contratado.
Os jogadores dão o que podem (Ou será que não dão? Mourinho criticou o seu profissionalismo), mas a verdade é que são todos medianos. Não tem o Benfica um craque, um jogador de classe extra no plantel. Não há um João Pinto, um Simão, um Gaitán, um Jonas. Eles não são maus jogadores, mas excelentes também não são. Basta reparar nos onzes das equipas do Tetra e perceber que dez anos depois estamos num patamar bem abaixo.
Sobram seis jogos para o final da temporada, deve o clube tentar vencê-los, até pode fazer essa coisa bem estranha de acabar o campeonato invicto (só espero que caso aconteça, o clube não tenha a falta de vergonha de vender merchandising a louvar tal feito, quando tal feito é à custa de imensos empates e um terceiro lugar, mas daquelas pessoas já tudo espero) e depois recomeça tudo de novo para 2026/27.
Provavelmente com Mourinho, com muitas caras novas no plantel e avancemos para a tal definição da insanidade: Fazer tudo igual e esperar resultados diferentes."

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